Showing posts with label betty smith. Show all posts
Showing posts with label betty smith. Show all posts

Wednesday, July 21, 2010

A tree grows in Brooklyn (Betty Smith)

Finalmente tivemos a reunião do Bookclub para discutir A tree grows in Brooklyn, o que eu já tinha comentado aqui porque não aguentei esperar pela reunião... precisava compartilhar.

O gosto pela história foi unânime, o que era de se esperar. Tínhamos muito pra comentar e compartilhar sobre o livro, a história marcou cada uma de nós de uma forma ou outra. Betty Smith abordou temas nesse livro que superam as barreiras do tempo, o livro foi publicado em 1943 mas é possível que leitores daqui a 200 anos ainda se identifiquem com a obra.

Não tive como não fazer uma comparação entre as duas escritoras abertamente consideradas feministas pelos críticos: Betty Smith e Kate Chopin. Na minha opinião, Betty Smith é a verdadeira feminista, todas as personagens femininas de A tree grows in Brooklyn demonstram uma força encorajadora diante das situações adversas enquanto seus maridos lamentam, choram, e se entregam aos vícios...

"Pode até ser minha culpa. Eu nunca soube como ensinar minhas filhas porque não tenho nada de valor em meu passado (...) Não mandei minha primeira filha para a escola. Eu era ignorante e não sabia que crianças de gente como nós eram permitidas educação pública nesse país. Por causa disso, Sissy não teve chance de ter um futuro melhor que o meu. Mas as outras três... você foi para a escola. (...) E já, já está começando - o progresso. (...) Essa criança nasceu de pais que podem ler e escrever', disse ela com simplicidade. 'Para mim , isso já me deixa maravilhada". (pag. 82)

Começando com a matriarca da família Rommely, Mary era analfabeta, sofreu nas mãos de uma marido repressor que a humilhava nas mais diversas situações. Apesar de calada, seus ouvidos eram atentos às situações externas. Foi Mary que iniciou a quebra do ciclo de analfabetismo e submissão nas mulheres da família Rommely, quando aconselhou sua filha Katie a ler para seus filhos e fazer economias, educação era o caminho.

Katie pode ter parecido fria, muitas vezes dura demais com os filhos, mas seu comportamento moldou o caráter de Francie e Neeley. Através da luta de Katie, seus filhos aprenderam a vencer suas próprias batalhas, a não aceitar as adversidades que a vida os trazia... a pobreza, a fome, o frio, o alcoolismo do pai.

Os personagens femininos de Kate Chopin (comentário sobre The awakening aqui) podem ter parecido avançados para a época, mas eles eram fracos... buscar o divórcio do marido rico pelo simples capricho de querer ser livre não é feminismo, especialmente quando acaba em suicídio mesmo depois de ter conseguido seus objetivos.
Betty Smith realmente dá poder e domínio a seus personagens femininos, eles têm garra, força de vontade, vão a luta, são guerreiras e determinadas com todas as letras, mas não deixam de ter a fragilidade do sexo, não as masculiniza para provar o ponto, é um balanço perfeito que deixa o leitor com aquele gostinho de quero mais.

A tree grows in Brooklyn está na lista dos melhores livros do século pela Biblioteca Pública de Nova York.


PS: Primeiro livro lido para o Desafio Literário - O.A.T.E.S. (yeaaah!)

* Livro da Lista Rory Gilmore.

Saturday, July 17, 2010

Poema de Sábado

If I were King
Se eu fosse Rei

If I were king--ah love, if I were king!
Se eu fosse Rei -- ah amor, se eu fosse rei!
What tributary nations would I bring
Que contribuição traria eu para as nações
To stoop before your sceptre and to swear
Ajoelhar-se perante tua autoridade e jurar
Allegiance to your lips and eyes and hair.
Fidelidade aos teus lábios e olhos e cabelos.
Beneath your feet what treasures I would fling:--
Sob teus pés tamanhos tesouros eu lançaria
The stars should be your pearls upon a string,
As estrelas pérolas seriam em teu colar,
The world a ruby for your finger ring,
O mundo um rubi para teu anelar,
And you should have the sun and moon to wear
E o sol e a lua vestirias
If I were king.
Seu eu fosse rei.

Let these wild dreams and wilder words take wing,
Deixe que esse sonhos loucos e palavras selvagens se espalhem,
Deep in the woods I hear a shepherd sing
Da densa floresta ouço um pastor a cantar
A simple ballad to a sylvan air,
Uma canção simples para um ar silvestre,
Of love that ever finds your face more fair.
De um amor que jamais viu tua face mais bela.
I could not give you any godlier thing
Coisa mais divina não te daria
If I were king.
Se eu fosse rei.

(Poema introdutório do livro "If I were King",
 de Justin Huntly McCarthy -
 mencionado por Betty Smitth em
 A tree grows in Brookly)

Friday, July 2, 2010

"Se todos os professores fossem como Senhorita Bernstone e Sr. Morton, Francie saberia com clareza o que é o paraíso. Mas é assim mesmo. É preciso que haja águas sujas e escuras como pano de fundo para melhor ver os gloriosos raios do sol."
Betty Smith, A tree grows in Brooklyn, pag. 165.

Wednesday, June 30, 2010

A tree grows in Brooklyn (Betty Smith)

Gente, terminei de ler esse livro ontem e, mesmo sendo a escolha do Bookclub para o mês de junho (e a reunião ainda nem aconteceu), tive que vir aqui comentar com vocês.

É a primeira obra que leio de Betty Smith, e agradeço muitíssimo a Nari por ter escolhido um livro tão rico para discussão.

A tree grows in Brooklyn, Uma árvores cresce no Brooklyn - Título oficial em português: Laços Humanos conta a história da família Nolan... mais precisamente de uma menininha chamada Francie, a filha mais velha de Johnny e Katie Nolan.

Os Nolan são uma família super pobre, ambos pais de Johnny e Katie vieram da Irlanda antes da Primeira Guerra em busca de uma vida melhor na América, fazendo do Brooklyn sua morada. Acontece que a vida na América não é o sonho que se desejava, o cenário é de miséria, fome, escassez de toda e qualquer forma mas não de união familiar.

"Francie achava que todos os livros do mundo estavam naquela biblioteca e ela havia planejado ler todos os livros do mundo. Ela estava lendo um livro por dia em ordem alfabética e nem mesmo pulando os livros secos. Ela lembrava que o primeiro autor foi Abbot. (...) Mas Francie era uma leitora. Lia tudo que achava: bobagens, clássicos, tabelas e lista de compras". (pag. 22)
Johnny é o galã que toda mulher desejava... Katie encantada com a voz de veludo e o charme do irlandês loiro de olhos azuis, rouba Johnny da amiga e os dois casam quando ela tem apenas 17 anos, e ele 19... a vida é dura, cheia de sacrifícios mas ali há amor... até que Katie engravida e Johnny não sabe lidar com o fato de que será pai mesmo ainda sentindo-se, ele mesmo, uma criança. É quando o vício do alcool bate à sua porta, acompanhando-o daí por diante.

Katie é figura materna e paterna para os filhos, ela é o esteio da família mas tem Neely como seu favorito. Johnny apesar de ausente, é adorado pelos filhos, principalmente por Francie... sua presença em casa é marcada por música, por belas canções, por compreensão... ele é a parte sensível, Katie o braço forte.

"(...) 'Eu bebo porque eu tenho responsibilidades que não posso suportar'. Houve uma pausa longa. Então ele sussurrou, 'Não sou um homem feliz. Tenho uma esposa e filhos e acontece que eu não sou do tipo que trabalha duro. Nunca quis uma família." (pag. 35)
Um ano após Francie, nasce Neely... Katie que já havia tomado as rédeas da família, trabalha em dobro, dia e noite limpando casas, escovando chão e ainda assim, mantendo a família junta, os filhos lendo um trecho da Bíblia e de Shakespeare cada noite... sim, porque Katie acredita que o futuro dos filhos apenas mudará se eles tiverem EDUCAÇÃO, foi esse o conselho dado por sua mãe Mary, que mesmo sendo analfabeta, buscou uma vida melhor para suas três filhas - Evy, Sissy e Katie, mesmo com a violência e machismo do marido Thomas.

"Educação! é isso! É educação que faz a diferença! Educação os colocará fora dessa vida de miséria e sujeira. Prova? A senhorita Jackson foi educada, a McGarrity não foi. Ah! Isso que Mary Rommely, sua mãe, tem tentado dizer todos esses anos. Só que sua mãe não soube usar a palavra clara: educação!" (pag. 207)
A história é encantadora, muito fácil de se identificar... muitas partes me deixaram arrepiadas e com lágrimas nos olhos, principalmente pela luta de Katie para que os filhos não sofressem o que ela sofreu, para que, através da educação, seus filhos tivessem uma vida melhor, com base para buscar novos caminhos... Francie e Neely foram os primeiros membros da família Nolan a receber um diploma de ensino fundamental... um orgulho que dinheiro nenhum pode pagar... e a faculdade? Será este um sonho possível?

A tree grows in Brooklyn é um livro que faço questão que meus filhos leiam e indico para pais e filhos... é uma obra maravilhosa, de uma intensidade e sensibilidade indescritíveis... de uma sabedoria popular e simples mas com uma profundidade ilimitada. Betty Smith entrou para minha lista de escritores favoritos e essa obra, particularmente, entrou para minha lista dos dez melhores!

A obra teve uma adaptação para o cinema, lançado em 1945, e virou musical na Broadway em 1951.