Sunday, January 30, 2011

Poema de Sábado (no Domingo)

Soneto ao Inverno

Inverno, doce inverno das manhãs
Translúcidas, tardias e distantes
Propício ao sentimento das irmãs
E ao mistério da carne das amantes:

Quem és, que transfigura as maçãs
Em iluminações dessemelhantes
E enlouqueces as rosas temporãs
Rosa-dos-ventos, rosa dos intantes?

Por que ruflaste as tremulantes asas
Alma dos céu? o amor das coisas várias
Fez-te migrar - inverno sobre casas!

Anjo tutelar das luminárias
Preservador de santas e de estrelas...
Que importa a noite lúgubre escondê-las?

Londres, 1939

(Vinícius de Moraes, do livro
 Livros de Sonetos, pag. 28)

Monday, January 24, 2011

The Mystery of Edwin Drood (Charles Dickens)

Antes mesmo de começar a história, fiquem logo sabendo, queridos leitores, que a história não tem final. Rs. O Mistério de Edwin Drood foi o último livro escrito por Charles Dickens, que morreu antes que a história fosse concluída, em Junho de 1870, fazendo que com que o Mistério de Edwin, continuasse eternamente não-resolvido.

A primeira parte da história gira em torno do noivado arranjado de Edwin Drood e Rosa Bud. Arranjado pelo pai de Rosa à beira da morte, quando os dois ainda eram infantes. Edwin é adorado pelo tio John Jasper, que criou o sobrinho desde a morte de seus pais, adorado de tal forma que Jasper mantem um diário de todos os fatos e passos de Drood. Rosa Bud, após virar órfã, foi enviada para o convento de Miss Twinkleton, de onde só sairia após o casamento com Drood quando atingisse a maioridade.

Meses antes do possível dia do casamento de Edwin e Rosa, Neville e Helena Landless chegam à cidadezinha. A história dos dois é logo espalhada, perderam os pais cedo, foram criados por um amigo carrasco da família, cresceram selvagens e com poucos recursos, foram passados de mão em mão até que Sr. Honeythunder veio entregá-los nas mãos do Reverendo Crisparkle. Neville é daqueles que não leva desaforo para casa, não tolera desrespeito e hipocrisia - o que bate de frente com o esnobe Edwin Drood - cabe aqui uma explicação do caráter de Drood... ele, apesar de protagonista, não é um personagem com quem o leitor simpatiza muito - pelo menos eu não simpatizei com ele - ele tem um ar de superioridade, não é nada humilde, e trata com desdém os que não são de seu círculo.

"Neville Landless já bastante impressionado pela pequena Rosebud (que a tradução seria Botão de Rosa),  sentia-se indignado pelo fato de que Edwin Drood (obviamente inferior a ela) carregava esse prêmio com tão pouco valor. Edwin Drood já bastante impressionado por Helena, sentia-se indignado que o irmão de Helena (obviamente inferior a ela) portava-se tão confortávelmente, excluindo-o completamente da situação" (pag. 69)
Neville se apaixona pela delicada e desprotegida Rosa na primeira e única vez que a vê. Edwin é cativado pela forte e determinada Helena Landless. Neville desde já detesta Edwin e o sentimento é mútuo, e não demora muito para que os dois, após uma discussão que quase acaba em morte, virem inimigos mortais. Helena é entregue às mãos de Miss Twinkleton, e logo, logo, torna-se a melhor amiga de Rosa.

A reviravolta na história acontece quando Rosa decide desmanchar o noivado com Edwin, poucos meses antes do dia "D". Edwin desaparece do mapa no dia seguinte, e aqui nasce o maior mistério do século XIX! Teria Edwin sido morto? Teria ele partido por conta própria? Quem o teria assassinado? Seus pertences foram encontados no rio do centro da cidade, e o primeiro suspeito, logicamente, foi Neville Landless.

The Mystery of Edwin Drood foi o livro escolhido para o BookClub de Dezembro, para ser discutido na Feira de Natal do Charles Dickens. No entanto, nenhuma de nós conseguiu terminar de ler a tempo para a feira... na verdade, a narrativa é bem lenta, os diálogos super longos que chegam a ficar chatos e cansativos, não conseguia ler mais que 4, 5 páginas por noite. A história tem de altos e baixos mas nenhum deles prendem muito a atenção do leitor. O fato de o final não ter um final, permite que a imaginação corra solta (e para mim, esse foi o fato mais excitante da história!)... a Edição que comprei tem uma segunda parte "não-oficial" - O Julgamento de John Jasper - o que conclui expeculando que tio de Edwin, John Jasper, tenha sido o assassino.

Eu pensei em dois possíveis finais:
1. Edwin Drood não morreu, partiu covardemente por não tolerar a idéia de que ele levou um chute no traseiro daquela criatura que ele pensava não ter pensamentos próprios... era orgulhoso demais para aceitar o fato de que, depois de todos esses anos se preparando para carregar aquele peso, terminaria sem ela e sem o dinheiro da herdeira. Estaria provavelmente viajando pelas ilhas caribenhas, bebendo Piña Colada.

2. Se Edwin Drood realmente morreu, Helena Landless foi a culpada. Neville era aberto demais, falava o que pensava, e como diz o ditado: "Cão que late, não morde!" Todos sabiam o quanto os dois não se gostavam, mas Neville não teria sido capaz de matar Edwin. Helena, por sua vez, seria o assassino perfeito. Por várias vezes durante a história, Helena foi mencionada como uma mulher de personalidade forte, que mesmo parecendo frágil, era única pessoa que conseguia controlar o compartamento do irmão. O motivo? Ela sabia que Neville estava apaixonado por Rosa. Tornou-se a melhor amiga de Rosa, aos poucos conseguiu convercer a amiga de que casar com Edwin não era o que Rosa queria, Drood havia dito a Rosa que deixaria a cidade...


E vocês, o que acham?

"Suportei tudo isso em silêncio. Por todo o tempo em que foste dele, ou pelo tempo que eu pensei que foste dele, escondi meu segredo honradamente. Não escondi?" (pag. 206)

Saturday, January 22, 2011

Poema de Sábado

Do Belo

Nada, no mundo, é, por si mesmo, feio.
Inda a mais vil mulher, inda o mais triste poema,
Palpita sempre neles o divino anseio
Da beleza suprema...

(Mario Quintana,
do livro Espelho Mágico,
pág. 29)

Saturday, January 15, 2011

Poema de Sábado

Ontem recebi meus presentes de Natal do meu pai... demorou quase 2 meses para chegar mas eu não perdi as esperanças! Entre tantos livros e coleções de meus autores favoritos, recebi a coleção do poeta Amazonense Gaitano Antonaccio, e para minha surpresa, cada um dos 12 livros dele vieram autografados e carinhosamente dedicados a mim! Nem preciso dizer quão feliz e surpresa fiquei, nem consegui controlar as lágrimas pela honra de agora possuir suas obras, sabendo que Antonaccio sabe o quanto admiro suas linhas e poemas de amor.

Compartilho com vocês hoje o poema "Você é vida" que li pela primeira vez aos 14 anos de idade, quando tomei posse do meu primeiro livro de poesias do Gaitano Antonaccio - Estafas de Amor - e instantaneamente passei a ser admiradora. Gaitano, estou imensamente agradecida pela atenção e carinho.

Você é Vida

Você é qual a doce primavera
Desaparece, mas ressurge sempre
Mais bonita, mais excitante!

Mulher com voz de menina
Jeito de criança, vaporosa e ágil,
Trejeito de inocência na maturidade,
Fêmea com excesso de feminidade.

Sílfide alegre como as flores,
Esplendorosa como as estrelas,
Trepidante como as ondas, e,
Suave, como o andar das nuvens.

Possui a temperatura do sol
E a emoção de um imenso mar.

Espero que nessa paisagem confusa,
Você não esqueça o meu amor,
Porque amo mais você que a vida.

E você sem dúvida, é vida!...

Monday, January 10, 2011

Let the Right One In (John Adjive Lindqvist)

Esse livro foi escolha do BookClub para o mês de Novembro. Eu comprei o livro relutante para ler a história, havia visto o trailer do filme, o que já havia me desencorajado a ler - outro livro sobre vampiros! - e o filme parecia ser bem macabro - detesto filmes de suspense/terror -  por puro medo mesmo, noites sem dormir! rs.

Oskar é um adolescente rejeitado por seus colegas de classes, que o humilham e o espacam sempre que têm oportunidade. Acuado e sozinho, Oskar precisa arranjar um meio para externalizar suas frustrações e a raiva guardada dentro de si durante todos esses anos de rejeição. É durante uma das noites em que se mete no meio da floresta para descontar suas angústias em troncos de árvores que Oskar conhece Eli, a nova vizinha do apartamento ao lado.
"(...) Fará com que ele peça, implore por sua vida, grite como um porco, mas em vão. A faca terá as últimas palavras e a terra beberá o seu sangue. Oskar havia lido essas palavras num livro e gostou delas. A terra beberá o seu sangue." (pag. 22)
Enquanto a amizade de desenvolve, crimes acontecem em outras cidadezinhas próximas a Blackeberg. Adolescentes são encontrados mortos de maneira bizarra, cruéis. A mãe de Oskar, super protetora, controla os passos do filho, sem saber que o perigo mora, literalmente, ao lado.

Desde o início Oskar notou que Eli tinha algo de diferente. Usava o mínimo de roupa mesmo quando os termômetros marcavam temperatura abaixo de zero. Na primeira vez que encontrou Eli, havia um odor insuportável vindo da nova amiga. As janelas do apartamento da vizinha eram todas cobertas, Eli só aparecia a noite e nunca esclarecia que tipo de relacionamento tinha com Hakan, o homem com quem morava, que Oskar assumiu ser o pai. Fora que parecia tão madura e inteligente para uma menininha de 12 anos.

O livro não tem nada de assustador. O que me incomodou na história foi o fato de haver prostituição infantil e pedofilia. Os primeiros capítulos são nojentos, de mau gosto - fator nº 01 que excluído do filme. Quem assiste apenas o filme não consegue entender o que ELI realmente é, menino/menina/hermafrodita? E o livro explica como e quando Eli se tornou o que é - fator nº 02 excluído do filme. A leitura é crua, o vocabulário coloquial, vai direto ao ponto. As histórias paralelas do livro, que eu pensei que iriam levar a alguma conclusão no destino dos protagonistas, no final não têm nenhuma ligação com os mesmos, a não ser pelo fato de que Eli ou se alimentou, ou tentou se alimentar de um deles.

Eu não assisti o filme, mas de acordo com as minhas 2 companheiras que assistiram o filme - uma delas, Jéssica, foi a que escolheu o livro para o BookClub, o filme é melhor que o livro (uma exceção à regra!) por excluir da história aqueles momentos "Ah, que vergonha! e Ah, que nooojo!" - fatores 01 e 02 que citei anteriormente.

No final da história o leitor tem que fazer uma retrospectiva de todos os eventos para julgar e decidir quais os reais motivos por trás do último ato de Eli. Eu, particularmente, não vi o final cheio de romantismo. Pra mim, seus atos foram calculados. Eli fez o que fez porque não tinha mais Hakan para ajudá-la e logo, logo alguém precisaria alimentar aquela fera.

"Deixe alguém entrar e ele te machucará. Esse é um dos motivos pelo qual ela mantinha seus relacionamentos curtos. Não os deixe entrar. Uma vez dentro, eles têm mais chances de te machucar. Conforte-se. Conseguirás viver com a angústia contanto que a angústia seja só sua. Contanto que não tenha esperança." (pag. 220)

Sunday, January 9, 2011

Resumo do Ano - 2010

Cá estou eu, bem atrasada para compartilhar com vocês meu resumo do ano. 2010 foi um ano de novas experiências, BookClub continuou firme e não tão forte com essa vida corrida que todas nós levamos mas conseguimos assegurar algumas boas reuniões e algumas boa e não tão boas leituras.

Li 31 livros e desisti de 1 (escolha do Clube do Livro, todas nós desistimos porque não dava para forçar!).

01. Wuthering Heights (Emily Brontë)

02. Bloodsucking Fiends (Christopher Moore)

03. Storm Front (Jim Butcher)

04. O vendedor de Sonhos e a Revolução dos Anônimos (Augusto Cury)

05. A Cabana (William P. Young)

06. Love the one you're with (Emily Giffin)

07. Lua Nova (Stephenie Meyer)

08. Three Cups of Tea (Greg Mortenson & David O. Relin)

09. Anna Karenina (Leo Tolstoy)

10. Amar, verbo intransitivo (Mário de Andrade)

11. The age of Innocence (Edith Wharton)

12. Ciranda de Pedra (Lygia Fagundes Telles)

13. East of Eden (John Steinbeck)

14. As Três Marias (Rachel de Queiroz)

15. The girl with the dragon tattoo (Stieg Larsson)

16. Jacob's Room (Virginia Woolf)

17. Alice's Adventures in Wonderland & Through the Looking-glass (Lewis Carroll)

18. The Tale of Murasaki (Liza Dalby)

19. A tree grows in Brooklyn (Betty Smith)

20. Life of Pi (Yann Martel)

21. Girl with a pearl earring (Tracy Chevalier)

22. The Shadow of the Wind (Carlos Ruiz Zafón)

23. The Falls (Joyce Carol Oates)

24. Boom! (Mark Haddon)

25. The girl who played with fire (Stieg Larsson)

26. Clarice na Cabeceira (Clarice Lispector)

27. Captive (Clara Rojas)

28. Lost in Austen (Emma Campbell Webster)

29. Literacy and Longing in L.A. (Jennifer Kaufman & Karen Mack)

30. The curious incident of the dog in the night-time (Mark Haddon)

31. Let the Right One In (John Ajvide Lindqvist)

Não me arrependo e leria de novo!!! - Ficção: A tree grows in Brooklyn e ambos da Coleção do Stieg Larsson.

Não me arrependo e leria de novo!!! - Não-Ficção: Three Cups of Tea (Greg Mortenson & David O. Relin)

Preferia não ter lido!: Lua Nova (Stephenie Meyer)

Li mas não convenceu: Captive - "Eu, prisioneira das Farc"  (Clara Rojas)

Decepção: The Falls - "As Cataratas" (Joyce Carol Oates)

O melhor do ano: The Shadow of the Wind - "A sombra do Vento" (Carlos Ruiz Zafón)

E que venha 2011 e todas as suas surpresas de leitura!

Thursday, December 23, 2010

Final de Ano e afins

Gente do céu, eu abandonei meu blog completamente esse mês. Que vergonha!
Dezembro deve ser o mais corrido para todo mundo, ainda não consegui terminar de ler o livro escolhido para o BookClub de Dezembro - The Mistery of Edwin Drood, sendo que a primeira reunião já aconteceu (e nenhuma de nós conseguiu ler o livro todo) e a segunda reunião tá chegando e eu não estou nem na metade.

Mas eu amo Dezembro, amo essa época de Natal. Amo as casas decoradas, as luzes, o frio, a empolgação de todos, as comidas, a troca de presentes... é minha temporada favorita - "It's the most wonderful time of the year"...
E com Dezembro também temos a Feira de Natal do Charles Dickens, que já está virando tradição no BookClub. Esse é o segundo ano que participo, e como regra, temos que ler um livro do Charles Dickens para discutirmos durante a feira de Natal. Ano passado comentei com vocês aqui e aqui, esse ano levei comigo o marido e a enteada e foi muitíssimo bom. Compartilho a foto tirada com as minhas companheiras do Clube do Livro, nem todas estão aí porque não poderam comparecer.

E vocês, amam Dezembro também? Onde passarão o Natal? Em casa? Viajando?
Desabafem, compartilhem!

Friday, December 10, 2010

Aniversário de Clarice Lispector

Em 10 de dezembro de 1920 nascia Haia Lispector, nossa querida Clarice Lispector.
Nem preciso ser repetitiva e dizer o quanto gosto da Clarice, seus textos, a história da sua vida.
Clarice Lispector consegue colocar em palavras o que não conseguimos nem organizar em pensamento. Sua escrita introspectiva que vasculha fundo a problemática existencialista cativa seus leitores... quem consegue não gostar de Clarice?!

Então vamos deixar de blablabla e nos deliciar com um poema de Clarice...

Estrela perigosa


Estrela perigosa
Rosto ao vento
Marulho e silêncio
leve porcelana
templo submerso
trigo e vinho
tristeza de coisa vivida
árvores já floresceram
o sal trazido pelo vento
conhecimento por encantação
esqueleto de idéias
ora pro nobis
Decompor a luz
mistério de estrelas
paixão pela exatidão
caça aos vagalumes.
Vagalume é como orvalho
Diálogos que disfarçam conflitos por explodir
Ela pode ser venenosa como às vezes o cogumelo é.

No obscuro erotismo de vida cheia
nodosas raízes.
Missa negra, feiticeiros.
Na proximidade de fontes,
lagos e cachoeiras
braços e pernas e olhos,
todos mortos se misturam e clamam por vida.
Sinto a falta dele
como se me faltasse um dente na frente:
excrucitante.
Que medo alegre,
o de te esperar.

Saturday, December 4, 2010

Poema de Sábado

Music I Heard

Music I heard with you was more than music,
Música que contigo ouvi foi mais que música,
And bread I broke with you was more than bread;
E pão que contigo compartilhei foi mais que pão;
Now that I am without you, all is desolate;
Agora que sem ti estou, tudo é vazio;
All that was once so beautiful is dead.
Tudo que o dia bonito foi morreu.

Your hands once touched this table and this silver,
Tuas mãos um dia essa mesa e talheres tocou,
And I have seen your fingers hold this glass.
E teus dedos eu vi a segurar essa taça.
These things do not remember you, beloved,
Essas coisas não lembrar-te-ás, amada,
And yet your touch upon them will not pass.
E ainda assim teu toque neles ficará.

For it was in my heart you moved among them,
Pois foi em meu coração que por eles mover-te,
And blessed them with your hands and with your eyes;
Abençoando-os com tuas mãos e olhos;
And in my heart they will remember always,-
E em meu coração para sempre será lembrado,-
They knew you once, O beautiful and wise.
Que um dia te conhecemos, Oh sábia mais bela.

Conrad Aiken,  1889-1973

Tuesday, November 30, 2010

The Curious Incident of the Dog in the Night-Time (Mark Haddon)

Primeiras linhas:


"Eram 7 minutos depois de meia-noite. O cachorro estava deitado na grama no meio do gramado em frente a casa da Sra. Shear. Seus olhos estavam fechados. Parecia que corria de lado, como aqueles cães quando pensam que perseguem um gato enquanto sonham. Mas o cachorro não estava nem correndo nem dormindo. O cachorro estava morto."


The Curious Incident of the Dog in the Night-Time - O Estranho Caso do Cachorro Morto, em português - relata a conturbada e corajosa vida de Christopher John Francis Boone, um adolescente inglês com síndrome de Asperger, e sua investigação para descobrir quem matou Wellington, o cachorro.

Decidi ler esse livro após lermos Boom! (resenha aqui) para o clube do livro de Agosto. As meninas do clube já haviam lido este e mencionaram quão diferente aquele primeiro livro era em comparação a este. O quanto Haddon havia amadurecido e progredido como escritor. E isso, realmente, ficou claríssimo após ler essa história.

Síndrome de Asperger é um transtorno relacionado com o Autismo (apesar de serem dois transtornos diferentes) onde indivíduos apresentam dificuldades em interação social, bem como padrões repetitivos de comportamento e interesses. A diferença do Autismo se dá no fato de que indivíduos que sofrem com síndrome de Asperger não têm comprometimento ou atraso no desemvolvimento cognitivo e/ou da linguagem, muito pelo contrário, portadores da síndrome apresentam alto nível de inteligência, especialmente em Ciências Exatas. Mas usam a linguagem de forma literal, tendo dificuldade em entender o que não é concreto - metáforas, por exemplo - além de não desenvolverem o lado afetivo, não gostam de ser tocados, abraçados, beijados.

"Os capítulos de um livro são normalmente listados em número cardinais 1, 2, 3, 4, 5, 6 e assim por diante. Mas eu decidi listar meus capítulos em número primos 2, 3, 5, 7, 11, 13 e etc., porque eu gosto de número primos." (Pag. 11)
Como seria ver o mundo através do olhos de uma criança que sofre de Asperger? Quais são os seus medos? Como eles pensam? Como se comportam? E é curioso ler a história através da perspectiva de Christopher e entender o porque de tais comportamentos e como agir diante portadores da síndrome (caso um dia tenha que interagir com um) para que eles não se sintam coagidos ou em perigo.

Christopher estuda em um colégio para crianças especiais. A mãe abandona o pai pouco tempo antes de incidente com o cachorro, não mais suportanto conviver com o peso de uma criança especial. O pai, enfurecido e envergonhado, informa ao filho que a mãe morrera de parada cardíaca e assim passa a cuidar do filho sozinho. E tudo iria voltar à rotina normal, se Christopher não tivesse encontrado Wellington morto em frente à casa da Sra. Shear. Sendo ele apaixonado por cães, e por sua postura de querer sempre os fatos muito bem explicados, Christopher decide investigar a morte do cachorro, e por sugestão de sua professora, decide escrever esse livro relatando os fatos e progressos da investigação... e é durante a investigação que toda verdade vem à tona e os sintomas da Síndrome de Asperger tornam-se mais gritantes no comportamento do nosso protagonista.


Haddon fez um trabalho maravilhoso em The Curious Incident of the Dog in the Night-Time, é uma história única, excêntrica, e inteligente. Christopher é tão detalhista, quer tudo tão do seu jeito - não come se uma porção da comida encostar na outra, tudo tem que estar separado; não come nada marrom ou amarelo; não fala com estranhos, detesta visitar lugares diferentes, a vida precisa seguir uma rotina, saber onde vai, que horas vai, quando volta, o que vai fazer, etc, etc - que as vezes irrita ler suas peculiaridades, mas é exatamente esse fato que Haddon quer explicitar, o quão dolorido e difícil é para um portador da Síndrome quando um detalhe está fora de lugar, quando uma mentira é contada, quando o arroz encosta na salada, quando Christopher vê 3 carros amarelos um atrás do outro em um dia.

É um livro especialmente interessante para outros adolescentes, para entender e saber respeitar as diferenças, o espaço de cada um, a aceitar que há sempre o que aprender com o outro, que ser especial não é contagioso e não é motivo de vergonha, e não deve ser motivo para piada ou exclusão.
"Decidi que vou descobrir quem matou Wellington mesmo depois de Papai dizer para não me envolver nos problemas dos outros (...) E isso é porque quando as pessoas te dizem o que fazer, pra mim é confuso e não faz sentido. Por exemplo, adultos sempre dizem "Fica queito!", mas eles não dizem por quanto tempo querem que alguém fique quieto".

Saturday, November 27, 2010

Poema de Sábado

Na última quinta-feira foi Dia de Ação de Graças - Thanksgiving Day - aqui nos Estados Unidos. Pela primeira vez tivemos a ceia em nossa casa. Queridos amigos na mesma situação que eu (família longe), e os poucos parentes do marido compareceram para celebrar conosco. Amo receber amigos em casa, especialmente porque cresci em uma familia enorme, onde nos reuniamos todos os finais de semana (ainda reunem!), uma família onde irmãos são melhores amigos e se gosta de estar junto... e para mim é uma enorme diferença, até mesmo um vazio, fazer parte de uma família onde o marido é filho único e os parentes mais próximos são primos de 3º, 4º grau... Por esse motivo eu me deleito quando podemos recebê-los em casa, todo mundo reunido, barulho, conversa, risadas e taças e taças de Moscato.

Com Thanksgiving vem o Outono, as folhas aos poucos tornam-se laranja e em breve marrons e logo, logo, só veremos galhos... Thanksgiving me faz lembrar que em poucas semanas o Natal chega e o ano já se foi... E assim eu lembrei de Emily e o poema que hoje compartilho com vocês.

Autumn.
Outono.

THE morns are meeker than they were,
AS manhãs são mais mansas que outrora,
The nuts are getting brown;
Marrons estão ficando as castanhas;
The berry's cheek is plumper,
O rosto das frutas roliços estão,
The rose is out of town.
Enquanto as rosas partem dessa estação.

The maple wears a gayer scarf,
A macieira veste um gorro cinza,
The field a scarlet gown.
Os campos um vestido vermelho.
Lest I should be old-fashioned,
Para que eu não fique fora de moda,
I'll put a trinker on.
Vestirei eu meu ornamento.

Emily Dickinson,
 Emily Dickson Poems, pag. 56.

Sunday, November 21, 2010

Poema de Sábado (no Domingo!)

As vezes é difícil perceber o quanto uma pessoa faz falta quando se vê aquela pessoa diariamente.
Quando a distância física se faz presente, aquele espaço vazio na cama na hora de dormir, o café da manhã sozinha, voltar para casa do trabalho para uma casa vazia, faz com que percebamos o quanto a presença daquela pessoa faz falta. É como se minha vida estivesse em pausa durante a semana... e na Sexta-feira eu aperto o botão do PLAY no meu controle remoto da minha vida. É, Sexta-feira, quando busco o marido no aeroporto, após longos e solitários dias de ausência, que minha vida volta ao normal por 2 dias e eu me sinto completa... a cama não mais vazia, o café da manhã com gostinho de casa feliz, e nesses dois dias quando acordo com a minha outra metade ao meu lado, eu lembro da Elizabeth e suas doces palavras que descrevem tudo o que eu não consigo expressar com minhas próprias palavras. Os dois dias que me fazem perceber: "How I do love thee"...

How Do I Love Thee? (Sonnet 43)

How do I love thee? Let me count the ways.
Como amo-te? Deixa-me contar os modos.
I love thee to the depth and breadth and height
Amo-te com toda a profundeza e fôlego e altura
My soul can reach, when feeling out of sight
Que minha alma pode alcançar, quando nem mais se pode ver
For the ends of being and ideal grace.
Nos confins do ser e graça ideal.
I love thee to the level of every day's
Amo-te ao limite diário
Most quiet need, by sun and candle-light.
Dos mais calmos desejos, sob o sol e luz de velas.
I love thee freely, as men strive for right.
Amo-te sem limites, como aqueles que lutam por seus direitos.
I love thee purely, as they turn from praise.
Amo-te puramente, como os que rejeitam a glória.
I love thee with the passion put to use
Amo-te com a paixão posta em prática
In my old griefs, and with my childhood's faith.
Nas minhas velhas dores, e crença da infância.
I love thee with a love I seemed to lose
Amo-te com aquele amor que pensei ter perdido
With my lost saints. I love thee with the breath,
Por meus santos perdidos. Amo-te com o fòlego,
Smiles, tears, of all my life; and, if God choose,
Sorrisos, lágrimas, de toda minha vida; E, caso Deus permita,
I shall but love thee better after death.
Amar-te-ei ainda mais após a morte.

 (Elizabeth Barrett Browning, poeta Romântica Inglesa)
 
 


Thursday, November 11, 2010

Lost in Austen (Emma Campbell Webster)

Vida de gente grande não é fácil, percebo isso claramente toda vez que precisamos marcar nossa reunião do Bookclub - "Só tenho tempo livre às Quintas e Sextas."; "Só estou disponível às Terças"; "Não estarei disponível na última semana de Outubro"... Isso não acontecia nos meus 19 e pouco... "Quando? Ah, sem problemas, não tenho nada marcado"... era a resposta de sempre.

Por esse motivo, nossas reuniões do Clube do Livro estão ficando cada vez mais escassas, o tempo cada vez mais curto, a única coisa que aumenta é o tamanho da conversa com o grau de intimidade, e eu amo!

Andrea roubou a escolha da Nari e lemos Lost in Auten para o Bookclub de Outubro. O livro parecia super interessante pela descrição da Nari - são várias histórias misturadas, no final de cada capítulo há perguntas ou opções, e de acordo com a decisão do leitor a história muda de rumo, e pode até mudar a história toda.

No início tudo parece muito interessante, até separei uma folhinha para calcular meus pontos para as 5 categorias diferentes que a autora propõe no início da história: Inteligência, Confidência, Fortuna, Conquistas e Conexões. Conforme a história vai se desenvolvendo, o leitor pode ganhar ou perder pontos de acordo com os acontecimentos ou escolhas feitas. Huum... ler sobre Mr. Darcy e ainda pensar que é joguinho... promete né?

Até o ponto que eu não quis ir visitar a Jane, doente, na casa dos Bingley pelo caminho da direita e escolhi a esquerda - encontrei um grupo de ciganos que queria meu dinheiro, eu não ando com dinheiro assim no bolso do meu vestido longo - se é que tem bolso, né? - e os ciganos me espancaram de tal forma que meu rosto ficou tão deformado que nenhum pretendente jamais quis pedir minha mão... realiza!

E história prossegue assim, de forma que você realmente não cria a sua própria história porque a autora meio que manupula o leitor para seguir o curso que ela deseja. Em alguns outros capítulos, tentei fugir da história original mas minha Liz Bennet acabou se transformando naquilo que ela mais criticava na mãe... uma mulher que só pensa em arranjar um bom casamento, buscando fortuna - fugindo totalmente do caráter da minha personagem preferida de todas as obras de Jane Austen. Daí já havia até parado de contar-somar-diminuir os pontos durante a história porque virou um peso...

Todas as meninas do Clube do Livro concordaram que a história se perdeu da idéia original lá pela metade, o que tirou o encanto do propósito de todas nós. A idéia foi criativa mas chegou a um ponto que se desvirtuou do conceito... Eu preferi seguir o roteiro original e optei por, logicamente, casar com o Mr. Darcy... mas dependendo da sua escolha, podes acabar casando com o Mr. Collins, ou personagens de outros livros de Austen que foram misturados à história (Mansfield Park, Sense and Sensibility, Emma e por aí vai).

Sunday, November 7, 2010

Aniversário de Cecília Meireles

Em 7 de novembro de 1901 nascia Cecília Benevides de Carvalho Meireles.
Cecília foi precoce em todos os fatos de sua vida... perdeu o pai aos 3 meses de idade, a mãe aos 3 anos... começou a escrever poesia aos 9 anos, aos 18 veio o primeiro livro.

Corrijam-me se estiver errada, mas Cecília é uma das escritores mais completas da Literatura Brasileira (incluindo os homens na contagem) porque suas obras sofrem influência de diversos movimentos literários... embora estivesse sob influência Modernista, há traços do Simbolismo, Surrealismo, Realismo, Romantismo, e mais tantos outros ISMOS pelo caminho.

Parando o blablabla... vamos à Cecília...

Suavíssima

Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
No céu de outono, anda um langor final de pluma
Que se desfaz por entre os dedos, vagamente . . .

Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
Tudo se apaga, e se evapora, e perde, e esfuma . . .

Fica-se longe, quase morta, como ausente . . .
Sem ter certeza de ninguém . . . de coisa alguma . . .
Tem-se a impressão de estar bem doente, muito doente,

De um mal sem dor, que se não saiba nem resuma . . .
E os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .

Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
A alma das flores, suave e tácita, perfuma
A solitude nebulosa e irreal do ambiente . . .

Os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .
Tão para lá! . . . No fim da tarde . . . além da bruma . . .

E silenciosos, como alguém que se acostuma
A caminhar sobre penumbras, mansamente,
Meus sonhos surgem, frágeis, leves como espuma . . .

Põem-se a tecer frases de amor, uma por uma . . .
E os galos cantam, no crepúsculo dormente . . .

Saturday, November 6, 2010

Poema de Sábado

Song

When I am dead, my dearest,
Quando eu morrer, meu querido,
Sing no sad songs for me;
Não me cante músicas tristes;
Plant thou no roses at my head,
Não me plante rosas na cabeã,
Nor shady cypress tree:
Nem cipestre para sombra fazer:
Be the green grass above me
Que seja a grama verde em cima de mim
With showers and dewdrops wet:
Com chuvas e gotas de orvalho:
And if thou wilt, remember,
E se por acaso, lembrares,
And if thou wilt, forget.
E se por acaso, esquecere.

I shall not see the shadows,
Não verei eu as sombras,
I shall not feel the rain;
Não sentirei a chuva;
I shall not hear the nightingale
Não ouvirei eu o pássaro da noite
Sing on as if in pain:
A cantar como se com dor:
And dreaming through the twilight
E sonhando até o crepúsculo
That doth not rise nor set,
Que não clareia nem escurece,
Haply I may remember,
Feliz então lembrarei,
And haply may forget.
E feliz então esquecerei.

(Christina Rossetti, The best Poem
of the English Language, pag. 710)

Tuesday, October 26, 2010

Literacy and Longing in L.A. (Jennifer Kaufman & Karen Mack)

Recebo uma ligação da Southwest que meu vôo mudou de portão de entrada, eu que sentada estava a ler "Lost in Austen" em frente ao portão que eu supostamente deveria embarcar. Guardo meu livro no bolso da frente da minha carry-on e corro para o novo portão, o povo já na fila de embarque (droga, isso que dá viajar barato em vôo de assento livre!). Entro no avião, que já estava praticamente lotado, e coloco minha malinha naquele compartimento de cima, enquanto apressadamente corro para salvar meu lugar na janela (eu só viajo se sentar na janela, nem que seja lá no último assento!).

Quando finalmente me aconchego no meu  assento percebo que esqueci meu livro lá... lá na minha carry-on. Saco! O que vou fazer durante 1:30h.? Olho no bolso da poltrona na minha frente e... um livro!!! Não acredito, esse é meu dia de sorte? E foi assim que esbarrei em "Literacy and Longing in L.A.", uma alma abençoada fez o favor de esquecer? Deixar de lembrança? E já que de imediato começo a ler...

A mãe bêbada dirigindo com as duas filhas no banco de trás, perde controle do carro, e cai de uma ponte em um córrego... fato corriqueiro e repetitivo na vida de uma família cuja mãe sofre com problemas de alcoolismo. O pai, pouco tempo depois, cansado de lidar com a situação, abandona a família e deixa as filhas Dora e Virginia sozinhas nos braços de uma mãe ausente e doente.

"Coleciono livros novos do mesmo modo que minhas amigas compram bolsas de designers famosos. Alguma vezes, só o fato de saber que os tenho me basta, ler ou não é um outro ponto. Não que no fim eu não acabe lendo-os um por um. Eu os leio. Mas o simples fato de comprá-los já me deixa feliz". (pag. 15)
Durante os poucos momentos de sobriedade, o passa-tempo da mãe é muita leitura e viagens literárias com as filhas. Seu refúgio é os livros, sua resposta para as dores do abandono do marido é a reclusão e leitura. Problemas surgiram? Pega um livro e esquece do mundo. Paixão esta que é passada às filhas, bem como as cicatrizes de uma família desestruturada.

"Mas, para mim, ler é tão mais que isso. Livros me ensinam como os outros pensam, e o que eles sentem, e como eles se transformam de pessoas comuns para extraordinárias. Eles são frequentemente cativantes e inteligentes, eu preferia muito mais passar meu tempo lendo sobre eles que fazendo qualquer outra coisa". (pag. 71)

Dora, a protagonista da história, é a que mais lembra as características da mãe. Recém separada de Palmer, um diretor de cinema famoso em Los Angeles, Dora está numa fase transitória onde a busca por emprego, pela própria identidade e propósito na vida, deixam-na um tanto perdida e sobrecarregada. Entre as festas vazias e glamurosas da amigas ricas, as idas e vindas à livraria, e os dias reclusos em depressão que resultam em maratona de leitura, Dora conhece Fred - o vendedor de livros da McKenzie - com seu ar de gatão intelectual e suas frases recheadas de citações literárias, não demora muito para que a nossa devoradora de livros apaixone por ele.

Mas o que se esconde atrás de Fred, o encantador vendedor de livros? O que de comum poderão compartilhar, além da paixão por literatura? E a história com Palmer, é um ponto final ou apenas uma vírgula?

Esse foi meu segundo chick-lit do ano, e não vou dizer que não gostei! As autoras mencionam centenas de livros durante a história (ótimas dicas de leitura!), sem esquecer a mistura de citações e diálogo. Cada capítulo começa com citações de escritores famoso sobre leitura, charmoso! Mas não esperem uma super-história-extraordinariamente-original, não... fora que tem uns pontinhos de superficialidade e futilidade... mas é o que se pode esperar de uma história que se passa em Los Angeles, em meio aos ares esnobes e artificiais de Hollywood.

"Pelo que aprendi, sexo após uma briga não significa que a causa da discussão está resolvida. Tem mais a ver com prazer momentâneo e uma pausa nos problemas a serem resolvidos- a feracidade, o falso prazer do apenas uma noite que culminam em ondas de remorso na manhã seguinte. É isso que aqueles pensamentos ranzinzas, as dúvidas, as intrusões preocupantes significam quando ele se aproxima e te segura pelas costas, e sussura palavras doces no ouvido". (pag. 261)

Saturday, October 23, 2010

Poema de Sábado

Because that you are going
Por essa razão partirás
And never coming back
Sem nunca mais voltar
And I, however absolute
E eu, mesmo que resolvida
May overlook your Track-
Guardarei teus passos-

Because that Death is final,
Por essa razão Morte é ultimato, 
However first it be
Mesmo que pela primeira vez
This instant be suspended
Seja este momento marcado
Above Mortality.
Além da Mortalidade.

Significance that each has lived
Que o significado do que cada um viveu
The other to detect
Seja notado pelo outro
Discovery not God himself
Fato que nem o prórpio Deus
Could now annihilate
Poderá hoje apagar

Eternity, Presumption
Eternidade, Presunção
The instant I perceive
No instante em que percebo
That you, who were Existence
Que tu, que Existência foi
Yourself forgot to live-
Esqueceste Tu de viver-

(Emily Dickinson, do livro The best Poem
of the English Language,
pag. 577)

Tuesday, October 19, 2010

Aniversário de Vinicius de Moraes

Em 19 de outubro de 1913 nascia Vinicius de Moraes. Pensando o que escrever sobre Vinicius, percebi que não há palavras que descrevam sua importância e seu talento... ele é excesso, é amor ao extemo, daqueles que se arrastam e choram rios de lágrimas, tudo por amor.

Quando o filme sobre ele foi lançado, lembro da voz de Tônia Carrero descrevendo Vinicius como "um camarada que viveu de paixões... Vinicius era capaz de tudo, qualquer baixeza para conquistar uma mulher" enquanto Adriana Calcanhoto canta "Eu sei que vou te amar, desesperadamente...", Vinicius é isso, é amor à moda antiga, amor sem limites, exagerado, desesperado!

Ternura

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.

(do livro Nova Antologia Poética, pag. 20)

Saturday, October 16, 2010

Poema de Sábado

The Floating Old Man

There was an Old Man in a boat,
Havia num barco um Velho Homem,
Who said, "I'm afloat! I'm afloat!"
A dizer, "Estou a deriva! Estou a deriva!"
When they said, "No! you ain't!" he was ready to faint,
Quando lhe responderam, "Não! Não estás!" quase pôs-se o velho a desmaiar,
That unhappy Old Man in a boat.
Aquele infeliz Velho Homem no barco. 

(Edward Lear, The best Poem
of the English Language, pag. 734)

Saturday, October 9, 2010

Poema de Sábado

Remember
Lembre-se

Remember me when I am gone away,
Lembre-se de mim quando eu partir,
Gone far away into the silent land;
Quando longe estiver naquela terrra distante;
When you can no more hold me by the hand,
Quando não mais puderes comigo de mãos dadas andar,
Nor I half turn to go yet turning stay.
Nem quando finjo partir mas acabo ficando.
Remember me when no more day by day
Lembre-se de mim quando não mais dia após dia
You tell me of our future that you planned:
Contar-me sobre os planos que tens para o nosso futuro:
Only remember me; you understand
Apenas lembre-se de mim; entendes

It will be late to counsel then or pray.
Tarde será pois para conselhos ou pedidos.
Yet if you should forget me for a while
E ainda que esqueças-me por um segundo
And afterwards remember, do not grieve:
Mas de mim lembrares novamente, não fique triste:
For if the darkness and corruption leave
Pois se a escuridão e corrupção deixarem
A vestige of the thoughts that once I had,
Uma vertigem dos pensamentos que um dia eu tive,
Better by far you should forget and smile
Prefiro muito mais que esqueças e sorria
Than that you should remember and be sad.
Que lembres de tudo e triste fique.

(Christina Rossetti, The best Poem of the English Language, pag. 712)