Sunday, October 2, 2011

Me Talk Pretty One Day (David Sedaris)


"Mudei para Paris com esperança de aprender o idioma. Minha escola ficava a dez minutinhos do meu apartamento,  e no primeiro dia de aula cheguei lá cedo, observando como os veteranos cumprimentavam uns aos outros no corredor. (...) 'Isso é normal para eu, também, mas ser mais forte, você. Muito trabalho e um dia você falar bonito. As pessoas vai começar gostando de você logo. Talvez amanhã, okay'.'' (pag. 166, 172)


De maneira coloquial e com muito humor, David Sedaris compartilha com seus leitores em Me Talk Pretty One Day - Eu falar bonito um dia - em português,  suas experiências crescendo na Carolina do Norte, e parte da sua vida adulta quando decide mudar para a França com o namorado Hugh.

Nascido em uma família conservadora, que muda para a Carolina do Norte por causa do trabalho do pai, engenheiro da IBM, David sabia que sua dislexia não era apenas um problema a ser resolvido com  fonologia. Nem mesmo as tentativas dos educadores, e a pressão em casa conseguiram camuflar o que David já há tempos desconfiava... era gay.

''Quando criança, meu pai foi transferido e nossa família mudou do noroeste de Nova Iork para Raleigh, Carolina do Norte. IBM havia relocado um bocado de nortistas, e juntos fazíamos piadas sem fim dos nossos vizinhos e do modo acanhado e atrasado em que viviam. (...) Meus pais proibiram o uso dos títulos 'madame' e 'senhor' quando conversando com professores e atendentes. (...) A família permaneceu livre das influências exteriores até 1968, quando minha mãe deu a luz ao meu irmão, Paul, um nativo da Carolina do Norte, que tem crescido então para se tornar o melhor amigo e também pior pesadelo do meu pai.'' (pag. 61)

Do modo de lidar com as opiniões do pai, amante reprimido de jazz - na época considerado música para pessoas de 'cor' - que sonhava em ter uma família de músicos, e por meses apareceu em casa com um instrumento diferente, do piano a guitarra, do violão a bateria. ''Segura ai o teu chapéu,'' meu pai disse, ''porque eis aqui aquela guitarra que você sempre quis''. (pag. 20); E da irmã Gretchen, viciada em bronzeamento artificial - ''Até os espaços entre seus dedos eram bronzeados, bem como a palma das mãos e atrás das orelhas. Seus métodos envolviam óleo de bebê e uma série de poses absurdas que resultavam no amontoamento de pessoas, e mães cobrindo os olhos de suas crianças com os dedos cheios de areia.'' (pag. 36)... Sedaris vai contando os dramas e escolhas dele e dos outros 5 irmãos até que ele conhece Hugh, decide conquistá-lo, e os dois mudam para a França.

Na França David descobre quão frustrante são aulas de francês; faz um teste de QI que só serviu para confirmar ''(...) que eu sou bem estúpido, praticamente um idiota. Existem gatos que pesam mais que o meu QI. (...) Quando eu fiquei abatido por causa do resultado do meu teste, Hugh explicou que todo mundo pensa diferente - O que acontece é que eu assim o faço numa média bem inferior a de um adulto normal.'' (pag. 246)

''Quando as pessoas me pedem para resumir esse tempo que passei em Paris, eu procuro a minha pilha de tickets de filmes e murmuro por causa do peso. Tenho morado aqui por mais de um ano, e apesar de ainda não ter visitado o Louvre ou o Pantheon, eu assisti Álamo e A ponte do rio Kwai. Não fui ao Palácio Versailles mas eu consegui pegar as sessões de Oklahoma!, Brasil, e Nashville. Deixando de lado minhas visitas ao mercado, meu conhecimento sobre Paris é limitado ao que aprendi em Gigi.'' (pag. 205) 

Ler Me Talk Pretty One Day foi uma terapia após dias corridos e estressantes, tentei colocar nesse resumo um pouco mais sobre o livro mas é complicado relatar uma história em que cada capítulo é um momento diferente - a história não tem uma sequência cronológica, cada capítulo relata fatos aleatórios ocorridos em momentos aleatórios.

O interessante é que David Sedaris compartilhava suas histórias num programa de rádio no início da década de 90, o programa virou um sucesso, e anos depois Sedaris decide compilar seus dramas da vida moderna em Me Talk Pretty One Day, onde escreve com simplicidade e ironia, sem querer ser forçado, mas ao mesmo tempo sendo absurdamente engraçado - eu pularia os capítulos em que ele comenta suas experiências com drogas, mas fora a isso li o livro gargalhando, as mãos tremendo, e eu tentando me controlar enquanto eu chorava de rir. Must read, certamente.

Monday, September 19, 2011

Logo, no entanto, ela começou a racionalizar consigo, e tentar sentir menos. Oito anos, quase oito anos havia se passado, do dia em que tudo foi desfeito. (...) O que oito anos seriam capaz de fazer?
(...) Alas! com todo seu raciocínio, ela descobriu que para os sentimentos reprimidos oito anos podem ser quase que nada. Agora, como traduzir os sentimentos dele?
Persuasion,   Jane Austen, pag. 51.

Saturday, September 17, 2011

Poema de Sábado

Estafa de Amor

Sentir no coração correr em gotas
O suor intenso dessa igual paixão,
É imaginar, nesse amor, a imensidão
De muitas e muitas aventuras...

E sem parar de amar, te amando
É como se o mundo não adormecesse
E sem amanhã, sem noite, sem fim,
Amar sem nunca descansar do amor!

E incansavelmente amando, querida
Nem percebemos a estafa desse amor
E quando exausto, o coração gritou
Meu organismo explodiu em alegrias

É que no íntimo de nós dois amantes,
O vírus da paixão fertilizou a vida
E quando nossos corpos se encontraram
O amor, na sua magnificência se consolidou.

Gaitano Antonaccio, 
Só Amor Poesias, pag. 47

Saturday, September 3, 2011

''Não é o prazer sexual que busco'', ela costumava dizer, ''é felicidade. E prazer sem felicidade não é prazer''. Em outras palavras, ela estava batendo nos portões de sua memória poética. Mas o portão estava fechado. Não havia espaço para ela em sua memória poética. 
The unbearable lightness of being - 
A insuportável leveza do ser 
Milan Kundera, pag. 209

Monday, August 29, 2011

I am Nujood, Age 10 and Divorced (Nujood Ali with Delphine Minoui)


''Talvez Nujood ainda não tenha se dado conta, mas acabou de quebrar um tabu. A notícia do seu divórcio se espalhou pelo mundo, relatada por vários jornais internacionais, pondo um fim ao silêncio que encobre uma prática que, infelizmente, é bem comum em vários países: Afeganistão, Egito, Índia, Iran, Mali, Paquistão... Se sua história nos toca assim tão profundamente, é também porque nos faz olhar para dentro de nós mesmos. No Ocidente, é moda instintivamente lamentar o destino das mulheres Islâmicas, porém violência doméstica e a prática de casamentos arranjados para crianças não é uma realidade restrita apenas ao mundo Islâmico.'' (pag. 172)


Nascida na província de Hajja no interior do Yêmen, Nujood nem mesmo sabia a idade que tinha - 7, 8, 9 anos de idade? - quando o pai arranjou seu casamento com um homem quase 30 anos mais velho. Acordo feito, e em menos de 2 semanas, Nujood ainda uma criança, nem sequer menstruando, já era uma mulher casada. O novo marido a separa da família, mudam para o interior, onde é humilhada, maltratada, e espancada pelo marido.

''Minha mãe teve dezesseis filhos. Para ela, cada gravidez foi um grande desafio. Ela sofreu em silêncio por três abortos espontâneos, e perdeu um dos bebês durante o parto. E por que não havia médicos, quatro  dos meus irmãos, que nunca cheguei a conhecer, morreram por doença entre as idades de dois meses e quatro anos.'' (pag. 24)

O desejo de ter a infância perdida de volta, e a saudade da família, incentivaram  Nujood a emplorar ao marido que a levasse de volta à cidade de seus pais por um certo período, e foi durante esse período de alívio que Nujood tomou coragem para fugir de casa em busca de ajuda. A única informação que tinha era a de que precisava encontrar um juiz e informar que queria um divórcio. Divórcio. Nujood nem sabia o que a palavra significava na verdade, mas de acordo com o que foi informada, divórcio a livraria do casamento que nunca desejou, e do homem que a estuprava e espancava diariamente. Divórcio. E é assim que a história começa.

Nem consigo resumir em palavras o sofrimento da história de Nujood. O livro é narrado por ela, e foi escrito por Delphine Minoui, jornalista do Oriente Médio correspondente para o jornal francês Le Figaro, que acompanhou de perto o caso de Nujood e a conheceu dois meses após o divórcio.

A história de Nujood não é a primeira e nem será a última, sua vida é semelhante à de milhares de outras meninas no Yêmen, Afeganistão, Paquistão e por aí vai, mas a história de Nujood traz esperança, traz uma luz no fim do túnel para tantas outras meninas que sofrem com o mesmo destino. Com a ajuda de advogados locais - que mesmo dividindo a mesma cultura, ficaram impactados e chocados que a história dessa criança, e decidiram abraçar sua causa - e da imprensa, Nujood consegue sua liberdade, e vai além... passa a inspirar muitas outras jovens a também buscar uma saída.

''Nesse país da península Árabe, onde o casamento de crianças é comum, e tem base em tradições que, a princípio, pareciam não ter como por um fim, esse ato inacreditável de bravura [de Nujood] tem encorajado outras pequenas vozes.'' (pag. 171)

Nujood foi a primeira jovem a conseguir um divórcio no Yêmen, aos 10 anos de idade. E foi eleita ''A mulher do ano'' em 2008 pela revista Glamour (reportagem em inglês aqui), e teve sua história relatada em jornais como The New York Times (reportagem em inglês aqui), Los Angeles Times (reportagem em inglês aqui), e na revista Time (reportagem em inglês aqui).

Saturday, August 27, 2011

Poema de Sábado

Soneto de Londres

Que angústia estar sozinho na tristeza
E na prece! que angústia estar sozinho
Imensamente, na inocência! acesa
A noite, em brancas trevas o caminho

Da vida, e a solidão do burburinho
Unindo as almas frias à beleza
Da neve vã; oh, tristemente assim
O sonho, neve pele natureza!

Irremediável, muito irremediável
Tanto como essa torre medieval
Cruel, pura, insensível, inefável

Torre; que angústia estar sozinho! ó alma
Que ideal perfume, que fatal
Torpor te despetala a flor do céu?

Londres, 1939

Vinícius de Moraes, Livros de Sonetos,
pag. 29 

Saturday, August 20, 2011

Poema de Sábado

Soneto já antigo

Olha, Daisy: quando eu morrer tu hás de
Dizer aos meus amigos aí de Londres,
Embora não o sintas, que tu escondes
A grande dor da minha morte. Irás de

Londres p'ra York, onde nascestes (dizes...
Que eu nada que tu digas acredito),
Contar àquele pobre rapazito
Que me deu tantas horas tão felizes

Embora não o saibas, que morri...
Mesmo ele, a quem eu tanto julguei amar,
Nada se importará... Depois vai dar

A notícia estranha a Cecily
Que acreditava que eu seria grande...
Raios partam a vida e que lá ande!

Fernando Pessoa - Ricardo Reis, 
Mensagem, pag. 136 

Saturday, August 13, 2011

Poema de Sábado

Soneto de Florença

Florença... que serenidade imensa
Nos teus campos remotos, de onde surgem
Em tons de terracota e de ferrugem
Torres, cúpulas, claustros: renascença

Das coisas que passaram mas que urgem...
Como em teu seio pareceu-me densa
A selva oscura onde silêncios rugem

Que tristes sombras nos teus céus toscanos
Onde, em meu crime e meu remorso humanos
Julguei ver, na colina apascentada

Na forma de um cipreste impressionante
O grande vulto secular de Dante
Carpindo a morte da mulher amada...

Vinícius de Moraes, Livro de Sonetos

Tuesday, August 9, 2011

The Portrait of a Lady (Henry James)

O mais engraçado é que eu demorei mais de dois anos para ler The Portrait of a Lady - O retrato de uma Senhora, em português - desde o dia que comprei o livro... quando terminei de ler Something Borrowed, após 3 livros contemporâneos, bateu uma saudadezinha dos clássicos e foi quando eu, tentando escolher o próximo livro bisbilhotando minha estante, bati o olho em Henry James... Exatamente no período que comecei a preparar minha viagem de férias pela Europa.

A nossa heroína Isabel Archer recebeu convite da tia, Sra. Touchett, para passar uma temporada com ela em sua residência em Florença, Itália. No entanto, a tia é casada com o Sr. Touchett, americano proprietário de um banco em Londres. Antes de desembarcar na Itália, Isabel, que quando criança quando os pais eram vivos, costumava visitar apenas as redondezas da sociedade Nova Iorquina e algumas poucas vezes pisado em Paris, agora se vê diante de um mundo de oportunidades.

Londres
Isabel Archer é descrita como uma jovem independente, de mente ativa e brilhante e modos refinados, inteligente e com sede por sabedoria, que após a morte do pai, viu-se renegada a uma vida simples, com sociedade limitada devido aos erros financeiros do patriarca da família. Isabel cativa seus amigos próximos, e encanta aqueles que acabaram de conhecê-la.

Poucos dias após a chegada a Gardencourt, residência da família Touchett in Londres, Isabel tem a certeza de ter conquistado admiração do tio Sr. Touchett, e do primo Ralph Touchett para sempre. O que ela não contava é que o milionário Lord Warburton, melhor amigo de Ralph, encantado pela nossa heroína, a pediria em casamento depois de encontrá-la apenas duas vezes na vida. Isabel recusa o Lord não apenas porque já havia deixado o Sr. Goodwood esperançoso por um sim na América, mas porque Isabel busca a liberdade, a independência, ela quer conhecer o mundo, aprender, sem ter a obrigação de voltar.

Esse é o impacto causado por nossa protagonista, e embora eu queira muito contar os detalhes da história, o que me marcou mesmo nesse livro foi o fato de eu ter me identificado tanto com as aventuras de Isabel, do momento em que ela partiu da América, ao momento que ela chegou em Londres e aos outros destinos mencionados na história, suas expectativas, os desejos, a vontade de conhecer, visitar, testemunhar.

E daí ela parte para Florença com a tia e Ralph, após o falecimento do Sr. Touchett,  sua situação é totalmente diferente. O tio Sr. Touchett, persuadido por Ralph, deixa uma grande fortuna de herança a sobrinha. Isabel agora é uma mulher rica, o que a impedia de conhecer novos horizontes era a falta de fortuna, com esse fator resolvido, Isabel tem o mundo a sua espera e ela está mais que disposta a fazer jus ao seu novo título.

Florença
Pouco tempo após sua chegada a Florença, Madame Merle a apresenta ao excêntrico Sr. Osmond. Aquele que não tem fortuna mas guarda em si 'a maior das qualidades', o conhecimento, a sabedoria. Sr. Osmond não tinha o menor interesse em conhecer Isabel, mas foi persuadido por Madame Merle a conhecer essa moça inteligente que acabou de receber uma enorme herança.

Sem dúvida Sr. Osmond deixou uma marca em Isabel, havia algo naquele homem que o diferenciava de todos os outros, ele era simples mas isso não o desmerecia, e ele tinha orgulho disso. Isabel sentia que havia mais que admiração em Osmond, havia algo que a atraía a ele e vice-versa, mas Osmond não a pediu pra ficar, e ainda a incentivou a conhecer o mundo... voa passarinho, voa e conhece, se tiver que ser, para cá voltarás.

Isabel parte em direção ao desconhecido, passeia encantada pelas ruas de Paris, perambula feliz pelas ruas de Londres, admira história pelas ruas de Roma, por vezes acompanhada do primo Ralph, outras pela amiga feminista Henrietta. Isabel chega até o Marrocos dessa vez com Madame Merle. Delícia!
Paris

Mas no final das contas, Isabel volta, e volta decidida a casar com Sr. Osmond, aquele que nunca a quis prender, que a ama e a merece. Isabel sabe que pode ser e fazer mais por Pansy, a filha do Sr. Osmond. E então eles casam. Contra todos, menos Madame Merle. As máscaras caem em pouco tempo, e Isabel que tanto buscava a liberdade, percebe que aquele a quem ela julgou o melhor dos homens, nada mais era que um vulgar, em busca da sua fortuna.

''Ele não deseja que ela fosse estúpida. Muito pelo contrário, foi exatamente porque ela era inteligente que ela o agradou. Mas ele desejava que o conhecimento dela trabalhasse ao seu favor, e por acreditar que os pensamentos dela fossem abertos também pensou que seriam receptivos às suas idéias. Ele havia desejado que sua esposa sentisse como ele, acreditasse em suas opiniões, suas ambições, e preferências; e Isabel se fez acreditar que até que isso não lhe parecia insolência vindo de um homem tão realizado e de um marido, que a princípio, parecia tão carinhoso.'' (pag. 439)

Como mencionou Stephen Koch, ''The Portrait of a Lady é um romance sobre sonhos que não se tornam reais. É uma meditação sobre desejos e esperanças, em sucesso e fracasso, sobre o que a vida pode fazer para uma jovem intensa, cheia de imaginação do século XIX, que tinha quase tudo e quase todas as razões para acreditar que seus anseios seriam realizados.''

Roma
Através de Isabel Archer o leitor testemunha o desabrochar, os encontros e desencontros, as mudanças, as esperanças, as ilusões, o fracasso, e o resultado dessa mistura toda na vida de Isabel e daqueles em seu círculo. O que se passa pela mente de Isabel quando ela percebe que realmente foi enganada por aquele a quem ela julgava o mais elevado dos homens? Como não deixar transparecer para aqueles que foram contra o casamento que no final das contas, eles estavam certos? Como consertar? Eu fiquei surpresa com a decisão de Isabel no final da história, não sei se eu teria a mesma coragem... mas de uma coisa eu tenho certeza, coragem eu teria de visitar novamente cada um dos lugares mencionados na história.... ai, ai delícia!

Sunday, August 7, 2011

The Girl with the Dragon Tattoo

Gente!!
Finalmente estou de volta, e blogando!
Saudades do meu blog! E cá venho porque tenho novidades.
Esse final de semana vi pela primeira vez o trailer da versão americana do ''The girl with the dragon tattoo'', acho que eles lançaram a pouquíssimo tempo porque tenho assistido todos os lançamentos dessas últimas 2 semanas e hoje foi a primeira vez que eles mostraram o trailer.... e eu amei! Nem consegui me conter direito no cinema, comecei a aplaudir rs.

O filme vai ser lançado no Natal de 2011 aqui nos Estados Unidos, já tô roendo as unhas de curiosidade, e como não poderia deixar passar, vim aqui correndo pra compartilhar com vocês... olha o trailer aí:

Saturday, August 6, 2011

Poema de Sábado


Rekindle 
Reacender


Why don’t we meet up in Paris?

Porque não marcamos um encontro em Paris? 

Rekindle romance once again,

Reacender o romance mais uma vez, 
Let’s stand side by side,
Caminharemos lado a lado, 
In the moonlight,
Sob a luz da lua 
Sail away on a boat on the Seine,
Navegar pelo Sena num barco, 

They say it’s romantic in Paris,
Eles dizem que é romântico em Paris, 
I wonder if that’s really true,
Pergunto-me se isso é realmente verdade, 
Is it something to do with the weather?
Seria por cause do tempo? 
Or something,
Ou algo assim, 
To do with the view?
Por causa da paisagem? 

Why don’t we meet up in Paris?
Porque não marcamos um encontro em Paris? 
Take a train, a boat or a plane,
Pegar um trem, um barco ou um avião, 
Make our way to the streets,
Perambular pelas ruas, 
Of Montmartre,
de Montmartre, 
Rekindle the flame once again.
Reacender a chama mais uma vez.

Linda Harnett, contemporary poet
visit her site here 


Saturday, July 30, 2011

Aniversário de Mario Quintana

Em 30 de julho de 1906 nascia Mario de Miranda Quintana, o poeta brasileiro das coisas simples. A ironia de suas obras não atrapalhou a profundidade de seus textos e sua escrita em técnica perfeita. Quando leio textos de Quintana sinto o aconchego e o jeito simples do vovô mas com as alfinetadas da vovó. Delicio-me de qualquer jeito.

Os poemas

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhoso espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

(Mário Quintana - Esconderijos do tempo)

Tuesday, June 21, 2011

Aniversário de Machado de Assis

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1939 e até hoje é considerado um dos maiores escritores da Literatura Brasileira. Lembro que li forçadamente Quincas Borbas e Memórias Póstumas de Brás Cubas - benditas professoras de Literatura! Mas quando chegou a vez de Dom Casmurro eu já tinha me rendido ao estilo de Machado de Assis!

Luz entre Sombras


É noite medonha e escura,
Muda como o passamento
Uma só no firmamento
Trêmula estrela fulgura.

Fala aos ecos da espessura
A chorosa harpa do vento,
E num canto sonolento
Entre as árvores murmura.

Noite que assombra a memória,
Noite que os medos convida,
Erma, triste, merencória.

No entanto...minha alma olvida
Dor que se transforma em glória,
Morte que se rompe em vida.

Saturday, June 18, 2011

Poema de Sábado

Ship Ahoy!

In dreams I was a ship, and sail'd the boundless seas,
Nos sonhos eu era um navio, e navegava os mares sem fronteiras, 
Sailing and ever sailing-all seas and into every port, or out upon the offing,
Navegando e sempre navegando-todos os mares e adentrando todos os portos, ou para muito além do horizonte,
Saluting, cheerily, hailing each mate, met or pass'd, little or big,
Saudando, alegremente, cumprimentando cada navegante, conhecido ou desconhecido, pequeno ou grande,
''Ship ahoy!'' thro' trumpet or by voice- if nothing more, some friendly merry word at least,
''U-hoo!'' por trombetas ou gritando- não importa, palavras felizes pelo menos,
For companionship and good will for ever to all and each.
Por companheirismo e felicidades para sempre para todos e cada um de  nós.

(Walt Whitman, Leaves of Grass, 
pag. 776)

Saturday, June 11, 2011

Poema de Sábado

A viagem

Como é bela a asa em pleno voo...
Uma vela em alto-mar...
Sua vida - toda ela! - está contida
Entre o partir e o chegar...

(Mario Quintana,  A cor do invisível, 
pag. 103

Saturday, June 4, 2011

Poema de Sábado

Queridos leitores,

Comecei a contagem regressiva para minha viagem. Após 3 anos e meio sem ver minha mamy, e 2 e pouco sem ver minha irmã, finalmente  iremos nos reencontrar em uma viagem em família pela Europa. Pena que meu papy não vai poder marcar sua presença, mas estou muitíssimo feliz por poder reencontrar minhas queridas após esse longo tempo distantes, e sem contar a ansiedade para visitar todos esses lugares maravilhosos do lado de lá. Viajar é uma das minhas paixões, e como disse Diane Arbus "My favorite thing is to go where I've never been"... ''Meu grande prazer é ir aonde nunca estive''. 

Por esse motivo, dedicarei essas semanas a poemas relacionados ao prazer de viajar.

Ao longe, ao luar

Ao longe, ao luar
No rio uma vela,
Serena a passar,
Que é que me revela?

Não sei, mas meu ser
Tornou-se-me estranho,
E eu sonho sem ver
Os sonhos que tenho.

Que angústia me enlaça?
Que amor não se explica?
É a vela que passa
Na noite que fica.

(Fernando Pessoa, 
Mensagem, pag. 81)

Thursday, June 2, 2011

Something Borrowed (Emily Griffin)

Quando comecei a ler Something Borrowed - O Noivo da Minha Melhor Amiga, em português - após meses esperando ali na minha estante, não tinha a menor idéia de que o filme estava para ser lançado. Comprei Something Borrowed poucas semanas depois de ler Love the one you're with - Ame o que é seu, primeiro livro que li da Emily, e que me fez derramar boas lágrimas, e ter um momento de reflexão com o marido.


Something Borrowed começa meio lento, até cheguei a pensar que me arrependeria. Mas não desista nos primeiros capítulos porque a história acaba te conquistando. É um chick-lit, como não poderia deixar de ser, e é bom ler com uma caixinha de klinex perto porque a Emily sabe como tocar naquele cantinho que faz o nó vir na garganta e as lágrimas rolarem mesmo quando queremos controlar.


Rachel e Darcy cresceram na mesma vizinhança, foram para a mesma escola, compartilharam os mesmos sonhos e planos para uma vida adulta. Darcy porém era a garota com cara e atitude de boneca, era sempre a mais bonita, a que chamava mais atenção, a mais desejada. E Rachel e as outras amigas cresceram na sombra de Darcy, com a sobra do que Darcy não mais queria. 


Rachel consegue uma certa independência e sair da sombra da amiga quando decide estudar Direito, e muda-se para Nova Iorque em busca da carreira. Longe da amiga, Rachel conquista seu espaço, novos amigos, namorado. Conhece Dex, o lindinho e charmoso, também estudante de Direito, desafiador de professores carrascos.


Mas não demora muito para que Darcy decida também correr atrás do glamour Nova Iorquino. Recém formada em Relações Públicas, mas de QI menos elevado, arranja um trabalho de garçonete num restaurante fino, e em poucos dias seus atributos físicos a ajudam a conseguir um trabalho numa empresa de Relações Públicas, graças a um dos clientes do restaurante.


Darcy conquista espaço, Rachel volta a ser sombra, e ainda cai na bobeira de apresentar o charmoso Dex para a amiga Darcy. Como não podia ser diferente, os dois em pouco tempo começam a namorar, e em menos tempo ainda, ficam noivos. É quando seu aniversário de 30 anos chega, que Rachel se dá conta que os sonhos para este dia, pensados e construídos quando adolescente, nem sequer se assemelham a sua realidade: solteira, sem pretendentes, sem filhos, com um emprego que paga as contas mas não a realiza.


"(...) arranjaria alguém confiável para reparar nossos dois (talvez três) filhos naquele Sábado a noite, jantaríamos num elegante restaurante francês com gardanapos de pano, e chegaríamos em casa bem depois de meia-noite, tecnicamente celebrando no dia do meu aniversário. Eu havia acabado de vencer um grande caso- provando de alguma forma que meu cliente não cometeu o crime. E meu marido me faria um discurso: 'Para Rachael, minha linda esposa, a mãe dos meus filhos, e a melhor advogada de Indiana'." (pg. 2)


E é após a festa dos 30, planejada por Darcy, queridos, que Rachel e Dex acabam bebendo demais e pensando de menos. Acordam juntos na cama de Rachel, após uma longa noite de pura luxúria. A desculpa cairia no álcool, mas Dex fez questão de dizer que ele não estava tão bêbado assim... mas o que aconteceu então?! OK, fingiremos que nada aconteceu, foi um erro, esqueceremos a noite de ontem e a vida continua, certo?


Certamente uma das opções, mas Dex se aproveita da situação para revelar aos poucos que ele sempre gostou de Rachel, mas ela nunca deu chance, e ainda apresentou a melhor amiga para ele... descartando qualquer possibilidade de alguma coisa entre os dois. Dex insiste no affair, Rachel não consegue resistir, quem conseguiria quando aquele deus-grego fala tudo que se quer ouvir, e massageia o ego e cada músculo do corpo?


O romance paralelo continua, enquanto os planos do casamento se apressam. Darcy conta com Rachel - sua bridesmaid - para auxilio na preparação. Como seria possível preparar o casamento da pessoa que amo e com quem estou tendo um affair com a minha melhor amiga? Como demonstrar entusiasmo se ele deveria casar comigo e não com ela?


"(...) Ele continua.  'Você se vê como comum, ordinária. E não tem nada de comum em você, Rachel.
Não consigo olhar de volta pra ele. Meu rosto queima de vergonha.
'E eu sei que você fica vermelha quando envergonhada'. Ele sorri. 
'Não, eu não fico!' Cubro meu rosto com a mão e reviro os olhos.
'Sim, você fica. Você é adorável. E ainda assim não faço idéia que parte eu adoro mais'." (pag. 112)


Rachel sabe que essa situação não pode durar pra sempre, ainda assim ela não tem forças para pedir uma resposta, exigir uma posição. Darcy tenta arranjar para que Marcus, o melhor amigo de Dex, comece a namorar Rachel. A situação piora durante o feriado passado na casa alugada por Darcy e Dex nos Hamptons. Darcy e Dex juntos como um casal, beijos, abraços, sexo. Como conseguir engolir o fato de que o meu Dex está na cama dela? Nos braços dela? E eu tenho que ouvir as confissões de que o relacionamento estava meio morno mas que essa noite de sexo foi a melhor dos últimos tempos?


Emily tem esse jeito dela de escrever suas histórias de tal forma que você sente o que a personagem sente, pensa como ela pensa, sente o nó na garganta no momento em que Dex segura Rachel pelo braço após a discussão no bar nos Hamptons, e Rachel se vê no momento 'tudo ou nada', e finalmente consegue puxar aquela força interior para dizer que tá na hora de escolher, 'é ela ou eu!'. As lágrimas rolam enquanto Rachel decide ir para Londres, e durante o vôo ela pensa em tudo o que aconteceu. Dói, mas eu torci para que ela tivesse essa coragem.


Essa é a mágica de ler Emily Griffin, ela sabe como tocar as suas leitoras no mais íntimo, naqueles pontos em que é tão fácil se identificar com a personagem, não porque já passamos pela exata situação, mas porque os sentimentos envolvidos já foram sentidos por nós em algum momento, em algum ponto. Sentimentos de rejeição, pela perda de alguém amamos, que poderíamos ter amado, pelo término de um namoro, aquela dor após os primeiros dias, as primeiras semanas. Os sentimentos são os mesmos, o que muda são os casos.


Eu ainda não vi o filme porque sei que o marido não vai querer ver comigo, ví o trailer - que me pareceu bem bobinho! Como não seria né? É chick-lit! Mas aqui compartilho com vocês.  Contem o que acharam, vocês que viram...


Monday, May 30, 2011

The Girl who Kicked the Hornet's Nest (Stieg Larsson)

Foi um dos momentos mais fofos quando o marido chegou em casa de uma viagem a trabalho e disse: "Trouxe presente!", e da mala sai o último livro da série Millennium - The Girl who Kicked the Hornet's Nest - A rainha do Castelo de ar. Demorei tantos meses pra ler numa ansiedade sem tamanho, com um medinho porque história acaba nesse livro, e curiosa pra saber mais sobre a Lisbeth, mas ao mesmo tempo não querendo ler pra não chegar ao fim.

Larsson não decepciona em nenhum capítulo desse último livro, o que me deixou ainda mais impressionada com esse escritor fabuloso. É uma história sem hiatos, de prender o fôlego e toda a atenção do leitor do início ao fim, assim como os dois primeiros livros.

Lisbeth Salander é uma das minhas personagens femininas preferidas de todos os livros que já li, ela não é carismática mas é uma personagem que eu me pego desejando ter como amiga. Nesse terceiro livro, a Lisbeth Salander enigmática, curta e grossa, é desvendada. Sua história é exposta como que num livro aberto, cada detalhe escondido nos lugares mais escuros do seu passado é posto em pratos limpos graças a Mikael Blomkvist e seus esforços para expor aqueles que fizeram da infância de Lisbeth um pesadelo.

A história começa no mesmo ponto em que o livro 2 termina. Lisbeth e Zalachenko são levados para o mesmo hospital. Os dois ficam entre a vida e a morte, Lisbeth passa por cirurgia para remover a bala de seu cérebro e por um certo tempo há a incerteza de sequelas, teria a bala afetado grande área em seu cérebro, seria ela a mesma quando acordasse?

Com Lisbeth sob custódia no hospital e sem contato com o mundo exterior, Mikael dobra os esforços nas investigações para desmascarar aqueles por trás do caso Salander antes do julgamento. As investigações levam o caso a tal extremidade que até mesmo o Primeiro Ministro é colocado a par da situação, para vantagem de Lisbeth, e em pouco tempo, 4 investigações paralelas são formadas para desvendar esse mistério.

Para aqueles que viram a versão sueca dos filmes, sabem que a história nem se compara com os ricos detalhes do livro. Eu vi o filme antes de ler o livro, e fiquei impressionada com as mudanças feitas na história, e a superficialidade dos fatos. Até mesmo a história paralela da Erika foi mudada, o que foi uma pena porque eu a admirei bastante quando ela decidiu fazer o que ela achava certo no momento, e deixou  Millennium no momento em que Mikael tanto precisava dela. Mas ela decidiu tomar um passo que era só dela, que a realizaria como profissional, e como pessoa. Apesar de ela ter voltado para Millennium no final das contas, mas o fato de ela ter tomado a decisão de sair demonstrou uma força que poucas mulheres teriam coragem de tomar, não foi por dinheiro, não foi por ambição, foi porque ela acreditava que poderia fazer mais por aquele jornal, e contribuir para melhorar o formato investigativo dele, o que realmente ela fez, contra muitos e tantos outros.

E então... eu li o livro devagarinho, absorvendo ao máximo a história da Lisbeth, economizando a leitura para não acabar rápido porque eu sabia que sentiria saudades dessa história. Larsson é um dos poucos escritores a dar tamanho poder a voz feminina, com personagens tão decididos e encorajadores: de Miriam Wu, a Erika; da advogada Giannini, a policial Figuerola. Amei e admiro cada uma delas por terem feito The Girl who Kicked the Hornet's Nest esse livro surpreendente.

O nome dela é Lisbeth Salander. Suécia a conheceu através dos relatórios policiais, pela imprensa e manchetes de jornais. Ela tem 26 anos de idade, e nem chega aos 1,5m de altura. Ela tem sido chamada de psicopata, assassina, e Satanista lésbica. Não tem existido limites para as fantasias publicadas sobre ela. Nessa edição, Millenium vai contar a história de como oficiais do governo conspiraram contra Salander com o intuito de proteger um assassino patológico...



Saturday, May 28, 2011

Poema de Sábado

O Poema

O poema
essa estranha máscara
mais verdadeira do que a própria face...

(Mario Quintana,    
A cor do Invisível, pag. 37)

Sunday, May 1, 2011

"E então ela se percebeu confrontada dessa maneira com a convicção de que o único homem no mundo que ela acreditava ser o menos sordido, havia casado com ela, como um aventureiro vulgar, por dinheiro. Estranho confessar mas isso nunca a havia ocorrido"

(The Portrait of a Lady, O retrato de uma Senhora, pag. 530)