Wednesday, January 20, 2010

O vendedor de Sonhos e a Revolução dos Anônimos (Augusto Cury)

Antes de começar a falar um pouco sobre o livro, gostaria de agradecer a Enedina, amiga da minha tia Ione Monteiro, que me presenteou com a obra, minha tia deve ter comentado com ela esse meu caso com a Literatura, e ela prontamente decidiu compartilhar comigo O Vendedor de Sonhos. Muitíssimo obrigada!

Esse é segundo livro de Augusto Cury que leio. Gostei de Filhos Brilhantes, Alunos Fascinantes, é interessante do ponto de vista pedagógico, qual professor não quer despertar o pensamento crítico de seus alunos? Pena que não tive tempo de aplicar algumas das técnicas daquele professor fantástico com meus alunos porque li justamente quando estava me despedindo do Brasil.

E O Vendedor de Sonhos e a Revolução dos Anônimos?


"Uma existência sem sonhos é uma semente sem solo, uma planta sem nutrientes"
(pag. 20)

O livro é sobre as andanças do Mestre, um homem com poucos recursos mas de coração aberto e ideias revolucionárias, narrada sob os olhos do sociólogo Júlio César, um de seus discípulos. O cenário é o mundo, uma cidade que poderia ser qualquer uma nesse mundo vasto.

O Mestre é um homem simples, anda pela cidade divulgando suas idéias onde quer que exista alguém para ouvir, tem as ruas como moradia e o céu como cobertor. Aos poucos vai acumulando seguidores, discípulos como se chamam, alguns abandonam a vida que tiveram para segui-lo, Júlio César é um deles. Foi professor universitário, doutor em Sociologia, carrasco e temido por seus alunos, detestado por seus colegas de trabalho, passou a seguir o Mestre após tentar suicídio e ser salvo por suas palavras de conforto.

Nem todos os discípulos tinham formação universitária - os mais antigos eram: Bartolomeu, "Boca-de-Mel", porque era um tagarela, e Barnabé, "Prefeito", porque tinha vício em fazer discursos políticos - eram alcoolatras em recuperação; Dimas era cleptomaníaco; Salomão, hipocondríaco, etc.

As opiniões do narrador sobre os demais discípulos eram extremamente superficiais, preconceituosas e estereotipadas. Júlio César não conhecia o passado daquelas pessoas e os julgava pelo que estava diante de seus olhos, via-os como mendigos e ignorantes, iletrados e petulantes, audaciosos por abrirem a boca quando deveriam ouvir. Mal sabia ele que aqueles Anônimos tinham experiências de vida riquíssimas para compartilhar e diferente dele, Júlio César, aqueles homens não estavam presos aos preconceitos sociais, aos parâmetros impostos pela sociedade que tentam nos ensinar que os fracos não têm vez, que se não temos nada de importante a dizer, fiquemos calados - Não! O que parece de pouco importância para mim, pode ter um valor enorme para alguém, o que importa é participar, debater, botar a boca no trombone!

Para o professor doutor, isso era um ultraje, formado naquele parâmetro autoritário e ditatorial onde só o mestre fala e os alunos apenas ouvem, sem estimular a discussão ou o debate de ideias. Por essa razão questionava a escolha do Mestre. Porque escolhera aqueles discípulos? Como se não conhecesse a história de Jesus!


"(...) Primeira lei do Vendedor de Sonhos: reconheça suas loucuras e sua estupidez"
(pag. 42)


O Vendedor de Sonhos e a Revolução dos Anônimos busca a independência das ideias, busca a incessante sede por conhecimento, por um pensamento livre, a não passividade.


"Sem sonhos, seremos servos do egocentrismo, vassalos do individualismo, escravos de nossos instintos. O maior sonho a ser vendido nessa sociedade consumista é o sonho de uma mente livre!"
(pag. 76)

Não posso dizer que não gostei da ideia da história e os ideais que ela busca transmitir, mas achei o enredo repetitivo, a mesma ideia repetida várias e várias vezes durante a narrativa.

O uso constante de analogias deixou a história ainda mais repetitiva. Planeta psíquico e teatro social foram repetidos trocentas vezes (daí veio na minha mente a voz da Professora Bevenuta S., de Prática Escrita em Língua Inglesa I - "não repitam a mesma palavra mais de duas vezes nos seus textos, usem sinônimos, usem sinônimos - se não conseguem lembrar, usem o dicionário!!!").

Também percebi o re-uso de algumas "frases de efeito" do outro livro que li: Filhos Brilhantes, alunos fascinantes - mudando apenas o jogo das palavras mas que no fim, deu o mesmo sentido.


"Era da geração Harry Potter, a geração dos desejos rápidos, que queria tudo num passe de mágica"
 (pag. 132 - O vendedor de sonhos)

"(...)Não estou criticando a saga de Harry Potter, estou criticando a falta de proteção emocional dos jovens que amam a fantasia, mas não sabem lidar com fatos concretos"
 (pag. 43 - Filhos Brilhantes, Alunos Fascinantes)


 
"(...) Os fracos usam a força, os fortes, as ideias"
 (pag. 133 - O vendedor de sonhos)

"O poder de um ser humano não está na sua musculatura, mas na sua inteligência. Os fracos usam a força, os fortes usam a sabedoria"
(pag. 19 - Filhos brilhantes, Alunos fascinantes)

O que realmente marcou, pra mim, na história foi a menção das conexões entre o sucesso social e o emocional, o fato de que deve haver uma ligação psicológica entre o que eu sou diante do espelho e o que eu pareço ser diante da sociedade. Se não houver um meio termo, ocorre as discrepânicas comportamentais com ações extremistas que chocam o mundo.

O final da história é previsível, e não me surpreendeu. O enredo tem seus altos e baixos, o importante é passar a peneira, retirar o que fará bem acrescentar ao conhecimento e descartar o resto. Afinal é exatamente isso o que é sobre: o incentivo ao pensamento crítico.
"Quem não edifica pontes psíquicas constrói ilhas no córtex cerebral. Num momento pode ser um cordeiro, noutro um predador (...) tranquilo, noutro explosivo (...) Calígula era franzino, mas achava-se mais belo que Roma, tinha rompantes de gentileza e ataques de fúria. Nero era dado às artes, mas se tornou um dos homens mais atrozes da história (...) Hitler afagava e dava ração à sua cadela, mas esmagou de fome e frio um milhão de crianças e adolescentes". (pag. 193-194)

6 comments:

Juliana said...

ja li alguns livros do Augusto Cury, o que mais gostei foi o futuro da Humanidade.
Não gosto muito do autor( minha opnião) acho que ele escreve como se fosse o senhor da razao. em todos seus livros.

mas te recomendo o futuro da humanidade.
bjs...

Mariane said...

Olá...

Eu adoro Augusto Cury, ainda não li esse livro, na verdade eu comecei mas como não tinha lido o primeiro decidi parar e esse ano vou ler os 2.. Gostei muito do que escreveu e princiapalmente dos destaques que fez...

Um ótimo final de semana...Bjs!!!

Manuel Cardoso said...

Olá JU
eu adoro Augusto Cury mas este livro não li. E pelo que tu dizes, parece-me que está distante dos que eu li. Em "A Inteligência Multifocal" ele desenvolve uma teoria (sua tese de doutoramento) sobre necessidade de criarmos vários focos de interesse para que a nossa vida se torne mais rica e feliz. Em "A Saga um Pensador" ele conta uma história absolutamente fantástica que eu considero um verdadeiro manual de felicidade.
No Vendedor de Sonhos, pelo que dizes, a mensagem banaliza-se um pouco.
Não posso dizer que fico decepcionado, mas mesmo assim continuo a achar que vale sempre a pena ler Augusto Cury. Seja como for, aconselho-te a, um dia qualquer, leres o "Saga de um pensador"
Beijinhos

Anonymous said...

li e não gostei.
achei realmente repetitivo e previsivel.

Amanda Loren said...

Lí o livro O Vendedor de Sonhos, realmente este mundo está virando um manicômio Global as pessoas só pensam em status e crescimento Social !
Indico Livros dele Muito Boom'

Ariane Cristina said...

Este Livro é feito de Metaforas... :3