Monday, December 7, 2009

The man who loved books too much (Allison Hoover Bartlett)

Quão apaixonado por livros você é?
O que você faria por um livro raro?
Primeira edição autografada do seu escritor favorito?


"I can resist everything except temptation - Posso resistir a tudo menos à tentação"
(Oscar Wilde)
The man who loved books too much (O homem que amava livros demais) conta  histórias de vários apaixonados por livros, mas não apenas livros, falo de livros raros, históricos, colecionadores que pagam $50 mil, $100 mil por obras raríssimas.

"Pouquíssimas pessoas parecem perceber que livros têm sentimento"
(Eugene Field, autor de The Love Affairs of a Bibliomaniac)

Allison H. Bartlett pesquisou por quase 3 anos um ser misterioso que comprava livros raros de colecionadores nos EUA usando cartões de créditos roubados - John Gilkey. Atrás de Gilkey, investigando seus roubos e tentando capiturá-lo, temos Sanders, outro apaixonado por livros e membro da ABAA (Antiquarian Booksellers' Association of America).

"Conheço homens que torraram suas fortunas, foram em longas viagens por meio mundo, esqueceram amizades, chegaram a mentir, enganar, e roubar, tudo para conseguir um livro"
(A.S. W. Rosenbach, negociador de livros do sec. XX)
O que me prendeu na história, além do fato de aprender mais sobre livros raros e ser uma história real, foi que tudo se passou aqui na Califórnia (Norte da Califórnia). Gilkey nasceu em Modesto, trabalhou na Saks (loja de grifes famosas na Union Square em San Francisco - de onde roubava os números de cartões de crédito dos clientes) e um dos hotéis para onde ele solicitou o envio é aqui em Palo Alto, em frente ao Stanford Mall... onde trabalhei por 6 meses (10 minutos da minha casa!).

É uma delícia quando se lê uma história em que se tem familiaridade com o cenário, com o plot!


"O norte da Califórnia é terra fértil para qualquer amante de livros, e não existe escassez de colecionadores" (pag. 109)
O que levou Bartlett a escrever a história? Após a morte de um amigo, um livro raro - Kräutterbuch, 1630 - foi encontrado em seu apartamento com um bilhete pedindo que o retornassem para a biblioteca. Nenhum registro sobre o livro foi encontrado em nenhuma biblioteca do país, e Sanders sugeriu o que poderia ter acontecido - O livro deve ter sido roubado! Até então a autora não tinha idéia do tamanho do problema, quem teria a idéia de roubar livros? Muitos! Dezenas! Milhares!



Bartlett visitou várias feiras de livros raros em Nova York, San Francisco e Salt Lake City em busca de informações e histórias para o livro. E eu não tinha idéia do quão raro é um livro raro: uma combinação de escassez, importância e condição. Quando uma adaptação para o cinema é lançada, a venda das primeiras edições dos livros sobe entre os colecionadores (pag. 19) mas os escritores famosos estão sempre em alta.

Exemplos:
- Primeira edição de Pinoquio, em italiano - à venda por $80 mil (isso mesmo, 80 mil dólares!);
- 2 cartas ilustradas de L. Frank Baum (autor de O Mágico de Oz) - à venda na feira por $45 mil;
- Panfleto encontrado por um colecionador em Massachusetts num Sebo por $15 em 1988, que mais tarde descobriu-se ser uma cópia do primeiro texto de Edgar A. Poe (Tamerlane e Outros Poemas) escrito quando tinha apenas 16 anos - vendido por $198 mil;
- Primeira edição de Lolita do Vladimir Nabokov, autografada para Graham Greene - leiloada por $264 mil;
- Primeira edição de Utopia de Thomas More - vendido por $245 mil.


"O roubo de livros é mais disseminado que o roubo de obras de arte" (pag. 37)

Outras curiosidades?
- Muitos colecionadores nem lêem os livros que colecionam - "Não julge um livro por seu conteúdo"  (pag. 20);
- Al Pacino, Steve Martin, Diane Keaton são alguns dos colecionadores famosos;
- Thomas Jefferson Fitzpatrick, professor de botânica em 1930: morreu aos 83 anos - comprou tantos, mas tantos livros que seu corpo foi encontrado em um berço em sua cozinha, rodeado por 90 toneladas em livros; (pag. 195)
- Thomas Jefferson (3º presidente dos EUA) - lendário por seu amor por livros - aos 5 anos já havia lido todos os livros da biblioteca de seu pai. Em 1814, vendeu sua coleção de 6,700 livros para a Livraria do Congresso de Washington, após a mesma ter sido queimada pelo exército britânico.
- Desde 1800 há registros na história sobre roubo de livros por seus adoradores.

"Todo homem deve morrer, cedo ou tarde, mas bons livros devem ser conservados" (pag. 204 -Don Vicent, colecionador de livros, executado em Barcelona em 1836 por matar outro colecionador por ter oferecido maior aposta que a sua num leilão de livros - sua história serviu de inpiração para Bibliomania, de Gustave Flaubert)

Falemos então de Gilkey.
Gilkey chamou a atenção de Bartlett porque estava na lista dos procurados da ABAA por quase 2 anos, a estimativa é de que entre 1999 e 2003 havia roubado por volta de $100 mil em livros de negociadores nos EUA, e recentemente havia sido preso. Procurado pela autora, Gilkey decidiu ceder uma entrevista, entrevista que duraria quase 3 anos, e aos poucos Bartlett foi moldando o perfil do adorador de livros.

Gilkey não tinha o perfil de um criminoso. Os livros roubados não seguiam um certo padrão, como se fossem escolhidos aleatoriamente, os valores variavam (muitos nem eram tão valiosos), bem como gêneros e  períodos, e o mais interessante, nenhum dos livros roubados apareceu à venda na internet. Sanders estava convencido que ele roubava por amor.

Gilkey, na minha opinião, sofre de extremo egocentrismo. Quer ter o que não pode e culpa o mundo por suas privações - "se o hotel que eu paguei com um cartão de crédito roubado não devolve 'meu' dinheiro porque menti que a descarga quebrou, vou roubar todas as toalhas por vingança!". Ele rouba livros porque acredita que sua coleção o fará ser admirado por outros, que subirá de status social se tiver uma biblioteca com livros raros, não importa o preço que pague por seus erros ou se vai ser preso, não leva em consideração que em muitas das livrarias, os colecionadores levaram anos e anos juntando dinheiro e montando suas coleções - não apenas para vendê-los, mas para exposição para aqueles que não têm oportunidade de comprá-los ou possuí-los.

Todas aquelas pessoas amam livros tanto ou mais que Gilkey, a diferença entre eles está nos valores morais.

"Muitos dos amantes de livros que nos visitam, nunca tinham visto livros como esses, e as chances são de que nunca os verão novamente para o resto de suas vidas. Queremos que esses livros estejam com pessoas que os amem, que paguem por eles, que os apreciem (...) Quando ele (Gilkey) roubou aqueles livros, ele roubou de mim, dele (aponta para cliente), dela (aponta para a filha)"
(Lane Heldfond - vítima de John Gilkey - pag. 215)
O livro é interessantíssimo, cheio de dicas de boas livrarias por aqui pelo Norte e um pouco mais para o Sul da CA (endereços anotados para visitas em breve!), cheio de curiosidades, histórias de pessoas que marcaram a história devido ao seu amor e dedicação aos livros.

Quem quiser saber mais sobre história ou a autora, é só visitar o site: The man who loved books too much
Título dos livros roubados por John Gilkey: Treasure Island

2 comments:

Beth Cerquinho said...

Jú fala sério...rss se soubesse que estava assim tbém teria trocado as idéias lesadas com vc..rsss
Imagino a falta que deve sentir de suas amigas...mas tem um tempo pra tudo né?
Sou obsecada pelo terça Insana..já estou com o segundo DVD e cada personagem é uma descontração.
Ano que vem ( até parece que tá longe..rss) vou assitir os novos comediantes com novos quadros...depois te conto tudo.
Bjka e sinta se a vontade pra falar bobagens comigo..rss

Clarice said...

Ju,
Fiquei louca para ler esse livro. Não foi lançado no Brasil, né? Tomara que não demore!
beijos