Saturday, November 28, 2009

Poema de Sábado



Começando hoje, todo sábado será dia de poema no A Ship made of books. Percebi que tenho tantos livros de poemas e raramente os compartilho aqui no blog... T.S. Eliott, Emily Dickinson, Sylvia Plath, Edgar A. Poe e tantos outros.
Ontem eu e o marido estávamos lendo juntos poemas deliciosos (mais ele que eu, não tenho tanta familiaridade com o inglês arcaico) e então pensei... "hum, porque não compartilhá-los com os navegadores deste navio?"

O poema de hoje é parte do livro "Immortal poems of the English Language" por Oscar Williams.



There is a lady Sweet and Kind

There is a lady sweet and kind,
Existe uma dama doce e gentil,
Was never face so pleased my mind;
Nunca um rosto tanto agradou meu pensamento
I did but see her passing by,
E ainda que por mim a vi passar,
And yet I love her till I die.
Ainda assim a amarei até a morte.

Her gesture, motion, and her smiles,
Seus gestos, movimento, e seu sorriso,
Her wit, her voice my heart beguiles,
Sua graça, sua voz meu coração cativa,
Beguiles my heart, I know not why,
Cativa meu coração, o porquê não sei,
And yet I love her till I die.
Ainda assim a amarei até a morte.

Cupid is winged and doth range,
Cupido tem asas e sobrevoa,
Her country so my love doth change:
Seu país para que meu amor a faça mudar:
But change she earth, or change she sky,
Mas mude ela a terra, ou mude ela o céu,
Yet will I love her till I die.
Ainda assim a amarei até a morte.

Wednesday, November 25, 2009

Notre-Dame de Paris (Victor Hugo)

Tenho tanto, tanto para falar sobre "O Corcunda de Notre-Dame" que nem sei por onde começar. Lembrei do post do Sandro do Minerva Pop - "nunca tinha me deparado com a dificuldade em achar um forma para expressar minha opinião ou sentimento por algo." - no post sobre PJ Harvey.

Levei quase 1 mês lendo esse livro, que começou beeem monótono (e já explicarei o porquê), foi me prendendo aos pouquíssimos, mas me fez devorar a história perto do final.

Victor Hugo decidiu escrever a história após uma das suas muitas visitas a catedral de Notre-Dame, ao ler engravada em uma parede a palavra 'ANÁΓKH (DESTINO, em Grego). O fatal e melancólico significado da palavra tocou Hugo imensamente - quem poderia ter sido essa alma atormentada que não pode passar por aqui sem deixar sua infelicidade registrada na parede de uma igreja antiga? E por causa dessa palavra, Victor Hugo fundou a história, lançada em 1831 com o título Notre-Dame de Paris, sim a versão original não se chama "O corcunda de Notre-Dame", essa foi a adaptação e também culpa das traduções (para desgosto de Hugo).

Eis aqui o motivo da monotonia do livro. Comecei a ler interessada na história do Corcunda - e quando vi Victor Hugo encher páginas e páginas descrevendo, Paris, Notre-Dame e seus arredores pensei estar lendo a história errada (trocaram as capas!). O livro é dividido em livros ao invés de capítulos, e pode esperar por muita conversa sobre arquitetura, engenharia, filosofia, etc, etc, a história só começa a ser desenvolver realmente lá pela página 206. Hugo é extremamente descritivo, e quando eu falo descritivo, pode levar ao extremo, ele e Flaubert são perfeitos nisso!

Hugo é o narrador-onisciente, conversa e questiona o leitor durante toda a história - "O leitor provavelmente não esqueceu que..." (pag. 423) - e a história... bem, senta que lá vem ela.

Uma prostituta de Paris após anos de sofrimento e solidão deu a luz a uma linda menina, Agnes, perfeita e delicada.  Querendo saber o futuro brilhante que a filha teria pela frente, a mãe a leva aos ciganos que recentemente chegaram a cidade, para ter sua "sorte" lida. Poucos dias depois a criança some e em seu lugar é deixado um ser deformado, um monstro - "Não tentaremos descrever para o leitor aquele nariz tetraedro, aquela boca de pé de cavalo, aquele pequeno olho esquerdo escondido sob enorme sombrancelhas vermelhas; o olho direito desapareceu completamente embaixo de uma enorme verruga; aqueles dentes pontudos (...) seu rosto uma mistura de malícia, admiração e tristeza (...) a cabeça gigantesca com espetados cabelos vermelhos; entre seus ombros uma enorme corcunda (...) pés enormes e mãos monstruosas" (pag. 52).

 Os ciganos roubaram sua menina para sacrifício e deixaram de presente o próprio demônio - foi o que concluiu - a única lembrança é um lado do par de sapatinhos, feitos com todo amor pela mãe. A mãe? desesperada pela dor, perambula pelas ruas da sua cidade até desaparecer da vista dos moradores. Sua história de dor e sofrimento foi espalhada aos quatro ventos - "Porque para uma mãe que perde sua cria, todo dia é o primeiro dia. Sua dor nunca envelhece; embora as vestes do luto se tornem gastas e perdam a cor, o coração continua escuro para sempre" (pag. 331).

O monstrinho é levado a Notre-Dame - que de acordo com a tradição da época, é para onde todas os órfãos são levados para serem expostos e adotados - e após dias exposto, é adotado pelo vice-bispo de Notre-Dame, Claude de Frollo - que o chamou de Quasimodo, e o ensinou a ler e a escrever.

Frollo é um personagem super interessante - perdeu os pais durante a Peste Negra aos 19 anos, entrou em crise porque nunca tivera tempo para emoção, e decidiu ser o pai do pequeno Jehan de Frollo -"porque descobriu que o homem precisa de amor, que a vida sem um amor aquecedor nada mais é que uma roda seca, que range e roça nas curvas" (pag. 145).

Claude de Frollo era um homem com sede por sabedoria, devorador de qualquer fonte de conhecimento, estudou tudo o que se pode imaginar - de Filosofia a Medicina, e atingiu todos os graus de ensino, Licenciatura, Mestrado, e Doutor em Artes - Fluente em Latim, Grego e Hebreu - e quando não restava mais assunto no campo "legal", passou para o "ilegal", além da esfera do conhecimento empírico, as ciências ocultas - magia, alquimia, cabala - Nicolas Flamel tornou-se seu ídolo e sua meta era descobrir do universo, transformar metais inferiores em ouro.

Foto: Victor Hugo by Auguste Rhodin (de Young Museum, San Francisco, CA)

Quando Hugo começou a descrever de Frollo, lembrei do "O Código da Vinci" de Dan Brown - porque Frollo tenta montar o quebra cabeça, as mensagens subliminares deixadas de herança à História por membros de Sociedades Secretas Medievais - "Ah, Dan Brown não é nada de inovador - copiou a idéia de Victor Hugo, de quase 200 anos atrás".

Nesse processo de busca por sabedoria, vem as sutis críticas de Victor Hugo à Igreja Católica e seus religiosos demagogos, que pregam a virtude, a castidade, santidade mas são verdadeiros demônios, os maiores pecadores da igreja (como mais tarde na história, testemunharemos).

O tempo passa, Quasimodo cresce selvagem e com posto de tocador de sinos da catedral de Notre-Dame, os sinos são sua paixão, seus melhores amigos, e por causa deles perde a audição. Tem uma devoção por seu pai adotivo, a quem ama de sua maneira, e sofre calado as agressões verbais de Claude de Frollo, cada dia mais amargo por causa do destino escolhido pelo irmão Jehan, que já adulto virou um jovem bom-para-nada, irresponsável, festeiro e mulherengo, mas de bom coração.

Os ciganos tem a Corte dos Milagres como moradia principal - "os bons-para-nada de cada nação - espanhóis, italianos, alemães - de cada religião - judeus, cristãos, mohamedinos, idólatras - pedintes durante o dia, transformam-se em ladrões durante a noite; resumindo, um grande guarda-roupa, onde vestidos e nus daquele tempo  atores dessa eterna comédia na qual roubo, prostituição, e assassinato atuam nos pavimentos de Paris". (pag. 82)

La Esmeralda está entre eles mas não é como eles. Caminha pela cidade com seu bode (Djali - que Flaubert usou parou para nomear o cachorrinho de Emma Bovary, resenha aqui), tocando seu tamborim e dançando.

Impressionante o encantamento que Esmeralda causa nos homens ao seu redor. Mas ela se apaixona mesmo pelo bonito-mas-cabeça-vazia Phoebus, capitão da guarda de Luis XI, após Phoebus salvá-la do ataque repentino de Quasimodo, enquanto era seguida por Gringoire (outro!). Mas ela não guarda rancores, e quando Quasimodo foi espancado em praça pública, Esmeralda foi a única a ter compaixão e dá-lhe de beber.

Gringoire - não posso deixar de falar deste ser. Cômico, irritante e ao mesmo tempo cativante. Ele "casou" com Esmeralda, quando por acidente foi parar na Corte dos Milagres e os Truands decidiram enforcá-lo. Mas o casamento só rendeu uma boa amizade entre os dois e o amor de Gringoire por Djali, o bode de Esmeralda.

"Aos 16 eu quis escolher uma profissão. Tentei de tudo. Virei um soldado, mas não era bravo o suficiente. Virei um monge, mas não era santo o suficiente; até porque eu não era um alcóolatra. Em desespero, virei aprendiz de carpintaria; mas não era forte o suficiente. O que mais queria era ser professor. Verdade. Eu não sabia ler, mas isso não é obstáculo. Percebi, após algum tempo, que eu era, por uma razão ou outra, bom para nada. Então decidi virar um poeta e um rimador. É uma profissão que qualquer um pode ter, se é um vagabundo; e é melhor que roubar"
 (pag. 103)

Phoebus é o típico cafageste de qualquer história. Era noivo de sua prima mas adorava um rabo-de-saia (como diz minha avó). Gasta seu baixo salário nos bordéis da baixa Paris, bebe até cair com Jehan de Frollo, adora fazer juras de amor para menininhas inocentes para tirar proveito das coitadas e é isso que faz com La Esmeralda, que acredita em Phoebus e até aceita se entregar a ele, se não fosse Claude de Frollo (aqui vem ele!) aparecer e apunhalar Phoebus pelas costas e deixar Esmeralda para ser presa e condenada a forca por um crime que não cometeu.

Quasimodo salva Esmeralda no dia marcado para seu enforcamento e a esconde em Notre-Dame (vale lembrar que enquanto presa, Esmeralda recebeu a visita de Claude de Frollo, que declarou seu amor em um angustiado discurso - e fora rejeitado). Phoebus não morreu, mas também não moveu um dedo para evitar a sentença de Esmeralda, e as autoridades também não buscaram saber o estado de saúde de Phoebus - "Justiça naquele tempo estava muito pouco preocupada com correção ou precisão nos seus procedimentos contra um criminoso. Contanto que o acusado seja enforcado, isso era tudo que importava". (pag. 333)

Esmeralda também não esqueceu Phoebus e sabia que o amado vivia, mas isolada do mundo numa das torres da catedral, seu único contato com o mundo era Quasimodo, que a metia um medo terrível pela sua aparência deformada, mas não poderia esquecer que aquele corcunda salvou sua vida.
"Sozinha ela meditou nas palavras maravilhosas daquele ser monstruoso, impressionada pelo som da sua voz, tão rouca e estridente, e ao mesmo tempo tão gentil"
(pag. 363)
Quasimodo a amava, por certo. Assim como Claude de Frollo. Phoebus nem conta na história, porque para ele sempre foi aventura (mas a pobre Esmeralda não sabe disso e ainda tem esperanças!). Mas Victor Hugo fez questão de mostrar a diferença entre um amor vindo de um coração puro, inocente, sem pedir nada em troca como o de Quasimodo, e o amor vindo de um coração corrompido como o de Frollo.
"Ao acordar uma manhã ela viu na sua janela dois vasos cheio de flores. Um era brilhante, um bonito vaso de cristal mas rachado; tinha deixado toda a água escorrer, e as flores haviam murchado. O outro vaso era de argila, rude e comum, mas tinha mantido toda a água, de tal maneira que as flores continuavam vivas e seus botões a abrir" (pag. 376 - Quasimodo para Esmeralda, comparando seu amor com o de Phoebus)

No final Claude de Frollo que tanto buscou o conhecimento e provas científicas, viu-se destruído por um sentimento tão irracional - AMOR - que o levou a insanidade, tem coisa mais ignorante?

"(...) que seu ódio e perversidade não eram nada mais que amor vicioso, amor, fonte de bondade no homem, foi transformado em coisas horríveis no coração de um padre, e aquele homem constituía o que era, por se fazer padre, fez-se demônio".
 (pag. 350)

Não vou contar o final, mas não esperem por um final-feliz-a-la-Disney nem Hollywoodiano. Victor Hugo é nu e cru, fora que também é uma excelente aula de História. Hugo investiga a história e sua obscura conexão com o destino da humanidade. Durante a leitura, o leitor percebe o senso de estranhamento de Hugo com os acontecimentos e as mudanças que ocorrem diante de seus olhos, como por exemplo, o fato de a "moda" da época ser refletida nos monumentos históricos, muda o rei e muda o tipo de arte da cidade, o tipo de arquitetura usada na construção de templos, etc.

Muitos ficaram chocados com a obra quando publicada. Claro, a história não segue os traços românticos esperados para época, apesar de parecer ter em suas linhas um possível romance, Notre-Dame de Paris é uma tragédia e como tal vai seguir firmemente essa linha. O que muitos não aceitam é o fato de que Victor Hugo não escreveu a história pensando em desenvolver uma história de amor, não necessitamos de uma outra versão de A Bela e a Fera, Hugo sabia que sua história se transformaria num monumento histórico, uma relíquia obscura de uma era destruída, transformada em poeira.

Poeira é última palavra usada por Hugo, a que termina a história.

 "É o livro mais abominável que já foi escrito" (Goethe)
* Livro da Lista Rory Gilmore.

Sunday, November 22, 2009

Feira de Natal do Charles Dickens


Para aqueles que moram na Califórnia, ou melhor, no Norte da CA, próximo a San Francisco (Chico City), gostaria de informar que começa, no dia 27 de novembro, a feira de Natal em homenagem a Charles Dickens, com venda de livros, encenação de peças, comida, bebida, etc., vamos todos nos sentir em Londres!

Quem tiver a possibilidade de ir, por favor o faça porque vai ser SUPER!

Ingressos antecipados já a venda.
A feira vai até  20 de dezembro, de 11:00 às 19:00hs, no Cow Palace Exhibition Hall em San Francisco.
Estou indo no dia 13, quem quiser carona avisa!

Mais detalhes e fotos no site:

Tuesday, November 10, 2009

Say you're one of them (Uwen Akpan)

Ganhei esse livro de presente de aniversário, havia visto no site da Border's na manhã anterior e a foto da capa me chamou atenção, fora que foi uma das escolhas do Clube do Livro da Oprah Winfrey... curiosidade pra saber do que se tratava me fez lê-lo ASAP.

O autor, Uwen Akpan é um padre Jesuíta nascido na Nigéria, recebeu MFA (Master in Fine Arts) em Escrita Criativa pela Universidade de Michigan em 2006 e "Say you're one of them" é seu primeiro livro, lançado em Junho de 2008, super aclamado, por sinal!

O livro é um conjunto de short stories (5 no total), histórias duras e sofridas narradas por crianças de várias partes da África. Não espere final feliz e hoolywoodiano porque Akpan revela a brutal realidade vivida por muitas e muitas crianças africanas, sem amenizações... a única certeza é a incerteza em relação ao futuro que espera os personagens.

Quando penso em África, penso em miséria, fome, morte. Akpan fala disso e muito mais e dá voz às crianças africanas e deixa o leitor de coração apertado ao ler o que o ser humano é capaz de fazer devido as privações, miséria, por causa de conflitos religiosos ou por dinheiro.

A última história, e a que dá nome ao livro, trata de conflitos inter-tribais/raciais, se é que podemos chamar assim... é uma das mais tristes - Os pais de Monique são de tribos diferentes e quando a guerra entre as tribos começa, o pai (Papa) se vê entre o dilema de honrar sua tribo e seus ancestrais e matar a esposa ou ser morto por sua prórpia família - "Say you're one of them - Diga que és um deles" - é o conselho dado por Maman (a mãe) para Monique e para seu irmão para evitar que sejam massacrados no conflito por seus familiares.


"Meu marido, seja homem", Maman interrompe, olhando para o chão.
"Meu marido, você me prometeu."
(...) Ele se abaixa e fecha os olhos de Maman com as mãos trêmulas.
(pag. 350)

O que eu não curto muito em short stories é que quando você está entrando no clima da história ou conhecendo melhor os personagens, a história acaba, e como, no caso de "Say you're one of them" as histórias terminam com destinos incertos, fiquei com aquela sensação de impotência, de vazio, sabe?

É um livro com histórias de imenso impacto, Akpan soube como passar seu ponto de vista sobre os problemas que testemunha no seu país através dos olhos das crianças narradoras e personagens com compaixão e coragem, é comovente!

Wednesday, November 4, 2009


"(...) Ele descobriu que o homem precisa de afeto, que a vida sem o aquecimento do amor nada mais é do que uma roda seca, que range e roça nas curvas"
(Victor Hugo, O corcunda de Notre-Dame. Pag. 145)

"Happiness is only real when shared... A felicidade só é real quando compartilhada"

(do filme Into the Wild - Na Natureza Selvagem (post aqui), foi a crua verdade descoberta por Christopher McCandless no final da sua jornada pelo Alaska... pena que já era tarde demais)





Em homenagem a todos aqueles que acreditam que "All we need is love, love is all we need" e porque estou indignada com tanta guerra e falta de amor e respeito!

Friday, October 30, 2009

Pride and Prejudice and Zombies (Jane Austen & Seth Grahame-Smith)

Bom, como amanhã é Halloween, tomei coragem para vir aqui e falar de Pride and Prejudice and Zombies.

Preciso dizer de antemão que não estou nessa onda de vampiros, zumbis, lobisomens e tudo mais que tá super em alta ultimamente. Minhas amigas já me pediram resenha sobre Lua Nova, Crepúsculo, etc, mas sinto dizer que não me servem de inspiração para leitura, não é a minha praia!

Porque li Pride and Prejudice and Zombies, então? Porque sou super-hiper-fã da Jane Austen, e Pride and Prejudice (resenha aqui) é um dos meus livros/filmes favoritos e porque não tinha idéia do que fariam com a história... Mania que tenho de não ler os resumos da contra-capa!

Então... em Pride and Prejudice and Zombies temos todos os antigos personagens mas em versão carnificina e com direito a gravuras! Elizabeth Bennet é uma "samurai", bem como as irmãs, e lutam para defender a Coroa e suas terras contra os terríveis comedores de cérebro que durante os períodos de seca, rompem o solo e saem de seus túmulos.

Agora imagina uma Elizabeth duplamente ironica e durona, com músculos de anos de prática nas artes marciais chinesas, usando sua espada para degolar os zumbis... e o pior, para a nova Lizzy, livros são coisas de mulherzinha!

Mr. Darcy foi ensinado pelo renomado mestre japonês (que esqueci o nome, que ironia!) e é aqui que se trava o preconceito para com Lizzy, porque Darcy vê os ensinamentos chineses como inferiores. Nessa versão, Elizabeth não apenas nega o pedido de casamento de Darcy, como também lhe dá uma bela surra com toda sua habilidade nas artes chinesas.

Lady Catherine de Bourgh é a mais famosa samurai em Londres, sua fama como defensora do trono é conhecida por toda Inglaterra e após conhecer Lizzy, a critica pelo ensino inferior... deveria ter ido para o Japão, não para a China... sua mansão é protegida pelos melhores samurais do mundo, que viram presunto ao lutar com Lizzy, o que quase acontece também com a Lady Catherine, se não fosse pelo sentimento de Lizzy por Darcy.

A parte engraçadíssima, na minha opinião, diz respeito a Charlotte Lucas... a coitadinha foi atacada por um zumbi e contaminada com a praga, a única solução para que não morra no caritó (como diz minha avó) é casar com Mr. Collins. Só Elizabeth percebe a transformação de Charlotte, ela vai envelhencendo, a pele deteriorando, a fala cada dia mais debilitada (pior que o Cebolinha!!!) e a pobre comia cérebros escondidos para que Mr. Collins não percebesse - aquele marido zeloso que presta atenção na esposa, né? Após a visita de Lizzy, a transformação se completa e Lady Catherine é a responsável pela execução. Mr. Collins se enforca numa árvore e a família Bennet não corre mais risco de perder a casa.


Lá pela metade do livro não via a hora de acabar, "ai meu Deus, em que buraco me meti!" foi o que pensei... como consequência, assisti o filme por 1 semana, todos os dias... (sem brincadeira, pergunta do marido!)... só pra livrar minha mente daquela cena grotesca onde Mr. Darcy e Lizzy se casam para juntos defender suas terras daqueles seres horrorosos...

Leiam se gostarem, aposto que tem muitos que gostaram ou vão gostar, nem que seja para Halloween! rs.


PS: esqueci de mencionar que nessa sequência zumbilândica, há também o Sense and Sensibility and the Sea Monsters... vai que alguém queira ler!

Tuesday, October 27, 2009


"(...)ele se viu diante da estranha opção de ir tomar seu lugar no buraco da janela da capela, nem que fosse apenas pelo prazer de fazer uma careta para aquela multidão ingrata. 'Mas não,' ele disse para si mesmo, 'isso seria indigno; vingança não! Lutaremos até o fim. O poder da poesia sobre as pessoas é enorme. Conseguirei trazê-los de volta. Veremos qual dos dois vencerá - caretas ou belas-letras."
(O Corcunda de Notre-Dame, Victor Hugo - pag. 50)


Estava lendo a entrevista do Secretário de Segurança do Rio de Janeiro sobre a violência na cidade - após a derrubada do helicóptero da PM pelos traficantes - a entrevista me fez lembrar desse trecho de "O Corcunda de Notre-Dame" com a sutil ironia de Victor Hugo sobre a Política do Pão e Circo.

Dá a Copa do Mundo, dá Olimpíadas e o brasileiros esquecem da Guerra Civil no RJ, esquecem a desmatação da Amazônia, a corrupção descarada em Brasília, do sistema de saúde falido, dos analfabetos funcionais...

E Victor Hugo lá atrás em 1830 (por aí) já ironizava os franceses por terem memória seletiva em relação aos assuntos que realmente importam para a nação... mas logicamente que Pão e Circo nos remete ao Séc. III durante Império Romano... dá os gladiadores, joga pão que os romanos esquecem toda a miséria que vivem e ainda adoram o imperador!

Não é de indignar que uma prática tão antiga ainda seja usada?
E o pior, a população ainda cai! Dizem que nada se cria, tudo se copia... Tá na hora de copiar outras idéias porque ESSA levou o Império Romano a decadência e a França a uma Revolução...

Revolução... talvez seja isso mesmo que nós, brasileiros, precisamos!

Wednesday, October 21, 2009

Basta o primeiro passo...

Toda mudança de compartamento começa com uma idéia, quando a idéia é posta em prática... eis o que acontece...



Wednesday, October 14, 2009

The Time Traveler's Wife (Audrey Niffenegger)

Estava super ansiosa para comentar sobre esse livro, principalmente porque ainda tive tempo de ver o filme antes de sair dos cinemas para fazer uma comparação!


The Time Traveler's Wife (A esposa do viajante do tempo) bregamente traduzido para português como Te Amarei para Sempre - ainda com o terrível erro gramatical - conta a história de Henry DeTamble e Clare Abshire, os narradores-personagens.


Henry tem um problema... ele viaja pelo tempo. A primeira viagem acontece aos 4 anos quando à caminho do aeroporto, Henry e a mãe sofrem um acidente de carro. Mais tarde descobre-se que é uma doença cerebral, meio que comparada a epilepsia, Henry não tem controle sobre quando vai acontecer ou para onde vai mas sabe-se que há uma relação das viagens com forte tensão ou stress. Outro detalhe é que Henry não pode mudar nenhum acontecimento do passado, porque de fato, eles já aconteceram.


O modo como a autora apresenta a história, apesar de interessante, por vezes deixa o leitor confuso. Voltando no tempo, indo para o futuro, escrevendo sobre o presente. Tive que re-ler alguns capítulos e checar as datas para que os acontecimentos fizessem sentido.

No início tem-se a impressão que existem 2 Henrys - o que na verdade, é verdade - existe o Henry do presente - que ainda não conhece Clare, que trabalha na biblioteca Newberry, que é mulherengo, alcoólatra e festeiro - resultado do trauma da perda da mãe durante a infância e o abandono do pai após a morte da mãe; e o Henry do passado/futuro, que é o experiente, inteligente, viciado em livros, protetor e que viaja pelo tempo vivendo as mais loucas situações possíveis (não esquecendo que apenas o corpo viaja, roupas e acessórios ficam para trás... o que significa que ele chega nu, peladinho com a mão no bolso, aonde quer que vá e isso é sempre um enorme problema, não importa em qual época ou estação!).

Algumas vezes o Henry do passado/futuro viaja para o presente e encontra o seu EU do presente e trocam experiências (mas o Henry do futuro/passado evita contar o que vai acontecer consigo ou com outros!) - sei que parece doido, e é, mas vai por mim que o livro é daqueles que não se quer parar de ler.

Quanto mais para o futuro a história chega, melhor se entende alguns estranhos fatos contados no início e as peças do quebra-cabeça se encaixam - para isso é preciso ter boa memória!


O Henry do passado/futuro conhece Clare quando ela tem apenas 6 anos e acompanha seu crescimento durante suas viagens, ensina, protege e ajuda a moldar o caráter daquela que no futuro (dela) será sua esposa e no presente (dele) já é. Aqui ele tem uma vantagem sobre Clare, por já saber o destino dos dois.

Dois anos se passam sem que os dois se encontrem, e Clare sabe que a próxima vez que se encontrarem, ela conhecerá o Henry do presente.
(pag. 152-153)
"Eu não sou exatamente o homem que ela conheceu na
infância. Sou uma quase aproximação, que ela guiará sorrateiramente em direção ao EU que existe nos olhos da sua mente"


Quando Clare e Henry se encontram no presente, os papéis se invertem... Henry agora é o passivo, aquele que deverá aprender sobre si e que terá o caráter moldado e mudado por Clare... para fazer do Henry do presente o Henry do futuro (aquele que ela conheceu no passado... rs, ótimos trocadilhos!).

O que pode parecer uma vantagem muitas vezes é um peso porque deixa Henry totalmente vulnerável. Como ele não tem controle nenhum sobre onde irá, ele acaba vivendo um fato 2x, sofrendo duplamente (ok, tendo algumas alegrias duplamente também!), também não se sabe se ele vai parar nu na sala de casa ou no meio da rua durante o inverno em Chicago, num frio de -10º.

É muito fácil se identificar com os personagens, principalmente após o casamento, na chamada "vida a dois" quando o casal descobre as peculiaridades do parceiro, até então desconhecidas - Clare ouve Joni Mitchel e Henry, Shaggs (quando não estão juntos). Henry cozinha, Clare lava roupa - Henry consegue comer a mesma comida por 3 noites seguidas, Clare tem seus momentos de solitude e precisa ficar sozinha.
Na última página Niffenegger colocou um trecho da Odisséia de Homero e depois me toquei que realmente muito da história de Henry e Clare faz lembrar Odisseus e Penélope.

É uma versão moderna da Odisséia onde Henry, como Odisseus se vê obrigado a deixar sua esposa e viajar pelo tempo, é incontrolável, as aventuras são tamanhas, algumas perigosas, algumas nem tanto. Percalços são inúmeros mas o intuito é sempre o de voltar para casa e encontrar sua amada, que o espera pacientemente (virtude feminina, seria?).

O filme - confesso que estava esperando por decepção mas me enganei. Eric Bana não é o Henry ideal mas não posso reclamar, mas devo dizer que, para quem não leu o livro, o filme vai ser confuso e provavelmente não fazer muito sentido, por isso é melhor ler o livro... o filme é bem superficial nas características de cada personagem (Henry é viciado em Literatura - come, dorme, vive Literatura e Clare compartilha e mesma paixão - isso não se vê no filme - fora todos os incentivos à leitura e arte, enfim, ao erudito, ao intelecto, etc.).

O filme também distorce alguns fatos e ameniza outros e cortaram personagens tão importantes do livro, mas felizmente não mudaram o final!





Audrey Niffeneger é professora da Universidade de Columbia em Chicago. The Time Traveler's Wife é seu primeiro livro, lançado em 2003.

Thursday, October 8, 2009

By the Light of my Father's Smile (Alice Walker)

Comprei By the Light of my Father's Smile - Pela Luz do Sorriso de meu Pai, em português - por causa do título, dizem que não se deve julgar um livro pela capa (literalmente!) mas julguei que seria interessante e me decepcionei!

A história é narrada pelo Sr. Robinson, pai de Susannah e Magdalena. O detalhe é que Sr. Robinson faleceu de ataque cardíaco, e é durante seu enterro que a história começa, então a história é contada por um "narrador-fantasma", se é que isso existe! (rs)

O início é interessante - Sr. e a Sra. Robinson são antropólogos e ateus mas aceitam trabalhar como pastores de uma igreja numa cidade do México chamada Mundo, com o simples propósito de usar o dinheiro da igreja para estudar a cultura daquele povo.
Susannah é a doce e amigável filha, sempre teve uma forte ligação com o pai e Magdalena é o oposto - selvagem, obstinada, impulsiva. A hipocrisia do pai não foi o problema, o que afetou Magdalena e Susannah foi o fato de que o pai, sempre amoroso e amigável, acabou se transformando em um puritano e num desses ataques, espancou Magdalena por desconfiar que a filha esteria se relacionando com Manuelito. Esse é o ponto da história que muda o destino de todos os personagens.
Magdalena cria uma aversão ao pai e se indigna com a mãe por não tê-lo deixado após o ocorrido, por mais que Susannah tente perdoar o pai, Magdalena faz questão de sempre lembrar seu trauma e evitar a reaproximação da família.

Para preencher o vazio da infância perdida, Magdalena usa a comida, a armagura a torna vazia e solitária. Susannah não consegue criar raízes, está sempre a procura de algo que a preencha. Quando o livro começa, ela está casada com Petros (seu marido grego) mas logo se divorcia e engata um romance homossexual com Pauline, o que também não dura muito tempo e no fim acaba casando com o cunhado (irmão do ex-marido).

Sr. Robinson, narrador onipresente, e ao que tudo indica onisciente, narra desde as expressões de Susannah durante seu velório às relações sexuais da filha com o ex-marido e Pauline...

A autora então, mistura superstição com espitirismo, e ainda faz apologia à maconha enquanto prega suas ideologias políticas nas entrelinhas!
"A erva perfeita, na minha experiência,
disse Susannah, é sempre plantada por mulheres. Sempre plantada com amor. É uma planta que responde aos sentimentos" (pag. 173)

Decepcionante!

Extremamente decepcionante pra quem leu Alice Walker em "The Color Purple" - A Cor Púrpura, não dá para acreditar que ambos os livros são de mesmo autor.

A mensagem que a autora tenta passar se perde entre tantos assuntos alheios adicionados aos diálogos e faz o leitor perder o foco da narrativa.

Não recomendo!

Sunday, October 4, 2009

Into the Wild


Vi esse filme pela primeira vez em 2008, comprei o DVD e assisti ontem novamente, num daqueles dias que você sente que precisa de inspiração, sabe?

Into the Wild - Na Natureza Selvagem, em português - foi um livro de Não-Ficção, lançado em 1996 por John Krakauer e adaptado para os cinemas em 2007 com direção de Sean Penn.

A história, baseada em fatos reais, conta a jornada de Christopher McCandless em direção ao Alaska.

Nascido em uma família de classe-média em Virgínia, Christopher se rebela contra a hipocrisia e mediocridade dos pais para manter as aparências sociais.

* Foto: Google Images

"Tantas pessoas vivem infelizes e ainda decidem não tomar iniciativa para mudar sua situação porque estão condicionados a uma vida de segurança, conformidade, e conservadorismo, tudo o que parece dar paz de espírito, mas a realidade é que nada é mais perigoso para o espírito aventureiro dentro de nós, que um futuro seguro. O núcleo básico do espírito do homem é sua paixão por aventura. A alegria da vida vem dos encontros com novas experiências, e portanto não há maior alegria do que ter uma infinita mudança de horizonte, do que cada dia ter um diferente e novo
sol."
(Christopher McCandless)
Ao terminar a faculdade, parte em sigilo para sua aventura em busca de liberdade e auto-conhecimento, desfazendo-se de todos os seus bens materiais. Tendo como propósito o Alaska, Christopher, que adotou o pseudônimo de Alexander "SuperTramp" caminha, literalmente, por 2 anos em direção ao seu alvo, faz amigos e faz história, e tem Tolstoy, Louis L'Amour e Thoreau como companheiros inseparáveis!

"Rather than love, than
money, than fame, than fairness, give me truth"
-
"Mais que amor, que dinheiro, que fama, que leadade, dê-me a verdade"
(David Henry Thoreau)
O filme é inspirador, emocionante e toca profundamente aqueles, que como Christopher sofreram com pais repressivos, ou que projetam nos filhos aquilo que não puderam ser, ou qualquer que seja o conflito familiar vivido na adolescência. A intensa busca pelo EU, pelo QUEM realmente sou.

Embora o filme exagere um pouco nas aventuras de Chris e nos conflitos domésticos, poucas alterações foram feitas em relação ao livro, Sean Penn merece as aclamações pelo sucesso do filme, indicado ao Oscar em 2 categorias e vencedor do Globo de Ouro pela Melhor Canção Original.

"Por dois anos ele caminha pela Terra. Sem telefone, sem piscina, sem animais de estimação, sem cigarros. Liberdade suprema. Um extremista. Um viajante estético cuja casa é a estrada. Escapou de Atlanta. Embora não mais deverá voltar, porque 'o oeste é o melhor.' E agora após dois anos de divagação vem a final e maior aventura. A batalha climática para matar o falso ser dentro de mim e vitoriosamente concluir a peregrinação espiritual. Dez dias e noites de carona o trazem para o Grande Norte Branco. Para não mais ser envenenado pelas moscas da civilização, e caminha sozinho sobre a terra para se tornar perdido na natureza selvagem."
(Alexander SuperTramp - Maio 1992)




Thursday, October 1, 2009







Presente é ótimo, e todo mundo gosta...

Ganhei esses 3 selos como mimo da Laura do blog Mil Livros Mil Idéias. Obrigada, Laura!
Requisitos para o selo: Seu blog é um doce!
1. Link do blog que me indicou:
2. Indicar blogs para receber o selo:
- Abrir-se em Flor
- Cia do Livro
- The novel world
3. Citar características minhas:
- Metódica
- Temperamental
- Reservada
- Leitora compulsiva
- Boa motorista
- Perfeccionista
- Apaixonada, sempre
4. Citar doce preferido:
- Toffee Thins
Requisitos para selo: Esse blog é show!
1. Indicar blog que o repassou:
2. Palavras que qualifiquem seu blog:
É um pouco de mim... só!

Tuesday, September 29, 2009

The Great Gatsby (F. Scott Fitzgerald)


Fui apresentada ao Gatsby na faculdade através do filme. Decidi ler o livro porque além de ser um clássico, conhece-se mais sobre os personagens lendo o livro do que nos curtos 60 e poucos minutos de um filme.


"Então use o chapéu de ouro, se isso a moverá;
Se puder saltar alto, salte alto por ela também,
Até que ela grite 'Amado, chapéu-de-ouro, amado alto-saltador,
Preciso ter você!' "
(Thomas Parke D'Invilliers)

James Gatz era o nome legal de Jay Gatsby, mudado quando tinha 17 anos, período em que começou sua carreira, que por sua vez iniciou quando conheceu Dan Cody, seu melhor amigo e mentor.

Seu passado escondia sua pobreza, "conheceu" as mulheres cedo, e por ter sido estragado por elas, tornou-se desdenhoso: das jovens virgens porque eram ignorantes, das outras por serem histéricas.

Seu coração estava em constante tumulto, mas com a ajuda de Dan Cody, de quem herdou 25 mil dólares (o que na época - 1925 - era uma fortuna), visava um futuro promissor.

Enquanto no exército, conheceu Daisy. Encantou-se. A primeira "boa" garota que ele conheceu na vida. Nunca tinha visto uma casa tão bonita, mas o que o excitava mesmo era o fato de Daisy já ter sido amada por vários homens.

Na época, Gatsby era um pobretão sem passado, fingia ser o que não era. Percebendo que poderia ser desmascarado a qualquer momento, decidiu aproveitar cada momento, insaciável e inescrupulosamente. Porém, deu a Daisy a falsa impressão de segurança, fazendo-a acreditar que ele, Gatsby, pertencia ao mesmo nível social que ela, sendo completamente capaz de sustentá-la.

Sem perceber, apaixonou-se. Apaixonaram-se. Gatsby parte com o exército, tenta voltar para Daisy mas acaba indo para Oxford. As cartas chegam cada dia mais desesperadas. Daisy é fraca demais para enfrentar as pressões do mundo. Era jovem e sua vida artificial aos poucos apaga seus sentimentos por Gatsby. Poucos meses após a chegada de Tom Buchanan a Long Island, Daisy e Tom se casam.

Gatsby só precisava de um motivo para correr atrás do futuro que o esperava. Acumulou uma imensa fortuna, cuja fonte ninguém sabia e muito se especulava. Morava em uma mansão às margens do rio, de onde avistava a mansão de Daisy e Tom e buscava oportunidade para encontrá-la. Suas festas eram famosas mas Daisy nunca aparecia.

A história é narrada por Nick, primo de Daisy que coincidentemente alugou uma casa ao lado da casa de Gatsby, e é exatamente Nick o responsável pela reaproximação dos dois (contra sua vontade, diga-se de passagem).

O simbolismo da história gira em torno dos Olhos Gigantes do Doutor T. J. Eckleburg, o que deveria ser uma enorme placa de propaganda de um oftalmologista... eram gigantescos olhos azuis, sem face, com um par de óculos amarelos seguros por um nariz inexistente. Os Grandes Olhos testemunham vários eventos na história (das traições de Tom Buchanan aos pensamentos macabros de George), são como os olhos de Deus vistoriando a vida dos mortais.

O que marca na história de Gatsby é o impulso, a determinação do personagem, todos os seus passos até o reencontro têm como destino tê-la de volta. Apesar dos meios escusos usados para conseguir sua fortuna, Gatsby tem um coração puro, sua fortuna é imensa mas seu coração é vazio e carente por Daisy, tem muitos conhecidos e poucos amigos que guarda com afeto, Nick se tornou um deles.

O contraste entre Daisy e Gatsby faz o paralelo na história. Daisy é fútil, nasceu, cresceu e sempre viveu na riqueza e com poucos valores morais, não tem caráter, casou com Tom porque era rico e influente,seria ela capaz de deixar o marido por Gatsby, que apesar de rico, não tem passado, não tem história?



"Eles são pessoas negligentes, Tom e Daisy - eles esmagam coisas e criaturas, e depois se escondem no seu dinheiro e vasta negligência, ou qualquer coisa que seja que os mantem juntos, e deixam que outras pessoas limpem a sujeira que fizeram..."
(pag. 179)
* Livro da Lista Rory Gilmore.

Wednesday, September 23, 2009

My Sister's Keeper (Jodi Picoult)

Se você tiver a oportunidade de ler um livro, leia My Sister's Keeper.

Primeiro, o modo como foi a história foi escrita prende a atenção do início ao fim. Segundo, é de uma sensibilidade sem tamanho, controverso, de partir o coração e muito fácil de se identificar e um final que te deixa chorando por um longo tempo mesmo depois de fechar o livro...

Os pontos negativos: As passagens que explicam os termos médicos e técnicos sobre a doença... são complicados e longos, confesso que só passei o olho por essas partes.

Anna Fitzgerald é a personagem e narradora principal. Foi planejada com características genéticas perfeitas para ser doadora da irmã Kate, diagnosticada aos 2 anos de idade com um tipo raro de Leucemia. A meta inicial seria a doação do cordão umbilical mas a doença progride pouco tempo depois e por volta dos 5 anos, Anna começou a doar sangue e medula óssea periodicamente.

Aos 13, Anna decide buscar emancipação médica porque agora são os rins de Kate que estão falhando devido a anos e anos de quimioterapia e forte medicação. Contrata Campbell Alexander como seu advogado para processar os pais, que logicamente, estão em choque com a notícia.


"Na minha primeira memória, tenho três anos de idade e estou tentando matar minha irmã. Algumas vezes a recordação é tão clara que eu posso lembrar a coceira da fronha do travesseiro na minha mão, a ponta aguda do nariz dela
pressionado na palma da minha mão."

(pag. 43)
"(...) Dr. Chance nos contou algum tempo atrás que é assim que funciona - o corpo do paciente fica totalmente usado e cansado por tanto tempo de luta. Pouco a pouco, partes do corpo começam a desistir. No caso de Kate, são os seus
rins."


O leitor tem a posição privilegiada de conhecer todos os lados da história uma vez que cada capítulo é contado por um dos personagens: Anna, Kate, Campbell Alexander, Sara (mãe), Brian (pai), Jesse (irmão) e Julia (guardiã ad litem apontada pela corte).

Através dos Fitzgerald percebe-se todas as dores que o Câncer pode trazer para uma família. Não destrói apenas o corpo e a mente do doente mas desestabiliza e desestrutura aqueles que o cercam.

Sara luta para salvar a vida de Kate mas esquece a criação dos outros 2 filhos que se sentem usados e ignorados.

Brian (que trabalha como bombeiro) sente-se melhor quando recebe chamadas de emergência do que junto da esposa e dos filhos - por várias vezes viu Kate a beira da morte, implorou para que a esposa deixasse a filha partir mas Sara nunca desistiu.

Jesse como forma de rebeldia torna-se alcoolatra, furta, põe fogo em casas, droga-se...

A vitória de Anna significa a derrota de Kate...

O filme foi lançado aqui nos EUA em Junho desse ano e estréia no Brasil em Outubro com o título Uma prova de Amor. Tem Cameron Diaz no papel de Sara, e Abigail Breslin como Anna.

Não assisti o filme, ouvi ótimas críticas sobre atuação de Cameron Diaz MAS li que Jodi Picoult ficou decepcionada porque mudaram o final...









* Livro da Lista Rory Gilmore.

Sunday, September 20, 2009

Estou no cinema com marido e enteada. Estamos assistindo os trailers quando vejo o marido tirar do bolso o BlackBerry. Vai colocar no silencioso, penso eu. Olho novamente, Internet Explorer abre na tela. Yahoo Mail. LinkedIn. Facebook.

Uma voz me vem na garganta. Incontrolável. Dá pra parar e guardar o celular, eu falo. Ele me olha surpreso. Continua "surfando". Guarda esse telefone agora, repito. E uma conversa em susurros começa. Ele argumenta, eu contra-argumento. Vou embora, é o que penso. Sair do cinema, ir embora para casa.

O que está acontecendo com as relações interpessoais? Com a socialização? Com a conversa olho no olho? Tô no Starbucks e vejo pessoas sentadas frente a frente, cada uma com seu Iphone, BlackBerry ou "Strawberries" (o que seja!) em mãos, fingindo ouvir um ao outro enquanto checam seus emais e sites de relacionamentos.

Estou na casa de amigos assistindo um filme - T. a cada 10 minutos checa o Iphone... o marido que antes criticava, agora tá com a mesma mania. Hipocrisia!

Sou intolerante! Sim, não tolero essa falta de educação e desrespeito que tem tomado conta dos relacionamentos contemporâneos, onde pequenos instrumentos conectados wireless pelos benditos fios de fibra ópticas parecem ser mais importantes que a minha conversa com meu melhor amigo, com os meus colegas de trabalho ou o filme que paguei $13 para assistir. Indignação!

Sou eu a única a notar isso?

Tuesday, September 15, 2009

Lolita (Vladimir Nabokov)

Não sei de onde veio minha curiosidade por Lolita, se foi a polêmica em torno da história (que se renova de tempos em tempos) ou em torno do Nabokov.

Depois de ler o livro e toda a história por trás da história, na minha opinião o processo, o tempo e os questionamentos de Nabokov ao escrever Lolita são mais interessantes que o livro.

No primeiro manuscrito (que foi destruído), toda a história se passava na França, outros tantos detalhes eram diferentes mas Nabokov sempre teve a fixa idéia de que o HOMEM casaria com a MÃE para se aproximar da FILHA.

Anos mais tarde, já nos Estados Unidos, Nabokov voltou com a idéia da Ninfeta, dessa vez com cenário americano, a garota tinha sangue Irlandês, e a idéia fixa foi usada... Pensou em desistir, foram anos até o livro ficar pronto. Editoras se recusaram a publicar tal história, queriam mudá-la, chocados!

São poucos os que leem o livro até o final. Aqueles que começam com a idéia de que a história será devassa, impudica e cheia de cenas eróticas do começo ao fim se decepcionam e param lá pela página 188. E essa técnica foi intencionalmente usada por Nabokov.

Sim, depois que Humbert "descobre" Dolores Schiller - a Lolita, a história contém progressivamente mais erotimo, erotismo com várias alusões do impulso psicológico e desejos irreprimíveis de um pervertido.

Quando pára, pára totalmente! E é o que decepciona grande parte dos leitores, e a história se torna chata e monótona.


"Eu sabia que tinha me apaixonado por Lolita para
sempre; mas eu também sabia que ela não seria para sempre Lolita"
(pag. 65)
A história começou a ser escrita por Humbert 65 dias após sua prisão, escrita como um memoir, homenagem àquela a quem Humbert dedicou parte de sua existência, e o seu amor eterno.
O romance durou apenas 2 anos, entre viagens de uma ponta a outra do mapa americano, algumas tentativas de uma vida normal, tantas outras viagens, entre motéis, hotéis e cabanas, e sexo... diariamente, até que Lolita fugiu.

"Gradualmente se tornou claro para minha convencional Lolita
durante nosso singular e bestial amasiamento que até mesmo a mais miserável das famílias era melhor que a paródia do incesto"
(pag. 287)

Outros tantos anos Humbert gastou procurando sua menininha, seguindo os rastros de Lolita e seu "sequestrador". Sem sucesso.

Nem o choque pela perda de Lolita o curou da pedofilia, sua natureza maldita não poderia mudar. Em playgrounds e praias, seus pesados e furtivos olhos, contra sua própria vontade, ainda procuravam o brilho das coxas das ninfetas. Todavia, nunca tocou em nenhuma outra ninfeta além da sua Dolores.

Lolita reaparece na história quando escreve uma carta ao "Pai" dizendo estar casada e grávida e pedindo dinheiro. Essa é a última vez que Humbert põe os olhos em sua pequena, visivelmente usada aos 17, mais alta e usando óculos, imensamente grávida... e Humbert teve a certeza que a amava mais do que qualquer coisa no mundo. Descobriu a identidade do sequestrador.Implorou. Implorou pela presença de Lolita.

" 'A-adeus!' ela cantou, meu doce imortal e morto amor
americano; porque ela está morta e imortal caso esteja lendo isso. Eu digo,
porque esse é o acordo formal com as chamadas autoridades"
(pag. 280)
Como ele acaba preso? Não porque foi denunciado pela menina, mas porque matou aquele que a tirou de seus braços... e a história se fez conhecida.

PS: o livro foi publicado finalmente em 1955, por Olympia Press, editora francesa.

Thursday, September 10, 2009

The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society (Mary Ann Shaffer & Annie Barrows)

Encantador!
É a primeira palavra que me vem a cabeça quando penso em The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society. Daí eu leio sobre as autoras (porque achei estranho um livro que nem é assim tão longo, ter tido duas escritoras)...

Mary Ann Shaffer começou a escrever a história em 1980 depois de uma viagem frustrada para Londres onde pesquisaria sobre o livro que escreveria. Foi parar em Guernsey (uma ilha no Canal da Mancha) e dramática como só ela, desistiu da viagem após ficar presa no aeroporto por causa da neblina. Enquanto esperava o vôo foi bisbilhotar a livraria local, resultado? Comprou vários livros sobre a invasão alemão à ilha durante a II Guerra Mundial, e deles surgiu The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society.
Ok, ok mas isso não explica como Annie Barrows entra na história... Na época que o livro chegou a mão das editoras, Mary Ann ficou doente e pediu auxílio a sobrinha Annie Barrows na continuação e edição da história. Mary Ann Shaffer faleceu no início de 2008 com o conforto de que seu primeiro e único livro seria um sucesso!
A história é contada através de cartas, o que faz a história tremendamente intimista. Enquanto viaja divulgando seu livro, Juliet Ashton compartilha suas experiências durante a II Guerra com sua audiência e como naquela época (1946) não havia internet, comunica-se por meio de cartas com seus amigos, e é através delas que conhecemos cada um dos personagens.
"Pergunto-me como o livro chegou a Guernsey?
Talvez existe algum de tipo um instinto caseiro secreto em livros, que os
trazem para os seus perfeitos leitores."
Diz o ditado que um obstáculo está superado quando temos a capacidade de rir dele, é exatamente isso o que Juliet faz, faz humor das dificuldades e traumas vividos durante a invasão alemã à Inglaterra, característica que a acompanha durante todo o livro.

Toma conhecimento da The Guernsey Literary e Potato Peel Pie Society ao receber uma carta de Dawsey Adams, morador da Ilha de Guernsey. Dawsey teve a sorte de encontrar na livraria local durante a invasão alemã, um livro de Charles Lamb que um dia pertencera a Juliet (que por sua vez, havia escrito seu nome e endereço na contra-capa do livro). Como o livro saiu da Inglaterra e foi para em Guernsey é uma incógnita mas é a partir da primeira carta que a história da Sociedade Literária começa a se desvendar.

A Sociedade Literária e Torta de Pele de Batata de Guernsey foi criada com o intuito de encobrir os jantares regados a carne de porco dos moradores de Guernsey durante a invasão - A aquela altura da guerra, comida se tornou extremamente escassa e os soldados alemãs confiscavam parte dos alimentos para consumo das tropas. Mrs. Maugery teve a idéia de esconder porcos no porão e uma vez por semana, convidava amigos e moradores próximos que sabia estar passando por dificuldades, para participar do banquete. Numa dessas noites, Elizabeth McKenna, Dawsey e John Booker foram flagrados pelos soldados alemães voltando para casa (desrespeitando o toque de recolher)... a esperta Elizabeth rapidamente bolou uma desculpa, estavam na casa de Mrs. Maugery participando de uma Sociedade Literária.

Notícias da Sociedade Literária chegaram aos ouvidos dos oficiais alemães que prometeram uma visita. Elizabeth e Mrs. Maugery não viram outra solução senão a de comprar e emprestar o maior número de livros possíveis e "fingir" ter uma Sociedade Literária caso os oficiais aparecessem... E assim aconteceu a primeira reunião... E desde então, uma vez por semana os moradores se reunem, mesmo depois da partida dos alemães e do fim da guerra porque no final, cada um descobriu uma paixão secreta pela leitura. Leitura de qualquer tipo, alguns liam livros de receitas, outros de agricultura, outros preferiam as biografias, outros as poesias... os romances, os históricos... cada um descobriu sua identidade literária, argumentando e defendendo suas idéias e pontos de vistas.


"Após dois membros terem lido o
mesmo livro, eles argumentam, o que é o nosso grande deleite. Nós lemos
livros, conversamos livros, argumentamos sobre os livros, e nos tornamos mais e mais queridos um pro outro." (Pag. 51)
Will Thisbee foi responsável pela inclusão de "Torta de Pele de Batata - Potato Peel Pie", porque ele não viria para reuniões se não tivesse comida, e por causa da escassez de alimentos, Will criou a torta de pele de batata: purê como recheio, beterraba escorrida para adoçar e pele de batata para crosta.

Convidada pela TIMES para escrever um artigo que viraria livro, Juliet tem a idéia de escrever sobre a Sociedade Literária, sua criação e a II Guerra do ponto de vista de Guernsey. Recebe dezenas de cartas de outros moradores contandos suas experiências sobre a guerra e como tornaram-se membros da Sociedade Literária. Aos poucos Juliet foi se envolvendo com a história da ilha, compartilhando as emoções dos escritores. Sua curiosidade foi tanta que decidiu visitar Guernsey e nunca mais saiu de lá.

Não posso esquecer de mencionar a heroína da história - Elizabeth - todos os correspondentes tinham uma história pra contar que envolvia Elizabeth, sua coragem desafiadora, sua rebeldia e sua luta para ajudar os moradores de Guernsey, criticada por muitos e amadas por tantos outros, Elizabeth tem sua história contada através da vida daqueles a quem ela ajudou. Foi aprisionada e deportada para um campo de concentração alemão mas deixou um fruto... Kit, sua filha. Fruto de sua paixão por um soldado.

Nunca é possível conhecer os verdadeiros dramas de uma guerra a não ser que se seja um dos personagens... pouco se sabe do sofrimento daqueles soldados alemães também, quando falam de II Guerra Mundial, falam do massacre aos judeus, falam de Hitler e se tem uma coisa que me irrita (e já irritava antes mesmo de ler esse livro) é o fato de parecer que os judeus estão sempre tentando esfregar na cara do mundo o quanto sofreram naquela guerra.

Veja bem, não sou contra judeus, não estou dizendo que os atos cometidos contra eles não são repulsivos e cruéis... SIM, são. Mas também não se pode esquecer que eles não foram os únicos a sofrerem com a II Guerra, muitos franceses, italianos, ingleses, e os próprios alemães, foram mortos e torturados e tiveram suas famílias desfeitam por causa da guerra. E nem todos os alemães concordavam com as ações de Hitler, nem todos os seus soldados foram cruéis e desumanos e muitos estavam ali para evitar que suas famílias fossem massacradas pela Fúria.

E Elizabeth sabia desse fato, sua paixão por Christian Hellman não foi uma traição aos seus princípios e ideais. Planejavam casar quando a guerra terminasse, e o fariam, se o navio alemão que levava Christian de volta a Alemanha não tivesse naufragado.

Juliet tem uma ligação forte com a história de Elizabeth, e consequentemente com Kit, cuidada com tanto amor e atenção por todos os amigos de Elizabeth, que a protegem e educam.

A vida em Guernsey é simples, vida de interior, mas é tudo que Juliet precisa depois de anos na loucura de Londres. Morando na casa que um dia fora de Elizabeth, Juliet tenta pensar como ela, sentir como ela, para escrever seu livro com Elizabeth como narradora, tem esperanças de que Elizabeth voltará a qualquer momento para retomar a vida onde parou... No final descobrem que Elizabeth fora morta no campo de concentração. Kit agora órfã é adotada por Juliet, que nega o pedido de casamento de Mark... e no final casa com Dawsey.

É incrível como o leitor termina com uma relação de intimidade com os personagens do livro, parece que os conhecemos de longa data, parecem nossos amigos de infância. É uma história de sobrevivência e heroísmo, de traumas e sofrimento mas ao mesmo tempo engraçada e tocante. Uma linda celebração à Leitura e como ela ajuda a aproximar as pessoas em tempos difíceis.


"Isso é o que eu amo em livros: uma coisinha te
interessa em um livro, e essa coisinha vai te levar a outro livro, e alguma
outra coisinha lá vai te levar a um terceiro livro. É geometricamente
progressivo - tudo sem um final a vista, e não por outro motivo a não
ser puro prazer." (pag. 12)
Vale muito a pena ler!


Alguns dos livros citados em The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society:
- Selected Essays of Elia (Charles Lamb)
- Selected Letters (Charles Lamb)
- Wuthering Heights/O morro dos ventos uivantes (Emily Bronte)
- The Pickwick Papers (Charles Dickens)
- Ill-Used by Candlelight (Amanda Gillyflower)
- Jane Eyre (Charlote Bronte)
- Agnes Grey (Anne Bronte)
- Shirley (Charlotte Bronte)
- The Tenant of Wildfell Hall (Anne Bronte)
- Selections from Shakespeare
-Poetry (Wilfred Owen)
- Poems (William Wordsworth)
- The Oxford book of Modern Verse (W. B. Yeats)
- The Letters of Seneca (Lucius Seneca)
- Past and Present (Thomas Carlyle)
- Meditations (Marcus Aurelius)
- Elspeth the Lisping Bunny (acredito que Shaffer ou Barrows inventou esse, porque não achei em lugar nenhum, a não ser no livro! - com esse título também, há de se esperar - Elspeth o Coelho da Língua Presa)
- Pride and Prejudice (Jane Austen)
- The Canterbury Tales (Geoffrey Chaucer)
- The Sir Roger de Coverley Papers (Joseph Addison & Richard Steele)

Friday, August 28, 2009

Esperança


As vezes parece que nossos problemas são os únicos e maiores do mundo...
As vezes parece que as forças acabam e os músculos são inúteis...
As vezes parece que as palavras positivas são em vão...
As vezes um abraço e um olhar não são suficientes...
As vezes parece que ninguém escuta os gritos do nosso coração...
Mas quando, no que parecia mais um dia desanimador, tem-se a oportunidade de presenciar um nascer-do-sol como esse...
Ah! As esperanças se renovam... renovam-se porque Alguém, não se sabe quem e não se sabe de onde... Decidiu me desejar TENHA UM ÓTIMO DIA da maneira mais deslumbrante!

Esse Alguém eu chamo de PAI!

Obrigada PAI por nunca esquecer de mim e por "renovar minhas esperanças ao amanhecer!"
Foto: celular - San Jose, CA - 08/28/2009 - 6:30 a.m.