Sunday, August 9, 2009

Memoirs of a gueisha (Arthur Golden)



"Desde que mudei para Nova York aprendi o que a palavra 'gueixa' realmente significa para os Ocidentais (...) 'Meu Deus... estou falando com uma prostituta...' E em minutos ela é resgatada por um rico homem, uns bons 30 ou 40 anos mais velho que ela. Bem, eu frequentemente me pergunto porque ela não percebe o quanto nós duas temos em comum".

(pag. 291)

Memórias de uma gueixa conta a história de Sayuri, nascida em Yoroido, cidadezinha pesqueira na costa do Japão. Chiyo foi o nome recebido dos pais.

Chiyo e sua irmã mais velha, Satsu, foram vendidas pelo pai, Sr. Sakamoto, um pobre pescador, ainda quando crianças. Com a mãe a beira da morte, Sakamoto fora convencido pelo Sr. Tanaka que prometera um futuro melhor às meninas.

"Senti tão machucada quanto uma pedra que tem as águas da
cachoeira caindo em si durante todo o dia"
(pag. 34)

Chiyo tinha todas as características físicas da mãe, inclusive a personalidade - Água era o seu elemento, presença inegável em seus olhos, azuis como o mar . Foi essa característica que dispertou o interesse do Sr. Tanaka. Por essa mesma razão foi odiada por Hatsumomo, protegida pela Tia, amada por Nobu, e admirada pelo presidente.

Comprada pela okiya Nitta, Chiyo chega a Gion em 1930. Satsu não tem a mesma sorte e é vendida para um bordel, vivendo como prostitua no subúrbio de Gion.

Desde sua chegada Chiyo aprendeu que sua vida não seria fácil, submissão, violência doméstica, humilhação, é preciso sempre lembrar que já se chega ali com uma dívida (a de ter sido comprada) e que cresce a cada dia a medida que se é alimentada, educada, vestida. Seu destino é virar uma gueixa para pagar suas dívidas e sustentar a okiya. Não é esse o futuro que Chiyo deseja e fará de tudo pra mudar seu destino.

Na okiya viviam Tia (responsável pela casa), Mãe (responsável pela educação e preparação das gueixas) e Avó (responsável por escolher a próxima gueixa e ser cuidada pelas mais novas). As duas últimas eram gueixas aposentadas, Tia não chegou a ser gueixa porque foi espancada pela Avó e fraturando o quadril, ficou inutilizada para o trabalho, é ela quem explica a vida na okiya para Chiyo, tenta lhe aconselhar a seguir as ordens para evitar espancamentos, protege quando pode.

Ali também moravam, Hatsumomo, que era a principal (e única) gueixa da okiya naquele período - ocupava o melhor quarto, recebia as melhores refeições, tinha privilégios e não deveria ser importunada; Abóbora (apelidada assim por Chiyo, por sempre colocar a língua para fora - e que por alguns anos seria a única amiga de Chiyo na okiya) e as criadas da casa.

"Meu tio (...) disse. 'Você é uma boa garota, mas também é muito
estúpida. Nunca vai conseguir sobreviver sozinha nesse mundo. Estou te mandando para um lugar onde as pessoas te dirão o que fazer. Faz o que eles mandarem, e eles sempre cuidarão de você'."
(Abóbora para Chiyo - pag. 53)


Enquanto sofre com as crueldades de Hatsumomo, Chiyo busca notícias da irmã; começa as aulas preparatórias para a carreira (aprendizes têm aula de canto, dança, instrumentos musicais, teatro, etc, etc), é habilidosa, aprende fácil e sente pena de Abóbora que mesmo tentando o seu melhor, não aprende. Descobre a irmã num bordel, entre lágrimas e desabafos planejam a fuga. Em uma semana, naquela esquina, tarde da noite.
"Elas usam kimono e ornamentos similares ao da
gueixa, mas seus obi (aquele grande laço amarrado à cintura do kimono) são amarrados na frente ao invés de ser nas costas. Nunca tinha visto antes, e não entendia, mas essa é a marca da prostituta. Uma mulher que precisa amarrar e dasamarrar a noite toda não deve se dá ao trabalho de amarrar às costas de novo de novo."
(pag. 83)
Como uma aprendiz de gueixa, Chiyo acompanha Mãe na preparação de Hatsumomo para as festas, observa o porque e como deve-se maquiar, também é responsável pela recepção de Hatsumomo à noite quando a mesma volta das Casas de Chá.

"E uma Casa de Chá, você vê; é o lugar onde homens vão para serem
entretidos por gueixas"
(pag. 81)

Próximo ao dia da fuga Chiyo descobre Hatsumomo e seu namorado escondidos em um dos quartos, aceita inocentemente o dinheiro oferecido sem saber que seria acusada de roubo. Enquanto é espancada pela Mãe conta o segredo de Hatsumomo, além de pagar pela suposta jóia roubada é proibida de deixa a okiya. Na noite marcada para a fuga, tenta fugir pelo telhado durante a madrugada, quebra o braço ao cair.

Por todas as despesas causadas, e agora com o braço quebrado, seu futuro como gueixa é cancelado pela Avó, será condenada a vida de criada. Abóbora é a nova oficial aprendiz e o treinamento com Hatsumomo começa. Os meses passam, sem notícias da irmã, destratada por Mãe, humilhada por Hatsumomo, inveja a nova vida de Abóbora com privilégios que deveriam ser seus, mas não culpa a amiga. Cai mais uma vez nas mãos de Hatsumomo quando esta, após roubar um kimono de sua inimiga Mameha (uma das gueixas mais famosas e requisitadas de Gion) faz Chiyo destruir o kimono, usando uma espécie de tinta e entregá-lo de volta. No dia seguinte, Mameha vai a okiya, conta o acontecido a Mãe, Hatsumomo joga a culpa em Chiyo que deve pagar pelo kimono... aumentando sua dívida.

Recebe uma encomenda do Sr. Tanaka, na caixa há uma carta e os pertences religiosos da família. A mãe morrera 6 semanas após a partida das filhas e poucas semanas depois, morrera o pai Sr. Sakamoto. Soube que a irmã teve sucesso na fuga, voltando para Yoroido e fugindo em seguida com Sr. Sugi, seu namoradinho de infância.
"O treinamento de aprendiz de gueixa é um caminho
árduo. Entretanto, essa humilde pessoa que vos fala é completamente admiradora daqueles que deixam de lado seu sofrimento e se transformam em artistas. (...) Dá-me enorme satisfação saber que um lugar seguro foi encontrado para você Chiyo, e que não serás forçada a sofrer anos de incerteza"
(Carta Sr. Tanaka para Chiyo - pag. 103)

Órfã, totalmente sozinha no mundo, Chiyo se arrepende dos erros que cometeu, da oportunidade perdida, sente ainda mais inveja das outras meninas que vê nas ruas, caminhando com suas roupas de aprendizes (sim! para cada estágio da vida de aprendiz, há um estilo/cor diferente de kimono, de penteado, de acessórios... é como são identificadas). Desde que chegou a Gion manteve esperanças de que voltaria para casa e para os pais e viveriam aquela simples vida na cidade pesqueira. Vivia metade em Gion e metade nesse sonho de voltar para casa.
"É por isso que sonhos podem ser perigosos: eles latejam como fogo, e algumas vezes consomem a gente por completo" (pag. 106)
Mas Chiyo tinha como elemento a Água, e "água flui de lugar para lugar rapidamente, e sempre encontra uma fenda para passar através" (pag. 9). Vários sinais lhe davam esperança de que o curso da sua vida mudaria, teve sonhos, o homem barbado do sonho revelou que a mudança viria - "presta atenção naquela coisa que se mostrará para você. Porque aquela coisa, quando encontrares, será o seu futuro" (pag. 108).

Completou 12 anos, as feições de mulher apareciam em seu rosto e seu corpo. Ainda esperava o sinal, por vezes sua esperança falhava, o sinal deveria ser o castido de ver as meninas de sua idade avançarem na vida enquanto ficaria para trás. A vida delas tão cheia de propósitos, até a água tem propósito ao seguir o curso do rio... e ela? "Uma ilha abandonada no meio do oceano, sem passado com certeza, mas também sem futuro" (pag. 110)... enquanto esses pensamentos a invadiam em meio a praça pública, as lágrimas correm em seu rosto, ouve uma voz...

Um homem qualquer jamais prestaria atenção em uma garota como ela, vestida como criada e ainda a chorar como boba, quem seria? Ele a silenciou, entregou-lhe um lenço para secar as lágrimas, dinheiro para comprar sorvete. Após a conversa, partiu, chamado por uma gueixa. Jamais esqueceria aquele largo e calmo rosto, macio e sereno, provavelmente 45 anos, com cabelos grisalhos penteados para trás. Parecia tão elegante para ela. A gueixa o chamou de presidente Iwamura. "Senti como se ele pudesse ver dentro de mim, como se eu fosse parte dele" (pag. 113)

Desde aquele encontro Chiyo transformou-se de uma garotinha perdida diante de um futuro incerto para uma garota com propósito na vida. Seria uma gueixa, não sabia como convenceria a Mãe, mas, se para rever o presidente Iwamura precisaria virar uma gueixa, uma gueixa seria.

Meses depois, Avó morre eletrocutada pelo aquecedor. Centenas de conhecidos, gueixas e amigos vêm para o funeral, incluindo Mameha, Chiyo tenta se esconder, envergonhada, não queria ser reconhecida por ter arruinado seu kimono. Mameha a chama, a observa e nota seus olhos - "Ela olhava para mim com uma expressão peculiar - concentrando em alguma coisa, é o que parecia" (pag. 118). Dias depois é secretamente convidada para visitar Mameha. Ela deseja ser a "Irmã mais velha" de Chiyo.

O que acontece é que, quando uma aprendiz chega ao ponto mais avançado dos seus estudos e está preparada para fazer sua introdução/debut como uma noviça para a "sociedade", ela precisa ter estabelecido um relacionamento com uma gueixa experiente. Quando duas garotas (aprendiz e gueixa) são reconhecidas como "Irmãs", elas participam de uma cerimônia como um casamento. No final elas são consideradas quase como membros da mesma família, chamando uma a outra de "Irmã mais velha" e "Irmã mais nova".

Quando a "irmã mais velha" faz um bom trabalho, ela se transforma na figura mais importante na vida da "irmã mais nova" uma vez que, é a "irmã mais velha" que a introduz e apresenta às donas da casa de chá, às festas de chá, aos clientes das casas de chá e demais eventos sociais. Caso as donas da casa de chá e os clientes apreciem a "irmã mais nova", elas serão contratadas para determinadas festas e a okiya receberá o pagamento pelos serviços prestados. É como funciona a parte financeira da vida das gueixas. É importante também ter a simpatia dos clientes das casas de chá porque, mesmo se a aprendiz não for chamada pela casa de chá, caso o cliente exija sua presença, a casa é obrigada a contratá-la para agradar o cliente, que paga somas exorbitantes por sua presença.

Quando a "irmã mais nova" tem mau comportamento, a "irmã mais velha" é tida como responsável uma vez que todos em Gion se beneficiam quando uma aprendiz tem sucesso. A aprendiz paga por seus débitos e, caso tenha sorte, acabará amante de um homem rico. A "irmã mais velha" se beneficia recebendo uma parte dos ganhos da "irmã mais nova". E logicamente as Casas de Chá recebem uma parte do pagamento que os clientes fazem pela presença das gueixas. O benefício é também do cabeleleiro, as lojas de ornamentos, os fabricantes de kimono, etc.

Chiyo volta para a escola e corre contra o tempo para avançar, tem aulas particulares com Mameha, treina em casa nos tempos livres com Abóbora enquanto ainda trabalha como criada. Uma guerra é travada entre Hatsumomo e Mameha. Hatsumomo é "irmã mais velha" de Abóbora, que já bastante avançada, tem sua cerimônia de introdução, Chiyo deseja estar no lugar de Abóbora, todo o cuidado e dedicação a ela prestados, todo o zelo por suas vestimentas e aparência fazem com que Chiyo tenha mais e mais vontade de ser uma gueixa e ser tratada como elas.

A amizade entre Chiyo e Abóbora termina aqui, proibida por Hatsumomo, Abóbora deve obedecer a "irmã mais velha" e jamais dirigir a palavra a Chiyo. O tempo passa e a ansiedade por sua introdução aumenta. Mameha deseja ter certeza que a aprendiz está pronta.

Com Mameha, Chiyo aprende o que é ser verdadeiramente uma gueixa:

- Uma gueixa de sucesso não é aquela que está em todas as festas de chá mas sim aquela que ganha sua independência - tem sua própria coleção de kimonos, é adotada como "filha da okiya" - é aquela que tem poder sobre sua vida;

- Há homens que não se satisfazem apenas em flertar ou ser entretido e querem algo mais - uma gueixa de verdade nunca sujará sua reputação fazendo-se disponível para homens após as festas. Uma gueixa que toma essas riscos deve pedir pra não ser descoberta. Sua reputação estará certamente em perigo. Namorados também não são permitidos, um homem rico jamais pagará pelo que pode ter de graça.

- Gueixas podem ter um danna - é de onde vem o dinheiro de verdade - arranjos com um rico danna provavelmente ajudará a pagar parte dos débitos da gueixa na okiya, cobrir grande parte de seus gastos mensais (maquiagem, estudos continuados e médicos). Para isso o danna terá certos privilégios. Com sorte, alguns dannas pagam todas as despesas da gueixa (registro de gueixa anual, alimentação, dinheiro para outros gastos mensais, patrocinar recitais, presentear com kimonos e jóias) - como acontecia com Mameha, o Barão era o seu danna.

O sinal é recebido quando Chiyo faz um entregador de refeições cair da bicicleta com um olhar. Sua primeira experiência com o penteado de aprendiz é traumatizante e dolorida - as gueixas lavam o cabelo apenas 1 vez por semana, dormem com o pescoço elevado por uma espécie de coluna de madeira para evitar amassar o penteado... nos primeiros dias pó de arroz é colocado no chão ao redor de suas cabeças, caso elas virem durante a noite, terão seus cabelos sujos e deverão voltar ao salão no dia seguinte para mais uma sessão de tortura - em poucos dias a dor faz com que aprendam a dormir na mesma posição a noite toda.

Após a cerimônia Chiyo passou a ser Sayuri (o lenço do presidente escondido em seu obi) e suas noites eram destinadas a andar de Casa de Chá para Casa de Chá com Mameha, ser apresentada aos clientes, ouvir as conversas das gueixas mais experientes e aprender. Hatsumomo jamais a deixaria em paz, espalhava rumores denegrindo sua reputação por onde passasse.

Mameha começou a evitar Casas de Chá onde Hatsumomo pudesse estar ou ir, parecia que a guerra estava sendo perdida. Mameha tenta apresentar Sayuri para os clientes mais influentes, mais ricos, já visando encontrar um danna para a irmã mais nova. É quando Sayuri reencontra o presidente, acompanhado do diretor da sua empresa - Iwamura Elétricos - Nobu.

Nobu era um homem marcado pela guerra Russo-Japonesa. Sofreu queimaduras severas no rosto e teve parte do braço amputado após uma explosão. Sua aparência física era medonha e quando Mameha propôs que Sayuri dedicasse toda sua atenção à Nobu, a decepção não pode ser negada.

O plano de Mameha era tentar desviar a atenção de Hatsumomo, que apelidou Nobu de Lagartixa (pela aparência da pele queimada). Mameha sabia que Hatsumomo aliviaria a pressão para com Sayuri se soubesse que a menina era alvo das atenções daquele homem "feio e defeituoso". Em pouco tempo Sayuri se torna a favorita de Nobu, apesar de muitas vezes ser tratada rude e indelicadamente por ele.

Chega o período para a venda da Mizuage (virgindade) de Sayuri. Mameha corre contra o tempo para atrair a atenção dos bons e certos candidatos, entre eles Nobu, Dr. Carangueijo e para sua surpresa o Barão (deu próprio danna). Mesmo com todas mentiras e armações de Hatsumomo, o Barão oferece o maior valor mas Mameha diz ter sido Dr. Carangueijo, o mesmo que pagou caro pela mizuage de Mameha e muitas outras famosas gueixas do passado. O preço mais caro pago até então pela mizuage de uma gueixa, Sayuri é famosa em Gion.

Sea foto em panfletos anunciando o festival de dança anual estão espalhados por toda a cidade, aumentando a raiva de Hatsumomo e abrindo os olhos da Mãe para os benefícios que Sayuri trará à okiya... em breve será necessário escolher quem será a filha adotada pela casa. Mãe não havia adotado Hatsumomo até então porque, adotá-la seria como libertar um tigre da jaula, com todo o poder em mãos, a segurança da Mãe e Tia estariam em perigo. Hatsumomo poderia expulsá-las e ter a okiya para si. Caso Abóbora seja a escolhida, o futuro de Hatsumomo está garantido, teria sempre uma casa e receberia parte dos lucros da "irmã mais nova". Porém, o sucesso de Sayuri era uma ameaça aos seus planos.

Em 1938, aos 18 anos de idade, Sayuri passa ao posto de gueixa, na cerimônia chamada de "virando o colar". Agora como gueixa, Sayuri poderia ter um danna. Foi-lhe dado o maior quarto da casa, Hatsumomo e Abóbora dividiam o quarto ao lado. Como a principal gueixa da casa, Sayuri recebe os tratamentos que sempre invejou.
"Nós não nos tornamos gueixas para ter uma vida satisfatória. Tornamo-nos gueixas porque não temos escolha" (pag. 294)
Nobu exigia a presença de Sayuri em todas as casas de chá que estivesse. Era do conhecimento de todos sua oferta para ser o danna de Sayuri, o acordo deveria ser fechado em breve. Porém, para seu desapontamento, General Tottori foi escolhido ao invés.

A escolha da Mãe foi fácil de entender. Com uma guerra iminente, ter um General ao seu lado significaria menos privações. Nobu não mais requisitou a presença de Sayuri após o anúncio de seu danna. Até mesmo parou de frequentar as casas de chá em Gion. Sayuri encontrava o Presidente, que pouca atenção lhe dava.

Hatsumomo bêbada, descobre o diário de Sayuri e não é difícil identificar os nomes secretos ali escritos. Também encontra o lenço do presidente, o amor secreto e platônico de Sayuri está em perigo. Sentindo-se invadida, Sayuri decide também invadir o quarto de Hatsumomo e em meio as suas jóias, encontra o broche de esmeraldas que anos atrás Hatsumomo a acusou de ter roubado. Mostrando a Mãe, Hatsumomo é espancada. Em fúria, joga as tochas de fogo no chão, fazendo parte da okiya pegar fogo. É expulsa, jamais se soube dela. Alguns dizem que foi vista nos arredores de Gion, trabalhando como prostituta e morrera em seguida. Sayuri é adotada filha da okiya.

A depressão da Segunda Guerra aumenta as privações em Gion, a okiya Nitta é a única que ainda não sofre tanto, General Tottori continua enviando suplementos de chá, comida, até roupas para Sayuri.

Quando a Guerra explode, ninguém consegue escapar. O General é destituído do cargo. Com a okiya desprotegida, soldados invadem e confiscam os pertences mais valiosos. Miséria e fome. Sem trabalho, gueixas buscam por ajuda desesperadamente. Mameha consegue, através de seus contatos, emprego como enfermeira longe de Gion. Sayuri busca ajuda com o General, sem sucesso. Teme ser enviada para as fábricas de onde ouve-se tantos rumores de morte, bombeamento, poucos são os que sobrevivem quando são enviados às fábricas.

Nobu será a salvação de Sayuri, ele a procura e a envia para Sr. Arashino, o fabricante de kimono. Foram anos difíceis, de fome, medo, incerteza. É impossível descrever o sofrimento daquele povo em um resumo. Tem que ler o livro pra se ter noção. Mas no fim da guerra, Sayuri ajuda Sr. Arashino a fabricar kimonos novamente.

É Nobu quem a procura após todos esses anos, e a recruta de volta a Gion, Mameha havia regressado há quase 1 ano e reiniciado seu trabalho como gueixa. Abóbora trabalhava como gueixa e como prostituta em meio aos soldados americanos. Mãe conseguiu sobreviver a guerra fazendo troca e venda de mercadorias no mercado negro.

Nobu precisa da ajuda de Sayuri na conquista do Ministro, este será responsável por indicar uma empresa para o Governo Japonês. Com o dinheiro do contrato Iwamura Elétricos pode se reerguer e superar a crise da guerra. Nobu também ainda tem esperanças de ser o danna de Sayuri. Ela, ajuda Nobu mas não consegue suportar a idéia de ter Nobu como danna.

Até porque, caso Nobu torne-se seu danna, jamais terá chance de ter o amor do presidente. Nobu e o presidente são amigos de longa data, e este deve a vida da sua empresa a Nobu.

As Casas de Chá reabrem e aos poucos, as gueixas voltam ao seu trabalho. Sayuri convida Abóbora para algumas das festas. Totalmente diferente da tímida menina de outrora, Abóbora se transformou em uma gueixa vulgar e sem princípios.

Quando Sayuri pede para Abóbora trazer Nobu ao local marcado, Abóbora (que já havia notado o interesse de Sayuri pelo presidente) traz o próprio presidente ao invés. Os dois flagram Sayuri e o Ministro em intimidade. Abóbora, cheia de amargura, jamais perdoara Sayuri por ter roubado seu lugar e ter sido adotada como a filha da okiya. Percebe-se muito de Hatsumomo em Abóbora.

Sabendo do acontecido, Nobu jamais procura Sayuri. O presidente finalmente declara seu amor por Sayuri, escondido todo esse tempo por respeito ao amigo. Torna-se seu danna... após anos e anos de relacionamento, Sayuri decide mudar para Nova York em 1956, para evitar um escândalo na família do danna, e abre uma Casa de Chá na 5ª Avenida (tudo dá a entender que ela teve um filho com o presidente e esse foi o principal motivo para a mudança para NY e o afastamento dos dois).

Presidente Iwamura morre meses após sua última visita a Sayuri em Nova York, após anos de um relacionamento cheio de experiências, frustrações e claro, amor.

Memórias de uma gueixa é um dos melhores livros que já li, por mais que seja uma obra fictícia, foi resultado de anos de pesquisas e esclarece muitas informações que nós Ocidentais desconhecíamos ou acreditávamos verdadeiras. Eu sou uma que sempre acreditei que gueixas eram prostitutas, por pura ignorância dos fatos. A palavra "guei" de gueixa significa "arte", então gueixa significa artesã ou artista.

Como Mameha explicou para Sayuri, não há outra opção, se seus próprios pais te venderam para a okiya, e uma vez comprada, ou você se esforça para virar uma boa gueixa ou está condenada a uma vida de servidão e humilhação.

Aprende-se também que as gueixas mais antigas sofreram problemas de pele, como a Avó que tinha uma aparência horrível, a pele dos ombros e pescoço pareciam a pele de um frango cru, esburacada e amarela. Tudo porque a maquiagem usada no tempo delas, chamada de "Argila Chinesa", era feita de chumbo, que mais tarde descobriu-se ser altamente prejudicial.

Superstição também está presente durante toda a história, gueixas jamais tomam um passo sem antes consultar seu almanaque, Mameha e Mãe recorrem ao almanaque diariamente. O nome de Sayuri foi escolhido enquanto Mameha consultava sua guia espiritual e o almanaque. Até mesmo o dia das cerimônias de introdução tinham suas datas escolhidas de acordo com os dias ditos propícios pelo almanaque, bem como o dia da fuga de Satsu, mais tarde Sayuri aprendeu que aquele dia era totalmente propício para irmã e desastroso para ela.

O filme foi uma das maiores decepções que tive, tudo bem que o livro é super longo para contar a história toda e entendo, mas mudar a história é ultrajante. A essência dos personagens foi mudada, bem como o rumo da vida deles. Não sei como Golden consentiu o resultado final.

Memórias de uma gueixa é luminoso! Delicioso! Linda e elegantemente escrito, cheio dos detalhes que todos querem saber, com descrições que te fazem sentir parte da história, sofrer com eles, desejar o que eles desejam. Lírico, autêntico, exótico e extremamente tocante!

Thursday, July 30, 2009

Las Vegas

Las Vegas foi o destino escolhido para uma semana de férias no início de julho, como disse a famosa fotógrafa americana Diane Arbus:

"My favorite thing is to go where I've never been".

Para aqueles que desejam um dia visitar a Sin City, eis que deixo algumas dicas.

Primeiro: não esqueçam de botar na mala um bom protetor solar, por ficar no meio do deserto, a temperatura em Vegas durante o dia facilmente chega ao 108ºF (42ºC) de Maio a Agosto - tendo picos de 112ºF (44ºC) - roupas leves e muita água.

Aconselho também a escolherem um hotel na Las Vegas Blvd., chamada carinhosamente de "the Strip" onde os hotéis/cassinos mais famosos estão. Sim, a maioria dos hotéis localizados na strip tem diárias caríssimas, mas dá pra economizar ficando nos hotéis 3 estrelas (Tropicana, Excalibur, Flamingo... por serem mais antigos, tem diárias mais baratas). Contudo, não sei a condição dos apartamentos.

O preço das diárias são absurdamente mais baratos se alugados durante a semana - por exemplo, o hotel
MGM Grand (no qual fiquei) tem diárias de $80 durante a semana, enquanto que no fim de semana não se encontra por menos de $130. O mesmo acontece com o New York, New York (que fica bem em frente ao MGM). Outros bons hotéis próximos ao MGM - Luxor , decorado com temas Egípcios, é uma enorme pirâmida preta, com direito a faraós como recepcionistas (tem uma exposição de artefatos do Titanic, e outra muito boa mas totalmente estranha, é uma exposição de corpos humanos... uuui - Chris Angel se apresenta lá também), e o Mandalay Bay (este último, bem como o MGM, sempre tem os lutadores da UFC e WEC como atração).

Foto: New York, New York

Mas se querem luxo e não se importam em gastar um pouco mais, um dos hotéis que achei fantástico foi o The Venetian decorado no estilo italiano, com direito ao canal de Veneza, gondoleiros e tudo (passeio de Gôndola $16). Fora a réplica da Capela Sistina e da Praça São Marcos de Roma.

O hotel
Paris também é lindo, com a Torre Eifel (com um restaurante panorâmico) e o Arco do Triunfo em frente, tem a enorme vantagem de ficar em frente ao Bellagio e poder curtir o show das águas de camarote! O famoso Mirage fica bem ao lado do Ceasar Palace e do Bellagio, ambos tremendamente luxuoso e considerados os melhores hotéis de Vegas. PS: o show das águas acontece a cada hora e tem sempre uma multidão disputando lugares mas vale a pena esperar uns minutinhos e sentir que é parte de "Onze homens e um segredo", sem os milhões de dólares, claro (rs).

Não se pode perder também os fantásticos shows que Vegas tem a oferecer. Assiti
KÁ (primeiras fileiras variam de $140 a $180), no MGM Grand e Zumanity (primeiras fileiras $140 a $190), no New York, New York, ambos do Cirque du Soleil. Confesso que preferi o Ká, a grandiosidade do espetáculo impressiona.

Foto: Show das águas do Bellagio
Zumanity foi bastante engraçado, é o lado sensual do Cirque du Soleil, mas não vi nada de inovador, pessoas fazendo trapézio e malabares, piadas e voando pelos ares, como outros shows do Cirque du Soleil, com o fato que estavam parcialmente pelados.

Queria ver o
"O" do Cirque, que é apresentado no Bellagio mas os dias não coincidiram, o marido - que já havia assistido, confirmou que é muito bom, bem melhor que KÁ.

Outro conselho... como os os hotéis que ficam próximos são interligados por pequenas pontes, é fácil, fácil começar a andar de um para o outro desde o MGM e acabar no The Venetian... o problema é que com o entra e sai dos hotéis (e o fato que as pontes são externas) o choque térmico acaba com a garganta, levar Vitamina C ou Airborne fará muito bem.

Outro fato que decepcionou: nem se empolguem para ficar no badalado
Hard Rock Hotel, apesar de ter Carlos Santana como atração, o hotel fica bem longe da Las Vegas Blvd, mas longe mesmo, é preciso pegar taxi para chegar na strip.

O que me deixou impressionada foi a quantidade de pais com crianças, estava a ponto de perguntar que tipo de pai leva seus filhos para Vegas. Las Vegas não é lugar nem ambiente para crianças, não tem atração para criança (não dá para considerar nem o Circus, Circus, não acho apropriado), não é a toa que a Vegas é chamada de Cidade do Pecado... não se anda um centímetro sem ter dezenas de mexicanos entregando panfletos de prostitutas, as ruas de Vegas são cobertas por papelzinhos de propaganda das damas da noite (e por lá, do dia também). Por isso, pais... por favor, levem seus filhos para qualquer outro lugar, Disneylândia, Hawaii, etc, etc... mas não para Vegas!

Para aqueles que estão indo, boa viagem!
Para aqueles, que como eu, querem voltar... avisem quando estão indo... quero ir também!

Foto: Hotel Paris

















Tuesday, July 14, 2009

Sense and Sensibility (Jane Austen)


Confesso que fiquei um pouco decepcionada com a história... considerando Orgulho e Preconceito como ponto de vista, Jane Austen não foi muito original em Razão e Sensibilidade, a obra guarda algumas surpresas, chega-se a pensar que não ficarão juntos mas lembrando que o livro é um romance, e ainda por cima, escrito por Austen, com certeza tudo dará certo no final. O filme com Emma Thompson e Hugh Grant também decepciona, mudaram parte da história e personagens... nem sei porque ainda cito isso, é o que sempre fazem quando adaptam para o cinema!


Então, Sense and Sensibility me fez lembrar o poema Quadrilha do Drummond... "João amava Teresa, que amava Raimundo"...

Henry Dashwood em seu leito de morte, pede ao filho John Dashwood que tome conta das meio-irmãs e da esposa. Sendo mulheres, as filhas não têm direito a casa, que automaticamente passa para o poder de John.

O problema é que John Dashwood é casado com a mesquinha e manipuladora Fanny que após ser informada do pedido do sogro, trata de fazer a cabeça de John, nenhum auxílio financeiro será dado, provavelmente Henry Dashwood referiu-se apenas a um auxílio moral, ou o favor de encontrar uma boa moradia para as filhas e a viúva.

Fanny faz-se senhora da nova casa o mais rápido possível, conviver com Fanny torna-se uma tortura, Mrs. Dashwood apoia-se nas filhas Elinor (a mais velha - madura, inteligente, toma conta das finanças da família), Marianne (sensível e esperta, mas ardente em tudo... na tristeza, na alegria... seus sentimentos não têm moderação. Generosa, amável, interessante: era tudo, menos prudente - pag. 4), e Margaret (13 anos, bem humorada e disposta, mas já adquirindo parte do romantismo de Marianne, sem muita racionalidade - pag. 5)

Fanny tem como irmão Edward Ferrars, cavalheiro e gentil, o filho mais velho de um homem que morreu muito rico, cuja fortuna depende da vontade da mãe Mrs. Ferrars. Edward era tudo o que a mãe não queria, tímido, de bom coração, sem pretensões políticas ou ambição, desejava um posto na igreja. O irmão mais novo Robert Ferrars é o oposto de Edward, ambicioso, estudioso, busca alcançar um alto nível social, o preferido da mãe (mas pouco ouve-se falar dele durante grande parte da história). Edward e Elinor tornam-se amigos, a proximidade dos dois afeta ainda mais o temperamento de Fanny para com Mrs. Dashwood e suas filhas.

O alívio vem na carta de Sir John Middleton, parente distante de Mrs. Dashwood, oferencendo um sobrado em sua propriedade, como nova moradia para as Dashwood.

Mrs. Dashwood sente pela separação de Edward e Elinor, apesar de Elinor nunca ter confessado seus sentimentos por Edward, Mrs. Daswhood sabe que a filha ama Edward e o convida para visitar a nova casa assim que possível.

A nova casa é incomparável com a antiga residência, porém Mrs. Dashwood toma como tarefa, fazer de Devonshire um confortável lar para as filhas.
Sir John tem como prazer principal promover pequenas reuniões e jantares em sua casa, daqueles que gostam da casa sempre cheia de gente (para desgosto da esposa Mrs. Middleton, que não nutre nenhuma afeição pelas Dashwood e sempre que possível se isola das visitas para ficar com os filhos)... tem como hóspedes a sogra Mrs. Jennings e Colonel Brandon.

Mrs. Jennings é uma figura! Fofoqueira e tagarela, é daquelas que consegue ler os sentimentos mais íntimos de alguém de tal maneira que impressiona. É a primeira a perceber os sentimentos de Colonel Brandon com relação a Marianne - "vai ser um excelente par, porque ele é rico, e ela é linda" (pag. 34)

Marianne começa a criar um certa aversão ao Colonel Brandon, primeiro que ele é bem mais velho (35), não demonstra interesse em Literatura (uma das suas paixões), e também não é bonito.
Durante uma de suas caminhadas com Margaret, Marianne machuca o pé, é quando conhece Mr. Willoughby (aquele que há de herdar Allenham). Willoughby carrega Marianne para casa, ela se apaixona... ele também (é o que parece).

Willoughby tem todas as características que atraem Marianne, é bonito, ama Literatura, recita poesias, gosta de caminhadas, é inteligente e herdará uma boa fortuna. Em pouco tempo tornam-se amigos inseparáveis (ou um pouco mais), todos já dão o casamento como certo, Mrs. Jennings faz questão de espalhar aos quatro ventos a união certa dos dois. Willoughby até mesmo pede um pedaço de cabelo de Marianne, Elinor testemunha secretamente o fato. Colonel Brandon sofre calado e numa tarde em que os moradores de Devonshire e Barton iriam visitar a propriedade do seu cunhado, Colonel Brandon recebe uma carta inesperada e em súbito parte para Londres, deixando todos na curiosidade e decepcionados.

É nessa ocasião que Mrs. Jennings fofoca para Elinor sobre a suposta filha de Colonel Brandon, deve ser esse o motivo da brusca partida.
Outra brusca partida acontece, Willoughby que havia prometido jantar com as Dashwood no dia seguinte, aparece pela manhã para informar que deve partir para Londres imediatamente, deixando Marianne aos prantos.

Chega à casa de Sir John em Barton Park, as irmãs Steele, Lucy e Miss Steele.

Os dias passam sofridamente, Marianne vê Willoughby em todos os cavaleiros que se aproximam. Elinor e Mrs. Dashwood conversam secretamente e acreditam que Willoughby e Marianne estão secretamente noivos mas nenhuma das duas têm coragem de questionar Marianne sobre o assunto.

Lucy Steele aproxima-se de Elinor e confessa seus segredos. Há quatro anos está secretamente noiva de Mr. Ferrars. A princípio Elinor imagina que Lucy refere-se a Robert (irmão mais novo de Edward) - não, refiro-me a Edward, Edward Ferrars. Elinor tenta esconder o choque da notícia, impossível ser Edward, mas os detalhes contados por Lucy, as situações, os fatos... impossível ser diferente. Lucy e Edward tem um romance!

Quando Mrs. Jennings anuncia sua partida para Londres para passar o inverno e menciona sua intenção de levar consigo Elinor e Marianne, Mrs. Dashwood aceita sem mais delongas. Marianne em êxtase envia uma carta a Willoughby assim que chegam a capital. Nenhuma resposta. Mrs. Jennings começa a notar a ansiedade de Marianne a espera de Willoughby. Na festa promovida por Sir John, Willoughby não aparece apesar de ter sido convidado. Outras cartas são enviadas, sem nenhuma resposta. Mrs. Jennings anuncia em Londres o relacionamente entre Willoughby e Marianne.

O encontro finalmente acontece durante um baile. Elinor é a primeira a notar Willoughby conversando entusiasdamente com uma jovem. Quando Marianne finalmente o nota e Willoughby aproxima-se para conversar com as Dashwood, Marianne choca-se com a formalidade do encontro. "Meu bom Deus! Willoughby, o que significa isso? Não recebeste minhas cartas? Não vais me cumprimentar?" (pag. 161)

Aquele nem parecia ser o mesmo Willoughby que tinha conhecido em Barton Park, após poucas frias palavras, Willoughby se despede e volta para a conversa com a jovem - Miss Grey e deixa o baile em seguida. Marianne escreve uma carta para Willoughby assim que chega em casa, a resposta chega... para sua surpresa Willoughby nega qualquer ligação sentimental, devolve as cartas enviadas anteriormente e o cabelo. Questionada por Elinor, Marianne confessa entre lágrimas que nenhum compromisso havia sido feito, não estavam secretamente noivos, tudo fora subentendido.

Lucy Steele visita Elinor... Edward aparece inesperadamente, os três ali no mesmo ambiente, aquela estranha sensação. Edward decide partir, Lucy oferece para acompanhá-lo.

O casamento de Willoughby com Miss Grey acontece, Marianne entra em depressão. Mrs. Jennings tenta ser de alguma ajuda, conforto, mas Marianne está inconsolável. Elinor sofre ali com a irmã. Durante uma conversa, Colonel Brandon confessa sua história para Elinor. A filha que supostamente teria, é na verdade filha da única mulher que amou na vida enquanto adolescente... ela acabou casando com seu irmão e após anos de um sofrido casamento, fugiu grávida, sofreu na pobreza e doente até ser achada por Brandon, que prometeu cuidar da criança após sua morte. A criança cresceu e agora adolescente, conheceu um jovem que lhe prometeu o mundo, engravidou, o jovem sumiu... Quem era o jovem? Willoughby. A atitude de Marianne para com Colonel Brandon muda após saber da história.

Fanny e John Dashwood chegam à Londres para o inverno. John visita as irmãs, interessado em conhecer os amigos das irmãs para fazer novos contatos. Percebe-se aqui que John e Fanny tem muitos pontos em comum, ambos são interesseiros, ambos buscam ricos contatos para subir de classe social. John conhece Mrs. Jennings e Sir John e pelo pouco contato, interessa-se pela fortuna de Colonel Brandon, que estando em Londres, visita a Mrs. Jennings e Elinor diariamente.

John já prediz o casamento de Elinor e Colonel Brandon. Fanny é apresentada a Mrs. Middleton (esposa do Sir John) e tornam-se amigas. Fanny também conhece Misses Steele, trata as irmãs com boas maneiras porque estão hospedadas na casa de Mrs. Middleton. Quando John informa seu desejo de convidar suas irmãs para passar uns dias em sua casa, Fanny o informa que já havia convidado as Misses Steele.

Durante a estadia na casa de John Dashwood, as irmãs Steele, bem como Elinor conhecem Mrs. Ferrars, mãe de Fanny e Edward, durante um jantar promovido por John Dashwood. Em uma das conversas Miss Steele deixa escapar o relacionamente secreto entre sua irmã Lucy e Edward. As irmãs são escurraçadas da casa dos Dashwood!

A notícia corre pela cidade, Mrs. Ferrars promete desherdar Edward caso o noivado não seja desfeito. Edward pode não ter muitos talentos mas é um homem de palavra. Cumpre sua promessa e mantem o noivado, sua herança é dada ao seu irmão Robert, que será emancipado.

Marianne sofre agora pela irmã, Elinor confessa que há tempos sabia da história, confessada a ela por Lucy. Marianne sente-se egoísta por seu sofrimento, sente culpa por sua atitude enquanto a irmã deveria estar sofrendo muito mais e em segredo.

Edward decide estudar para ser um clérigo, quando se formar casará com Lucy - é o combinado. Sem ter onde morar e onde trabalhar, Edward agora é pobre. Colonel Brandon sabendo do fato e tendo conhecimento de que Elinor e Edward são amigos, decide ajudar contratando Edward para ser o clérigo de sua propriedade, doando um sobrado para sua moradia. Elinor é quem dá a notícia a Edward.

As irmãs Dashwood decidem voltar para casa, contra a vontade de Mrs. Jennings e Sir John. Marianne não vê a hora de caminhar sozinha pelas montanhas de Devonshire, deseja a liberdade de amargar seu sofrimento sozinha, seu direito de chorar suas mágoas. Aceitam o pedido de Sir John de acompanhá-los a Cleveland antes de voltarem para Devonshire, ao chegarem Marianne decide caminhar pelas redondezas, um temporal se aproxima, não consegue voltar para a casa a tempo.
Colonel Brandon preocupado, procura Marianne no meio da tempestade, volta com sua (ainda!) amada em seus braços. Para o desespero de todos, Marianne fica terrivelmente doente e vai morrendo aos poucos de Putrid Fever (não tenho a menor idéia do que seria essa febre em português, a tradução literal seria Febre Podre, segundo a definição do site google, seria Febre Tifóide - mas as características/sintomas do Wikipedia não condizem com as descritas por Austen no livro - se alguém puder explicar, eu aceito!)

Elinor cuida amorosamente da irmã, o médico já não mais deixa a casa, os remédios não dão resultado. Desesperado, Colonel Brandon parte para Devonshire para buscar Mrs. Dashwood. É nesse meio tempo que Marianne tem uma leve melhora, e uma carruagem se aproxima, pensando ser a mãe e o Colonel, Elinor corre para recebê-los e encontra Willoughby.
Abatido e bêbado, Willoughby veio em busca de notícias e de perdão. Soube da doença de Marianne e partiu assim que pode, receioso de que não chegaria a tempo de pedir perdão da amada (!!! é, Willoughby amou Marianne... ou ainda ama!).
Elinor testemunha seu desabafo, a contragosto: Sim, ele amou Marianne desde que a conheceu, mas sabia da situação financeira das Dashwood. O dote de Marianne não permitiria manter a ostenta e prazerosa vida que levava, seriam pobres. Conheceu Miss Grey e logo tomou conhecimento de sua fortuna, a esposa sempre soube de seu sentimento por Marianne mas nunca se importou, casou sem amor e por dinheiro, seu casamento é uma lástima e infeliz. Confessa o mau passo para com a adotada de Colonel Brandon mas se diz inocente por iludí-la. Veio para pedir perdão por todo o sofrimento que causou, será eternamente infeliz por isso e ao saber que Marianne sente-se melhor, confessa que também será infeliz por vê-la casada e feliz.

Elinor o ouve impacientemente, sente pena de Willoughby mas pede que ela parta.

A mãe chega desesperada mas alivia ao saber que Marianne se recupera. Em poucos dias partem para Devonshire. Colonel Brandon diz que visitará em breve. Um dos empregados das Dashwood retorna de Exeter com a notícias do casamento de Lucy Steele e Mr. Ferrars, Mrs. Dashwood não acredita mas o empregado confirma e diz que a própria Miss Steele, agora Mrs. Ferrars, informou. Ela o reconheceu em frente ao New London Inn, o chamou e contou as novidades, Mr. Ferrars estava com ela na carruagem, ele pode ver PARTE do seu corpo. Eles casaram há poucos dias e estão a caminho do interior.

Elinor tenta controlar suas emoções, Marianne, com seu temperamento sanguíneo, deixa o recinto às lágrimas, a mãe questiona o empregado ainda não acreditando na notícia.
Em poucos dias recebem a visita de Mr. Edward Ferrars, Mrs. Dashwood pergunta por Mrs. Ferrars (a esposa), Edward diz que a mãe está bem. Não! Não Mrs. Ferrars mãe, a Mrs. Ferrars esposa!

E aqui Edward informa a confusão. Lucy Steele casou com seu irmão Robert Ferrars. Após sua partida para a escola teológica o noivado continuou, bem como as cartas de amor, porém há pouco mais de 3 semanas, Edward recebeu uma carta rompendo o compromisso e avisando do casamento de Lucy e Robert. Robert agora emancipado e rico, não correria o risco de perder sua fortuna e não devendo nenhuma satisfação para mãe, uma vez que sua situação social não dependia mais dela, decide casar com Lucy com quem começou a ter contato após saber do noivado secreto com Edward, apaixonaram-se aos poucos e agora casaram.

Edward confessa seu amor por Elinor, explicou que o noivado com Lucy aconteceu quando era muito jovem e apesar de não nutrir sentimentos pela jovem há tempos decidiu cumprir sua palavra mas agora estava livre para casar com Elinor.

Colonel Brandon retorna para visitar as Dashwood, Marianne aceita o cortejo do Colonel, em pouco tempo estarão casados...

E todos vivem felizes para sempre!


* Livro da Lista Rory Gilmore.

Thursday, July 2, 2009

A thousand splendid suns (Khaled Hosseini)




"Mariam tinha cinco anos de idade quando ela ouviu pela primeira vez a palavra harami."

O destino de Mariam nunca foi muito promissor.
Filha bastarda de um rico empresário em Herat chamado Jalil que, apesar de ter suas 3 mulheres, engravida a servante Nana. Obrigada a deixar a casa onde trabalha, Nana é exilada numa kolba, construída pelo próprio Jalil, a alguma distância da cidade.

Mariam cresceu iludida com o amor do pai. Jalil a visitava uma vez por semana e era esperado com ansiedade e animação pela filha. Sempre a tratava com carinho, contava histórias da cidade e dos filmes em exibição no cinema que era proprietário e desmentia as alegações de Nana.

Nana era o oposto de Jalil, cheia de ressentimentos e amargura pela sua situação, sempre explodia seus comentários e desilusões em Mariam.


"Você é uma harami desajeitada. Esse é o meu prêmio por tudo que
tenho suportado. Uma quebradora de bens de família, harami desajeitada."

Quando completa 15 anos, Mariam pede de presente do pai sua ida ao cinema com o pai e seus irmãos e irmãs. Apesar de tentar argumentar, Jalil concorda e quando no dia marcado não aparece, Mariam decide procurá-lo. A mãe diz que morrerá se Mariam partir. É a primeira vez que Mariam deixa a kolba. É a primeira vez que Mariam vê a cidade de Herat. É quando descobre o significado da palavra harami.

Ao achar a casa do pai, o servante lhe comunica que Jalil não está em casa. Mariam passa a noite sentada na varanda a espera do pai - no frio, com fome e sede. Pela manhã quando o motorista a encaminha para o carro, Mariam percebe um rosto na janela do segundo andar, antes que ela identifique, desaparece. Aquele olhar, aquela barba... Mariam perde total amor por Jalil. Ao voltar a kolba, o motorista desesperado tenta cobrir seus olhos... o corpo de Nana embaixo da mesma árvore em que sentou vendo Mariam partir, pendurado em uma corda.

Mariam não pode viver com o pai e em poucos dias uma das esposas de Jalil comunica a Mariam que ela casará com um sapateiro de Kabul chamado Rasheed. Uma ótima maneira de se livrar de vez da vergonha de ter a filha bastarda do marido por perto.

Após o choque dos primeiros dias, Mariam começa a se adaptar a nova vida. Rasheed a trata com carinho, atenção, a leva para visitar a cidade, compra presentes. Mariam sente-se protegida e amada, afinal Rasheed é agora tudo o que tem. Em poucos dias é apresentada a burqa.

"E a burqa, ela aprendeu para sua própria surpresa, era também
confortante. Era como um espelho de duas faces. Olhando de dentro, ela era uma observadora, protegida dos olhos examinadores de estranhos. Não mais se preocupava se as pessoas sabiam, com um simples olhar, todos os vergonhosos segredos do seu
passado."
(pag. 66)


Rasheed quer um filho. Faz uma festa quando Mariam engravida, tem certeza que é um menino a quem chamará de Zalmai. Quando Mariam perde a criança, a atitude de Rasheed muda completamente. Após as várias outras tentativas resultando em abortos espontâneos, Mariam perde as esperanças de ser mãe, agora é espancada, humilhada e tratada como uma empregada.

Em 1992, Laila entra na vida de Mariam.

Laila era a filha mais nova de Mamy e Babi. Babi era professor universitário antes de Kabul ser invadida e agora trabalha numa panificadora, casou com a prima Mamy. Tinham 3 filhos, Ahmad e Noor, os mais velhos haviam se alistado ao Mujahideen para lutar pela liberdade do Afeganistão, e Laila, a querida de Babi, inteligente, uma das melhores estudantes da classe, Babi via em Laila um futuro brilhante.

"Eu sei que você ainda é jovem, mas quero que você entenda e aprenda isso agora. Casamento pode esperar, educação não. Você é uma garota muito, muito brilhante. De verdade. Você pode ser qualquer coisa que queira, Laila. Eu reconheço isso em você. E eu também sei que, quando essa guerra acabar, feganistão vai precisar de você tanto quanto de homens, talvez até mais. Porque uma sociedade não tem nenhuma chance de sucesso se suas mulheres forem ignorantes, Laila. Nenhuma chance." (pag. 103)


Laila tinha um grande amigo de infância chamado Tariq. Tariq havia perdido uma perna ao pisar numa mina quando visitava o tio em Ghazni mas mesmo assim defendia Laila dos meninos encrenqueiros na rua. A família de Tariq tratava Laila como filha e com a depressão da mãe, sentia-se mais em casa ali do que na sua própria casa.

Desde a partida de Ahmad e Noor, Mamy entra em depressão, quase não deixa o quarto, dorme grande parte do dia, esquece de buscar Laila no colégio. Quando a notícia chega de que Ahmad e Noor morreram em combate, Mamy culpa Babi... um covarde que deixa os filhos irem para a guerra enquanto ele permanece em casa.

A pressão da guerra aumenta, bombas e mísseis voam pelo céu de Kabul. Babi vê-se obrigado manter Laila em casa, ir a escola é um perigo. Laila começa a perder seus amigos para a guerra, Hasina é atingida por uma bomba ao voltar da escola. Babi sugere a Mamy que deixem Kabul antes que seja tarde, Mamy jamais deixará a cidade, sonha em ver o Afeganistão livre para honrar os filhos. Giti, outra grande amiga de Laila, havia deixado Kabul para um casamento arranjado. Tariq visita Laila para informar que estão deixando Kabul rumo ao Paquistão, Tariq a pede em casamento - assim terão chances de sobreviver. Laila era a única coisa que ainda importava na vida do pai, jamais o deixaria. Entre lágrimas, Tariq e Laila fazem amor. Sem dizer adeus, Laila fecha a porta, Tariq promete do lado de fora que voltará, que voltará para buscá-la.

Quando Mamy concorda em partir, a guerra já havia destruído quase toda a vizinhança. Babi sonha em ir para os Estados Unidos, a camisa que usava tinha a foto da Golden Gate Bridge, em San Francisco. Laila vê Mamy na janela do segundo andar, arrumando suas malas enquando ela mesma carrega os livros de Babi que serão vendidos para juntar dinheiro para partida. Quando o míssel atinge a casa, a última coisa que Laila vê ao atingir o chão é um pedaço de uma camisa com a foto de uma ponte.

É aqui que Laila entra na vida de Mariam, Rasheed socorre Laila e Mariam cuida até que esteja recuperada. Após um mês em recuperação, Laila recebe a visita de Abdul Sharif, após uma longa história Abdul diz que conheceu Tariq no hospital onde o mesmo lhe contou sua história - ônibus em que estava com a família havia sido bombardeado a caminho do Paquistão - Tariq havia sido único sobrevivente mas na manhã seguinte, não resistindo aos ferimentos, havia falecido.

Laila percebe as atenções de Rasheed e quando Mariam lhe informa que o marido deseja casar com ela, Laila aceita sem hesitar - há alguns dias havia percebido sua barriga crescer. Laila estava grávida, de Tariq.

Rasheed trata Laila com mais atenção do que tinha tratado Mariam nos primeiros meses. Mariam, por sua vez via Laila como rival, alguém que chegou para ocupar o seu lugar... agora que estava velha e marcada pelo tempo e a violência de Rasheed. Mariam e Laila tiveram brigas terríveis. A atitude de Rasheed muda completamente quando Laila dá a luz a uma menina, Aziza e suas dúvidas quanto a paternidade crescem porque Laila se recusa a ter relações com ele.

Mariam despreza a criança a princípio, sente uma certa inveja de Laila por nunca ter conseguido levar adiante uma gravidez. Em uma noite em que Rasheed enfurecido espanca Mariam, Laila tenta protegê-la, enfrentando Rasheed. Mariam finalmente tem alguém no mundo com quem pode contar.

Mariam encontra em Laila e Aziza o carinho e amor que sempre desejou ter. Tentam fugir com o dinheiro que Laila vem roubando de Rasheed há meses. São descobertas, espancadas e trancadas no escuro, sem comer ou beber por quase 1 semana.

Em 1997, Talibã começa a governar o Afeganistão, o que pensavam ser um recomeço, resultou no que conhecemos hoje (através da mídia e também do outro livro de Hosseini, O caçador de pipas). Rasheed, que desde que casou com Mariam manifestava apoio ao regime do Talibã, estava totalmente satisfeito com as novas regras.

Música, livros e televisão foram banidos do Afeganistão, até mesmo os pássaros foram proibidos de cantar e eram mortos. A repressão afetava mais diretamente as mulheres, proibidas de deixarem suas casas sem um familiar masculino, proibidas de mostrar a face, proibidas de usar maquiagem, roupas chamativas, falar, fazer contato visual, sorrir e pintar as unhas, bem como frequentar escolas e trabalhar.

É possível testemunhar o sofrimento das mulheres afegãs quando Laila, grávida do segundo filho, precisou dar a luz, após visitarem 3 hospitais foram informadas que apenas homens eram tratados ali. Apenas 1 hospital em Kabul trataria mulheres e este, transbordava de mulheres a procura de socorro médico. Após horas de espera, Laila foi atendida e a esse ponto precisava de cesariana. Sem medicamentos de qualquer tipo, Laila teve sua cesariana ali, sem nem mesmo anestesia.

Zalmai era adorado pelo pai, e como homem foi crescendo e criado com o conceito de que as mulheres são inferiores. A miséria tomava conta de Kabul, Rasheed perde sua sapataria para um incêndio, sem emprego e com as economias acabando, Mariam, Laila e Aziza passam fome porque o pouco que têm é de prioridade de Zalmai e Rasheed.

Rasheed consegue empregos aqui e ali mas sempre acaba sendo demitido, primeiro porque não consegue controlar seu temperamento, segundo porque é pego dormindo em serviço. Em pouco tempo nem mesmo ele e Zalmai escapam da escassez. É quando Mariam tem a idéia de procurar o pai, Jalil. Ao conseguir contato, descobre que o pai faleceu em 1987. Mariam lembra que em 1987, recebeu a visita de Jalil, jamais abriu a porta. Por horas Jalil esperou por uma resposta, viu rapidamente um rosto no segundo andar. Aqueles olhos, aquele rosto... Deixou para Mariam uma carta, que fora rasgada antes mesmo de ser aberta. Já doente, veio para se despedir.

Rasheed sugere que Laila entregue Aziza para um orfanato, a separação foi dura mas sempre que podia, Laila visitava a filha. Rasheed começa a trabalhar como porteiro de um hotel. É nessa ausência que Laila recebe uma visita inesperada.
"Seus joelhos enfraqueceram. Laila desesperadamente queria, precisava, procurar pelos braços de Mariam, seus ombros, seu punho, alguma coisa, qualquer coisa, para se apoiar. Mas não o fez.
Não se atreveu. Não se atreveu a mover um músculo. Não se atreveu a respirar, nem mesmo a piscar, por medo de que não seja nada além de uma miragem (...) abriu e fechou seus olhos, ele ainda estava lá.
Tariq ainda estava lá." (pag. 291)
A história da explosão do ônibus foi plantada pro Rasheed para fazer de Laila sua esposa. Era como se os dois ainda fossem aqueles adolescentes, como se o tempo não tivesse passado. Zalmai furioso com a mãe por estar falando com aquele estranho destratava Miriam que tentava acalmá-lo. Tariq havia voltada como prometido. Também voltaria no dia seguinte. Partiriam.

Partiriam em segredo se não fosse por Zalmai contar para Rasheed tudo o que havia se passado naquela tarde. Furioso Rasheed pergunta onde Zalmai esteve enquanto o estranho visitava. Com os olhos cheios de lágrimas, Zalmai viu seu veneno voltar contra si. Trancado no quarto, Zalmai ouve os gritos de Laila e Mariam enquanto Rasheed as espancava.

Laila grita que Rasheed mentiu para ela.
"E VOCÊ NÃO MENTIU PRA MIM? Você acha que eu não percebi? Acha que eu não sei da sua harami? Pensa que eu sou bobo, sua vagabunda?" (pag. 300)
Com ódio e descontrolado, Rasheed aperta o pescoço de Laila, aos poucos ela vai perdendo as forças... Mariam não consegue tirá-lo de cima da amiga. Corre para o quintal, volta com a pá, grita por Rasheed. Acertou ele na têmpora. A pancada o derrubou de cima de Laila.

Laila parte para o Paquistão com Tariq, Aziza e Zalmai.
Mariam decide ficar, mesmo com todo o sofrimento que a vida lhe trouxe, o amor de Aziza e Laila a fizeram extremamente feliz, era tudo o que ela tinha. Por outro lado, ela matou Rasheed, tirando de Zalmai o direito de ter um pai, jamais conseguiria viver com essa culpa. Sim, decide ficar e se entregar às autoridades Talibãs. A única mulher na prisão acusada de homicídio, ganhou reverência e fama entre as mulheres por sua coragem. Após 10 dias na prisão, foi apedrejada no Estádio Ghazi.

A história não termina com o apedrejamento de Mariam, tem que ler o livro pra saber o final... mas Khaled Hosseini tem um modo todo especial para contar suas histórias. São personagens tão humanos, tão verdadeiros. Sofre-se com eles, fica-se ansioso com eles... No O caçador de pipas, mostrou-se o drama aos olhos de um menino, o lado masculino do Afeganistão, o que é bem diferente da realidade feminina. Lógico que uma guerra afeta a todos, mas no caso do Amim, afetou financeiramente e geograficamente. No caso da Mariam, só o fato de ter nascido mulher já conta como ponto negativo num país como Afeganistão onde, mesmo antes da guerra, as mulheres tinham um papel secundário na sociedade, adiciona-se os fatos de ter sido uma harami, ter casado com um tirano e ainda ter o Talibã...

É uma história ao mesmo tempo devastante e inspiradora, que mostra que o amor e amizade sobrevivem ao tempo, a miséria, ao ódio e as mais terríveis provações de uma guerra.
"Ninguém pode contar as luas que brilham nos seus tetos,
ou os mil esplêndidos sóis que se escondem atrás de suas paredes."
(Saib-e-Tabrizi, poema sobre Kabul, séc. XVII)

Thursday, June 25, 2009

San Francisco...


Ai, ai San Francisco... aquela que não se quer deixar, mesmo antes de chegar.
Lembro a primeira vez que visitei San Francisco... um trânsito caótico, arquitetura deslumbrante, mendigos com as plaquinhas de papelão pedindo dinheiro enquanto Ferraris e Lambourguinis procuravam estacionamento em frente aos cafés desejando Cappuccinos.
Das mais bizarras criaturas das ruas de Fisherman's Wharf às mais elegantes na Union Square, dos produtos falsificados da China Town às delícias culinárias da Little Italy, das famosas obras de arte do Museu de Arte Moderna e de Young aos "clubes para adultos" da Market Street...
San Francisco da Golden Gate, de Alcatraz, das mais medonhas ladeiras e dos mais deliciosos prazeres... San Francisco guarda um pouquinho de cada mundo e agrada a todos os gostos. Não tem como não se apaixonar!
Ai, ai San Francisco....
* Foto do celular - Restaurante na cobertura do Bank of America, Union Square, San Francisco

Monday, June 22, 2009

The island (Victoria Hislop)


"A ilha de Spinalonga, fora da costa norte de Creta, foi a principal colônia para leprosos da Grécia de 1903 até 1957."

Alexis, uma jovem inglesa de 25 anos, formada em História Natural, decide viajar para a Grécia com o namorado Ed. Mais do que turismo, Lexis deseja preencher as lacunas em sua vida sobre seus ancestrais e ter idéia sobre que decisões em seu namoro "mais ou menos" com Ed. Sente que sua mãe, Sofia, esconde fatos de seu passado na Grécia. Quem são seus avós? Teria parentes? Porque todo esse silêncio sobre o passado? Porque as perguntas feitas quando criança tiveram curtas e monossilábicas respostas?

Uma antiga foto em preto e branco de um casal... vestidos de noivos, na cabeceira da cama de Sofia é o único registro familiar. "São meus tios Maria e Nikolaos, já estão mortos" - é tudo que Lexis sabe.

Ao saber sobre a viagem e após o choque da notícia de que Lexis deseja visitar sua cidade natal - Plaka - Sofia escreve uma carta e entrega a Lexis endereçada a Fotini Davaras.

Ao chegar em Plaka, uma ilha não muito distante chama atenção de Alexis, curiosa, logo consegue alguém para atravessá-la... quando menos imagina 5 horas se passaram desde seu desembarque. Percebe que, apesar de abandonada, a ilha tinha um certo encanto, seu antigos habitantes não pareciam viver infelizes ali. Retorna a Plaka e procura por Fotini.

É Fotini a narradora da história da família Petrakis... história essa que começa em 1939.

Eleni e Georgis Petrakis:

Eleni foi uma amável professora, apaixonada por sua profissão - adorada pelos moradores de Plaka e por seus alunos, tratava-os como filhos - casou com Georgis, um pescador, tiveram duas filhas Anna e Maria.

Anna, a mais velha, petulante, nunca disposta a ajudar, ambiciosa mas de beleza requintada, sonha em deixar a pobre cidade de Plaka.
Maria, o oposto de Anna, sempre doce e atenciosa para com a família.

Em 1939, Eleni descobre uma mancha branca em sua perna, reune todos os seus queridos alunos e descobre que um deles, Dimitri, é portador da Lepra - os pais há algum tempo tentavam esconder a doença por temer o isolamento do filho em Spinalonga.

A lepra (hanseníase ou mal de Hansen), é uma doença infecciosa causada pelo bacilo Mycobacterium leprae que afeta os nervos e a pele e que provoca danos severos. Desde que a escrita existe, tem-se registro de como a lepra representou uma ameaça, e os leprosos foram isolados da sociedade.

Na Grécia, aqueles que contraíam a doença eram enviados para ilha Spinalonga - totalmente excluídos da sociedade, em poucos anos o número de habitantes na ilha chegou aos 200 mil. Georgis Petrakis era o responsável pelo transporte de passageiros e mantimentos para Spinalonga - um meio de aumentar a renda, fora que não tinha concorrência porque ninguém em Plaka desejava chegar perto da ilha por medo de contaminação.

Foi Georgis quem transportou sua esposa Eleni e Dimitri, uma separação dura e cruel.
Eleni jamais dexara a ilha, aos poucos foi adaptando a sua nova vida e descobriu que Spinalonga não era como tinha imaginado. Os moradores, apesar de doentes e excluídos, tentavam levar uma vida normal.

Petros Kontomaris era o líder de Spinalonga e como tal voltou seus esforços para que a ilha tivesse quase tudo que uma cidade poderia ter, farmácias, biblioteca, barzinhos, shoppings, hospital. Sobreviviam com a verba enviada pelo governo grego, a verba que mantinha o comércio local. Conseguiu também a visita de um médico 3 vezes por semana - Christos Lapakis - de tremenda ajuda para aliviar o sofrimento e a dor daqueles no estágio mais avançado da doença e também ajudou a minimizar os sintomas dos recém-contaminados, uma vez que a cura ainda não havia sido descoberta.

Savina Angelopoulos foi grande amiga de Eleni, após sua partida tomou como responsabilidade ajudar na criação de Maria e Anna enquanto cria também os filhos Fotini, Antonis e Angelos.

Anos passam, Spinalonga recebe a visita do médico Nikolaos Kyritsis que busca pacientes para sua pesquisa para a cura da lepra. Infelizmente as pesquisas são interrompidas pela invasão da Alemanha nazista de Hittler.

A ilha testemunha a morte de gregos pela guerra, e de seus próprios habitantes pela devastadora doença - incluindo Eleni. Também testemunha o casamento de Anna com Andreas Vandoulakis, filho de um rico proprietário de terras em Elounda.

Anna agora tem tudo o que sempre sonhou, mas os anos de casamento não trazem um filho, um herdeiro. Manoli, um primo de Andreas, que após anos viajando pelo mundo, gastando a herança deixada pelos pais, retorna com os bolsos vazios para trabalhar com Andreas, torna-se íntimo de Anna, que ainda tentando preservar seu casamento, aprensenta Manoli para a irmã Maria - Manoli vê em Maria o oposto de Anna - inocência, doçura, zelo pela família. Ficam noivos, para o desgosto de Anna que nutre sentimentos por Manoli, mas às vésperas do casamento Maria percebe uma mancha em seu pé.

Seu diagnóstico fica claro ao visitar o médico Nikolaos Kyritsis em Iraklion. Georgis, que anos atrás viu sua vida devastada pela lepra ao perder sua amada Eleni para Spinalonga, sofre mais uma vez ao transportar sua querida Maria... teria ela o mesmo destino de Eleni?

Nikolaos Kyritsis retorna a Spinalonga para continuar sua pesquisa, e consigo traz remédios para testes.

Com o casamento desfeito, Manoli volta sua atenção novamente para Anna. O romance é de conhecimento de todos os empregados de Andreas, incluindo Antonis - irmão de Fotini, melhor amiga de Maria. Após 10 anos de casada, Anna engravida, Andreas convida Manoli para ser padrinho de Sofia.

Fotini visita Maria durante as viagens de Georgis à ilha para levar mantimentos, e conta todos os acontecimentos para a amiga, incluindo o caso de Anna com Manoli. Maria também recebe visitas do Dr. Kyritsis, o médico que possivelmente pode trazer a cura para sua doença é o homem por quem está se apaixonando.

Em 1957, Georgis faz a travessia dos primeiros habitantes a deixar Spinalonga. A cura fora descoberta. Aos poucos a ilha esvazia, pespectivas de uma nova vida fora da ilha são vistas como desafio para uns, desespero para outros marcados não apenas fisicamente mas psicologicamente pela doença.

Os últimos a deixar a ilha, incluindo Maria, fazem uma festa em Plaka. É nessa noite que Andreas, após descobrir as traições da esposa, confronta-a enquanto dirigem para a festa. Ouve-se um tiro. Dr. Kyritsis e Dr. Lapakis fazem os primeiros-socorros e Maria reconhece a irmã. O primeiro dia de liberdade da filha Maria, é também o dia que Georgis perde Anna.

Kyritsis e Maria casam-se e após algum tempo decidem solicitar a guarda de Sofia do avó paterno Alexandros, extremamente debilitado e já em idade avançada, após a morte da esposa. Criam-na como filha, uma vez que não tiveram a sorte de terem seus próprios filhos. Sofia cresce e Maria percebe nela as mesmas características de Anna, uma rebeldia sem causa e uma personalidade intrigante e irritante. Ao completar 18 anos, Sofia decide fazer faculdade em Atenas e é aqui que ela descobre a verdade sobre seu passado.

Decide partir sem olhar para trás e jura a si mesma nunca mais voltar, mas tem vontade de conhecer aquele que pode ser seu pai. Em Atenas procura por Manoli em todos os lugares possíveis. Bate na porta de todos os Vandoulakis na cidade, sem sucesso.

Quando já na faculdade conhece Marcus Fielding, um estudante de intercâmbio inglês, vê nele a oportunidade de esquecer de vez seu passado. Vê Maria e Nikolaos pela última vez em seu casamento em Londres e a vergonha pelo passado da família é o motivo do seu silêncio.

The island - A ilha - é uma história totalmente comovente e envolvente. Como eu nunca leio o resumo antes, a história foi surpresa pra mim. Uma família marcada por tragédias mas que não nos deixa esquecer que o amor e a vida permanecem mesmo em meio as mais terríveis circunstâncias.

Amei as descrições do cenário e dos personagens, no final parece que fazemos parte da história e que vivemos juntos a triste saga da família Petrakis, é uma história triste, triste como a realidade de muitos que perdem seus entes queridos não só para a lepra mas para o câncer, para a Aids ou qualquer outra doença atual que ainda não se conhece cura e que nos deixa com aquela sensação de impotência e insignificância.

Victoria Hislop é escritora e jornalista em Kent, Inglaterra.

Wednesday, June 17, 2009

Dub FX

Como nem só de livros vivo eu, senti vontade de compartilhar esse vídeo com vocês!
O cantor, DJ, backing vocal, e tudo mais, chama Dub FX, é de Bristol na Inglaterra e como muitos cantores anônimos fazem hoje em dia, decidiu colocar seus vídeos no youtube... de um talento impressionante e a voz bem gostosa de ouvir (fora o fofo sotaque inglês que eu acho encantador!), eu aposto que em breve todos vão saber dele!


Thursday, June 11, 2009

No! I don't want to join a book club (Virginia Ironside)


Primeiras linhas:

''3 de outubro
Ok. Então é isso. Cinquenta anos atrasada mas, melhor tarde do que nunca. Um diário. Eu sei que não é 1º de janeiro, nem mesmo 1º de novembro, mas não tem tempo melhor que o presente.''

Marie Sharp é uma senhora inglesa, divorciada, ex professora de Artes, nada convencional, que adora uma bebidinha, de ''quase'' 60 anos que decide começar a relatar sua história em um diário. O diário na verdade começa quando ela completa 59... 59?? Mas ninguém vai acreditar que ela tem 59, provavelmente tá mentido a idade (vão pensar!), melhor logo arredondar para os 60!

De forma cômica, inteligente - beirando o intelectualismo, sem tabus, preconceito ou vergonha, Marie conta seu dia-a-dia - incluindo alguns amigos - suas aventuras, desamores, o adeus a amigos e conhecidos, preocupações e seus pensamentos mais profundos bem como suas confissões, visões do mundo que se transforma aos seus olhos, e sua percepção do mesmo aos 60.

"Eles dizem que franqueza tem algo a ver com as sinapses atrofiando nos lobos frontais enquanto se envelhece, mas eu acho que é só uma confiança ridícula que vem com a idade"

Desiste da vida sexual. É questionada pelos amigos sobre o que fará agora que pode desfrutar da pensão do governo e não precisa mais trabalhar... Ônibus de graça, meia no cinema, nos teatros, museus...

Aprender italiano?

"Porque alguém pensaria que eu quero aprender italiano? (...) Não, a melhor coisa quando se chega aos 60 é que eu não mais preciso sentir culpa por NÃO aprender italiano!''

Universidade Aberta?

"Não! Não! Mil vezes não! Nem a Universidade para Terceira idade! (...) Eu nunca mais quero APRENDER alguma coisa. Tô cheia de aprender."

Clube do livro??

"(...) o problema é: eu não quero participar de um clube do livro pra me manter jovem e estimulada. Eu não QUERO ser jovem e estumulada nunca mais."

A vida de Marie muda completamente após descobrir que será avó... cheia de preocupações, lembra de quando indesejadamente engravidou de Jack, ainda na adolescência... pensou em abortar, não parou de fumar, beber, ou mesmo usar drogas durante a gravidez e nada afetou a saúde da criança, detestou o filho após o nascimento - tendo depressão pós-parto, pensou no tanto que perdeu, das festas que poderia ter ido, toda a badalação deixada de lado por causa de Jack, odiava ouvir seus choros e gemidos.
Quando Gene nasceu, percebeu que não amava o neto, mas aos poucos aquele serzinho foi tomando conta do seu tempo e pensamento. Gene é o amor da sua vida!

Alguns outros personagens:

- Jack e Chrissie: Jack é filho de Marie, casado com Chrissie, moram em uma outra cidade mas estão sempre em contato. É Jack que insiste para Marie entrar no mundo da tecnologia, comprando computador, DVD, etc para a mãe e ensinando a usá-los.

- Penny: amiga e confidente, divorciada, desesperada por um namorado, não entende o porque de Marie desistir de SEXO só porque chegou as 60. Começa a busca pelo par ideal pela internet, onde conhece (entre tantos outros) Gavin, um hippie de 30 anos, dono de uma loja de cristais em Glastonbury. Ao dizer a Marie que passarão a noite juntos na próxima sexta, mantêm um dos diálogos mais hilários do livro.

"(...) lembrando da última vez que fiz sexo. Depois da menopausa a vagina fica completamente seca e miserável e fazer sexo é como ter alguém esfregando uma lixa dentro de você.'' (pag.103)

Marie oferece KY Gel para Penny, guardado há anos e anos numa gaveta secreta onde Marie esconde desde venenos à demais remédios vencidos (em caso de querer cometer suicídio... você nunca sabe quando pode precisar!)

Logicamente, após a noite de sexo, Gavin desaparece e deixa Penny com uma cistite que dura meses.

- Hughie e James: um casal gay, amigos confidentes e de bebedeira de Marie. São responsáveis por diálogos cultos e cheios de ironia. Hughie um fumante compulsivo, descobre quase no final do livro que tem câncer no pulmão após anos evitando ir ao médico... morre pouco tempo depois do diagnóstico, não sem antes preparar seu próprio velório, tomar todo o vinho que tem direito e deixar meio caminho andado para Marie e Archie.

"Como disse Bob Hope, eu acho: Aos vinte nos preocupamos com o que os outros pensam de nós, aos quarenta não nos importamos com o que pensam, e aos sessenta descobrimos que eles nunca nem pensaram na gente.'' - Hughie (pag. 138)

- Archie: amigo de colégio e por quem um dia Marie foi completamente apaixonada (de escrever em páginas e páginas de seus cadernos - EU AMO ARCHIE! EU AMO ARCHIE!), sempre mativeram contato e agora que Phillipa, sua esposa, faleceu, Marie e Archie se aproximam com a ajuda de Hughie.

- Michelle: uma jovem francesa, filha de um casal de amigos, vem para a Inglaterra para estudar inglês e hospeda-se na casa de Marie. O que estava previsto para ser uma pequena estadia, acaba virando uma temporada e Marie testemunha os acontecimentos da vida de Michelle... sexo, drogas e poesia.

Com toda certeza Marie não é o retrato que todos têm de uma senhora de 60 anos! De uma sabedoria encantadora e um grande coração, Marie prende a atenção do leitor que vive com ela alegrias e pesares, mostrando que sentimentos, sejam eles quais forem, não têm restrição de idade, classe ou opção sexual.

Marie prova, com orgulho e bom humor, que a vida também pode começar aos 60, 70, 80....

Thursday, June 4, 2009

The book of laughter and forgetting (Milan Kundera)

Esse é o segundo livro que leio do Milan Kundera, o primeiro - The unbearable lightness of being - A insuportável leveza do ser - marcou a minha vida com aquela personagem adorável e sofrida, que carregava com orgulho Ana Karenina embaixo dos braços por onde quer que fosse. Ainda não comentei sobre esse aqui, não sei o porque, mas o farei em breve.

The book of laugher and forgetting - O livro da risada e esquecimento - relata fatos e histórias ocorridos no período da repressão comunista e a invasão Russa em Praga, capital da República Tcheca, começando em 1948.

O interessante é que Kundera mistura histórias fictícias com realidade, a sua realidade durante o período sombrio em que jornalistas, escritores, professores universitários, filósofos, poetas e demais cidadãos que não concordassem com o sistema comunista, eram perseguidos, presos e muitas vezes mortos, ou viam-se obrigados a abandonar o país, buscando exílio em países vizinhos.

Sendo um deles, Kundera perde o privilégio de trabalhar e tendo conhecimento de que os invasores russos proibiram qualquer um de o empregar, começa a escrever uma coluna astrólogica (rs) semanal numa revista de grande circulação, usando o pseudônimo de "importante físico nuclear"... tudo isso à pedido de R. (uma jovem tímida, delicada e inteligente, editora da revista).

''A única parte divertida disso era a minha existência, a existência de um homem apagado da história, da referência literária de livros, e até da lista telefônica, um cadáver trazido de volta à vida na incrível reincarnação de um pregador fazendo sermão a milhões de jovens socialistas nas suas grande verdades astrológicas''

Durante o período em que escreveu a coluna Kundera recebeu o pedido para fazer o mapa astral de um oficial do alto escalão comunista (secretamente, claro!). Não durou muito tempo, R. foi pressionada pelo sistema para revelar a identidade do físico nuclear. Temendo pela vida dos seus amigos e principalmente de R., Kundera abandona Praga a caminho de Paris.

As histórias são as mais variadas possíveis... a história de Gottwald, um líder da revolução que havia sido morto, junto com os seus... e dele só restava a boina.

A história de Mirek que um dia fora líder e agora via-se seguido onde quer que fosse, durante muitos anos foi amante da feia e velha Zdena que agora derramava lágrimas por Masturbov.

Marketa e Karel recebem a visita da mãe de Karel. Marketa que nunca gostara da sogra por ter sido destratada enquanto morava com ela, vê-se obrigada a recebê-la em sua casa após tantos anos. A visita coincide com uma das visitas da amiga (apresentada como prima) Eva, que visita de tempos e tempos para apimentar a relação de Marketa e Karel - Eva na verdade é amante de Karel, que fez um esquema para que a amante e a esposa se conhecessem, virassem amigas e tivessem ''suas festinhas'' para melhorar a relação - sexo grupal.

As duas estudantes americanas em Praga, Michelle e Gabrielle, tem como tarefa de casa analisar e apresentar perante a classe o texto de Ionesco - Rhinoceros. Equivocadas nas suas análises, vêem seus colegas de classe às gargalhadas no dia da apresentação. Humilhadas e aos prantos, percebem a professora - Madame Rapahel - também às gargalhadas por ter confundido os prantos e o movimento do corpo das alunas como a dança que ela sempre quis dançar e nunca teve coragem. A história termina com a professora e as alunas em círculo dançando e gargalhando.

''Um homem possesso pela paz jamais para de sorrir"

O único personagem que Kundera realmente diz criar é Tamina - "Bem, dessa vez, só para deixar claro, minha heroína pertence a mim e somente a mim (...) Eu a imagino alta e bonita, 33 anos, e nascida em Praga." (pag. 79)

Tamina tem uma história sofrida, abandonou Praga com o marido Mirek após a invasão, deixando para trás não só a família, as lembranças, mas também da sua vida, percorreram várias cidades Européias até a morte de Mirek, trabalha como garçonete num café numa cidadezinha provinciana no oeste europeu. Deposita suas esperanças de ter de volta as cartas escritas pelo marido e deixadas em Praga em Bibi e Hugo, o que não acontece. Seu irmão, com quem não fala a anos é responsável pelo resgate das cartas da casa da sogra, agora nas mãos de seu pai, informada que as cartas foram lidas. É como se tivessem invadido sua vida, devastada jura nunca mais ver o pai e o irmão. Ao tentar fugir para uma vida sem dores, vê-se numa ilha cercada por crianças, por ser o único adulto na ilha, é vítima da curiosidade sexual das crianças, que a abusam e dão prazer. Morre ao tentar fugir da ilha.

Kundera tem essa forte característica de ser extremamente sexual, o tema é abordado abertamente e sem pudores ou tabus em várias histórias, incluindo a de Jan, que ao saber que deixará o país, decide participar da festa na casa Bárbara, conhecida por promover noites de orgias. Jan quer cruzar a fronteira, não apenas a fronteira que separa dois países, mas a fronteira da liberdade sexual, a fronteira que libera seus desejos mais secretos, dos desejos que ele não mais quer controlar, reprimir.

Essas e outras histórias ilustam o livro de Kundera, é difícil falar de todas elas mas o que é interessante no livro é a mistura de ficção e realidade, de prazer e sofrimento, comicidade e aquela sensação de ridículo das situações da vida. Momentos que nos trazem alegrias, outros em que "rimos para não chorar", e tantos outros que são bem melhores longe da nossa memória.

Se você não consegue separar seus princípios, sejam religiosos, éticos, morais, etc., quando ler um livro, é melhor nem começar a ler porque alguns podem se chocar com o estilo de Kundera mas para aqueles que lêem por prazer... Kundera é uma surpresa, provocante, ardente sem esquecer das dores, desamores e desastres de uma guerra.

"Romances gráficos são frutos da ilusão humana que nos fazem entender o ser humano"

(Milan Kundera)

Sunday, May 31, 2009

Leaves of Grass (Walt Whitman)


Shine! Shine! Shine!
Brilha! Brilha! Brilha!
Pour down your warmth, great sun!
Derrama o teu calor, grande sol!
While we bask, we two together.
Enquanto nos aquecemos, nós dois juntos.
Two together!
Dois juntos!
Winds blow south, or winds blow north,
Ventos sopram ao sul, ou ventos sopram ao norte
Day come white, or night come black,
Dia vem branco, ou noite vem preta,
Home, or rivers and mountains from home,
Lar, ou rios e montanhas de casa,
Singing all time, minding no time,
Cantando o tempo todo, não se importando com o tempo,
While we two keep together.
Enquanto nós dois permanecemos juntos.

Friday, May 29, 2009

At first sight (Nicholas Sparks)

"Fevereiro 2005
Amor à primeira vista é realmente possível?
Sentado em sua sala, perguntava-se mais uma vez em sua mente pelo que parecia ser a centuagésima vez."

Jeremy, nova-iorquino, de pai irlandês e mãe italiana, 42 anos, recém divorciado de Maria, viaja pelo mundo pesquisando e desmentindo mitos para sua coluna numa revista científica americana.

A história começa de fato em 2000, com o diálogo entre Jeremy e seu melhor amigo, Alvin. Alvin tenta convencer Jeremy de que sua mudança para Boone Creek é uma loucura, afinal ele ama Nova York e mal conhece Lexie. Como pode alguém se apaixonar, pedir em casamento e se mudar em menos de 1 mês???

Inconformado com a atitude do amigo e tentando convencê-lo a desistir, Alvin argumenta, explica fatos e motivos.
-"Ela está grávida," Jeremy finalmente diz. (pag. 8)

Lexie Marin é uma licensiada em Letras - Língua Inglesa, trabalha como bibliotecária em Boone Creek (Carolina do Norte), onde nasceu e foi criada. Os pais faleceram quando ela era ainda criança e foi criada pela avó Doris (proprietária de um pequeno Café em Boone Creek e uma espécie de "vidente" - especialista em prever sexo de bebês, até então havia previsto corretamente mais de 90), teve um relacionamento de alguns meses com Rodney, o xerife da cidade.

O casal se conheceu durante uma viagem de 2 semanas de Jeremy à Boone Creek para investigar um suposto fenômeno envolvendo luzes no cemitério durante a madrugada. Em uma das noites de vigília, Jeremy encontra Lexie no cemitério, conversam sobre a vida dela (a morte dos pais) e quando as luzes aparecem Lexie diz ser o espírito de seus pais, provavelmente eles querem conhecer Jeremy. Ele se apaixona.

Jeremy parte. Em Nova York não consegue esquecer Lexie, ao voltar a Boone Creek é informado de que será pai.

Pai?? Impossível! Maria havia pedido o divórcio após várias tentativas inúteis de engravidar, todos os tratamentos de fertilidade foram em vão até os exames concluirem que Jeremy era estéril, jamais poderia ser pai.

Meio que contra a vontade dos pais e dos amigos, Jeremy muda para Boone Creek e logo descobre que apesar de estarem noivos e Lexie estar grávida, a cidade não pode ficar sabendo do fato e eles viverão em casas separadas até o casamento. Também é informado por Lexie de que a casa é muito pequena para acomodar o casal e o novo bebê, precisam comprar uma casa nova, bem como um carro tamanho família e ainda organizar o casamento no lugar onde os pais de Lexie casaram.

As economias de anos e anos de Jeremy vão se esgotando com o passar dos meses na compra da casa nova, na reforma da casa (que dura quase 9 meses!), no carro novo, as compras do enxoval do bebê (que para surpresa de Jeremy, Lexie escolhe as mais caras peças) e para completar... Jeremy tem um total bloqueio intelectual ao mudar para a nova cidade. Não consegue escrever nenhum artigo, motivo de grande frustração e desespero.

Sem amigos, morando num hotel, longe da família, e sem escrever...

Ao conviver com os outros moradores da cidade, Jeremy começa a descobrir fatos do passado de Lexie. Rachel (amiga de Lexie, garçonete do Café de Doris) começa um relacionamento conturbado com Rodney e Lexie é o motivo das brigas do casal.

Discussões, brigas, omissões de Lexie aumentam as suspeitas de Jeremy.

E-mails são enviados secretamente para Jeremy questionando a paternidade da criança esperada por Lexie. Com a aproximação do casamento, Alvin prepara a despedida de solteiro que acontecerá em Nova York.

No dia da partida para Nova York, o casal tem uma terrível discussão após Jeremy descobrir que Lexie estava com Rodney e não com Doris como havia dito, após o sumisso de Rachel.

Na festa de despedida de solteiro Alvin deixa escapar uma informação que apenas Jeremy e Maria poderiam saber. Alvin é o autor dos e-mails secretos com a ajuda de Rachel. Após uma briga física com o agora ex-melhor-amigo, Jeremy volta para Boone Creek e se reconcilia com Lexie após uma longa conversa.

O casamento acontece, Lexie perdoa Rachel que continua como dama da noiva, Alvin não foi convidado. Todos agora já sabem da gravidez.

Durante um exame pré-natal, o médico informa que Lexie tem Amniotic Band Syndrome (Síndrome da constrição amniotica) - uma rara síndrome em que uma espécie de anel é formado entre a barriga materna e a placenta, caso o anel encoste na placenta pode causar o corte do cordão umbilical (matando o feto), caso encoste em outra parte do corpo do feto, pode causar anomalias congênitas (criança nasce sem a perna, mão, rosto, ou sem alguns dedos, etc), sem riscos para a mãe, apenas para o feto.

O casal sofre a cada novo exame, a possibilidade de perder o bebê aproxima Lexie e Jeremy. Apesar de não fazerem sexo há meses, Jeremy está feliz, a cada dia mais apaixonado por Lexie, admira sua coragem. Surpreende Lexie com o quarto do bebê (que de acordo com Doris, será uma menina) na casa nova. Sua vida em Nova York agora é apenas um distante fato do passado, não se imagina em outro lugar.

Lexie começa a sentir dores, no hospital após horas sentindo contrações os médicos estão prontos para o nascimento, Jeremy segura a mão de Lexie enquanto ela força a saída do bebê.

- "(...)Você é um homem de sorte".
- "Sim, eu sou," disse ele, segurando a mão dela. "Eu amo você."
- "Eu amo você também," ela disse.
(...)
- "Muito bem, muito bem", o médico disse. "Força só mais uma vez"
(...)
E foi então, enquanto olhando para ela, que ele ouviu aquele longo, constante bip na máquina atrás dele. Os olhos de Lexie estavam fechados e sua cabeça deitada no travesseiro, quase como se ela estivesse dormindo.
Seu primeiro pensamento foi de que era estranho ela não estar esticando o pescoço a procura do bebê. Então, tudo ao mesmo tempo, o médico levantou da cadeira tão rápidamente que bateu na parede atrás dele. A enfermeira gritou alguma coisa em código, e o médico gritou para a outra enfermeira levar Jeremy e Doris para fora do quarto imediatamente.
(...)
O médico parecia estar em choque enquanto continuava a tentar uma explicação. Jeremy o olhava fixamente através de suas lágrimas, a cabeça voando e nauseado.

A primeira impressão que tive ao começar a ler: a história é muito comercial, como se tivesse sido escrita para virar um filme, com detalhes, posicionamento dos personagens no espaço e reações. Após ler o livro atentei para o fato de que o autor Nicholas Sparks também escreveu A walk to remember (Um amor pra recordar), The notebook (O diário da nossa paixão), Message in a bottle (As palavras que nunca te direi) - adaptados para o cinema.

At first sight (À primeira vista) não é uma história totalmente original mas eu amei ler, confesso que até derramei algumas lágrimas (tem como não derramar??), o final foi uma surpresa porque quem lê espera que a criança morre ou nasce com anomalias mas não imaginava a morte de Lexie (final parecido com Um amor pra recordar, por que será??).

O interessante é a mistura de emoções, o leitor acaba julgando os personagens no decorrer da história... achando que Lexie queria dar o golpe da barriga em Jeremy (claro, ele tinha grana, escrevia para uma revista famosa... e ela tinha um caso com o Rodney meio que in e off) e quando Jeremy vê os dois juntos na praia (de mãos dadas) não tem como não julgar e pensar que o filho é do Rodney, Jeremy é estéril!
E ela quer uma casa nova, grande, confortável, escolhe a melhor casa disponível na cidade, gasta outra fortuna redecorando e reformando... tudo com o dinheiro do Jeremy.

Mas no final dá aquela impressão de que talvez no fundo ela sabia que não estaria presente para cuidar da Claire e do Jeremy e sua intenção era deixar tudo preparado da melhor maneira possível para quando ela não mais estivesse ali.

Dá aquele aperto no coração quando Jeremy ouve as palavras do médico e pede para vê-la... compreensível a recusa para ver Claire mas tremendamente sábias as palavras de Doris que o convenceram a aceitar a criança, uma vez que Lexie sacrificou sua vida pela filha.

A história é tocante e envolvente, guarda surpresas, e faz lembrar de algumas lições que a vida nos ensina... pré-julgamento, amor, amizade, família. Há milhões de maneiras de abordar tais assuntos e Nicholas Sparks soube como em At First Sight.

Foi Amor à primeira vista quando ele viu Claire pela primeira vez.

Monday, May 11, 2009

A divina comedia (Dante Alighieri)


PARAÍSO

"Eu estive naquele Paraíso que conhece a Sua luz,
e vi coisas, as quais qualquer que descenda de lá não tem poder
nem conhecimento para relatar,
porque à medida que nosso intelecto aproxima-se do seu desejo,
alcança tal profundidade
que a memória não consegue achar o caminho de volta"

O céu de Dante é dividido em sete partes, cada um corresponde a um planeta, começando pela Lua. Beatriz é agora o guia de Dante.

Constantemente Dante pede que os santos, a Virtude Divina, etc., o ajudem a relembrar para descrever cada detalhe do que vê no reino dos Abençoados.

Os deuses gregos e os santos catolicos misturam-se nos diálogos de Dante, que faz apelos a Apollo, mencionando o Oráculo Delphico (aquele dedicado a Apollo na Grécia) bem como as montanhas de Parnassus (localizadas em Delphi - cidade onde se localiza o Oráculo).

"As águas que corto nunca foram navegadas antes: Minerva respira, Apollo guia, e as nove Musas apontam-me para os Ursos."
(Cap. 2)

Dante vê a luz de Deus no primeiro céu. Dante questiona Beatriz sobre as marcas escuras na Lua, motivo de muitas fábulas sobre Cain. As primeiras impressões do Paraíso sao descritas por: alegria natural, virtude angelical, intenso claridade que faz alegria brilhar através dos olhos.

"(...) uma nuvem nos cobriu, densa, lúcida, firme, e polida, como os raios do sol em um diamante"

Dante encontra Santa Clara, Constance (mãe de Frederick da atual Alemanha). Ouve-se cantos.

Esplendor, alegria, amor.

Daniel, Moisés, Samuel, João e Maria dividem o mesmo céu.
Ao entrar em cada céu/planeta, Beatriz explica quem os habita e porque, em seguida continua a responder os questionamentos de Dante sobre os mais diversos assuntos, religião, personagens bíblicos, inteligência, livre-árbitreo, etc, etc.
''Sejam mais cuidadosos nas suas ações, vocês Cristãos,
não sejam como uma pena assoprada no ar,
e nao acreditem que toda água purifica''
(Beatriz para Dante - Cap. 5)

Ao chegar próximo do céu principal, Beatriz pede que Dante olhe para baixo para ver quão grande é o mundo que ele tem aos seus pés. Dante vê os sete planetas que visitou, quão grande, quão rápidos, e quão longe estão um do outro em órbita.

O reino de Cristo é cercado de flores - rosas, lilies, um adorável jardim que floresce embaixo dos raios de Cristo, uma doce melodia que direciona os espíritos para dentro de si, cercado por ninfas e com seu próprio sol, naquele planeta está a sabedoria e o poder que abriu o caminho entre Paraíso e Terra, os olhos de Dante não conseguem suportar tremenda luz. Todos cantam para Jesus e Maria.

Ao subir as longas escadas que levam a Deus, Dante menciona o quanto acredita na Santíssima Trindade, a preparação dos céus para receber Sua Noiva (a igreja de Deus na terra) etc, etc... mas no final direciona suas melodias e orações para Maria, pedindo que ela interceda em seu favor.

''Fé é a substância do que se espera, a evidência do que não se vê''
(Cap. 24)


Eu tento ser imparcial quando leio um livro mas não pude conter as críticas em A divina comédia. A mistura de elementos do zodíaco, deuses gregos, personagens bíblicos e santos católicos foi demais pra mim.

Fico imaginando, se estou no céu, tive a oportunidade de ver Cristo, Deus está ali há alguns degraus de distância, porque vou pedir pra Maria interceder por mim diante de Deus????

Pra mim não faz o menor sentido.

Pelo menos no Paraíso Dante deixou um pouco de lado as figuras italianas, no céu haviam outros povos (hehehe) e logicamente, muitos dos personagens bíblicos.

Dante também continua a conversa com o leitor. Longos diálogos com Beatriz marcam as suas caminhadas e seu amor por Beatriz também esteve presente, por várias vezes Dante menciona quão deslumbrante era o amor e a alegria emanados da sua amada.

No final entendi (na minha ingênua ignorância) que a A divina comédia não é exatamente uma comédia. Comédia foi usada apenas para diferenciar de Tragédia, uma vez que esses eram os tipos de textos escritos na época. O que não era uma Tragédia, seria uma Comédia.

A versão lida foi em Prosa, coletânea dos Classicos da Borders.