"Nesse lugar, livros esquecidos por todos, livros que se perderam no tempo, vivem para sempre, esperando pelo dia em que estarão nas mãos de um novo leitor. (...) Cada livro que vês aqui já foi o melhor amigo de alguém." (Carlos Ruiz Zafón, The Shadow of the Wind - A sombra do vento)
Foto: Santa Cruz, CA, terminando a leitura de East of Eden
"Nesta nova fase comecei a ler como adolescente, como a quase mulher em que me ia transformando depressa. A querer os livros onde falassem de amor, os eternos e róseos romancinhos franceses, em que homens cheios de espírito e de tédio, cansados das sereias e dos paradoxos, se apaixonam pelas ingênuas de dezesseis anos".
Já faz quase dois anos que li esse livro e nunca comentei sobre ele.
Esse foi o primeiro livro que li que me causou desconforto, desconforto emocional. Lembro que passei noites sem dormir, não conseguia esquecer as imagens que minha mente formou enquanto lia. Terror.
Eu não lembro cada detalhe da história (assim depois de tanto tempo) mas decidi falar desse livro porque ele estava pertinho do livro do Edgar A. Poe, escolhido para o último Poema de Sábado (aqui), e lembrei que ainda não havia comentado sobre ele no A Ship Made of Books.
Lord of the Flies - O Senhor das Moscas, em português - conta a história de um grupo de crianças inglesas perdidas numa ilha - não lembro exatamente como elas chegaram lá e porque não havia adultos com elas - e a jornada travada por elas para sobreviver.
As primeiras crianças aparecem na praia - Ralph e Piggy são os primeiros a interagir mas logo outras aparecem vindas da floresta e em pouco tempo há um grande grupo de crianças. Uma pequena sociedade se forma, é preciso caçar para comer, é preciso se organizar, os menores são frágeis e dependentes, mas o instinto de sobrevivência dos mais velhos fala mais alto. As tarefas são divididas e Ralph é votado o lider do grupo até que Jack começa a reinvidicar o posto - vindo de uma educação mais rígida, com habilidades de escoteiro, ele acredita que tem mais capacidade de lidera-los, fora que também tem outros pertencentes ao seu grupo que o apoiam.
Lord of the Flies mostra como a sociedade gira em torno do poder e nisso há uma raiz malvada, não importa se são apenas crianças, há uma força interior que fala mais alto. Os fortes tentarão submeter os fracos às suas vontades, às suas leis, não importa o que terão que fazer - é a lei da selva, a lei da sobrevivência e luta-se com as armas que tem. Se Jack é bom caçador e consegue carne, os que desejam comer carne terão que aceitar Jack como lider.
Em um dado momento na história, os menores dizem ver "coisas" durante a noite e recusam-se a dormir, um certo medo se instala entre as crianças; outros dizem que ver alguém no topo de uma montanha e seria de lá que as "coisas" viriam durante a noite.
"A cabeça, pensou, parecia concordar com ele. Foge, disse a cabeça silenciosamente, volta para os outros. Foi piada, sério - porque se importaria? Estavas errado, só isso (...) Volta criança, disse a cabeça silenciosamente". (pag. 135)
Os maiores partem para o topo da montanha para investigar a "besta", encontram e matam um porco no meio do caminho e penduram a cabeça do porto como num cajado - e é a partir daqui que as cenas se tornam gráficas e aterrorizantes! - Simon passa a conversar com o crânio, que se chama de O Senhor das Moscas, e é como se o crânio começasse influenciar negativamente o comportamento daqueles que já tinham algo de mal em si - O termo senhor das moscas é uma tradução do hebraico para Belzebu, ou Diabo, e isso explica muito da história.
Jack torna-se cruel e tirano, usa a violência, a pressão psicológica e o medo para submeter todos ao seu poder. Ralph e Piggy tentam alertar os outros mas é como se o mal tivesse tomado cada espaço daquela ilha.
Li muitos comentários sobre esse livro, alguns dizem ser uma versão mais crua do The Animal Farm - A Revolução dos Bichos, mas a verdade é que a mensagem do texto é forte, forte até demais pra mim. Golding mostra ao leitor, numa visão apocalíptica, que nenhum paraíso escapa da força opressiva causada pela vontade do poder, nem mesmo aquelas crianças ali naquele cenário paradisíaco... uma ilha, com comida de fácil acesso, onde a simplicidade da natureza se apresenta diariamente... nem mesmo ali pode-se evitar a influência do mal, como se ele fosse inerente ao ser humano... Assim como foi no Jardim do Eden.
Escolha do Bookclub para o mês de abril, The Age of Innocence - A Época da Inocência, em português - ganhou o prêmio Pulitzer de Melhor Romance do Ano em 1921.
A história de The Age of Innocence começa em 1870 e tem a alta sociedade Nova Iorkina como ambiente. Wharton retrata tanto os conflitos particulares quanto o mundo exterior de seus personagens, seus papéis e influências na sociedade em que circulam, onde escolhas pessoais são restritas à classe e expectativas.
Existe uma tristeza constante nas entrelinhas, o leitor percebe desde o início que não é o indivíduo que controla suas ações e suas vontades naquele cenário, mas que ele é controlado pelas expectativas da sua família, pelo círculo social, e pelos padrões pré-estabelecidos.
Newland Archer e May Welland guardam a notícia do noivado para ser dada em momento oportuno mas a chegada da Condessa Olenska, prima de May, antecipa a notícia - a Condessa havia deixado o marido e a casa na Europa e voltado aos Estados Unidos, porque não mais aguentava aquele casamento sem amor e respeito. Era certo que a sociedade Nova Iorkina viraria as costas para a Condessa, afinal o lugar dela era ao lado do marido, não importa o quão ruim o casamento seja, há de se manter as aparências.
Outro detalhe é que os anos vividos em Paris transformam a Condessa em uma mulher européia, o que significa que ela tem idéias avançadas demais para a sociedade americana. Ela é independente, não segue padrões sociais, ela discute artes, música e literatura. Ela recusa ajuda financeira da família e do marido e mora em meio aos pobres. Ela vive a vida com a liberdade que muitas mulheres anseiam mas não têm coragem de assumir.
Quando a notícia do noivado de Archer e Welland vem à tona, a sociedade entende que a família Archer apóia a família Welland, a reputação de ambas continua intacta e a presença da Condessa é aceita. Até aí tudo bem, se não fosse pelo pequeno fato de que Newland e a Condessa se apaixonam... e é em torno dessa questão que a história se desenvolve... Newland Archer teria coragem de ir contra os preceitos sociais e assumiria seu amor por Olenska?
Através da narrativa de Wharton, o leitor percebe como valores são passados de geração para geração, como os filhos seguem os exemplos dos pais e copiam seus atos e comportamentos no futuro, e quão limitada e bitolada era a visão social da época, mas a vida real corre por baixo desse mundo de superfícies perfeitas.
Newland Acher acredita que May tem sua própria personalidade, que seus atos são baseados em suas próprias experiências, mas o casamento mostra que May é uma mera réplica da mãe e ainda pior, May não consegue quebrar a concha protetora em que vive, acredita que a sociedade é perfeita como é, que o mundo gira em torno do círculo social em que frequenta e dos amigos que convida para os jantares da família.
Aquela não era uma sociedade onde se apontava dedos, não havia acusações ou meia culpa. O conhecimento dos fatos era implícito. E o resultado para escândalos era educado, restrito, e devastador por dentro mas de cabelos perfeitos e as roupas impecáveis. Superficialidade.
"(...) e mais uma vez cresceu dentro dele a realidade de que casamento não é a âncora segura que ele foi ensinado a acreditar, mas uma viagem a mares desconhecidos" (pag. 36)
Geralmente as histórias têm um só climax mas The Age of Innocence tem vários, são tantos altos e baixos, tantos momentos em que o leitor pensa "é agora que a coisa vai!" e acaba não indo que no final eu comecei a achar que a história não tinha climax nenhum!
Alguns podem detestar o final, para mim foi frustrante logo que terminei e até mesmo quando discutimos o livro, mas analisando por outro ponto de vista não havia outro final possível, se Wharton tivesse terminado a história de um modo diferente não representaria a realidade daquele meio.
A história tem o final que deveria ter, mesmo com as mudanças e os avanços sociais e tecnológicos, o comportamento humano é inato e não se muda e Edith Wharton escreve com conhecimento de causa, uma vez que ela mesma viveu nesse círculo e sofreu na pele as limitações do código de honra social da época... o mundo pode mudar mas a mentalidade é a mesma!
"(...) Eu sempre digo a Ellen: Cuidado com a monotonia; monotonia é a mãe de todos os pecados mortais" (pag. 173)
Em 20 de abril de 1884 nascia Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, um dos poetas mais críticos da Literatura Brasileira. Seus poemas nada convencionais, expressam a agressividade e a tensão da sua visão cientificista, encaixa-se no Parnasianismo... alguns acham que é Pré-Moderno. Cabe ao leitor decidir.
Compartilho hoje com vocês, um dos seus poemas mais conhecidos e comentados...
Semana corrida, não consegui postar a tempo, mas ainda vale a pena comentar e homenagear!
Em 19 de abril de 1886 nascia Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho.
Sempre que sinto saudade da minha terrinha, lembro de Bandeira e seu lirismo, seu apego às coisas simples da vida, seu jeito de fazer piada do que muitos considerariam vulgar.
Deliciem-se!
O último poema
Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
Sexta passada tivemos reunião do Bookclub, discutimos The age of Innocence da Edith Wharton que comentarei em breve.
Marcamos a reunião na Livravria Kepler's... uma livrariazinha charmosa no centro de Menlo Park, conhecida por sempre abrir espaço para escritores locais (da Bay Area ou californianos) fazendo lançamento de seus livros - alguns anos atrás essa livraria não aguentou a pressão da concorrência (Barnes&Nobles e Borders) e teve que fechar as portas... uma grande perda para a comunidade de Menlo Park e os viciados em livros. Em pouquíssimo tempo, as portas foram re-abertas graças a doações de moradores e empresas locais que até hoje contribuem financeiramente para manter a livraria aberta. Nós agradecemos!
Mas então... a atração da noite girou em torno do Christopher Moore que lançou recentemente Bite Me. Há alguns meses atrás eu comentei sobre Bloodsucking Fiendsaqui, outra obra dele.
Achei no blog Estante de Livros uma lista dos livros dele em português (eu aqui só tenho em inglês, sorry!), eis aqui:
- Cordeiro: O Evangelho Segundo Biff, o Amigo de Infância de Jesus Cristo
- Fluke, or, I Know Why the Winged Whale Sings
- O Anjo Mais Estúpido
- O Anjo estúpido 2
- A Dirty Job
- Minha Besta
- O Bobo
- Bite Me: A Love Story
Christopher Moore lança Bite Me.
Mais um livro sobre vampiros - satirizando os vampiros, sejamos mais corretos! Uma de suas marcas é fazer piada com o que muitos levam a sério mas não é um humor negro, barato... é inteligente, faz rir sem ser forçado, e um detalhe que eu gosto em suas obras é que ele mistura personagens de outros livros seus, se o personagem encaixar na história nova ele põe no bolo - ele "contrata para o novo trabalho" como Christopher mencionou no lançamento de Bite Me, que por sua vez é a sequência do livro You Suck... Moore foi engraçadíssimo (como não poderia deixar de ser), super gentil e atencioso com todos... e eu saí de lá com minha edição autografada!
"Virgínia subiu precipitadamente a escada e trancou-se no quarto.
- Abre, menina - ordenou Luciana do lado de fora. Virgínia encostou-se à parede e pôs-se a roer as unhas, seguindo com o olhar uma formiguinha que subia pelo batente da porta. "Se entrar aí nessa fresta, você morre!" - sussurrou soprando-a para o chão. "Eu te salvo, bobinha, não tenha medo", disse em voz alta. E afastou-a com o indicador. Nesse instante fixou o olhar na unha roída até a carne. Pensou nas unhas de Otávia. E esmagou a formiga."
É a primeira vez que leio Lygia Fagundes Telles e me arrependo de não ter começado antes. Ciranda de Pedra é uma história forte e marcante, audaciosa para a época que foi publicada (1954), com personagens bem desenvolvidos e um enredo que prende a atenção do leitor do início ao fim.
Virgínia é a protagonista e é supreendente ver seu desenvolvimento durante a obra.
Quando Laura abandona Natércio para ficar com Daniel, Virgínia vem com ela, por ser a mais nova das crianças. Bruna e Otávia permanecem com o pai.
Virgínia adora o pai e busca detestar Daniel, mas ao mesmo tempo o admira, há alguma coisa nele que a atrai. Sente compaixão. Mas como ter compaixão se aquele homem separou sua família? Desejava morar com o pai e as irmãs, naquele luxuoso casarão, ser servida e tratada como Bruna e Otávia, mas no fundo - lá no fundo, Virgínia apenas queria ser aceita, ser amada, ter seu espaço na vida e na atenção dos outros.
"- Não podia deixar de acontecer isso, Virgínia. Nossa mãe está pagando um erro terrível, será que você não percebe? Abandonou o marido, e as filhas, abandonou tudo e foi viver com outro homem. Esqueceu-se dos seus deveres, enxovalhou a honra da família, caiu em pecado mortal!" (pag. 37)
Até aí tudo bem, se não fosse pelo fato que Laura desenvolve problemas mentais, entre depressão e alucinações e alguns poucos momentos de sanidade, Virgínia testemunha o declínio da mãe e é enviada para a casa do pai poucos dias antes de sua morte.
É evidente a discrepância no tratamento dado a Virgínia e não leva muito tempo para que ela mesma perceba, o pai a evita, a governanta a ignora, Bruna e Otávia ocupam-se em entreter os amigos e vizinhos, Afonso e sua irmã Letícia, e Conrado. Os cinco sempre juntos, como os anões de pedra do gramado, como que numa ciranda, sempre de mãos dadas. E de todos eles, o único que percebe a existência de Virgínia é Conrado, e é por ele que Virgínia se apaixona... ainda na sua infância. Ai, como ela queria fazer parte daquela ciranda.
"Lentamente Virgínia voltou-se para o gramado. Agora a ciranda de anões [de pedra] mergulhava na escuridão. Ali estavam os cinco de mãos dadas, Conrado, Otávia, Bruna, Afonso e Letícia." (pag. 113)
Virgínia é um personagem fantástico, do momento em que descobre a verdade, todas as decisões que toma demonstra uma força, uma maturidade sem precedentes. A verdade veio quando ela era ainda uma menininha - Piaget e Vygostsky diriam que tamanho trauma afetaria o desenvolvimento dessa criança - mas Virgínia usou todos eles para seu benefício, sofreu calada, em silêncio - mas ela não é perfeita, ninguém é - cai, comete erros, experimenta. Porém, suas dores serviram de alicerce para os valores que criou, para os estudos que buscou, para a mulher inteligente que se transformou.
O final é inesperado, as aventuras de Virgínia devem ter deixado alguns conservadores de boca aberta. Se tiverem a oportunidade, leiam Ciranda de Pedra. A temática causa impacto, Lygia tem um domínio sobre a linguagem impressionante, fora que o perfil psicológico dos personagens é perfeito. Precisa e ao mesmo tempo sutil, de uma coragem absoluta.
"(...) Lançou um olhar para a porta diante da qual - quantas vezes, quantas! - detivera-se ansiosa, à espera de uma palavra, de um gesto. Ah, como era importante para ela o mais ligeiro sinal de interesse. Mas sempre a encontrara fechada. Não seria agora que ele ira lembrar-se de abri-la. E, mesmo que o fizesse, era tarde para entrar." (pag. 119)
Eu amei a história e estava super ansiosa pra saber sobre o filme, li vários artigos sobre a filmagem... Julia Roberts viajando horrores por causa das gravações, e finalmente o trailer saiu.
O filme será lançado dia 13 de agosto aqui nos EUA.
Foi interessante ler Mário de Andrade depois de tanto tempo!
"Carlos também cantava o Tannenbaum mas desafinava. Não tinha voz nenhuma. Porém descobrira o perfume das rosas. Perfume sutil e fugitivo, ô! a boniteza das vistas!... Às vezes se surpreendia parado diante das sombras misteriosas. As tardes, o lento cair das tardes... Tristes. Surgia nele esse gosto de andar escoteiro, cismando. Cismando em quê? Cismando, sem mais nada. Devia ter felicidades quentes além... Estava pertinho do suspiro, sem alegria nem tristeza, suspiro, no silêncio do amigo luar." (pag. 42)
Quandi li Macunaíma eu deveria ter não mais que quinze anos e lembro ter achado o estilo do Mário muito carnavalesco pro meu gosto, aquelas características pesadas do Modernismo não me agradaram tanto.
Ler Amar, verbo intransitivo fez-me perceber o quanto eu tinha a aprender naquela época, eu meio que comparo o Mário ao Sherlock Holmes (favor não me condenem!), ele é tão inteligente que a sabedoria não cabe em si, ele tem tomadas rápidas, diretas, suas narrativas são alegóricas sim, mas cheias de emoção, ele é um narrador completo, em Amar, verbo intransitivo então, o narrador é bom de prosa, conversa com o leitor e ainda dá pitaco!
A história se passa no seio do lar dos Sousa Costas, uma família aristocrática da grande São Paulo, que como tal, segue piamente as regras de etiqueta da época. O pai é uma figura respeitada e exemplar para os filhos mas passa suas noites em bórdeis da cidade baixa enquanto a mãe, além de se importar com os eventos sociais, dedica-se à criaçãos dos quatro filhos (Aldinha, Laurita, MariaLuisa e o mais velho, Carlos).
"(...) Sousa Costa, se aproximava da mulher, ele tomava sempre o cuidado de não mostrar jeitos e sabenças adquiridos lá embaixo no vale. (...) nunca jamais ele trouxera do vale um fio louro no paletó nem aromas que já não fossem pessoais". (pag. 26)
Como um homem experiente, que conhece a realidade de sua raça, Sousa Costa sabia que não poderia deixar de instruir o filho no quesito sexual, para isso contrara Elza Fräulein como professora de alemão. Carlos desconhece o propósito do pai e como todo garoto em puberdade, não demora muito para notar as curvas da professora, e o encanto que ela provoca em si.
Fräulein é governanta e educadora sentimental e sexual de Carlos, e guarda dentro de si a idealização do amor romântico, eu diria até ultra-romântico, influência dos poetas alemães, Goethe, Schiller, etc. Através de Fräulein, Mário trava vários diálogos de exaltação ao povo alemão, que é mencionado como erudito e trabalhador. Poemas e canções são transcritos em alemão, assim como alguns diálogos entre Fräulein e Carlos.
"Você sabe: hoje esses mocinhos... é tão perigoso! Podem cair nas mãos de alguma exploradora! (...) Não é só bebida não! Hoje não tem mulher-da-vida que não seja etorônoma, usam morfina... E os moços imitam! Depois as doenças!..." (pag. 55)
A história não é separada por capítulos, a divisão dos episódios se dá através do espaçamento duplo entre os parágrafos - uma das características do movimento Expressionista europeu (que influenciou o movimento Modernista no Brasil). Outra marca do Modernismo fortemente presente em Amar, verbo intransitivo é a interrupção da narrativa para dar espaço a digressão do narrador - digressão que interrompe inclusive, a cena do primeiro beijo entre Carlos e Fräulein. Hilário!
Sem deixar de mencionar uma das características principais das obras de Mário de Andrade, a adoção do português falado nas ruas daquela época, o vocabulário popular - "se conseguir que se escreva brasileiro sem por isso ser caipira, mas sistematizando erros diários de conversação, idiotismos brasileiros e sobretudo a psicologia brasileira, já cumpri o meu destino" (Mário de Andrade em carta a Manuel Bandeira).
Mas enfim, porque Amar, verbo intransitivo?
Porque assim o é. Eu amo. Ponto. Amar é um verbo que não precisa de complemento, apesar que é bem melhor quando o tem. O resto vocês precisam testemunhar nas páginas do livro!
"É coisa que se ensine o amor? Creio que não. Pode ser que sim!!" (pag. 36)
Ontem tivemos reunião do Bookclub para discutir Anna Karenina, a conversa foi super animada... com um livro tão extenso havia assunto de sobra para comentar.
Levin e Dolly foram os personagens que todas nós gostamos:
Dolly - apesar da sua situação, para nós representou a única mulher realmente forte na história. Ela não aceitava o comportamento de Oblonsky, sentia-se humilhada de certo, e até chegou a invejar a vida nova de Anna, mas sua família vinha em primeiro lugar, e logo percebeu que apesar da luxúria e aparente felicidade que Anna vivia, tudo não passava de superficialidade... tomou para si a responsabilidade de educar os filhos, tentou amenizar ao máximo os efeitos dos gastos excessivos do marido e, apesar de ter cedido algumas vezes, decidiu reinvidicar as finanças de suas posses. Sentimos que no final da história, sua personagem foi meio que deixada de lado, o que é uma pena.
Levin - é curioso compará-lo com seus outros dois irmãos... Levin é o menos sociável e supostamente, o menos inteligente de todos por não querer se envolver com os problemas sociais que aflingiam seu país ou até mesmo sua vizinhança. Por nunca ter tido uma família sua, desejava infinitamente aquele aconchego das relações íntimas familiares, pensava que sua felicidade seria plena após casar-se... infelizmente não é assim que a coisa funciona. O vazio que realmente ocupa espaço em Levin é o vazio de perguntas não respondidas... porque estou aqui? existe um poder supremo? porque as pessoas acreditam tão piamente em algo que não veem? existe Deus? porque religião? Levin é inexperiente e impulsivo, o que fica bem claro após seu casamento e as discussões bobas que trava com Kitty.
Kitty foi uma das personagens mais completas (na nossa opinião)... acompanha-se o seu desenvolvimento durante a história... de uma garotinha fútil, que não vê a hora de arranjar um marido, para uma esposa, madura, que toma as rédeas em situações extremas, ela tem uma força e um vigor que surpreende, apesar de parecer frágil.
O personagem mais autêntico é Oblonsky - tem uma auto-estima contagiante e um carisma como poucos, apesar de ser um pai e marido negligente e irresponsável. O interessante é que Oblonsky se aceita como é, tem ciência de suas raízes fracas, sabe que não pertence realmente a uma família tradicional aristocrática mas não se diminui por causa disso. Sabe que seu posto na sociedade, seu emprego, foi conseguido por influência de terceiros mas não se envergonha e toma vantagem da situação, é um cara-de-pau à moda antiga.
Anna Karenina foi detestada por todas nós. Beth e Carmen detestaram Anna desde as primeiras páginas. Concluimos que Anna nem é a personagem principal da história, mas é interessante acompanhar seu declínio social e moral no decorrer dos capítulos. Concordamos que Anna, na verdade, não chegou a amar Vronsky... o que ela amava era a idéia de estar apaixonada, de ter a liberdade de escolher com quem viver, com quem se relacionar. Respondendo a pergunta do questionário do livro:
"Divórcio e um novo casamento teriam ajudado Anna Karenina? Se Anna tivesse vivido em nosso tempo, sua história seria diferente?" Se Anna casasse com Vronsky não acreditamos que mudaria muita coisa, porque Vronsky deixou bem claro no início da história que um relacionamento sério não era para ele, ele era um homem do mundo, das festas, da farra. Eles seriam felizes no início (como foram nos primeiros meses do relacionamento), mas logo depois Vronsky se cansaria (como aconteceu) porque a mágica da conquista teria passado. Se Anna vivesse em nosso tempo mas tivesse a mesma mentalidade, sua situação não seria muito diferente. Lógico que ela teria a liberdade de se livrar de um casamento ruim, mas com a mesma mentalidade, ela não saberia o que fazer com sua liberdade.
O personagem mais fraco: Alexey Karenin. Ele é um personagem curioso porque apesar de ocupar um cargo de poder, onde toma decisões importantes por seu país, Karenin nunca toma nenhuma decisão em sua própria vida. Começando por seu casamento com Anna Karenina, que foi forçado pela tia dela. Daí, quando começa notar o romance entre Anna e Vronsky, prefere ficar calado e deixar as coisas acontecerem até que Anna confessa tudo. Com a desculpa de preservar sua posição social, Karenin permite que Anna continue seu affair com Vronsky e assim por diante. De certo que Anna arruinou a vida do marido, mas ele foi permissivo. Depois de Anna veio Lidya Ivanova... sempre alguém tomando as decisões por ele, Alexey era sempre coadjuvante da sua própria história.
Decepção: Tolstoy ter totalmente excluído da história a personagem de Varenka. Se não desenvolveria o resto da história dela, porque colocá-la na história então? Deixou uma grande interrogação, até porque era um personagem com conteúdo, tinha uma história de vida interessante... fora que a situação com o irmão de Levin foi frustrante... teria feito mais sentido ter continuado a história dela com Sergey do que ter apagado ela do livro, como se nunca tivesse existido.
Se quiser ler meus primeiros comentários sobre a obra, clique aqui.
Para saber mais sobre a vida de Tolstoy, clique aqui.
Eu fui a primeira filha, a primeira neta, a primeira sobrinha.
Sobrinha de 4 tios saindo da adolescência para a vida adulta, que me usavam como atrativo para as pretendentes. Disputavam meu tempo e meus cuidados, um descanso para mamãe.
Lembro que visitei a casa de tanta gente, tantas pretendentes dos meus tios. Lembro que uma delas tinha uma casa grande na esquina que ligava duas avenidas e bem em frente a estação de ônibus, era uma barulheira... a mãe dela era professora de canto, a frente da casa era coberta de azulejos florais... lembro bem porque nunca gostei de nada floral.
Uma outra morava numa casa apertadinha, parede com parede com os vizinhos, lembro da cortina do corredor que era feita de penduricalhos que faziam tric-tric-tric cada vez que alguém passava por ela... essa colecionava carrinhos, aqueles carrinhos minúsculos de ferro... achava estranho uma menina colecionar carrinhos, meninas deveriam brincar e colecionar bonecas, não?
A que eu lembro mais detalhadamente era a que morava na maior casa de todas, numa rua estreitinha onde passava apenas um carro por vez... a casa era bem decorada e tinha o chão de mármore, sempre tão branquinho e uma cozinha aconchegante, sempre com uma delícia no forno, a mãe dela cozinhava tão bem e me enchia de guloseimas. Lembro do quarto dela, era um quarto enorme que dividia com as duas outras irmãs. Adorava aquele quarto, tão menininha, cheio de bordadinhos e brinquedos para meninas da minha idade, nem parecia quarto de alguém que já beijava na boca, pensava eu. Ela era a que parecia gostar de mim por mim, não apenas para conquistar um dos meus tios.
Mas lembro principalmente das minhas tardes na casa do vovô depois da escola... ele me colocava no tontom e me levava para passear de balsa, só para ver o pôr-do-sol do outro lado do Rio Negro, ele me explicava os diferentes tipos de peixe que víamos pela feira que passávamos. Ele me enchia de presentes, os discos de vinil coloridos de histórias, os discos da Xuxa, Angélica, eram sempre presentes vindos dele. Ele era o que sempre estava presente nas minhas apresentações do colégio... buscava o rosto do meu pai na platéia mas sempre encontrava o do vovô. Lembro das sopinhas que ele fazia, das árvores que plantamos juntos (inclusive o meu jambeiro), do balanço na árvore preparado por ele. Ele não era perfeito, eu, naquela idade, conhecia os seus defeitos, mas para mim ele era mais que um pai, meu avô foi meu herói, era perfeito como avô e isso me bastava.
Lembro que não era daquelas crianças super-hiperativas, era calminha, mas levei muitas palmadas da mamãe, nunca do papai e não deixei de quebrar o tornozelo jogando bola com meus primos. Namorei escondido. Tive minhas inquietações e revoltas. Cresci.
Mas porque estou relembrando tudo isso agora?
Outro dia fui visitar a minha amiga Lu e pela primeira vez li, super rapidinho, a história do Menino Maluquinho (Ziraldo) e a frase final me marcou... "ele foi um menino feliz".
Pode parecer sem importância mas eu me fiz essa pergunta: "eu fui uma criança feliz?". A principal meta de um pai é que seu filho seja feliz, educa-se, aconselha-se, repreende-se... mas no final, o que importa mesmo é que a criança seja criança e aproveite cada fase, cada momento, porque passa e passa rápido.
Eu me fiz essa pergunta e tentei volta às lembranças da minha infância, o que para mim é dolorido porque pensar na minha infância e adolescência me faz lembrar do meu avô, que faleceu dia 31/12/2001, e aquele nó na garganta vem com força - não tem como desconectar um do outro... mas hoje deixei as lágrimas correrem e relembrei, os detalhes vivos, como um álbum de fotos.
Sim, eu tive uma infância muito feliz, cheia de recordações, de momentos de gargalhadas, aprendizado... não somente mas principalmente porque tive a sorte de tê-lo, mesmo que por tão pouco tempo nas páginas da minha história. Saudade mais que imensa vô.
Nem sei por onde começar, honestamente! Agora me vem à cabeça o dia em que comentei sobre Pride and Prejudice and Zombies (resenha aqui)e mencionei que não estou nessa onde de vampiros, lobisomens, etc, etc, tão em alta ultimamente, fiz de tudo para passar longe desse estilo literário... deveria ter seguido os conselhos da minha avó "não cospe pra cima que cai na testa, menina!".
A situação é que meu pai me mandou livros na época do Natal e para minha surpresa Lua Nova veio no bolo, será que ele leu meu comentário e fez de propósito? Então, para fazer jus as R$ 24,90 que meu pai pagou pelo livro, li.
É aqui que não sei como começar... conheço muita gente que gosta da série, inclusive leitores do A Ship made of books, mas por favor entendam que não é pessoal, é apenas negócio.
Tentei ler o livro sem pensar no quanto eu não gosto dele, sério! Tentei não lembrar dos atores ruizinhos que fizeram o filme para não atrapalhar meu envolvimento com a trama (nunca vi o filme, mas os atores são ruins, isso eu sei!) mas foi mais forte que eu, mais forte que minha vontade de fazer jus ao dindim do papai.
A escrita é pobre, pobre de marré deci, tão ruim que beirou a breguice, fora o uso constante das mesmas expressões - contei a palavra torpor 12 vezes em 50 páginas. Sim, sim a história entretem e prende o leitor, mas BBB também entretem e isso não significa que seja bom, de qualidade (não assisto BBB gente, foi só para exemplificar).
Eu entendo que adolescentes gostem da história porque Edward reflete o desejo de muitas adolescentes, é popular sem querer, é "romântico" como toda garota deseja, diz o que elas querem ouvir (ler), tem aquele mistério, é rico e defende Bella de todo o perigo, "oooh, isso é tão romântico!". Mas eu não consegui me identificar com Bella, achei ela chata, manipuladora e interesseira. Não consegui tolerar a falta de respeito dela para com os pais - a quem ela chama pelo primeiro nome, Charlie e René. Os motivos mencionados por ela para querer virar uma vampira não me convenceram, soaram mais como uma menina mimada que não consegue escutar um NÃO - Edward ainda tinha argumentos mais repaldados.
Mas para mim, literatura significa muito mais que romantismo barato misturado a um pouco de drama, literatura é arte e Lua Nova não tem nada de artístico, quem gosta de literatura clássica, não precisa ser os romances da Austen ou Flaubert, que para alguns é água com açucar, mas digo Drácula (Bram Stoker), Frankestein (Mary Shelley), O corcunda de Notre-Dame (Victor Hugo) (resenha aqui), etc, têm mais conteúdo e inspiração do que Lua Nova.
Como disse Montesquieu em suas Cartas Persas "parece-me que, até que alguém tenha lido todos os livros antigos, não há nenhum motivo para dar preferência aos novos"
"- Antes de você, Bella, minha vida era uma noite sem lua. Muito escura, mas havia estrelas... Pontos de luz e razão... E depois você atravessou meu céu como um meteoro. De repente tudo estava em chamas; havia brilho, havia beleza. Quando você se foi, quando o meteoro caiu no horizonte, tudo ficou negro. Nada mudou, mas meus olhos ficaram cegos pela luz. Não pude mais ver as estrelas. E não havia mais razão para nada" (pag. 366)
Ontem assisti mais uma vez o filme "Must Love Dogs" (não achei o título em português), uma comédia-romântica com John Cusack (Jake) e Diane Lane (Sarah) que aborda divórcio e a busca de novos relacionamentos através da internet. No filme, o pai de Sarah, interpretado pelo ator Christopher Plummer, declama esse poema do dramaturgo e poeta irlandês William Butler Yeates, decidi então compartilhar com vocês porque é lindo!
Abaixo, trecho do filme em que o poema é mencionado (legendas em japonês, acredito eu, mas foi o único que encontrei no youtube).
Sei que tenho estado ausente e negligente com meu blog, nem o poema de sábado foi possível postar, tive aula de CPR, AED e First Aid das oito às seis e o cansaço foi tremendo. Também fui promovida e estou em treinamento. O terceiro e importantíssimo motivo é que estou me deliciando com a re-leitura de Anna Karenina, estou incrementando a leitura com fatos sobre a vida de Toltoy e lendo cada informaçãozinha do rodapé ou endnotes.
Eu sou uma super-fã de Tolstoy desde a primeira vez que li Anna Karenina (resumo aqui) (apesar que meu inglês ainda não era tão avançado quanto hoje) e eu havia pesquisado algumas informações sobre o autor quando primeiramente li a obra, mas como muitos já disseram e eu agora comprovo, cada vez que você re-lê um livro tem uma experiência diferente com a história, os personagens, etc. É exatamente isso que tem acontecido comigo, apesar que ainda guardo algumas das mesmas opiniões sobre alguns dos personagens, tem sido uma experiência diferente - diferente como? - hoje, com mais conhecimento de mundo e conhecimento histórico, consigo ver a obra de Tolstoy de um ponto de vista mais amplo, mais abrangente. Consigo não criticar a atitude dos personagens como outrora fiz; consigo, não simpatizar, mas compreender melhor a atitude de Anna sem detestá-la. Enfim, sim, tem sido um deleite.
O mais interessante é olhar a história quase como uma auto-biografia desse escritor que tanto me fascina. Muito de Tolstoy consta nas página desse livro, muito de sua experiência (negativa), angústia, dúvidas e testemunhos estão presentes nos personagens dessa obra.
Leo Nikolayevich Tolstoy nasceu em uma família aristocrática. Perdeu a mãe aos dois anos e o pai aos nove. A tia Alexandra, que passou a criá-lo, morre dois anos depois. Antes mesmo de chegar a adolescência, Tolstoy já tinha convicção de que a morte seria um elemento torturante e presente na sua vida. Cresceu sem conhecer como era conviver no seio de uma família completa.
A primeira fase da sua vida adulta foi marcada por libertinagem, era fanfarrão, gastava suas noites em salões de jogos e bordéis de Moscou, mas como que num passe de mágica, mudou de atitude e decidiu retirar-se da cidade, muda para o campo onde buscou melhorar a vida dos camponeses que trabalhavam na propriedade herdada dos pais. Pouco tempo depois, Guerra e Paz é publicado e Nikolai, irmão de Tolstoy, morre de tuberculose. Uma depressão profunda abate o escritor. Alguns anos depois o outro irmão de Tolstoy morre afogado.
Casou com Sophia em busca da vida familiar que sempre desejou e nunca conseguiu ter, tiveram 13 filhos mas outras ideias perturbam seu sossego... seus questionamentos sobre Deus, sobre religião, sobre a vida, sobre si - e é exatamente nesse período que começa a escrever Anna Karenina e a obra reflete em muitos capítulos tais questionamentos, através da vida de Levin, personagem que simboliza o próprio Tolstoy.
Assim como Levin, Tolstoy também era amigo de longa data da família da futura esposa, apresentado através do irmão de Sophie. Assim como Levin, Tolstoy teve paixão platônica pelas duas irmãs mais velhas de Sophie, até que finalmente casou com ela. O modo como Kitty é cortejada por Levin é uma réplica do cortejo de Leo e seus passos até o casamento. O trauma pela morte do irmão Nikolai é relembrado na hsitória no único capítulo com título - Death/Morte (Capítulo XX da Parte Cinco), através de Nikolay, irmão de Levin.
Assim como no final da história Levin tem um insight e se torna um cristão fiel, Tolstoy se converte ao cristianismo e tudo muda após sua conversão, suas obras finais são marcadas pela religiosidade extremista. Sua transformação foi tamanha que ele decidiu seguir ao pé da letra os preceitos do livro de Mateus - livrou-se dos seus bens para se dedicar aos pobres e abriu mão dos direitos autorais de suas obras. Seu ponto de vista religioso ficou tão severo que suas últimas publicações descrevem o casamento como "prostituição institucionalizada e socialmente aceitável", pregando a vida em celibato.
As experiências e reflexões de seus últimos ensaios serviram de inspiração para Mahatma Ghandi, entre outros.
Anna Karenina foi publicado em forma de folhetim, Tolstoy pretendia escrever a história em menos de um mês, mas acabou levando quatro anos para terminar, ao ponto que no final o escritor já estava "por aqui" com Anna, cuja graça, vitalidade, carinho materno e beleza aos poucos e dolorosamente iam se extinguindo no coração de Tolstoy, bem como na própria história.