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Monday, March 21, 2011

Ape House (Sara Gruen)




"Rose a observou, como se a analisando. E até que decidiu quebrar o silêncio. "Semana passada eles infectaram um filhote de chimpanzé com leucemia colocando o veneno na mamadeira dele. Outros são sujeitos a cuidar do gramado, lidar com produtos químicos, cosméticos - vai nomeando. Alguns são viciados em drogas, outros trancados em quartos sem ventilação externa em que eles enchem com fumaça de cigarro. Um dos chimpanzés teve todos os dentes arrancados para que alguém tivesse a oportunidade de praticar diferentes técnicas de implantes dentário nele." (pag. 130)


Eu tinha certeza que esse livro da Gruen seria bom. Water for Elefants foi um dos meus livros favoritos de 2010, não apenas por ter sido uma história rica, mas porque a riqueza da história foi baseada em meses e meses de estudo de campo. O que me encanta na Sara é essa técnica toda dela de criar suas histórias/ romances com relatos históricos.

Sara Gruen não nos decepciona nessa nova empreitada em Ape House, A Casa dos Primatas em português. Fiquei ainda mais impressionada e fã dessa escritora ao saber do tanto de pesquisa e estudo envolvidos na escrita de Ape House. Sara Gruen viajou para o Canadá para estudar um pouco de Linguística, e só após tal estudo, Sara foi permitida a interagir com os primatas... e essa experiência incrível foi relatada através de John, um dos protagonistas da história.

Ape House conta a história de Isabel Duncan, que trabalha como pesquisadora e cientista do Great Ape Language Lab em Kansas. Isabel vem desenvolvendo pesquisas sobre a linguagem e o comportamento dos primatas... e esse é um dos pontos super interessantes do livro - o modo como os primatas se comunicam com os humanos através da linguagem de sinais, como eles pensam, interagem e aprendem com os humanos e trocam conhecimento... e o quanto se assemelha ao nosso modo de agir.

A pesquisa de Isabel causa curiosidade em jornais e revistas especializadas, e é aqui que John Thigpen entra na história. John e a equipe do The Philadelphia Inquirer viajam para Kansas para entrevistar Isabel e interagir com os primatas... horas após a entrevista, o laboratório é bombardeado - tudo leva a entender que foi um incidente causado por um grupo de protestantes em defesa dos animais. Isabel é hospitalizada em estado grave, e os primatas desaparecem sem deixar rastro...

"Ela havia se apaixonado por um seqüestrador, torturador, e assassino. Ela se abriu para ele, fez amor com ele, estava se preparando para dividir o resto da sua vida com ele, e até mesmo pensou em filhos. Ele havia compartilhado com ela apenas o que ele queria que ela acreditasse sobre o seu trabalho, e ingenuamente, ela acreditou." (pag. 138)

Após semanas em recuperação, Isabel finalmente deixa o hospital e tenta descobrir o que aconteceu com os primatas... e é durante essa busca por resposta que o ladro negro da história vai se desenvolvendo. O que se esconde por trás das pesquisas de laboratório, dos testes feitos em animais, e muitos outros fatores que nem chegam aos olhos do público. E o que fazer para denunciar? Para não se deixar intimidar pela poderosa indústria?

Sara Gruen denuncia em Ape House, o modo cruel com que tratamos os animais, os atos mais desumanos e vergonhosos a que esses animais são submetidos em nome da "Ciência". Ler Ape House causa aperto no coração e revolta, vergonha de pertencer a uma raça que se diz racional, mas é capaz de atos tão absurdamente primitivos.

"Muito das cenas envolvendo os primatas nesse livro são também baseadas em fatos - como o incêndio no Zoológico da Philadelphia, o gorila (Binti Jua) que salvou a vida de uma criança, os tipos de experimentos feitos em chimpanzés e as condições a que são submetidos, os tratamentos e o abandono dos chimpanzés da Força Aérea Americana - embora eu tenha tomado a liberdade de escrever de forma fictícia os nomes, datas e lugares. Muitas das piores condições já foram denunciadas, mas eles demonstram o modo com que temos tratados nossos parentes mais próximos - como "tubos de ensaio cabeludos" é como o Dr. Fouts diz."

Resta saber se assim como Water for Elefants, Ape House vai virar filme... se Hollywood terá coragem de mostrar nas telas do cinema os fatos relatados na história de Sara, batendo de frente com uma indústria que Hollywood mesmo incentiva. Virando filme ou não, Ape House conta uma história magnífica, surpreendente, daquelas que não se quer parar de ler.


Tuesday, February 1, 2011

"Mas foi a copulação cara-a-cara dos bonobos, sexo grupal, sexo oral, e a masturbação que causou a maior estranheza, porque relembravam a sexualidade humana tão de perto. Em público, até mesmo os espectadores mais contidos se abriam em gargalhadas nervosas, ou no mais profundo silêncio e desviavam o olhar. Muito frequentemente víamos cientistas sentados em suas cadeiras ficarem vermelhos, controlando-se para manter aquela expressão de 'Não vou desviar o olhar. Não estamos chocados'".
(Ape House - A casa dos primatas, Sara Gruen, pag. 177)

Friday, June 11, 2010

Water for Elephants - Filme


Eu já havia lido artigos sobre a possível versão para o cinema do livro Water for Elephants - Água para Elefantes - de Sara Gruen (resenha aqui), a possibilidade agora é realidade e as gravações começaram em abril... não sei se fiquei feliz com quem escolheram para o papel de Jacob - Robert Pattinson, o vampiro da saga Twilight - confesso que esperava alguém mais experiente e menos "ídolo-teen" para protagonizar um personagem rico como Jacob - vendo por outro lado, talvez esse filme mude o rumo da carreira de Pattinson e faça com que EU e os críticos o vejam além do Edward. Marlena será interpretada por Reese Witherspoon.

No site Robert Pattinson News foi postado várias fotos dos bastidores, e o lançamento do filme está previsto para 2011!
Para aqueles que ainda não leram o livro, ainda há tempo... e como é de conhecimento de todos, as versões cinematográficas sempre tratam as obras muito superficialmente. Então, mais uma razão para ler o livro antes de assistir o filme... para ter real conhecimento dos fatos.

Tuesday, January 12, 2010

Water for Elephants (Sara Gruen)

Fiquei curiosa pra ler esse livro depois de ver 3 pessoas na academia lendo-o enquanto caminhavam em suas esteiras (há quase 2 anos). Comprei e ele sentou na minha estante por mais 6 meses. Que desperdício!

A história já começa com um mistério, um desastre num circo, confusão, animais e humanos correm desesperadamente numa profusão de terror e instinto de sobrevivência. Stars and Stripes forever - A Marcha do Desastre acaba de ser tocada bela banda do circo... Um mau presságio.
"I meant what I said, and I said what I meant...  An elephant's faithful - one hundred per cent!"
"Eu penso no que falo, eu falo o que penso... um elefante é fiel - cem por cento!"
(Theodor Seuss Geisel, autor dos livros infantis do Dr. Seuss)
Jacob Jankowski é o narrador-personagem de Water for Elephants - Água para Elefantes, que por 17 anos guardou debaixo de sete chaves sua história como veterinário do circo "O mais espetacular espetáculo da Terra dos Irmãos Benzini". Teria levado a história para o o túmulo se não fosse pelo Sr. McGuinty, que tentando impressionar as senhoras da casa, disse ter levado água para elefantes de circo quando mais novo.
"Ela levantou a estaca bem alto no ar e depois a abaixou, partindo a cabeça dele como uma melancia. Seu cuco aberto, seus olhos arregalados, e sua boca congelada em forma de O. Caiu de joelhos e então desmoronou de frente em direção a confusão." (pag. 4)
Após perder os pais num acidente de carro quando estava se formando em Medicina Veterinária, Jacob descobre que a casa onde os pais moravam havia sido hipotecada para pagar por seus estudos. Sem dinheiro, sem herança e sem família, Jacob abandona o passado em busca de um futuro e é quando por acidente pega carona num trem sem saber que era um trem de circo.

Não quero encher minha resenha de detalhes e contar a história porque o livro vale muito a pena, uma vez que é o resultado de estudos sobre circos americanos da década de 20 e 30.  Sara Gruen fez um apanhado de notícias, registros históricos de museus e histórias contadas por integrantes de vários circos daquela época, e transforma-os em Water for Elephants, o livro.

Jacob conta a história quando já tem seus 90 e poucos anos e morando num asilo, a idade pesa em seu corpo e sua mente, mas nada apaga da memória o que viveu naqueles sete anos em que cuidou dos animais do circo dos Irmãos Benzini, lugar em que conheceu Marlena, sofreu nas mãos tiranas de August e Tio Al, e onde também aprendeu que os antagonismos e crueldades da vida no circo não são suficientes para destruir o caráter daqueles que têm senso de fidelidade e prezam a lealdade, sejam eles humanos ou animais.

O modo que a história foi escrita e o carisma de Jacob, fez-me lembrar de Paul Edgecomb, o velhinho que conta a história de John Coffey no Green Mile - À espera de um milagre, do Stephen King.
"A coisa toda é uma ilusão, Jacob, e não tem nada de errado nisso. É o que o público quer de nós. É o que eles esperam" (pag. 104)
A história tem mistério e um desfecho surpreendente (um dos poucos que não se prediz desde o início ou lá pela metade do livro), tem muito drama, tem crueldade e tirania. É cativante, é rica em detalhes com direito a fotos!

É emocionante, o modo como a história é contada dá um tom nostálgico à narrativa, é depressiva mas também é cômica e romântica, é uma montanha-russa de sentimentos e emoções. Foi um dos melhores livros que li em 2009!

Sobre a autora:
Sara Gruen também escreveu Riding Lesson e Flying Changes. Mora na Carolina do Norte com o marido, 3 filhos, 4 gatos, 2 bodes, 2 cachorros, e 1 cavalo.
Water for elephants ganhou o prêmio de Livro do Ano de 2007 pela Book Sense, Prêmio Fun Fearless Fiction da Cosmopolitan, Prêmio BookBrowse Diamond como Livro Mais Popular, Prêmio Friends of American Literature Ficção/Adulto, entre outros.

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