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Sunday, February 5, 2012

The Five People you Meet in Heaven (Mitch Albom)

Primeiras linhas:

“Essa história é sobre um homem chamado Eddie e ela começa no fim, com Eddie morrendo sob a luz do sol. Pode parecer estranho começar a história no final. Mas todos os finais são também começos. Apenas não sabemos disso naquele exato momento.”

Eddie trabalhou como mecânico num parque de diversões durante quase toda sua vida, e ali morreu, no seu aniversário de 83 anos, tentando salvar uma garotinha quando um dos brinquedos do parque quebra e começa a despencar de metros e metros de altura. Sem saber se realmente havia salvado a criança, Eddie chega ao Paraíso e toma conhecimento de seu fim trágico...  e é quando Eddie é introduzido à primeira pessoa que ele deverá encontrar, e que lhe explicará um pouquinho do porquê de Eddie encontrar cinco pessoas antes de desfrutar do verdadeiro paraíso.

“Todos os pais causam danos em seus filhos. Não há como evitar. (...) Os danos causados pelo pai de Eddie foram, no início, danos de negligência. Quando infante, Eddie raramente foi carregado pelo pai, quando criança, ele foi na maioria das vezes puxado pelo braço, mais com irritação do que com amor. A mãe de Eddie estava ali para dar carinho; seu pai estava ali para disciplinar.” (pag. 104)

Algumas dessas pessoas afetaram de certa forma, talvez não intencionalmente, a vida de Eddie. Outras tiveram sua vida afetada, direta ou indiretamente por ele. Como no caso da primeira pessoa, o Homem Azul, que morreu num acidente de carro após  desviar de um garotinho que atravessou a rua desavisado correndo atrás de uma bola. Eddie.

Ou no caso de Ruby, a esposa do dono do parque, chamado Ruby Pier em sua homenagem. Parque em que Eddie se viu obrigado a trabalhar após voltar da guerra, substituindo o pai como mecânico. O parque foi pivô de muitas brigas entre Eddie e seu pai, e por fim, responsável pela morte do nosso protagonista também.

A história de Eddie é contada paralelamente, de forma que os capítulos de intercalam com o presente e o passado. O interessante é que cada capítulo sobre o passado começa no dia do aniversário de Eddie, começando com o aniversário de 5 anos.

“Hoje é aniversário de Eddie
Ele tem 51. Um sábado. É seu primeiro aniversário sem Marguerite. Ele faz Sanka num copo de papel, e come dois pedaços de torrada com margarina. Nos anos após o acidente de sua esposa, Eddie evitou qualquer tipo de celebração de aniversário, dizendo, 'Porque tenho que ser lembrado daquele dia?'” (pag. 183)

The five people you meet in Heaven é uma leitura curta e agradável. O que gostei é que, apesar de trazer um tema que talvez não agrade a muitos leitores, ou que é visto como religioso, Albom escreveu a história de forma imparcial, não há menção de Deus, de inferno, não há cunho religioso. O paraíso é descrito como um lugar de liberação, de se livrar dos pesos de erros cometidos durante a vida, e que você nem mesmo se deu conta que cometeu. E não é apenas sobre erros, o paraíso de Albom também serviu para Eddie entender e se livrar de suas agonias, arrependimentos, e permitir também que aquelas pessoas que causaram algum tipo de dano a ele, tivessem a chance de se desculpar, ou de contar o seu lado da história. Gostei da história pela simplicidade com que foi escrita, e pela maneira cordial em que foi contada mesmo trazendo sentimentos tão pesados de dor.

Eu havia visto o filme há alguns anos, e nem me toquei quando decidi ler a história. Ao começar a ler, achei a história bem familiar, daí lembrei ter visto o filme que traz Jon Voight como Eddie, e é bastante fiel ao livro.



“'SACRIFÍCIO', disso o capitão. 'Você fez um. Eu fiz um. Todos nós fazemos. Mas você ficou com raiva por causa do seu. Você ficou pensando o tempo todo sobre aquilo que perdeu.
Você não entende. Sacrifício é parte da vida. É o que deve ser. Pequenos sacrifícios. Grandes sacrifícios. Uma mãe trabalha para que seu filho possa ir a escola. A filha volta para casa para tomar conta do pai doente.
Um homem vai para guerra...” (pag. 93)

Thursday, November 24, 2011

The Metamorphosis (Franz Kafka)

Quando sentei para escrever sobre The Metamorphosis - A metamorfose, em português - fiquei pensando no que escrever. O que escrever sobre um livro que já foi falado, re-falado, analisado, comentado por anos e anos. A história é conhecida por todos, resumida em trocentos blogs pela internet afora. O que falar da obra?

Essa versão que comprei contem o manuscrito da história, a cópia dos diários de Kafka, as cartas trocadas por ele e Felice Bouer, sua noiva na época, e também com alguns amigos próximos, além de análises ou interpretações da obra.

"(...) uma vez que os outros não conseguiam entender o que ele falava, não os ocorreu, nem mesmo à irmã, que ele entendia o que diziam, e assim ele teve que se satisfazer, quando sua irmã estava no quarto, a ouvir ocasionalmente, apenas seus suspiros e apelos aos santos." (pag. 19)

No final já estava saturada do texto. Honestamente, tornou-se um pouco irritante ler a análise de cada linha da história, desmembrando os parágrafos para traduzir o significado de cada palavra escrita pelo autor. A história é curta e simples, de linguagem universal, e embora eu tente entender o motivo de se querer entender o porque de Kafka escrever uma história tão metafórica e intrínseca, tantas inferências acabam distanciando a história do conceito original.

... Gregor Samsa é o filho mais velho e provedor da família, acorda certo dia para descobrir seu corpo em transformação, em poucas horas se torna um besouro. A família envergonhada o tranca em seu quarto, a irmã que até então era seu maior orgulho, trata-o com pena no início, talvez por acreditar que a transformação fosse temporária, mas não demora muito e a lástima transforma-se em aversão, desgosto. Excluído do convívio familiar, motivo de repulsa, e não mais útil para os seus, Gregor vai definhando aos poucos, até o dia que é encontrado seco pela empregada. A família se livra de Gregor, finalmente, e assim a vida continua.

"'Meus queridos pais', disse sua irmã e como introdução bateu com o punho na mesa, 'as coisas não podem continuar como estão. Talvez não percebam, mas eu percebo. Não vou pronunciar o nome do meu irmão na frente deste monstro, portanto tudo que tenho a dizer é: temos que tentar nos livrar disto. Temos feito tudo humanamente possível para tomar conta dessa coisa e suportar isto; não acredito que ninguém vá negar o que esforço que fizemos.'" (pag. 37)

O final é triste e estranho. Lendo os diário de Kafka, nem ele mesmo estava feliz com o resultado final, e tantas e tantas vezes criticou a história. No entanto, Gregor me parece ser a personificação de Kafka e suas frustrações familiares, em que ele mesmo se sentiu minúsculo diante das imposições da família que o obrigada a fazer o que desgostava. No fim, Kafka quis mesmo chocar, seu intuito era o de criar uma história "infinitamente repulsiva". E na minha opinião, ele realmente conseguiu.

Monday, November 21, 2011

The Secret Life of Bees - A Novel (Sue Monk Kidd)

Outro livro da lista da Rory Gilmore, yey! Esse foi um dos poucos livros que li após assistir o filme. O filme até que é fiel ao livro, em sua maioria, mas romantiza ou ameniza momentos cruciais da história. Não entendi o porque de escolherem a loirinha Dakota Fanning como Lily Melissa Owens, talvez para reforçar o conflito racial que acontece na história?


"Minha primeira e única memória da minha mãe é do dia que ela morreu. Tentei por muito tempo formar uma imagem dela de antes, pelo menos um pedacinho, como quando ela me levava pra cama, lia as aventuras do Tio Wiggly, ou pendurava minhas roupas perto do aquecedor nas manhãs congelantes." (pag. 5)


Passada em 1964 na Carolina do Sul, a história narra o drama familiar de Lily Owens, perseguida pela dúvida de ter ou não ter acidentalmente assassinado a mãe quando criança. Com um pai bruto e indiferente, Lily é criada pela babá negra Rosaleen.

Pausa na história para analisar o período histórico. 1960 foi um período marcado por manifestos contra a segregação racial. Apesar de não ser o centro da história, a narrativa faz referência ao apartheid americano, a violência cometida contra negros pelo KKK (Ku Klux Klan), e os movimentos contra a segregação que culminaram com a aprovação do Ato dos Direitos Civis de 1964.

Quando Rosaleen tenta exercitar seu mais novo direito adquirido de votar, é espancada e presa pelos brancos racistas da cidade. Lily Owens sabe que a vida da criada corre perigo, e buscando ela mesma livrar-se das crueldades de T. Ray, fogem da cidade em direção a Tiburon, cidadezinha da qual nada sabem, com exceção de que é a cidade estampada na foto da Madonna Negra encontrada na caixinha com os únicos pertences restantes da mãe de Lily, Deborah.

São acolhidas pelas irmãs Boatwright, August, June e May, criadoras de abelhas e adoradoras da Madonna Negra. August é a mãezona, prudente e sábia, respeitada na comunidade, é lider do grupo de adoradoras. Mesmo sendo uma mulher forte, ela mantém sua feminilidade, e lê Charlotte Bronte; June esconde um rancor pelos homens, seus sentimentos são expressos através de seu violino, a dor interna é aclamada em forma de música; May carrega os sofrimentos do mundo em seus ombros, ela ama a tudo e a todos, e não suporta as injustiças e a falta de amor do mundo. Ela é doce, é inocente, e para suportar suas dores, escreve-nas e as esconde em seu próprio "muro das lamentações".

"Pode-se dizer que nunca tive um momento verdadeiramente religioso, daqueles que você sabe que há uma voz falando diretamente com você, que te fala tão genuinamente que é como se as palavras brilhassem nas árvores ou nas nuvens. Mas eu tive um momento desses bem ali, em pé no meu próprio quartinho comum. Escutei uma voz que dizia, Lily Melissa Owens, seu pote está aberto." (pag. 41)


Com as irmãs Boatwright, Lily aprende não apenas os segredos da vida das abelhas, mas também o poder da transformação através da paciência e do amor. A cura de feridas como perda, traição e a falta de amor. A história traz personagens femininos fortíssimos, e esses mesmos personagens se juntam para curar suas feridas, cuidando uma das outras e criando um santuário com valores familiares e respeito, um verdadeiro lar. A importância de escolher o que realmente importa.


Como mencionei, a história traz personagens femininos fortes, em contrapartida, não há nenhum personagem masculino positivamente forte - o que foi motivo de crítica a obra pela platéia masculina. Além do pano de fundo de cunho político, a história tem também um forte apelo religioso, o que me incomoda um pouco em romances. Quando citei acima que o filme romantiza alguns pontos críticos da história, refiro-me especialmente ao final do filme que foi alterado. T. Ray é cruel do início ao fim, e apesar de o filme tentar transmitir uma mensagem de esperança, de que as pessoas suavizam, mudam, não é isso que acontece na versão original.

"A maioria das pessoas não têm idéia da vida complicada que acontece dentro de uma casa de abelhas. Abelhas têm uma vida secreta sobre a qual não temos a menor noção. (...) Eu amei a idéia de as abelhas terem uma vida secreta, do mesmo jeito que eu estou vivendo." (pag. 148)


Tuesday, November 8, 2011

Atonement (Ian McEwan)

Sei que tenho estado bem ausente do blog ultimamente, mas vou correr contra o tempo para comentar sobre todos os livros lidos esse ano antes do final de 2011. Ai, ai, espero que dê tempo!
Atonement - Reparação, em português - está na lista da Rory Gilmore, eis o motivo de sua presença aqui… então vamos a história.

O livro é dividido em três partes, com um capítulo extra que explica e fecha a história. A primeira parte introduz o leitor a família Tallis, família aristocrática residente de uma cidadezinha no interior da Inglaterra. E nossos protagonistas, os irmãos: Briony, a caçula e nossa narradora-personagem; Cecília, e Leon, o mais velho. E a história começa com a movimentação na residência dos Tallis em celebração ao retorno de Leon.

Briony escreve o roteiro de The Trials of Arabella a ser encenada pelos primos - Jackson, Pierrot e Lola - hóspedes por tempo indeterminado dos Tallis após o divórcio dos pais. Entre os atritos entre primos, a depressão da mãe, e seus delírios pré-adolescentes, Briony testemunha uma cena intrigante. Da janela de seu quarto ela vê Cecília e Robbie no jardim próximo ao chafariz, Cecília despindo-se e mergulhando no chafariz, depois diz algo a Robbie, e visivelmente abalada caminha em direção à casa sem olhar para trás, ele fica a admirar Cecília mas logo parte. Onde outrora existiam dois corpos, resta uma poça de água que logo seca com sol.

"Os homens removeram seus chapéus e esperavam por ela, sorrindo. Cecília se perguntou, como as vezes fazia quando era apresentada a um homem pela primeira vez, se esse seria aquele com quem iria se casar, e caso seria esse momento particular que se lembraria para o resto de sua visa—com gratidão, ou profundo arrependimento." (pag. 44)

Quando Robbie lhe entrega um bilhete endereçado a Cecília, Briony não pensa duas vezes antes de ler. Ela já corria longe quando Robbie realizou que o bilhete enviado era o errado, era o que deveria ter destruído, o bilhete com seus desejos eróticos mais íntimos. Quando Briony descobre Cecília e Robbie na biblioteca, seus olhos não sabem o que vêem, se aqueles corpos ferozes buscando um ao outro cometem um ato de amor ou crueldade. Imatura, Briony acredita que Robbie molestou a irmã e busca oportunidade para desmascará-lo.

A oportunidade vem quando Pierrot e Jackson fogem de casa. Durante as buscas madrugada a dentro, Briony flagra a prima Lola sendo atacada. No escuro apenas viu uma sombra, mas teve convicção de que tal ato só poderia ter um autor. Conta a Lola o que havia testemunhado na biblioteca, e acredita que se ele teve coragem de cometer tal ato com Cecília, com certeza o faria novamente com a inocente Lola.

"Ela quis gritar, mas não conseguiu fôlego, e sua língua parecia lenta e pesada. Robbie se movia de tal maneira que sua visão da a irmã estava bloqueada. Então Cecília lutou para se soltar, e ele a deixou ir. Briony parou e chamou o nome da irmã. Quando ela passou por Briony não havia sinais em Cecília de gratitude ou alívio. Seu rosto não tinha expressão, quase composto, e ela olhou diretamente em direção a porta pela qual saiu." (pag. 116)

Logo a notícia se espalha, a polícia é chamada, Briony expõe o que ocorreu com Cecília. Ao amanhecer, Robbie retorna a casa com os irmãos foragidos nos braços, mas suas explicações e os clamores de Cecília são em vão.

Parte dois começa com a II Guerra Mundial. Após anos na prisão, Robbie encontra-se perdido em meio aos bombardeios. Cecília cortou contato com a família após a prisão de Robbie e virou enfermeira da Cruz Vermelha, o relacionamento dos dois é resumido na troca de cartas cheias de esperança de um futuro incerto.

Briony busca reconciliação com a irmã, muda para Londres e entra na escola de Enfermagem com esse intuito. Não mais a menina imatura e mimada pela mãe, Briony reconsidera seus atos, relembra o passado e o tempo em que quando criança fora apaixonada por Robbie. Agora tem a certeza de que ele é inocente. Tentando reparar seu erro, busca Cecília para esclarecer os fatos. Como enfermeira, Briony testemunha uma realidade que jamais conseguiria transcrever em suas histórias. As novas experiências lhe dão estímulo, veracidade às suas palavras... Atonement é no final das contas, a história de Cecília e Robbie escrita por Briony.

Morte, desespero, dor, medo. São tantos sentimentos opressivos vividos durante o tenso período da guerra, e eles são todos transcritos em Atonement. Do desesperado instinto de sobrevivência de Robbie e seus companheiros, aos últimos minutos da mãe com o filho no colo antes da bomba atingi-los. Do sofrimentos dos soldados feridos, a compaixão das enfermeiras. McEwan tem um talento descritivo típico dos escritores europeus, e sua representação da vida campestre da típica família inglesa, com toda sua hipocrisia, fez-me lembrar Austen e Tolstoy. A história é muito bem escrita porém muitíssimo depressiva, pesada, perturbadora. E o final, ah, quem leu por favor me diga o que achou...

"Através do bolso de seu casaco ele sentiu o amontoado de cartas. Vou esperar por você. Volta." (pag. 246)


Sunday, October 2, 2011

Me Talk Pretty One Day (David Sedaris)


"Mudei para Paris com esperança de aprender o idioma. Minha escola ficava a dez minutinhos do meu apartamento,  e no primeiro dia de aula cheguei lá cedo, observando como os veteranos cumprimentavam uns aos outros no corredor. (...) 'Isso é normal para eu, também, mas ser mais forte, você. Muito trabalho e um dia você falar bonito. As pessoas vai começar gostando de você logo. Talvez amanhã, okay'.'' (pag. 166, 172)


De maneira coloquial e com muito humor, David Sedaris compartilha com seus leitores em Me Talk Pretty One Day - Eu falar bonito um dia - em português,  suas experiências crescendo na Carolina do Norte, e parte da sua vida adulta quando decide mudar para a França com o namorado Hugh.

Nascido em uma família conservadora, que muda para a Carolina do Norte por causa do trabalho do pai, engenheiro da IBM, David sabia que sua dislexia não era apenas um problema a ser resolvido com  fonologia. Nem mesmo as tentativas dos educadores, e a pressão em casa conseguiram camuflar o que David já há tempos desconfiava... era gay.

''Quando criança, meu pai foi transferido e nossa família mudou do noroeste de Nova Iork para Raleigh, Carolina do Norte. IBM havia relocado um bocado de nortistas, e juntos fazíamos piadas sem fim dos nossos vizinhos e do modo acanhado e atrasado em que viviam. (...) Meus pais proibiram o uso dos títulos 'madame' e 'senhor' quando conversando com professores e atendentes. (...) A família permaneceu livre das influências exteriores até 1968, quando minha mãe deu a luz ao meu irmão, Paul, um nativo da Carolina do Norte, que tem crescido então para se tornar o melhor amigo e também pior pesadelo do meu pai.'' (pag. 61)

Do modo de lidar com as opiniões do pai, amante reprimido de jazz - na época considerado música para pessoas de 'cor' - que sonhava em ter uma família de músicos, e por meses apareceu em casa com um instrumento diferente, do piano a guitarra, do violão a bateria. ''Segura ai o teu chapéu,'' meu pai disse, ''porque eis aqui aquela guitarra que você sempre quis''. (pag. 20); E da irmã Gretchen, viciada em bronzeamento artificial - ''Até os espaços entre seus dedos eram bronzeados, bem como a palma das mãos e atrás das orelhas. Seus métodos envolviam óleo de bebê e uma série de poses absurdas que resultavam no amontoamento de pessoas, e mães cobrindo os olhos de suas crianças com os dedos cheios de areia.'' (pag. 36)... Sedaris vai contando os dramas e escolhas dele e dos outros 5 irmãos até que ele conhece Hugh, decide conquistá-lo, e os dois mudam para a França.

Na França David descobre quão frustrante são aulas de francês; faz um teste de QI que só serviu para confirmar ''(...) que eu sou bem estúpido, praticamente um idiota. Existem gatos que pesam mais que o meu QI. (...) Quando eu fiquei abatido por causa do resultado do meu teste, Hugh explicou que todo mundo pensa diferente - O que acontece é que eu assim o faço numa média bem inferior a de um adulto normal.'' (pag. 246)

''Quando as pessoas me pedem para resumir esse tempo que passei em Paris, eu procuro a minha pilha de tickets de filmes e murmuro por causa do peso. Tenho morado aqui por mais de um ano, e apesar de ainda não ter visitado o Louvre ou o Pantheon, eu assisti Álamo e A ponte do rio Kwai. Não fui ao Palácio Versailles mas eu consegui pegar as sessões de Oklahoma!, Brasil, e Nashville. Deixando de lado minhas visitas ao mercado, meu conhecimento sobre Paris é limitado ao que aprendi em Gigi.'' (pag. 205) 

Ler Me Talk Pretty One Day foi uma terapia após dias corridos e estressantes, tentei colocar nesse resumo um pouco mais sobre o livro mas é complicado relatar uma história em que cada capítulo é um momento diferente - a história não tem uma sequência cronológica, cada capítulo relata fatos aleatórios ocorridos em momentos aleatórios.

O interessante é que David Sedaris compartilhava suas histórias num programa de rádio no início da década de 90, o programa virou um sucesso, e anos depois Sedaris decide compilar seus dramas da vida moderna em Me Talk Pretty One Day, onde escreve com simplicidade e ironia, sem querer ser forçado, mas ao mesmo tempo sendo absurdamente engraçado - eu pularia os capítulos em que ele comenta suas experiências com drogas, mas fora a isso li o livro gargalhando, as mãos tremendo, e eu tentando me controlar enquanto eu chorava de rir. Must read, certamente.

Tuesday, November 30, 2010

The Curious Incident of the Dog in the Night-Time (Mark Haddon)

Primeiras linhas:


"Eram 7 minutos depois de meia-noite. O cachorro estava deitado na grama no meio do gramado em frente a casa da Sra. Shear. Seus olhos estavam fechados. Parecia que corria de lado, como aqueles cães quando pensam que perseguem um gato enquanto sonham. Mas o cachorro não estava nem correndo nem dormindo. O cachorro estava morto."


The Curious Incident of the Dog in the Night-Time - O Estranho Caso do Cachorro Morto, em português - relata a conturbada e corajosa vida de Christopher John Francis Boone, um adolescente inglês com síndrome de Asperger, e sua investigação para descobrir quem matou Wellington, o cachorro.

Decidi ler esse livro após lermos Boom! (resenha aqui) para o clube do livro de Agosto. As meninas do clube já haviam lido este e mencionaram quão diferente aquele primeiro livro era em comparação a este. O quanto Haddon havia amadurecido e progredido como escritor. E isso, realmente, ficou claríssimo após ler essa história.

Síndrome de Asperger é um transtorno relacionado com o Autismo (apesar de serem dois transtornos diferentes) onde indivíduos apresentam dificuldades em interação social, bem como padrões repetitivos de comportamento e interesses. A diferença do Autismo se dá no fato de que indivíduos que sofrem com síndrome de Asperger não têm comprometimento ou atraso no desemvolvimento cognitivo e/ou da linguagem, muito pelo contrário, portadores da síndrome apresentam alto nível de inteligência, especialmente em Ciências Exatas. Mas usam a linguagem de forma literal, tendo dificuldade em entender o que não é concreto - metáforas, por exemplo - além de não desenvolverem o lado afetivo, não gostam de ser tocados, abraçados, beijados.

"Os capítulos de um livro são normalmente listados em número cardinais 1, 2, 3, 4, 5, 6 e assim por diante. Mas eu decidi listar meus capítulos em número primos 2, 3, 5, 7, 11, 13 e etc., porque eu gosto de número primos." (Pag. 11)
Como seria ver o mundo através do olhos de uma criança que sofre de Asperger? Quais são os seus medos? Como eles pensam? Como se comportam? E é curioso ler a história através da perspectiva de Christopher e entender o porque de tais comportamentos e como agir diante portadores da síndrome (caso um dia tenha que interagir com um) para que eles não se sintam coagidos ou em perigo.

Christopher estuda em um colégio para crianças especiais. A mãe abandona o pai pouco tempo antes de incidente com o cachorro, não mais suportanto conviver com o peso de uma criança especial. O pai, enfurecido e envergonhado, informa ao filho que a mãe morrera de parada cardíaca e assim passa a cuidar do filho sozinho. E tudo iria voltar à rotina normal, se Christopher não tivesse encontrado Wellington morto em frente à casa da Sra. Shear. Sendo ele apaixonado por cães, e por sua postura de querer sempre os fatos muito bem explicados, Christopher decide investigar a morte do cachorro, e por sugestão de sua professora, decide escrever esse livro relatando os fatos e progressos da investigação... e é durante a investigação que toda verdade vem à tona e os sintomas da Síndrome de Asperger tornam-se mais gritantes no comportamento do nosso protagonista.


Haddon fez um trabalho maravilhoso em The Curious Incident of the Dog in the Night-Time, é uma história única, excêntrica, e inteligente. Christopher é tão detalhista, quer tudo tão do seu jeito - não come se uma porção da comida encostar na outra, tudo tem que estar separado; não come nada marrom ou amarelo; não fala com estranhos, detesta visitar lugares diferentes, a vida precisa seguir uma rotina, saber onde vai, que horas vai, quando volta, o que vai fazer, etc, etc - que as vezes irrita ler suas peculiaridades, mas é exatamente esse fato que Haddon quer explicitar, o quão dolorido e difícil é para um portador da Síndrome quando um detalhe está fora de lugar, quando uma mentira é contada, quando o arroz encosta na salada, quando Christopher vê 3 carros amarelos um atrás do outro em um dia.

É um livro especialmente interessante para outros adolescentes, para entender e saber respeitar as diferenças, o espaço de cada um, a aceitar que há sempre o que aprender com o outro, que ser especial não é contagioso e não é motivo de vergonha, e não deve ser motivo para piada ou exclusão.
"Decidi que vou descobrir quem matou Wellington mesmo depois de Papai dizer para não me envolver nos problemas dos outros (...) E isso é porque quando as pessoas te dizem o que fazer, pra mim é confuso e não faz sentido. Por exemplo, adultos sempre dizem "Fica queito!", mas eles não dizem por quanto tempo querem que alguém fique quieto".

Sunday, August 15, 2010

The Shadow of the Wind (Carlos Ruiz Zafón)

Estava super, super ansiosa para comentar sobre esse livro. Infelizmente terminei de ler exatamente na semana que me preparava para a mudança. Com tudo encaixotado e tempo reduzido, perdi meu "momentum" de falar sobre ele enquanto tudo estava brilhantemente vivo e fresco na cabeça... por esse motivo escolhi "The Shadow of the Wind" para o BookClub de Setembro, e como eu tinha certeza que ia acontecer, já recebi recadinhos de que a escolha foi ótima! (thumbs up!)

Li sobre "A sombra do Vento" num blog em 2009, ainda não havia chegado por aqui, mas aguardei pacientemente, o que valeu muito a pena.

A história tem Barcelona como cenário, Daniel como protagonista, histórias de amor, vingança e crueldade em seu enredo, com uma pitada deliciosa de mistério. Mistério esse que me corroeu de tal maneira que nem dormir direito eu conseguia.
"Fui criado em meio aos livros, fazendo amigos invisíveis em páginas que pareciam ser feitas de poeira e das quais o cheiro eu carrego comigo até o dia de hoje". (pag. 4)
Aos dez anos de idade, Daniel é apresentado pelo pai ao Cemitério dos Livros Esquecidos, como presente, seu pai permite que escolha um livro, qualquer um, e o adote, jamais permitindo que o livro desapareça. Daniel vaga pelos corredores e escolhe um livro sentado timidamente no canto de uma estante, capa de couro cor-de-vinho com letras douradas que diziam "Shadow of the Wind (Sombra do Vento) - Julián Carax". Mal sabia Daniel que aquele livro de autor desconhecido mudaria sua vida para sempre, no instante em que saíssse do Cemitério dos Livros Esquecidos.

Fascinado pela história de Julián Carax, Daniel busca outras obras do escritor, é quando fica sabendo que um homem misterioso vem comprando as obras de Carax por toda Europa e destruindo os exemplares. Quem foi Julián Carax? Porque alguém estaria tentando apagar seus registros na história?
"Aquele livro me ensinou que, através da leitura, eu poderia viver mais intensamente. Poderia me dar de volta a visão que perdi. Por essa única razão, um livro que não tinha a menor importância para ninguém, mudou a minha vida". (pag. 27)
É em torno desse mistério que a história se desenvolve, entrelaçada num deliocioso enredo que prende o leitor do início ao fim. A cada capítulo o leitor se envolve mais e mais com a história, o fato de que Zafón mistura fatos históricos à história de vários personagens para explicar traumas do passado, faz a obra ainda mais realista e rica, peguei-me várias vezes tentando fazer uma investigação paralela dos fatos, seria o Inspetor Fumero o homem misterioso? O que aconteceu com a família Aldaya? Onde estária Penélope, o grande amor de Julián Carax? Será que a história de Julián se repetiria na vida de Daniel? Ele seria tão covarde a ponto de abandonar Bea?

O interessante é ver o crescimento do protagonista. Daniel começa a história como menino, e o leitor acompanha sua transformação para adolescência - seu amor platônico por Clara Barceló, o coração partido, a volta por cima, seu amor pelo pai.

Daniel amadurece perante os olhos do leitor - e devo dizer que Daniel pré-adulto é bem safadinho, tem um charme perigoso e uma queda por mulheres mais velhas - o que me fez lembrar do personagem de Jim Butcher, Harry Dresden da série The Dresden files (comentário sobre Storm Front aqui) - e é o Daniel adulto que trás para a história Fermín Romero de Torres, personagem inteligente e engraçadíssimo que rouba a cena em muitos trechos. Fermín e Daniel tornam-se melhores amigos, apesar da diferença enorme de idade, Fermín contribui e muito para o amadurecimento de Daniel, mesmo agindo ele mesmo com infantilidade em muitos momentos.
"Um homem com cabeça, coração, e alma. Um homem capaz de ouvir, liderar e respeitar uma criança, e não de afogá-la com seus próprios defeitos. Alguém que não será apenas amado por uma criança por ser seu pai mas que será também admirado pela pessoa que é. Alguém que desejará ser quando crescer". (pag. 185)
Fiquei fascinada pelo estilo de Carlos Ruiz Zafón, que escritor talentoso! The Shadow of the Wind foi um dos livros mais completos que já li, daqueles que não deixa dúvidas ou hiatos na narrativa, os personagens foram excelentemente desenvolvidos, com começo, meio e fim. Terminei de ler o livro e senti aquela sensação de completude, delícia de ler, lembrança boa de ter lido.

* Livro da Lista Rory Gilmore.

Wednesday, July 21, 2010

A tree grows in Brooklyn (Betty Smith)

Finalmente tivemos a reunião do Bookclub para discutir A tree grows in Brooklyn, o que eu já tinha comentado aqui porque não aguentei esperar pela reunião... precisava compartilhar.

O gosto pela história foi unânime, o que era de se esperar. Tínhamos muito pra comentar e compartilhar sobre o livro, a história marcou cada uma de nós de uma forma ou outra. Betty Smith abordou temas nesse livro que superam as barreiras do tempo, o livro foi publicado em 1943 mas é possível que leitores daqui a 200 anos ainda se identifiquem com a obra.

Não tive como não fazer uma comparação entre as duas escritoras abertamente consideradas feministas pelos críticos: Betty Smith e Kate Chopin. Na minha opinião, Betty Smith é a verdadeira feminista, todas as personagens femininas de A tree grows in Brooklyn demonstram uma força encorajadora diante das situações adversas enquanto seus maridos lamentam, choram, e se entregam aos vícios...

"Pode até ser minha culpa. Eu nunca soube como ensinar minhas filhas porque não tenho nada de valor em meu passado (...) Não mandei minha primeira filha para a escola. Eu era ignorante e não sabia que crianças de gente como nós eram permitidas educação pública nesse país. Por causa disso, Sissy não teve chance de ter um futuro melhor que o meu. Mas as outras três... você foi para a escola. (...) E já, já está começando - o progresso. (...) Essa criança nasceu de pais que podem ler e escrever', disse ela com simplicidade. 'Para mim , isso já me deixa maravilhada". (pag. 82)

Começando com a matriarca da família Rommely, Mary era analfabeta, sofreu nas mãos de uma marido repressor que a humilhava nas mais diversas situações. Apesar de calada, seus ouvidos eram atentos às situações externas. Foi Mary que iniciou a quebra do ciclo de analfabetismo e submissão nas mulheres da família Rommely, quando aconselhou sua filha Katie a ler para seus filhos e fazer economias, educação era o caminho.

Katie pode ter parecido fria, muitas vezes dura demais com os filhos, mas seu comportamento moldou o caráter de Francie e Neeley. Através da luta de Katie, seus filhos aprenderam a vencer suas próprias batalhas, a não aceitar as adversidades que a vida os trazia... a pobreza, a fome, o frio, o alcoolismo do pai.

Os personagens femininos de Kate Chopin (comentário sobre The awakening aqui) podem ter parecido avançados para a época, mas eles eram fracos... buscar o divórcio do marido rico pelo simples capricho de querer ser livre não é feminismo, especialmente quando acaba em suicídio mesmo depois de ter conseguido seus objetivos.
Betty Smith realmente dá poder e domínio a seus personagens femininos, eles têm garra, força de vontade, vão a luta, são guerreiras e determinadas com todas as letras, mas não deixam de ter a fragilidade do sexo, não as masculiniza para provar o ponto, é um balanço perfeito que deixa o leitor com aquele gostinho de quero mais.

A tree grows in Brooklyn está na lista dos melhores livros do século pela Biblioteca Pública de Nova York.


PS: Primeiro livro lido para o Desafio Literário - O.A.T.E.S. (yeaaah!)

* Livro da Lista Rory Gilmore.

Wednesday, July 14, 2010

Life of Pi (Yann Martel)

"Precisava parar de ter esperança de que um navio me resgataria. Não deveria contar com ajuda alheia. Sobrevivência tinha que começar comigo. Na minha experiência, o maior erro de um náufrago é ter esperança demais e agir de menos." (pag. 225)

Life of Pi, A vida de Pi, de Yann Martel conta a emocionante história de Piscine Molitor Patel, um menino indiano de 16 anos, que tem o navio em viajava com a família rumo ao Canadá naufragado em meio ao Oceano Pacífico. Pi é o único sobrevivente racional, jogado num bote salva-vidas por membros da tripulação na correria do naufragio.

Digo racional porque a família Patel era proprietária de um zoológico na região de Pondicherry. Quando a crise da década de 70 começou na Índia, o pai decide vender o zoo e mudar com a família para o Canadá, alguns dos animais haviam sido comprados por zoológicos na América e no Canadá... o navio em que viajavam era cargueiro, como carga vinham a família Patel e os animais do zoológico.

Também foram jogados no bote salva-vidas uma zebra, uma hiena e um orangotango... mais tarde, quando o choque e o desespero começam a acalmar e a fome começa a atacar, Pi descobre que há também um Tigre de Bengala a bordo... Richard Parker, o tigre que Pi salvou do afogamento logo no início da viagem.

"Eu era agora um assassino. Eu era agora tão culpado quanto Caim. Eu tinha 16 anos, um menino que nunca machucou ninguém, viciado em livros e religião, e agora eu tinha sangue em minhas mãos. É um peso horrível de carregar. Toda vida consciente é sagrada. Nunca esqueci de incluir aquele peixe em minhas orações." (pag. 245)
A hiena come a zebra e o orangotango, Richard Parker come o resto dos dois mais a hiena... o dilema de Pi não é apenas o de sobreviver à deriva, sob sol, tempestade, escassez de comida e água, mas fazer tudo isso enquanto há um tigre de 200 kg com ele num pequeno bote.

Richard Park e Pi sobreviveram por 227 dias no mar.

O início do livro não prendeu muito minha atenção, até pensei que ia me arrepender da leitura quando o tópico religião começou a aparecer 'mais que frequentemente' na história - eu tenho uma certa aversão ao tópico em obras literárias, apesar de que as religiões mencionadas foram ricamente detalhadas e o ponto de vista de Pi, bem como seu entender sobre Deus e as religiões me agradou bastante - há também um diálogo paralelo no intervalo de capítulos que eu não entendi muito bem no início mas que se auto-explica um pouco antes do capítulo sobre o naufragio.

Os capítulos pós-naufrágio são super intensos, aliás toda a jornada dali em diante faz com que não se queira parar de ler. Antes do início do livro há as notas do autor e tudo dá a entender que a história é não-ficção, histórias sobre outros naufrágios famosos são mencionadas com suas respectivas datas e o tempo que levou até o resgate dos náufragos, o que me fez pensar que a história fosse realmente verdadeira... e devo confessar que após terminar o livro e pesquisar sobre a obra e o personagem na internet, e descobrir que tudo nada mais é que ficção, fiquei um pouco decepcionada.

Deve ser por causa disso que li tantas críticas negativas na pesquisa que fiz, porque o leitor realmente se envolve com a história e acredita que tenha sido verdade. Sofre-se com o Pi, angustia-se com os eventos de cada capítulo, sente-se medo, alívio, dor... Yann Martel  tentou fazer um jogo para confundir a cabeça do leitor mas que para muitos resultou em frustração e decepção.

Life of Pi foi lançado em 2002 e ganhou o prêmio Booker no mesmo ano. A polêmica de plágio surgiu quando o escritor brasileiro Moacyr Scliar declarou que a idéia da história foi copiada de seu livro Max e os Felinos, de 1981, em que um alemão cruza o Atlântico com um jaguar, mais tarde Scliar decidiu não processar Martel. Yann Martel nasceu na Espanha e mora em Montreal. Life of Pi foi seu terceiro livro. Uma versão para o cinema está prevista para 2011.

* Livro da Lista Rory Gilmore.

Monday, May 3, 2010

Lord of the Flies (William Golding)

Já faz quase dois anos que li esse livro e nunca comentei sobre ele.
Esse foi o primeiro livro que li que me causou desconforto, desconforto emocional. Lembro que passei noites sem dormir, não conseguia esquecer as imagens que minha mente formou enquanto lia. Terror.

Eu não lembro cada detalhe da história (assim depois de tanto tempo) mas decidi falar desse livro porque ele estava pertinho do livro do Edgar A. Poe, escolhido para o último Poema de Sábado (aqui), e lembrei que ainda não havia comentado sobre ele no A Ship Made of Books.

Lord of the Flies - O Senhor das Moscas, em português - conta a história de um grupo de crianças inglesas perdidas numa ilha - não lembro exatamente como elas chegaram lá e porque não havia adultos com elas - e a jornada travada por elas para sobreviver.

As primeiras crianças aparecem na praia - Ralph e Piggy são os primeiros a interagir mas logo outras aparecem vindas da floresta e em pouco tempo há um grande grupo de crianças. Uma pequena sociedade se forma, é preciso caçar para comer, é preciso se organizar, os menores são frágeis e dependentes, mas o instinto de sobrevivência dos mais velhos fala mais alto. As tarefas são divididas e Ralph é votado o lider do grupo até que Jack começa a reinvidicar o posto - vindo de uma educação mais rígida, com habilidades de escoteiro, ele acredita que tem mais capacidade de lidera-los, fora que também tem outros pertencentes ao seu grupo que o apoiam.

Lord of the Flies mostra como a sociedade gira em torno do poder e nisso há uma raiz malvada, não importa se são apenas crianças, há uma força interior que fala mais alto. Os fortes tentarão submeter os fracos às suas vontades, às suas leis, não importa o que terão que fazer - é a lei da selva, a lei da sobrevivência e luta-se com as armas que tem. Se Jack é bom caçador e consegue carne, os que desejam comer carne terão que aceitar Jack como lider.

Em um dado momento na história, os menores dizem ver "coisas" durante a noite e recusam-se a dormir, um certo medo se instala entre as crianças; outros dizem que ver alguém no topo de uma montanha e seria de lá que as "coisas" viriam durante a noite.

"A cabeça, pensou, parecia concordar com ele. Foge, disse a cabeça silenciosamente, volta para os outros. Foi piada, sério - porque se importaria? Estavas errado, só isso (...) Volta criança, disse a cabeça silenciosamente". (pag. 135)

Os maiores partem para o topo da montanha para investigar a "besta", encontram e matam um porco no meio do caminho e penduram a cabeça do porto como num cajado - e é a partir daqui que as cenas se tornam gráficas e aterrorizantes! - Simon passa a conversar com o crânio, que se chama de O Senhor das Moscas, e é como se o crânio começasse influenciar negativamente o comportamento daqueles que já tinham algo de mal em si - O termo senhor das moscas é uma tradução do hebraico para Belzebu, ou Diabo, e isso explica muito da história.

Jack torna-se cruel e tirano, usa a violência, a pressão psicológica e o medo para submeter todos ao seu poder. Ralph e Piggy tentam alertar os outros mas é como se o mal tivesse tomado cada espaço daquela ilha.

Li muitos comentários sobre esse livro, alguns dizem ser uma versão mais crua do The Animal Farm - A Revolução dos Bichos, mas a verdade é que a mensagem do texto é forte, forte até demais pra mim. Golding mostra ao leitor, numa visão apocalíptica, que nenhum paraíso escapa da força opressiva causada pela vontade do poder, nem mesmo aquelas crianças ali naquele cenário paradisíaco... uma ilha, com comida de fácil acesso, onde a simplicidade da natureza se apresenta diariamente... nem mesmo ali pode-se evitar a influência do mal, como se ele fosse inerente ao ser humano... Assim como foi no Jardim do Eden.

* Livro da Lista Rory Gilmore.

Friday, March 26, 2010

Anna Karenina (Leo Tolstoy)

Ontem tivemos reunião do Bookclub para discutir Anna Karenina, a conversa foi super animada... com um livro tão extenso havia assunto de sobra para comentar.

Levin e Dolly foram os personagens que todas nós gostamos:
Dolly - apesar da sua situação, para nós representou a única mulher realmente forte na história. Ela não aceitava o comportamento de Oblonsky, sentia-se humilhada de certo, e até chegou a invejar a vida nova de Anna, mas sua família vinha em primeiro lugar, e logo percebeu que apesar da luxúria e aparente felicidade que Anna vivia, tudo não passava de superficialidade... tomou para si a responsabilidade de educar os filhos, tentou amenizar ao máximo os efeitos dos gastos excessivos do marido e, apesar de ter cedido algumas vezes, decidiu reinvidicar as finanças de suas posses. Sentimos que no final da história, sua personagem foi meio que deixada de lado, o que é uma pena.

Levin - é curioso compará-lo com seus outros dois irmãos... Levin é o menos sociável e supostamente, o menos inteligente de todos por não querer se envolver com os problemas sociais que aflingiam seu país ou até mesmo sua vizinhança. Por nunca ter tido uma família sua, desejava infinitamente aquele aconchego das relações íntimas familiares, pensava que sua felicidade seria plena após casar-se... infelizmente não é assim que a coisa funciona. O vazio que realmente ocupa espaço em Levin é o vazio de perguntas não respondidas... porque estou aqui? existe um poder supremo? porque as pessoas acreditam tão piamente em algo que não veem? existe Deus? porque religião? Levin é inexperiente e impulsivo, o que fica bem claro após seu casamento e as discussões bobas que trava com Kitty.

Kitty foi uma das personagens mais completas (na nossa opinião)... acompanha-se o seu desenvolvimento durante a história... de uma garotinha fútil, que não vê a hora de arranjar um marido, para uma esposa, madura, que toma as rédeas em situações extremas, ela tem uma força e um vigor que surpreende, apesar de parecer frágil.

O personagem mais autêntico é Oblonsky - tem uma auto-estima contagiante e um carisma como poucos, apesar de ser um pai e marido negligente e irresponsável. O interessante é que Oblonsky se aceita como é, tem ciência de suas raízes fracas, sabe que não pertence realmente a uma família tradicional aristocrática mas não se diminui por causa disso. Sabe que seu posto na sociedade, seu emprego, foi conseguido por influência de terceiros mas não se envergonha e toma vantagem da situação, é um cara-de-pau à moda antiga.

Anna Karenina foi detestada por todas nós. Beth e Carmen detestaram Anna desde as primeiras páginas. Concluimos que Anna nem é a personagem principal da história, mas é interessante acompanhar seu declínio social e moral no decorrer dos capítulos. Concordamos que Anna, na verdade, não chegou a amar Vronsky... o que ela amava era a idéia de estar apaixonada, de ter a liberdade de escolher com quem viver, com quem se relacionar. Respondendo a pergunta do questionário do livro:

"Divórcio e um novo casamento teriam ajudado Anna Karenina? Se Anna tivesse vivido em nosso tempo, sua história seria diferente?" Se Anna casasse com Vronsky não acreditamos que mudaria muita coisa, porque Vronsky deixou bem claro no início da história que um relacionamento sério não era para ele, ele era um homem do mundo, das festas, da farra. Eles seriam felizes no início (como foram nos primeiros meses do relacionamento), mas logo depois Vronsky se cansaria (como aconteceu) porque a mágica da conquista teria passado. Se Anna vivesse em nosso tempo mas tivesse a mesma mentalidade, sua situação não seria muito diferente. Lógico que ela teria a liberdade de se livrar de um casamento ruim, mas com a mesma mentalidade, ela não saberia o que fazer com sua liberdade.

O personagem mais fraco: Alexey Karenin. Ele é um personagem curioso porque apesar de ocupar um cargo de poder, onde toma decisões importantes por seu país, Karenin nunca toma nenhuma decisão em sua própria vida. Começando por seu casamento com Anna Karenina, que foi forçado pela tia dela. Daí, quando começa notar o romance entre Anna e Vronsky, prefere ficar calado e deixar as coisas acontecerem até que Anna confessa tudo. Com a desculpa de preservar sua posição social, Karenin permite que Anna continue seu affair com Vronsky e assim por diante. De certo que Anna arruinou a vida do marido, mas ele foi permissivo. Depois de Anna veio Lidya Ivanova... sempre alguém tomando as decisões por ele, Alexey era sempre coadjuvante da sua própria história.

Decepção: Tolstoy ter totalmente excluído da história a personagem de Varenka. Se não desenvolveria o resto da história dela, porque colocá-la na história então? Deixou uma grande interrogação, até porque era um personagem com conteúdo, tinha uma história de vida interessante... fora que a situação com o irmão de Levin foi frustrante... teria feito mais sentido ter continuado a história dela com Sergey do que ter apagado ela do livro, como se nunca tivesse existido.

Se quiser ler meus primeiros comentários sobre a obra, clique aqui.
Para saber mais sobre a vida de Tolstoy, clique aqui.

* Livro da Lista Rory Gilmore.

Wednesday, February 24, 2010

Lista de livros da Rory Gilmore

Eu tentei assistir Gilmore Girls, tentei mas nunca consegui realmente acompanhar... talvez se tivesse dado tempo para que os personagens me cativassem ao invés de ficar os criticando, a coisa teria andado mas não aconteceu.

Na época eu não sabia que Rory era viciada em livros, em nenhum dos episódios que parei para assistir na época a vi lendo alguma coisa - alias o que mais via era ela discutindo com a mãe, ficando de mal e se refugiando na casa do avós, aquelas figuras superciais e fúteis (na maioria das vezes) - não era um exemplo que me agradava.

Porém, numa das minhas visitas ao blog The Novel World, percebi que a Nari tinha colocado a lista dos livros mencionados na série... e a lista era enoooorme! Assisti algumas reprises por aqui e não é verdade que Rory Gilmore era mesmo bookaholic? (nas primeiras 3 temporadas... depois, quando ela descobre os garotos, meio que deixa os livros de lado!). O que me chamou atenção foi o fato de que a maioria dos livros citados no seriado eram clássicos, não apenas os chick-lit que têm preenchido a maioria das prateleiras nas livrarias!

Fiquei muitíssimo inspirada (e arrependida por não ter prestado atenção nesse detalhe antes), já li alguns dos livros da lista e quero ler tantos outros (alguns com resenha aqui no blog, outros antes do blog surgir - mas que lerei novamente porque valem a pena!). A lista é bem eclética, não inclui apenas romances, tem não-ficção, poesias, biografias, filosofia, históricos, etc., e não é restrita apenas aos escritores americanos, inclui de europeus a asiáticos. Então decidi compartilhar com vocês.

Legenda:                   Lidos                       Lidos com resenha


001. 1984 by George Orwell

002. A Confederacy of Dunces by John Kennedy Toole

003. A Heartbreaking Work of Staggering Genius by Dave Eggers

004. Mencken Chrestomathy by H.L. Mencken

005. A Month Of Sundays: Searching For The Spirit And My Sister by Julie Mars

006. A Passage to India by E.M. Forster

007. A Quiet Storm: A Novel by Rachel Howzell Hall

008. A Room of One’s Own by Virginia Woolf

009. A Separate Peace  by John Knowles


011. Dreiser American Tragedy by Theodore Dreiser

012. Anna Karenina  by Leo Tolstoy

013. Anne Frank: The Diary of a Young Girl by Anne Frank

014. Atonement: A Novel by Ian McEwan

015. Autobiography of a Face by Lucy Grealy

016. Balzac and the Little Chinese Seamstress: A Novel by Dai Sijie

017. Bee Season: A Novel by Myla Goldberg

018. Bel Canto (P.S.)  by Ann Patchett

019. Beloved by Toni Morrison

020. Beowulf: A New Verse Translation

021. Brave New World by Aldous Huxley

022. Brick Lane: A Novel by Monica Ali

023. Catch-22 by Joseph Heller

024. The Collected Stories of Eudora Welty by Eudora Welty


026. Cousin Bette by  Honoré de Balzac

027. Crime and Punishment  by Fyodor Dostoyevsky

028. Daisy Miller by Henry James

029. David Copperfield  by Charles Dickens

030. Dead Souls by  Nikolai Gogol

031. Death of a Salesman by Arthur Miller

032. Demons, 182  by Fyodor Dostoevsky

033. Dr. Jekyll and Mr. Hyde by Robert Louis Stevenson

034. Eleanor Roosevelt   by Blanche Wiesen Cook

035. Ella Minnow Pea: A Progressively Lipogrammatic Epistolary Fable  by Mark Dunn

036. Emma  by Jane Austen

037. Empire Falls  by Richard Russo

038. Ethan Frome by Edith Wharton

039. Rick Steves’ Europe Through the Back Door 2007: The Travel Skills Handbook by Rick Steves

040. Extravagance: A Novel by Gary Krist

041. Fahrenheit 451: A Novel by Ray Bradbury

042. Fat Land: How Americans Became the Fattest People in the World by Greg Critser

043. Flowers for Algernon by Daniel Keyes

044. Frankenstein by Mary Shelley

045. Franny and Zooey by J.D. Salinger

046. Galapagos by Kurt Vonnegut

047. Hamlet  by William Shakespeare

048. Heart of Darkness by Joseph Conrad

050. Holidays on Ice: Stories by David Sedaris

051. How the Light Gets in by M. J. Hyland

052. How to Breathe Underwater by Julie Orringer

053. Howl by Allen Ginsberg

054. Inherit the Wind  by Jerome Lawrence

055. Jane Eyre  by Charlotte Brontë

056. Just a Couple of Days by Tony Vigorito

057. Leaves of Grass by Walt Whitman

058. Letters to a Young Poet by  Rainer Maria Rilke


060. Little Dorrit by Charles Dickens

061. Little Women  by Louisa May Alcott

062. Living History  by Hillary Rodham Clinton

063. Lord of the Flies  by William Golding

064. Madame Bovary by Gustave Flaubert


066. Memoirs of a Dutiful Daughter by Simone de Beauvoir

067. Middlesex: A Novel by Jeffrey Eugenides

068. Moby-Dick: or, The Whale  by Herman Melville

069. Monsieur Proust by Celeste Albaret

070. Mrs. Dalloway  by Virginia Woolf

071. My Lai 4: A Report on the Massacre and Its Aftermath  by Seymour M. Hersh

072. My Life in Orange: Growing Up with the Guru by Tim Guest

073. My Sister’s Keeper  by  Jodi Picoult

074. Nervous System: Or, Losing My Mind in Literature by Jan Lars Jensen

075. New Poems of Emily Dickinson by Emily Dickinson   ( 1 2    ) 

076. Night by Elie Wiesel

077. Dawn Powell: Novels 1930-1942 by Dawn Powell

078. Of Mice and Men by John Steinbeck

079. Old School by Tobias Wolff

080. Oliver Twist by Charles Dickens

081. On the Road by Jack Kerouac

082. One Flew Over the Cuckoo’s Nest  by Ken Kesey

083. Oracle Night: A Novel by  Paul Auster

084. Oryx and Crake by  Margaret Atwood

085. Othello by William Shakespeare

086. Out of Africa by Isak Dinesen

087. Please Kill Me: The Uncensored Oral History of Punk by Legs McNeil

088. Property  by  Valerie Martin

089. Pushkin: A Biography  by  T.J. Binyon

090. Pygmalion  by George Bernard Shaw

091. Quattrocento by   James Mckean

092. Reading Lolita in Tehran: A Memoir in Books by Azar Nafisi

093. Rescuing Patty Hearst: Memories From a Decade Gone Mad by Virginia Holman

094. Romeo and Juliet  by William Shakespeare

095. Rosemary’s Baby by  Ira Levin

096. Sacred Time: A Novel  by Ursula Hegi

097. Sanctuary  by William Faulkner

098. Savage Beauty: The Life of Edna St. Vincent Millay by  Nancy Milford

099. Seabiscuit: An American Legend by Laura Hillenbrand

100. Sense and Sensibility by Jane Austen

101. Siddhartha: Siddhartha  by  Hermann Hesse

102. Slaughterhouse-Five by Kurt Vonnegut

103. Small Island: A Novel by  Andrea Levy

104. The Snows of Kilimanjaro and Other Stories  by Ernest Hemingway

105. Song of the Simple Truth: The Complete Poems of Julia de Burgos  by  Julia de Burgos

106. Songbook by Nick Hornby

107. Speak, Memory  by Vladimir Nabokov

108. Stiff: The Curious Lives of Human Cadavers by Mary Roach

109. Swann’s Way by  Marcel Proust

110. Swimming With Giants: My Encounters With Whales, Dolphins, and Seals by Anne Collet

111. Sybil by Flora Rheta Schreiber

112. A Tale of Two Cities by Charles Dickens

113. Tender Is the Night by  F. Scott Fitzgerald

114. Adventures of Huckleberry Finn by Mark Twain

115. The Amazing Adventures of Kavalier and Clay  by Michael Chabon

116. The Art of War  by Sun Tzu

117. The Awakening by Kate Chopin

118. The Bell Jar by Sylvia Plath

119. The Bielski Brothers: The True Story of Three Men Who Defied the Nazis,
Built a Village in the Forest, and Saved 1,200 Jews by Peter Duffy

120. The Catcher in the Rye  b J.D. Salinger

121. The Code of the Woosters by  P.G. Wodehouse

122. The Count of Monte Cristo by  Alexandre Dumas Père


124. The Devil in the White City: Murder, Magic, and Madness at the
Fair that Changed America by Erik Larson

125. The Electric Kool-Aid Acid Test by Tom Wolfe


127. The Fortress of Solitude by Jonathan Lethem

128. The Fountainhead  by  Ayn Rand

129. The God of Small Things by  Arundhati Roy

130. The Great Gatsby  by  F. Scott Fitzgerald

131. The Group by Mary McCarthy

132. The Handmaid’s Tale  by Margaret Atwood

133. The Holy Barbarians by Lawrence Lipton


135. The Jungle by Upton Sinclair

136. The Kitchen Boy: A Novel of the Last Tsar  by  Robert Alexander

137. The Kite Runner  by Khaled Hosseini

138. The Last Empire: Essays 1992-2000 by Gore Vidal

139. The Lion, the Witch and the Wardrobe by C. S. Lewis

140. The Little Locksmith: A Memoir  by Katharine Butler Hathaway

141. The Lottery: And Other Stories by Shirley Jackson

142. The Lovely Bones by Alice Sebold

143. The Manticore by Robertson Davies

144. The Master and Margarita by  Mikhail Bulgakov

145. The Meaning of Consuelo: A Novel by Judith Ortiz Cofer

146. The Metamorphosis by Franz Kafka

147. The Naked and the Dead by Norman Mailer

148. The Name of the Rose by Umberto Eco

149. The Namesake by Jhumpa Lahiri

150. The Nanny Diaries by Emma McLaughlin

151. The Opposite of Fate by Amy Tan


153. The Polysyllabic Spree by Nick Hornby

154. The Portable Dorothy Parker by Dorothy Parker

155. The Portable Nietzsche  - (Viking Portable Library)

156. The Price of Loyalty: George W. Bush, the White House,
and the Education of Paul O’Neill  by Ron Suskind

157. The Razor’s Edge by  W. Somerset Maugham

158. The Red Tent  by Anita Diamant

159. The Rough Guide to Europe 2006 - Various Authors

160. The Scarecrow of Oz  by  L. Frank Baum

161. The Scarlet Letter by Nathaniel Hawthorne

162. The Second Sex by Simone De Beauvoir


164. The Shadow of the Wind by Carlos Ruiz Zafon

165. The Song of Names by Norman Lebrecht

166. The Song Reader  by  Lisa Tucker

167. The Sound and the Fury by William Faulkner

168. The Story of My Life  by Helen Keller

169. Sun Also Rises  by Ernest Hemingway

170. The Time Traveler’s Wife  by  Audrey Niffenegger

171. The True and Outstanding Adventures of the Hunt Sisters: A Novel  by Elisabeth Robinson

172. Unabridged Journals by Sylvia Plath

173. The Year of Magical Thinking by Joan Didion

174. Time and Again by Jack Finney

175. To Kill a Mockingbird  by Harper Lee

176. Truth and Beauty: A Friendship by Ann Patchett

177. Uncle Tom’s Cabin by Harriet Beecher Stowe

178. Unless: A Novel (P.S.) by Carol Shields

179. Vanity Fair  by William Makepeace Thackeray

180. War and Peace by  Leo Tolstoy

181. When the Emperor Was Divine by Julie Otsuka

182. Who’s Afraid of Virginia Woolf? by  Edward Albee

183. Wicked: The Life and Times of the Wicked Witch of the West by Gregory Maguire

184. Divine Secrets of the Ya-Ya Sisterhood: A Novel  by   Rebecca Wells