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Wednesday, April 20, 2011

Aniversário de Augusto dos Anjos

Em 20 de abril de 1884 nascia Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, um dos poetas mais críticos da Literatura Brasileira. Seus poemas nada convencionais, expressam a agressividade e a tensão da sua visão cientificista, encaixa-se no Parnasianismo... alguns acham que é Pré-Moderno. Cabe ao leitor decidir.


Debaixo do tamarindo


No tempo de meu Pai, sob estes galhos,
Como uma vela fúnebre de cera,
Chorei bilhões de vezes com a canseira
De inexorabilíssimos trabalhos!

Hoje, esta árvore de amplos agasalhos
Guarda, como uma caixa derradeira,
O passado da flora brasileira
E a paleontologia dos Carvalhos!

Quando pararem todos os relógios
De minha vida, e a voz dos necrológios
Gritar nos noticiários que eu morri,

Voltando à pátria da homogeneidade,
Abraçada com a própria Eternidade,
A minha sombra há de ficar aqui!

Monday, April 26, 2010

Aniversário de Augusto dos Anjos

Atrasado mas não esquecido!

Em 20 de abril de 1884 nascia Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, um dos poetas mais críticos da Literatura Brasileira. Seus poemas nada convencionais, expressam a agressividade e a tensão da sua visão cientificista, encaixa-se no Parnasianismo... alguns acham que é Pré-Moderno. Cabe ao leitor decidir.

Compartilho hoje com vocês, um dos seus poemas mais conhecidos e comentados...

Versos Íntimos

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão — esta pantera —
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.


Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Saturday, January 23, 2010

Poema de Sábado


Tenho lido mais frequentemente os jornais brasileiros para saber das tragédias que tem acontecido na minha terra. Fiquei um tanto indignada com o tanto de dinheiro que o governo brasileiro vai enviar ao Haiti... e os filhos dessa pátria que estão desalojados, perderam casas, morreram e ainda sofrem com a chuva e as enchentes?

Daí lembrei desse poema do Augusto dos Anjos que li há quase 10 anos. Augusto dos Anjos (1884-1914) é conhecido por seu criticismo severo, foi um dos poetas mais críticos do seu tempo.

Lembro que quando li EU, não gostei daqueles poemas tão crus e cheio de palavras difíceis, linguagem orgânica e científica, achei depressivo, causa até um certo repúdio ao ler sobre vermes, putrefação, "escarra nessa boca que te beija"... poemas deveriam falar de amor, de romance (ingênua e ignorante naquela época, não!?)... mas hoje comparo Augusto dos Anjos a Edgar A. Poe, seus poemas causam impacto e nos tocam no que mais nos incomoda. É o uso extramamente melancólico da criatividade.


Idealização da humanidade futura



Rugia nos meus centros cerebrais
A multidão dos séculos futuros
- Homens que a herança de ímpetos impuros
Tornara etnicamente irracionais! -

Não sei que livro, em letras garrafais,
Meus olhos liam! No húmus dos monturos,
Realizavam-se os partos mais obscuros,
Dentre as genealogias animais!

Como quem esmigalha protozoários
Meti todos os dedos mercenários
Na consciência daquela multidão...

E, em vez de achar a luz que os Céus inflama,
Somente achei moléculas de lama
E a mosca alegre da putrefação!