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Monday, January 4, 2010

Her fearful symmetry (Audrey Niffenegger)

Escolha do BookClub para o mês de dezembro!

Acho que foi a primeira vez que as 5 integrantes do meu BookClub tiveram uma decisão unânime sobre um livro. Cheguei na reunião com aquele friozinho na barriga - será que fui a única a não gostar? Vou guardar meus comentários pro blog, talvez eu não deva ser tão crítica! - bem, nem precisei esperar 10 segundos para começar a ouvir as reclamações.

Quando terminei de ler o livro veio aquele alívio de: finalmente me livrei desse peso! Falei pro marido - um dos piores livros que já li. Não é como o caso de alguns livros que parei pela metade (Ecce Homo - Nietzche, e Os imãos Karamazov - Dostoyevsky) que desisti não porque a história não era boa, mas porque filosofia não é meu interesse e me cansa (Ecce Homo) e excessivo apelo ou crítica a religião não me atrai, fora a linha descritiva exacerbada (Os irmão Karamazov).

Her fearful symmetry foi super esperado e tinha tudo pra ser sucesso, e era o que os fãs esperavam de Niffenegger após o The Time Travaler's Wife - A esposa do viajante do tempo (resenha aqui). Porém a história fell short como disseram muitos.

Na minha opinião é uma história sem apelo, que no final eu não acreditei ter sido escrito pela mesma autora, é como se ela tivesse centenas de idéias e decidiu jogar tudo na panela e virou sopa de letrinhas com alfabeto chinês!

E o que a história aborda, então?

Edie e Elspeth são irmãs gêmeas nascidas em Londres, que por algum motivo romperam relações... Edie mudou para os EUA com o marido Jack e teve 2 filhas gêmeas (Júlia e Valentina, agora com 20 anos) - Elspeth não casa mas tem um romance "moderninho" com Robert, o guia do cemitério Highgate.

A história já começa com a morte de Elspeth, vítima de leucemia aos 44 anos, e nas próximas páginas a autora tenta criar o mistério em torno do rompimento das irmãs - Jack era noivo de Elspeth mas fugiu com Edie para os EUA, onde se casaram - Não se enganem queridos leitores!!!

Ao morrer, Elspeth deixa seus bens para as sobrinhas (que nunca viu na vida!) com uma pequena condição: Jack e Edie jamais poderão pisar no ap, nem desfrutar da fortuna em dindim. Nem preciso mencionar que a cláusula despertou a curiosidade das sobrinhas né? Que até então nem sabiam que tinham uma tia.

"Elspeth? (...) Como vou conseguir viver sem você? O problema não era o corpo; o corpo dele sobreviveria normalmente. O problema estava na palavra como: ele viveria, mas sem Elspeth o sabor, a maneira e o modo de viver estavam perdidos para ele. Ele teria que re-aprender a solidão". (Robert - Pag. 15)

As gêmeas tomam posse da herança em 1 ano, quando mudam para Londres - o apartamento fica num prédio de 3 andares próximo ao Cemitério Highgate - e são esses os cenários da história basicamente:
1º andar mora Robert, ainda de luto pela morte da namorada, evita conhecer as gêmeas;
3º mora Martin, o único personagem realmente interessante na história (opinião pessoal!);
2º andar é o herdado pelas gêmeas... mas alguém espera por elas no apartamento - Elspeth, ou melhor, o fantasma de Elspeth que está preso ao lugar onde ela mais passava tempo -  no início ela era apenas uma bolinha, mas ganha força com o tempo e aos poucos vai se materializando (transparentemente - existe isso?!) e aprendendo as táticas fantasmagóricas - acender luzes, mover folhas de papel, portas, etc., até que um dia consegue escrever uma mensagem num piano empoeirado e a comunicação Julia/Valentina/Robert x Elspeth começa.

Quem assistiu o filme Ghost - do outro lado da vida e Sexto Sentido, percebe que a autora copiou várias idéias de lá (assim como Patrick Swayze, Elspeth perambulava pelo ap tentando ser notada, aqui com a desvantagem que ela não conseguia sair do ap). A idéia de que fantasmas deixam o ambiente frio, quando você se arrepia é porque um fantasma está perto. E o final me fez lembrar de À espera de um milagre (mas aqui não direi o porquê!)

Ninguém a ouvia, a comunicação era feita através da OUIJA - aquele da brincadeira com o copo!
Ok, falemos das sobrinhas...
Eram chamadas de gêmeas-espelho, ou seja, Valentina era fisicamente o inverso de Julia... o sinal no rosto direito de Julia era no esquerdo de Valentina (pag. 34). Os órgãos de Valentina também eram invertidos. Julia era a mandona, a 6-minutos-mais-velha, dominadora e curiosa. Valentina era a frágil, doente, submissa mas cativante. No início a proximidade das duas encanta, que pai não quer as filhas super amigas? Mas aos poucos vira opressivo, percebe-se que é mais parasitismo que simbiose.

Julia faz Valentina seguir todos os seus passos, desistiu de várias faculdades, nunca quis procurar um emprego, não tinha planos para o futuro, e fazia a coitada da Valentina fazer o mesmo. A coisa piora quando Valentina engata um romance com Robert. Não suportando a idéia de ser colocada em segundo plano, cobra atenção absoluta da irmã. Valentina se sente sufocada (quem não se sentiria?) e busca sua indenpendência a todo custo e desabafa com a tia-fantasma, Elspeth.

Elspeth não estava feliz com o relacionamento de Valentina e Robert, fantasma também sente ciúmes (claro! Elspeth descreve a vida após a morte como solitária, chata, fria, vazia. Faria qualquer coisa para voltar à vida e ter Robert de volta - qualquer coisa! - isso dá alguma dica????).

A maneira que a história acaba, para mim, deixou os personagens sem propósito, além do fato de que eles nem foram desenvolvidos adequadamente, com exceção de Martin - como mencionei, o único personagem interessante da história - o querido Martin era o autor de palavras-cruzadas para jornais e revistas e sofria de TOC, daqueles que têm mania de limpeza, lavando as mãos o tempo todo com água sanitária até sangrar, que nunca deixa o apartamento por medo de ser contaminado com a sujeira do mundo, passa horas tomando banho e limpando a casa. Sua esposa Marijke o abandona um pouco antes da chegada das gêmeas, parte para Amsterdã.

O relacionamento à distância dos dois, pra mim, é um dos pontos altos da história. O estranhamento pelas peculiaridades da doença, a força de vontade de Martin, a ajuda de Julia, a perseverança de Marijke, fazem o leitor torcer para Martin vencer os desafios do TOC - se o livro fosse sobre a vida de Martin seria muito mais interessante!

Os pontos positivos: nunca imaginei que houvesse um cemitério tão cheio de História como o Highgate e isso foi bem abordado pela autora, Karl Marx é um dos famosos por lá enterrado, fiquei até curiosa pra visitá-lo quando for a Londres. Também gostei muitíssimo dos diálogos super cabeça de Martin e Marijke em outros idiomas, que vai do alemão ao português (sim, o nosso!).

Em fim, as idéias foram fracas e amadoras - para não dizer pobres!
Bem decepcionante para os que amaram "The Time Traveler's Wife".

Obs: Comentários contrários são bem vindos, não se acanhe se gostou do livro e não concorda comigo!
Resenha do New York Times (em inglês)