Friday, October 30, 2009

Pride and Prejudice and Zombies (Jane Austen & Seth Grahame-Smith)

Bom, como amanhã é Halloween, tomei coragem para vir aqui e falar de Pride and Prejudice and Zombies.

Preciso dizer de antemão que não estou nessa onda de vampiros, zumbis, lobisomens e tudo mais que tá super em alta ultimamente. Minhas amigas já me pediram resenha sobre Lua Nova, Crepúsculo, etc, mas sinto dizer que não me servem de inspiração para leitura, não é a minha praia!

Porque li Pride and Prejudice and Zombies, então? Porque sou super-hiper-fã da Jane Austen, e Pride and Prejudice (resenha aqui) é um dos meus livros/filmes favoritos e porque não tinha idéia do que fariam com a história... Mania que tenho de não ler os resumos da contra-capa!

Então... em Pride and Prejudice and Zombies temos todos os antigos personagens mas em versão carnificina e com direito a gravuras! Elizabeth Bennet é uma "samurai", bem como as irmãs, e lutam para defender a Coroa e suas terras contra os terríveis comedores de cérebro que durante os períodos de seca, rompem o solo e saem de seus túmulos.

Agora imagina uma Elizabeth duplamente ironica e durona, com músculos de anos de prática nas artes marciais chinesas, usando sua espada para degolar os zumbis... e o pior, para a nova Lizzy, livros são coisas de mulherzinha!

Mr. Darcy foi ensinado pelo renomado mestre japonês (que esqueci o nome, que ironia!) e é aqui que se trava o preconceito para com Lizzy, porque Darcy vê os ensinamentos chineses como inferiores. Nessa versão, Elizabeth não apenas nega o pedido de casamento de Darcy, como também lhe dá uma bela surra com toda sua habilidade nas artes chinesas.

Lady Catherine de Bourgh é a mais famosa samurai em Londres, sua fama como defensora do trono é conhecida por toda Inglaterra e após conhecer Lizzy, a critica pelo ensino inferior... deveria ter ido para o Japão, não para a China... sua mansão é protegida pelos melhores samurais do mundo, que viram presunto ao lutar com Lizzy, o que quase acontece também com a Lady Catherine, se não fosse pelo sentimento de Lizzy por Darcy.

A parte engraçadíssima, na minha opinião, diz respeito a Charlotte Lucas... a coitadinha foi atacada por um zumbi e contaminada com a praga, a única solução para que não morra no caritó (como diz minha avó) é casar com Mr. Collins. Só Elizabeth percebe a transformação de Charlotte, ela vai envelhencendo, a pele deteriorando, a fala cada dia mais debilitada (pior que o Cebolinha!!!) e a pobre comia cérebros escondidos para que Mr. Collins não percebesse - aquele marido zeloso que presta atenção na esposa, né? Após a visita de Lizzy, a transformação se completa e Lady Catherine é a responsável pela execução. Mr. Collins se enforca numa árvore e a família Bennet não corre mais risco de perder a casa.


Lá pela metade do livro não via a hora de acabar, "ai meu Deus, em que buraco me meti!" foi o que pensei... como consequência, assisti o filme por 1 semana, todos os dias... (sem brincadeira, pergunta do marido!)... só pra livrar minha mente daquela cena grotesca onde Mr. Darcy e Lizzy se casam para juntos defender suas terras daqueles seres horrorosos...

Leiam se gostarem, aposto que tem muitos que gostaram ou vão gostar, nem que seja para Halloween! rs.


PS: esqueci de mencionar que nessa sequência zumbilândica, há também o Sense and Sensibility and the Sea Monsters... vai que alguém queira ler!

Tuesday, October 27, 2009


"(...)ele se viu diante da estranha opção de ir tomar seu lugar no buraco da janela da capela, nem que fosse apenas pelo prazer de fazer uma careta para aquela multidão ingrata. 'Mas não,' ele disse para si mesmo, 'isso seria indigno; vingança não! Lutaremos até o fim. O poder da poesia sobre as pessoas é enorme. Conseguirei trazê-los de volta. Veremos qual dos dois vencerá - caretas ou belas-letras."
(O Corcunda de Notre-Dame, Victor Hugo - pag. 50)


Estava lendo a entrevista do Secretário de Segurança do Rio de Janeiro sobre a violência na cidade - após a derrubada do helicóptero da PM pelos traficantes - a entrevista me fez lembrar desse trecho de "O Corcunda de Notre-Dame" com a sutil ironia de Victor Hugo sobre a Política do Pão e Circo.

Dá a Copa do Mundo, dá Olimpíadas e o brasileiros esquecem da Guerra Civil no RJ, esquecem a desmatação da Amazônia, a corrupção descarada em Brasília, do sistema de saúde falido, dos analfabetos funcionais...

E Victor Hugo lá atrás em 1830 (por aí) já ironizava os franceses por terem memória seletiva em relação aos assuntos que realmente importam para a nação... mas logicamente que Pão e Circo nos remete ao Séc. III durante Império Romano... dá os gladiadores, joga pão que os romanos esquecem toda a miséria que vivem e ainda adoram o imperador!

Não é de indignar que uma prática tão antiga ainda seja usada?
E o pior, a população ainda cai! Dizem que nada se cria, tudo se copia... Tá na hora de copiar outras idéias porque ESSA levou o Império Romano a decadência e a França a uma Revolução...

Revolução... talvez seja isso mesmo que nós, brasileiros, precisamos!

Wednesday, October 21, 2009

Basta o primeiro passo...

Toda mudança de compartamento começa com uma idéia, quando a idéia é posta em prática... eis o que acontece...



Wednesday, October 14, 2009

The Time Traveler's Wife (Audrey Niffenegger)

Estava super ansiosa para comentar sobre esse livro, principalmente porque ainda tive tempo de ver o filme antes de sair dos cinemas para fazer uma comparação!


The Time Traveler's Wife (A esposa do viajante do tempo) bregamente traduzido para português como Te Amarei para Sempre - ainda com o terrível erro gramatical - conta a história de Henry DeTamble e Clare Abshire, os narradores-personagens.


Henry tem um problema... ele viaja pelo tempo. A primeira viagem acontece aos 4 anos quando à caminho do aeroporto, Henry e a mãe sofrem um acidente de carro. Mais tarde descobre-se que é uma doença cerebral, meio que comparada a epilepsia, Henry não tem controle sobre quando vai acontecer ou para onde vai mas sabe-se que há uma relação das viagens com forte tensão ou stress. Outro detalhe é que Henry não pode mudar nenhum acontecimento do passado, porque de fato, eles já aconteceram.


O modo como a autora apresenta a história, apesar de interessante, por vezes deixa o leitor confuso. Voltando no tempo, indo para o futuro, escrevendo sobre o presente. Tive que re-ler alguns capítulos e checar as datas para que os acontecimentos fizessem sentido.

No início tem-se a impressão que existem 2 Henrys - o que na verdade, é verdade - existe o Henry do presente - que ainda não conhece Clare, que trabalha na biblioteca Newberry, que é mulherengo, alcoólatra e festeiro - resultado do trauma da perda da mãe durante a infância e o abandono do pai após a morte da mãe; e o Henry do passado/futuro, que é o experiente, inteligente, viciado em livros, protetor e que viaja pelo tempo vivendo as mais loucas situações possíveis (não esquecendo que apenas o corpo viaja, roupas e acessórios ficam para trás... o que significa que ele chega nu, peladinho com a mão no bolso, aonde quer que vá e isso é sempre um enorme problema, não importa em qual época ou estação!).

Algumas vezes o Henry do passado/futuro viaja para o presente e encontra o seu EU do presente e trocam experiências (mas o Henry do futuro/passado evita contar o que vai acontecer consigo ou com outros!) - sei que parece doido, e é, mas vai por mim que o livro é daqueles que não se quer parar de ler.

Quanto mais para o futuro a história chega, melhor se entende alguns estranhos fatos contados no início e as peças do quebra-cabeça se encaixam - para isso é preciso ter boa memória!


O Henry do passado/futuro conhece Clare quando ela tem apenas 6 anos e acompanha seu crescimento durante suas viagens, ensina, protege e ajuda a moldar o caráter daquela que no futuro (dela) será sua esposa e no presente (dele) já é. Aqui ele tem uma vantagem sobre Clare, por já saber o destino dos dois.

Dois anos se passam sem que os dois se encontrem, e Clare sabe que a próxima vez que se encontrarem, ela conhecerá o Henry do presente.
(pag. 152-153)
"Eu não sou exatamente o homem que ela conheceu na
infância. Sou uma quase aproximação, que ela guiará sorrateiramente em direção ao EU que existe nos olhos da sua mente"


Quando Clare e Henry se encontram no presente, os papéis se invertem... Henry agora é o passivo, aquele que deverá aprender sobre si e que terá o caráter moldado e mudado por Clare... para fazer do Henry do presente o Henry do futuro (aquele que ela conheceu no passado... rs, ótimos trocadilhos!).

O que pode parecer uma vantagem muitas vezes é um peso porque deixa Henry totalmente vulnerável. Como ele não tem controle nenhum sobre onde irá, ele acaba vivendo um fato 2x, sofrendo duplamente (ok, tendo algumas alegrias duplamente também!), também não se sabe se ele vai parar nu na sala de casa ou no meio da rua durante o inverno em Chicago, num frio de -10º.

É muito fácil se identificar com os personagens, principalmente após o casamento, na chamada "vida a dois" quando o casal descobre as peculiaridades do parceiro, até então desconhecidas - Clare ouve Joni Mitchel e Henry, Shaggs (quando não estão juntos). Henry cozinha, Clare lava roupa - Henry consegue comer a mesma comida por 3 noites seguidas, Clare tem seus momentos de solitude e precisa ficar sozinha.
Na última página Niffenegger colocou um trecho da Odisséia de Homero e depois me toquei que realmente muito da história de Henry e Clare faz lembrar Odisseus e Penélope.

É uma versão moderna da Odisséia onde Henry, como Odisseus se vê obrigado a deixar sua esposa e viajar pelo tempo, é incontrolável, as aventuras são tamanhas, algumas perigosas, algumas nem tanto. Percalços são inúmeros mas o intuito é sempre o de voltar para casa e encontrar sua amada, que o espera pacientemente (virtude feminina, seria?).

O filme - confesso que estava esperando por decepção mas me enganei. Eric Bana não é o Henry ideal mas não posso reclamar, mas devo dizer que, para quem não leu o livro, o filme vai ser confuso e provavelmente não fazer muito sentido, por isso é melhor ler o livro... o filme é bem superficial nas características de cada personagem (Henry é viciado em Literatura - come, dorme, vive Literatura e Clare compartilha e mesma paixão - isso não se vê no filme - fora todos os incentivos à leitura e arte, enfim, ao erudito, ao intelecto, etc.).

O filme também distorce alguns fatos e ameniza outros e cortaram personagens tão importantes do livro, mas felizmente não mudaram o final!





Audrey Niffeneger é professora da Universidade de Columbia em Chicago. The Time Traveler's Wife é seu primeiro livro, lançado em 2003.

Thursday, October 8, 2009

By the Light of my Father's Smile (Alice Walker)

Comprei By the Light of my Father's Smile - Pela Luz do Sorriso de meu Pai, em português - por causa do título, dizem que não se deve julgar um livro pela capa (literalmente!) mas julguei que seria interessante e me decepcionei!

A história é narrada pelo Sr. Robinson, pai de Susannah e Magdalena. O detalhe é que Sr. Robinson faleceu de ataque cardíaco, e é durante seu enterro que a história começa, então a história é contada por um "narrador-fantasma", se é que isso existe! (rs)

O início é interessante - Sr. e a Sra. Robinson são antropólogos e ateus mas aceitam trabalhar como pastores de uma igreja numa cidade do México chamada Mundo, com o simples propósito de usar o dinheiro da igreja para estudar a cultura daquele povo.
Susannah é a doce e amigável filha, sempre teve uma forte ligação com o pai e Magdalena é o oposto - selvagem, obstinada, impulsiva. A hipocrisia do pai não foi o problema, o que afetou Magdalena e Susannah foi o fato de que o pai, sempre amoroso e amigável, acabou se transformando em um puritano e num desses ataques, espancou Magdalena por desconfiar que a filha esteria se relacionando com Manuelito. Esse é o ponto da história que muda o destino de todos os personagens.
Magdalena cria uma aversão ao pai e se indigna com a mãe por não tê-lo deixado após o ocorrido, por mais que Susannah tente perdoar o pai, Magdalena faz questão de sempre lembrar seu trauma e evitar a reaproximação da família.

Para preencher o vazio da infância perdida, Magdalena usa a comida, a armagura a torna vazia e solitária. Susannah não consegue criar raízes, está sempre a procura de algo que a preencha. Quando o livro começa, ela está casada com Petros (seu marido grego) mas logo se divorcia e engata um romance homossexual com Pauline, o que também não dura muito tempo e no fim acaba casando com o cunhado (irmão do ex-marido).

Sr. Robinson, narrador onipresente, e ao que tudo indica onisciente, narra desde as expressões de Susannah durante seu velório às relações sexuais da filha com o ex-marido e Pauline...

A autora então, mistura superstição com espitirismo, e ainda faz apologia à maconha enquanto prega suas ideologias políticas nas entrelinhas!
"A erva perfeita, na minha experiência,
disse Susannah, é sempre plantada por mulheres. Sempre plantada com amor. É uma planta que responde aos sentimentos" (pag. 173)

Decepcionante!

Extremamente decepcionante pra quem leu Alice Walker em "The Color Purple" - A Cor Púrpura, não dá para acreditar que ambos os livros são de mesmo autor.

A mensagem que a autora tenta passar se perde entre tantos assuntos alheios adicionados aos diálogos e faz o leitor perder o foco da narrativa.

Não recomendo!

Sunday, October 4, 2009

Into the Wild


Vi esse filme pela primeira vez em 2008, comprei o DVD e assisti ontem novamente, num daqueles dias que você sente que precisa de inspiração, sabe?

Into the Wild - Na Natureza Selvagem, em português - foi um livro de Não-Ficção, lançado em 1996 por John Krakauer e adaptado para os cinemas em 2007 com direção de Sean Penn.

A história, baseada em fatos reais, conta a jornada de Christopher McCandless em direção ao Alaska.

Nascido em uma família de classe-média em Virgínia, Christopher se rebela contra a hipocrisia e mediocridade dos pais para manter as aparências sociais.

* Foto: Google Images

"Tantas pessoas vivem infelizes e ainda decidem não tomar iniciativa para mudar sua situação porque estão condicionados a uma vida de segurança, conformidade, e conservadorismo, tudo o que parece dar paz de espírito, mas a realidade é que nada é mais perigoso para o espírito aventureiro dentro de nós, que um futuro seguro. O núcleo básico do espírito do homem é sua paixão por aventura. A alegria da vida vem dos encontros com novas experiências, e portanto não há maior alegria do que ter uma infinita mudança de horizonte, do que cada dia ter um diferente e novo
sol."
(Christopher McCandless)
Ao terminar a faculdade, parte em sigilo para sua aventura em busca de liberdade e auto-conhecimento, desfazendo-se de todos os seus bens materiais. Tendo como propósito o Alaska, Christopher, que adotou o pseudônimo de Alexander "SuperTramp" caminha, literalmente, por 2 anos em direção ao seu alvo, faz amigos e faz história, e tem Tolstoy, Louis L'Amour e Thoreau como companheiros inseparáveis!

"Rather than love, than
money, than fame, than fairness, give me truth"
-
"Mais que amor, que dinheiro, que fama, que leadade, dê-me a verdade"
(David Henry Thoreau)
O filme é inspirador, emocionante e toca profundamente aqueles, que como Christopher sofreram com pais repressivos, ou que projetam nos filhos aquilo que não puderam ser, ou qualquer que seja o conflito familiar vivido na adolescência. A intensa busca pelo EU, pelo QUEM realmente sou.

Embora o filme exagere um pouco nas aventuras de Chris e nos conflitos domésticos, poucas alterações foram feitas em relação ao livro, Sean Penn merece as aclamações pelo sucesso do filme, indicado ao Oscar em 2 categorias e vencedor do Globo de Ouro pela Melhor Canção Original.

"Por dois anos ele caminha pela Terra. Sem telefone, sem piscina, sem animais de estimação, sem cigarros. Liberdade suprema. Um extremista. Um viajante estético cuja casa é a estrada. Escapou de Atlanta. Embora não mais deverá voltar, porque 'o oeste é o melhor.' E agora após dois anos de divagação vem a final e maior aventura. A batalha climática para matar o falso ser dentro de mim e vitoriosamente concluir a peregrinação espiritual. Dez dias e noites de carona o trazem para o Grande Norte Branco. Para não mais ser envenenado pelas moscas da civilização, e caminha sozinho sobre a terra para se tornar perdido na natureza selvagem."
(Alexander SuperTramp - Maio 1992)




Thursday, October 1, 2009







Presente é ótimo, e todo mundo gosta...

Ganhei esses 3 selos como mimo da Laura do blog Mil Livros Mil Idéias. Obrigada, Laura!
Requisitos para o selo: Seu blog é um doce!
1. Link do blog que me indicou:
2. Indicar blogs para receber o selo:
- Abrir-se em Flor
- Cia do Livro
- The novel world
3. Citar características minhas:
- Metódica
- Temperamental
- Reservada
- Leitora compulsiva
- Boa motorista
- Perfeccionista
- Apaixonada, sempre
4. Citar doce preferido:
- Toffee Thins
Requisitos para selo: Esse blog é show!
1. Indicar blog que o repassou:
2. Palavras que qualifiquem seu blog:
É um pouco de mim... só!

Tuesday, September 29, 2009

The Great Gatsby (F. Scott Fitzgerald)


Fui apresentada ao Gatsby na faculdade através do filme. Decidi ler o livro porque além de ser um clássico, conhece-se mais sobre os personagens lendo o livro do que nos curtos 60 e poucos minutos de um filme.


"Então use o chapéu de ouro, se isso a moverá;
Se puder saltar alto, salte alto por ela também,
Até que ela grite 'Amado, chapéu-de-ouro, amado alto-saltador,
Preciso ter você!' "
(Thomas Parke D'Invilliers)

James Gatz era o nome legal de Jay Gatsby, mudado quando tinha 17 anos, período em que começou sua carreira, que por sua vez iniciou quando conheceu Dan Cody, seu melhor amigo e mentor.

Seu passado escondia sua pobreza, "conheceu" as mulheres cedo, e por ter sido estragado por elas, tornou-se desdenhoso: das jovens virgens porque eram ignorantes, das outras por serem histéricas.

Seu coração estava em constante tumulto, mas com a ajuda de Dan Cody, de quem herdou 25 mil dólares (o que na época - 1925 - era uma fortuna), visava um futuro promissor.

Enquanto no exército, conheceu Daisy. Encantou-se. A primeira "boa" garota que ele conheceu na vida. Nunca tinha visto uma casa tão bonita, mas o que o excitava mesmo era o fato de Daisy já ter sido amada por vários homens.

Na época, Gatsby era um pobretão sem passado, fingia ser o que não era. Percebendo que poderia ser desmascarado a qualquer momento, decidiu aproveitar cada momento, insaciável e inescrupulosamente. Porém, deu a Daisy a falsa impressão de segurança, fazendo-a acreditar que ele, Gatsby, pertencia ao mesmo nível social que ela, sendo completamente capaz de sustentá-la.

Sem perceber, apaixonou-se. Apaixonaram-se. Gatsby parte com o exército, tenta voltar para Daisy mas acaba indo para Oxford. As cartas chegam cada dia mais desesperadas. Daisy é fraca demais para enfrentar as pressões do mundo. Era jovem e sua vida artificial aos poucos apaga seus sentimentos por Gatsby. Poucos meses após a chegada de Tom Buchanan a Long Island, Daisy e Tom se casam.

Gatsby só precisava de um motivo para correr atrás do futuro que o esperava. Acumulou uma imensa fortuna, cuja fonte ninguém sabia e muito se especulava. Morava em uma mansão às margens do rio, de onde avistava a mansão de Daisy e Tom e buscava oportunidade para encontrá-la. Suas festas eram famosas mas Daisy nunca aparecia.

A história é narrada por Nick, primo de Daisy que coincidentemente alugou uma casa ao lado da casa de Gatsby, e é exatamente Nick o responsável pela reaproximação dos dois (contra sua vontade, diga-se de passagem).

O simbolismo da história gira em torno dos Olhos Gigantes do Doutor T. J. Eckleburg, o que deveria ser uma enorme placa de propaganda de um oftalmologista... eram gigantescos olhos azuis, sem face, com um par de óculos amarelos seguros por um nariz inexistente. Os Grandes Olhos testemunham vários eventos na história (das traições de Tom Buchanan aos pensamentos macabros de George), são como os olhos de Deus vistoriando a vida dos mortais.

O que marca na história de Gatsby é o impulso, a determinação do personagem, todos os seus passos até o reencontro têm como destino tê-la de volta. Apesar dos meios escusos usados para conseguir sua fortuna, Gatsby tem um coração puro, sua fortuna é imensa mas seu coração é vazio e carente por Daisy, tem muitos conhecidos e poucos amigos que guarda com afeto, Nick se tornou um deles.

O contraste entre Daisy e Gatsby faz o paralelo na história. Daisy é fútil, nasceu, cresceu e sempre viveu na riqueza e com poucos valores morais, não tem caráter, casou com Tom porque era rico e influente,seria ela capaz de deixar o marido por Gatsby, que apesar de rico, não tem passado, não tem história?



"Eles são pessoas negligentes, Tom e Daisy - eles esmagam coisas e criaturas, e depois se escondem no seu dinheiro e vasta negligência, ou qualquer coisa que seja que os mantem juntos, e deixam que outras pessoas limpem a sujeira que fizeram..."
(pag. 179)
* Livro da Lista Rory Gilmore.

Wednesday, September 23, 2009

My Sister's Keeper (Jodi Picoult)

Se você tiver a oportunidade de ler um livro, leia My Sister's Keeper.

Primeiro, o modo como foi a história foi escrita prende a atenção do início ao fim. Segundo, é de uma sensibilidade sem tamanho, controverso, de partir o coração e muito fácil de se identificar e um final que te deixa chorando por um longo tempo mesmo depois de fechar o livro...

Os pontos negativos: As passagens que explicam os termos médicos e técnicos sobre a doença... são complicados e longos, confesso que só passei o olho por essas partes.

Anna Fitzgerald é a personagem e narradora principal. Foi planejada com características genéticas perfeitas para ser doadora da irmã Kate, diagnosticada aos 2 anos de idade com um tipo raro de Leucemia. A meta inicial seria a doação do cordão umbilical mas a doença progride pouco tempo depois e por volta dos 5 anos, Anna começou a doar sangue e medula óssea periodicamente.

Aos 13, Anna decide buscar emancipação médica porque agora são os rins de Kate que estão falhando devido a anos e anos de quimioterapia e forte medicação. Contrata Campbell Alexander como seu advogado para processar os pais, que logicamente, estão em choque com a notícia.


"Na minha primeira memória, tenho três anos de idade e estou tentando matar minha irmã. Algumas vezes a recordação é tão clara que eu posso lembrar a coceira da fronha do travesseiro na minha mão, a ponta aguda do nariz dela
pressionado na palma da minha mão."

(pag. 43)
"(...) Dr. Chance nos contou algum tempo atrás que é assim que funciona - o corpo do paciente fica totalmente usado e cansado por tanto tempo de luta. Pouco a pouco, partes do corpo começam a desistir. No caso de Kate, são os seus
rins."


O leitor tem a posição privilegiada de conhecer todos os lados da história uma vez que cada capítulo é contado por um dos personagens: Anna, Kate, Campbell Alexander, Sara (mãe), Brian (pai), Jesse (irmão) e Julia (guardiã ad litem apontada pela corte).

Através dos Fitzgerald percebe-se todas as dores que o Câncer pode trazer para uma família. Não destrói apenas o corpo e a mente do doente mas desestabiliza e desestrutura aqueles que o cercam.

Sara luta para salvar a vida de Kate mas esquece a criação dos outros 2 filhos que se sentem usados e ignorados.

Brian (que trabalha como bombeiro) sente-se melhor quando recebe chamadas de emergência do que junto da esposa e dos filhos - por várias vezes viu Kate a beira da morte, implorou para que a esposa deixasse a filha partir mas Sara nunca desistiu.

Jesse como forma de rebeldia torna-se alcoolatra, furta, põe fogo em casas, droga-se...

A vitória de Anna significa a derrota de Kate...

O filme foi lançado aqui nos EUA em Junho desse ano e estréia no Brasil em Outubro com o título Uma prova de Amor. Tem Cameron Diaz no papel de Sara, e Abigail Breslin como Anna.

Não assisti o filme, ouvi ótimas críticas sobre atuação de Cameron Diaz MAS li que Jodi Picoult ficou decepcionada porque mudaram o final...









* Livro da Lista Rory Gilmore.

Sunday, September 20, 2009

Estou no cinema com marido e enteada. Estamos assistindo os trailers quando vejo o marido tirar do bolso o BlackBerry. Vai colocar no silencioso, penso eu. Olho novamente, Internet Explorer abre na tela. Yahoo Mail. LinkedIn. Facebook.

Uma voz me vem na garganta. Incontrolável. Dá pra parar e guardar o celular, eu falo. Ele me olha surpreso. Continua "surfando". Guarda esse telefone agora, repito. E uma conversa em susurros começa. Ele argumenta, eu contra-argumento. Vou embora, é o que penso. Sair do cinema, ir embora para casa.

O que está acontecendo com as relações interpessoais? Com a socialização? Com a conversa olho no olho? Tô no Starbucks e vejo pessoas sentadas frente a frente, cada uma com seu Iphone, BlackBerry ou "Strawberries" (o que seja!) em mãos, fingindo ouvir um ao outro enquanto checam seus emais e sites de relacionamentos.

Estou na casa de amigos assistindo um filme - T. a cada 10 minutos checa o Iphone... o marido que antes criticava, agora tá com a mesma mania. Hipocrisia!

Sou intolerante! Sim, não tolero essa falta de educação e desrespeito que tem tomado conta dos relacionamentos contemporâneos, onde pequenos instrumentos conectados wireless pelos benditos fios de fibra ópticas parecem ser mais importantes que a minha conversa com meu melhor amigo, com os meus colegas de trabalho ou o filme que paguei $13 para assistir. Indignação!

Sou eu a única a notar isso?

Tuesday, September 15, 2009

Lolita (Vladimir Nabokov)

Não sei de onde veio minha curiosidade por Lolita, se foi a polêmica em torno da história (que se renova de tempos em tempos) ou em torno do Nabokov.

Depois de ler o livro e toda a história por trás da história, na minha opinião o processo, o tempo e os questionamentos de Nabokov ao escrever Lolita são mais interessantes que o livro.

No primeiro manuscrito (que foi destruído), toda a história se passava na França, outros tantos detalhes eram diferentes mas Nabokov sempre teve a fixa idéia de que o HOMEM casaria com a MÃE para se aproximar da FILHA.

Anos mais tarde, já nos Estados Unidos, Nabokov voltou com a idéia da Ninfeta, dessa vez com cenário americano, a garota tinha sangue Irlandês, e a idéia fixa foi usada... Pensou em desistir, foram anos até o livro ficar pronto. Editoras se recusaram a publicar tal história, queriam mudá-la, chocados!

São poucos os que leem o livro até o final. Aqueles que começam com a idéia de que a história será devassa, impudica e cheia de cenas eróticas do começo ao fim se decepcionam e param lá pela página 188. E essa técnica foi intencionalmente usada por Nabokov.

Sim, depois que Humbert "descobre" Dolores Schiller - a Lolita, a história contém progressivamente mais erotimo, erotismo com várias alusões do impulso psicológico e desejos irreprimíveis de um pervertido.

Quando pára, pára totalmente! E é o que decepciona grande parte dos leitores, e a história se torna chata e monótona.


"Eu sabia que tinha me apaixonado por Lolita para
sempre; mas eu também sabia que ela não seria para sempre Lolita"
(pag. 65)
A história começou a ser escrita por Humbert 65 dias após sua prisão, escrita como um memoir, homenagem àquela a quem Humbert dedicou parte de sua existência, e o seu amor eterno.
O romance durou apenas 2 anos, entre viagens de uma ponta a outra do mapa americano, algumas tentativas de uma vida normal, tantas outras viagens, entre motéis, hotéis e cabanas, e sexo... diariamente, até que Lolita fugiu.

"Gradualmente se tornou claro para minha convencional Lolita
durante nosso singular e bestial amasiamento que até mesmo a mais miserável das famílias era melhor que a paródia do incesto"
(pag. 287)

Outros tantos anos Humbert gastou procurando sua menininha, seguindo os rastros de Lolita e seu "sequestrador". Sem sucesso.

Nem o choque pela perda de Lolita o curou da pedofilia, sua natureza maldita não poderia mudar. Em playgrounds e praias, seus pesados e furtivos olhos, contra sua própria vontade, ainda procuravam o brilho das coxas das ninfetas. Todavia, nunca tocou em nenhuma outra ninfeta além da sua Dolores.

Lolita reaparece na história quando escreve uma carta ao "Pai" dizendo estar casada e grávida e pedindo dinheiro. Essa é a última vez que Humbert põe os olhos em sua pequena, visivelmente usada aos 17, mais alta e usando óculos, imensamente grávida... e Humbert teve a certeza que a amava mais do que qualquer coisa no mundo. Descobriu a identidade do sequestrador.Implorou. Implorou pela presença de Lolita.

" 'A-adeus!' ela cantou, meu doce imortal e morto amor
americano; porque ela está morta e imortal caso esteja lendo isso. Eu digo,
porque esse é o acordo formal com as chamadas autoridades"
(pag. 280)
Como ele acaba preso? Não porque foi denunciado pela menina, mas porque matou aquele que a tirou de seus braços... e a história se fez conhecida.

PS: o livro foi publicado finalmente em 1955, por Olympia Press, editora francesa.

Thursday, September 10, 2009

The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society (Mary Ann Shaffer & Annie Barrows)

Encantador!
É a primeira palavra que me vem a cabeça quando penso em The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society. Daí eu leio sobre as autoras (porque achei estranho um livro que nem é assim tão longo, ter tido duas escritoras)...

Mary Ann Shaffer começou a escrever a história em 1980 depois de uma viagem frustrada para Londres onde pesquisaria sobre o livro que escreveria. Foi parar em Guernsey (uma ilha no Canal da Mancha) e dramática como só ela, desistiu da viagem após ficar presa no aeroporto por causa da neblina. Enquanto esperava o vôo foi bisbilhotar a livraria local, resultado? Comprou vários livros sobre a invasão alemão à ilha durante a II Guerra Mundial, e deles surgiu The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society.
Ok, ok mas isso não explica como Annie Barrows entra na história... Na época que o livro chegou a mão das editoras, Mary Ann ficou doente e pediu auxílio a sobrinha Annie Barrows na continuação e edição da história. Mary Ann Shaffer faleceu no início de 2008 com o conforto de que seu primeiro e único livro seria um sucesso!
A história é contada através de cartas, o que faz a história tremendamente intimista. Enquanto viaja divulgando seu livro, Juliet Ashton compartilha suas experiências durante a II Guerra com sua audiência e como naquela época (1946) não havia internet, comunica-se por meio de cartas com seus amigos, e é através delas que conhecemos cada um dos personagens.
"Pergunto-me como o livro chegou a Guernsey?
Talvez existe algum de tipo um instinto caseiro secreto em livros, que os
trazem para os seus perfeitos leitores."
Diz o ditado que um obstáculo está superado quando temos a capacidade de rir dele, é exatamente isso o que Juliet faz, faz humor das dificuldades e traumas vividos durante a invasão alemã à Inglaterra, característica que a acompanha durante todo o livro.

Toma conhecimento da The Guernsey Literary e Potato Peel Pie Society ao receber uma carta de Dawsey Adams, morador da Ilha de Guernsey. Dawsey teve a sorte de encontrar na livraria local durante a invasão alemã, um livro de Charles Lamb que um dia pertencera a Juliet (que por sua vez, havia escrito seu nome e endereço na contra-capa do livro). Como o livro saiu da Inglaterra e foi para em Guernsey é uma incógnita mas é a partir da primeira carta que a história da Sociedade Literária começa a se desvendar.

A Sociedade Literária e Torta de Pele de Batata de Guernsey foi criada com o intuito de encobrir os jantares regados a carne de porco dos moradores de Guernsey durante a invasão - A aquela altura da guerra, comida se tornou extremamente escassa e os soldados alemãs confiscavam parte dos alimentos para consumo das tropas. Mrs. Maugery teve a idéia de esconder porcos no porão e uma vez por semana, convidava amigos e moradores próximos que sabia estar passando por dificuldades, para participar do banquete. Numa dessas noites, Elizabeth McKenna, Dawsey e John Booker foram flagrados pelos soldados alemães voltando para casa (desrespeitando o toque de recolher)... a esperta Elizabeth rapidamente bolou uma desculpa, estavam na casa de Mrs. Maugery participando de uma Sociedade Literária.

Notícias da Sociedade Literária chegaram aos ouvidos dos oficiais alemães que prometeram uma visita. Elizabeth e Mrs. Maugery não viram outra solução senão a de comprar e emprestar o maior número de livros possíveis e "fingir" ter uma Sociedade Literária caso os oficiais aparecessem... E assim aconteceu a primeira reunião... E desde então, uma vez por semana os moradores se reunem, mesmo depois da partida dos alemães e do fim da guerra porque no final, cada um descobriu uma paixão secreta pela leitura. Leitura de qualquer tipo, alguns liam livros de receitas, outros de agricultura, outros preferiam as biografias, outros as poesias... os romances, os históricos... cada um descobriu sua identidade literária, argumentando e defendendo suas idéias e pontos de vistas.


"Após dois membros terem lido o
mesmo livro, eles argumentam, o que é o nosso grande deleite. Nós lemos
livros, conversamos livros, argumentamos sobre os livros, e nos tornamos mais e mais queridos um pro outro." (Pag. 51)
Will Thisbee foi responsável pela inclusão de "Torta de Pele de Batata - Potato Peel Pie", porque ele não viria para reuniões se não tivesse comida, e por causa da escassez de alimentos, Will criou a torta de pele de batata: purê como recheio, beterraba escorrida para adoçar e pele de batata para crosta.

Convidada pela TIMES para escrever um artigo que viraria livro, Juliet tem a idéia de escrever sobre a Sociedade Literária, sua criação e a II Guerra do ponto de vista de Guernsey. Recebe dezenas de cartas de outros moradores contandos suas experiências sobre a guerra e como tornaram-se membros da Sociedade Literária. Aos poucos Juliet foi se envolvendo com a história da ilha, compartilhando as emoções dos escritores. Sua curiosidade foi tanta que decidiu visitar Guernsey e nunca mais saiu de lá.

Não posso esquecer de mencionar a heroína da história - Elizabeth - todos os correspondentes tinham uma história pra contar que envolvia Elizabeth, sua coragem desafiadora, sua rebeldia e sua luta para ajudar os moradores de Guernsey, criticada por muitos e amadas por tantos outros, Elizabeth tem sua história contada através da vida daqueles a quem ela ajudou. Foi aprisionada e deportada para um campo de concentração alemão mas deixou um fruto... Kit, sua filha. Fruto de sua paixão por um soldado.

Nunca é possível conhecer os verdadeiros dramas de uma guerra a não ser que se seja um dos personagens... pouco se sabe do sofrimento daqueles soldados alemães também, quando falam de II Guerra Mundial, falam do massacre aos judeus, falam de Hitler e se tem uma coisa que me irrita (e já irritava antes mesmo de ler esse livro) é o fato de parecer que os judeus estão sempre tentando esfregar na cara do mundo o quanto sofreram naquela guerra.

Veja bem, não sou contra judeus, não estou dizendo que os atos cometidos contra eles não são repulsivos e cruéis... SIM, são. Mas também não se pode esquecer que eles não foram os únicos a sofrerem com a II Guerra, muitos franceses, italianos, ingleses, e os próprios alemães, foram mortos e torturados e tiveram suas famílias desfeitam por causa da guerra. E nem todos os alemães concordavam com as ações de Hitler, nem todos os seus soldados foram cruéis e desumanos e muitos estavam ali para evitar que suas famílias fossem massacradas pela Fúria.

E Elizabeth sabia desse fato, sua paixão por Christian Hellman não foi uma traição aos seus princípios e ideais. Planejavam casar quando a guerra terminasse, e o fariam, se o navio alemão que levava Christian de volta a Alemanha não tivesse naufragado.

Juliet tem uma ligação forte com a história de Elizabeth, e consequentemente com Kit, cuidada com tanto amor e atenção por todos os amigos de Elizabeth, que a protegem e educam.

A vida em Guernsey é simples, vida de interior, mas é tudo que Juliet precisa depois de anos na loucura de Londres. Morando na casa que um dia fora de Elizabeth, Juliet tenta pensar como ela, sentir como ela, para escrever seu livro com Elizabeth como narradora, tem esperanças de que Elizabeth voltará a qualquer momento para retomar a vida onde parou... No final descobrem que Elizabeth fora morta no campo de concentração. Kit agora órfã é adotada por Juliet, que nega o pedido de casamento de Mark... e no final casa com Dawsey.

É incrível como o leitor termina com uma relação de intimidade com os personagens do livro, parece que os conhecemos de longa data, parecem nossos amigos de infância. É uma história de sobrevivência e heroísmo, de traumas e sofrimento mas ao mesmo tempo engraçada e tocante. Uma linda celebração à Leitura e como ela ajuda a aproximar as pessoas em tempos difíceis.


"Isso é o que eu amo em livros: uma coisinha te
interessa em um livro, e essa coisinha vai te levar a outro livro, e alguma
outra coisinha lá vai te levar a um terceiro livro. É geometricamente
progressivo - tudo sem um final a vista, e não por outro motivo a não
ser puro prazer." (pag. 12)
Vale muito a pena ler!


Alguns dos livros citados em The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society:
- Selected Essays of Elia (Charles Lamb)
- Selected Letters (Charles Lamb)
- Wuthering Heights/O morro dos ventos uivantes (Emily Bronte)
- The Pickwick Papers (Charles Dickens)
- Ill-Used by Candlelight (Amanda Gillyflower)
- Jane Eyre (Charlote Bronte)
- Agnes Grey (Anne Bronte)
- Shirley (Charlotte Bronte)
- The Tenant of Wildfell Hall (Anne Bronte)
- Selections from Shakespeare
-Poetry (Wilfred Owen)
- Poems (William Wordsworth)
- The Oxford book of Modern Verse (W. B. Yeats)
- The Letters of Seneca (Lucius Seneca)
- Past and Present (Thomas Carlyle)
- Meditations (Marcus Aurelius)
- Elspeth the Lisping Bunny (acredito que Shaffer ou Barrows inventou esse, porque não achei em lugar nenhum, a não ser no livro! - com esse título também, há de se esperar - Elspeth o Coelho da Língua Presa)
- Pride and Prejudice (Jane Austen)
- The Canterbury Tales (Geoffrey Chaucer)
- The Sir Roger de Coverley Papers (Joseph Addison & Richard Steele)

Friday, August 28, 2009

Esperança


As vezes parece que nossos problemas são os únicos e maiores do mundo...
As vezes parece que as forças acabam e os músculos são inúteis...
As vezes parece que as palavras positivas são em vão...
As vezes um abraço e um olhar não são suficientes...
As vezes parece que ninguém escuta os gritos do nosso coração...
Mas quando, no que parecia mais um dia desanimador, tem-se a oportunidade de presenciar um nascer-do-sol como esse...
Ah! As esperanças se renovam... renovam-se porque Alguém, não se sabe quem e não se sabe de onde... Decidiu me desejar TENHA UM ÓTIMO DIA da maneira mais deslumbrante!

Esse Alguém eu chamo de PAI!

Obrigada PAI por nunca esquecer de mim e por "renovar minhas esperanças ao amanhecer!"
Foto: celular - San Jose, CA - 08/28/2009 - 6:30 a.m.

Monday, August 24, 2009

Madame Bovary (Gustave Flaubert)


De tanto ouvi falar das controvérsias de Emma Bovary e a polêmica do real intuito de Flaubert ao escrever a história, decidi ler o livro e tirar minhas próprias conclusões.
Madame Bovary... por onde começo?
A história começa e termina com a vida de Charles Bovary. Charles foi, desde criança, average! Nunca foi o melhor, também não era o pior. Aquele sempre em cima do muro. Introvertido, na média, foi acostumado desde pequeno a ser mandado, a obedecer, a nunca tomar decisões por si, cresceu solto pelos campos do interior, enquanto as outras crianças estudavam, Charles perambulava.
O pai, Sr. Bovary, quase sempre bêbado, pouco se importava com educação, nunca se deu o trabalho de enviar o filho a escola, o que só acontece quando Charles completa 12 anos, e por causa dos arranjos da mãe, Sra. Bovary, a grande incentivadora, nunca desistiu do sonho de ver o filho ser alguém. O caráter de Charles é compreendido em seu primeiro dia de aula, atrapalhado e tímido, a professora pergunta seu nome: Charbovari.

Quando Charles entrou para a escola de Medicina (antes mesmo de terminar os estudos básicos) fica evidente sua ignorância, dos livros pouco compreendia, não importa o quão atento tivesse, não entendia patavinas das aulas assistidas. Levou a sério no início, até gazetar a aula prática no hospital, no próximo dia outra aula... Não mais voltou.

Com o esforço da mãe, Charles volta ao estudo e termina a faculdade para virar um médico medíocre de uma cidadezinha do interior. A mãe decide que o filho precisa casar. É ela quem encontra a esposa, a viúva de um oficial de justiça, feia e magra, de 45 anos e boa pensão.

Conhece Emma quando presta serviços ao pai Sr. Rouault de Les Bertaux, que havia quebrado a perna. Emma Rouault, uma adolescente do interior educada em colégio de freiras, a mãe falecera há 2 anos, governa a fazenda do pai, que Charles acreditava ter posses. Pouco conhece do mundo e do pouco que conhece, aprendeu lendo livros - romances, para ser mais precisa. Achava Charles inteligente, por ser médico e por ler. Charles, encantado pela beleza, doçura, inteligência e elegância de Emma, não consegue esconder seu interesse pela jovem, Sr. Rouault vendo em Charles um bom pretendente para a filha, tenta mantê-lo por perto.

A esposa de Charles, enciumada pelas frequentes visitas do marido a Les Bertaux mesmo após a recuperação do paciente, aumenta as reclamações em relação a sua saúde, morre algum tempo depois e em menos tempo ainda acontece o casamento de Emma e Charles.

O desencanto de Emma acontece nos primeiros meses de casada. Charles era completamente apaixonado e encantado pela esposa, admirava tudo em Emma, que por sua vez começou a criar uma aversão e antipatia pelo marido. Imaginava a vida de casada como um romance, cheio de aventuras e emoção, perguntava-se se não teria um meio, por chance do destino, de conhecer um outro homem e imaginava-se nesses eventos irreais, nessa vida diferente, com esse marido que não conhecia, como seria? Nenhum deles se parecia com o marido que tinha.


"Meu Deus, porque casei?" (...) Mas sua vida era tão fria
quanto um sótão exposto ao lado norte, e tediosa, aquela aranha silenciosa fazia teias em cada canto escuro do seu coração"
(Pag. 63).
Responsável pelas finanças do marido, Emma aproveita-se da posição para tentar aliviar seu tédio e rotina, muda o estilo do cabelo por diversas vezes, faz assinatura de revistas de moda francesas, compra vestidos da moda, chales, lenços, livros e livros (romances), decide aprender italiano, compra dicionários, gramáticas. Tenta ler livros mais sérios, História e Psicologia. Redecora a casa, o guarda-roupa de novo. Toda bem vestida, as vezes passava a dia inteiro sentada no sofá... fazendo nada. Quando Charles é convidado para um jantar na casa do Visconde, Emma sente, pela primeira vez, o gostinho da corte francesa. O luxo, a pompa, a elegância dos vestidos e da maneira das mulheres ali presentes... sente inveja daquela vida, é isso o que quer pra si. Lembra daquela noite por dias e dias, desejando reviver aquele momento, mas logo sua vida volta ao tédio de sempre. Anos se passam e Emma não dá a Charles um herdeiro.

Charles considera Emma uma esposa perfeita, sempre elegantemente vestida, cheirosa, a casa e o jantar bem servido... quando nota a mudança de atitude de Emma, acredita que a esposa esteja doente, chora, escreve e pede pela companhia da mãe. Sra. Bovary o aconselha a ser pulso-firme, acredita que os livros contaminam os pensamentos de Emma.


"Lendo novelas, livros demoníacos, livros contra
religião em que eles fazem graça de pastores e citam Voltaire (...) Uma pessoa sem religião sempre acaba mal."
(pag. 133)

Decidem mudar de cidade, novos ares (segundo Charles) farão bem para a saúde da esposa. Charles aceita emprego em Yonville, Sr. Homais, o farmacêutico da cidade corre risco de ter sua licença cassada por estar atuando como médico sem permissão. Emma está grávida.

Homais é tudo o que Charles não é, corajoso, inteligente e sempre em busca de novos conhecimentos, ler compulsivamente e escreve uma coluna para o jornal Rouen Beacon. Está sempre atualizado com as novidades científicas. Imagino Homais como um homem hiperativo, daqueles que não consegue para quieto e se parar, sua mente está a milhões por hora.

Emma conhece Léon, estudante de Direito, apaixonado por Literatura e Paris, tornam-se amigos inseparáveis. Léon logo fica atraído por Emma que finge não saber dos sentimentos do amigo. Admira Léon, fisicamente ele (também) é tudo o que Charles não é, veste-se bem, é elegante, inteligente, bonito, ama ler, mas não acredita estar apaixonada por ele... "Amor, acreditava ela, deveria chegar com tudo ao mesmo tempo com trovões e relâmpagos (...) e mergulhar o coração inteiro num abismo... Ela não sabia que a chuva cria lagos no telhado de uma casa quando a calha está obstruída, e ela continuou segura em sua ignorância até encontrar uma rachadura na parede" (pag. 111)

Por vezes imagina como seria ter um amante, e orgulha-se disso, quer se sentir desejada por outros homens. Arruma-se e perfuma-se para encontrar Léon, ler livros pensando em discuti-los com Léon. Estão sempre juntos, quando não se encontram no restaurante, encontram-se na casa de Emma, com a desculpa de que Léon veio visitar Berthe (a filha de Emma e Charles) despertando comentários (e fofocas) dos outros moradores da cidade. Charles nunca desconfia. Léon torturava-se a planejar um modo de declarar seu amor por Emma, já não conseguindo esconder seus sentimentos e por temer não ser correspondido, Léon decide partir para Paris.

Emma já não toma conta da filha, passa seus dias reclusa em seu quarto, lendo seus livros... começando e deixando-os pela metade. Novamente passa a gastar o dinheiro da família renovando seu guarda-roupa, renovando a casa com o que vê nas revistas, na ultima moda em Paris. Sr. Lheureaux após várias tentativas, convence Emma a comprar suas mercadorias trazidas de Rouen, nunca aceita os pagamentos, sempre fiz que acertarão depois. Emma cai nas armadilhas de Lheureaux e endivida o marido.

Conhece Roldolphe Boulanger, um rico solteirão, proprietário de uma fazenda nas proximidades. Acostumado a ter qualquer mulher que desejasse, Rodolphe encantando por Emma, decide seduzí-la. Aproxima-se de Chalres, descobre o covarde e ignorante que é, e usa da "inocência" do marido para ter acesso à esposa. O que atrai Emma é o conhecimento de mundo de Rodolphe, sua vida na corte francesa, é culto, intelectual... Quando o fato é consumado, Emma se olha no espelho e vê em si uma mulher diferente. Uma mulher que trai e sente prazer com isso. O romance começa bem, são discretos, Rodolphe a trata como ela sempre desejou ser tratada até Emma estar completamente apaixonada por ele. Quando Rodolphe percebe que Emma é como todas as outras mulheres quando apaixonadas - romântica, sonhadora, boba - enjoa do romance, começa a tratá-la com indiferença e as vezes até com grosseria. Emma a princípio não nota, mas quando começa a ser evitada por Rodolphe, tenta fazer o mesmo. Dão um tempo, agem como meros conhecidos quando se encontram. Até se entregarem um ao outro novamente.

Emma gasta o dinheiro do marido comprando presentes para Rodolphe, endividando a família e assinando promissórias secretamente. Foge no meio da noite para encontrar o amante... encontram-se também no jardim da sua própria casa durante as madrugadas, com o avanço da intimidade entre os dois, Emma planeja fugir com Rodolphe, iriam para Paris, viajariam, conheceriam lugares. Marcam a data, Emma gasta outro tanto comprando o necessário para a viagem. Rodolphe, apesar de ter um sentimento por Emma, não pensa em abrir mão da sua vida de solteiro e sustentar Emma e sua filha, vai adiando o sonhado dia, viaja, desmarca, remarca, adia novamente, remarcam, e quando não mais consegue desculpas para adiar, deixa os planos correrem. Emma recebe uma carta no dia da fuga, no sótão ler as palavras de Rodolphe que não quer estragar a vida da amada, partirá sem ela e talvez um dia sentarão como amigos e rirão de tudo que viveram.

Emma cai em profunda depressão, meses na cama para desespero de Charles. O padre da cidade aproveita a oportunidade pra influenciar Emma a seguir sua religião... e tem sucesso... Emma se torna uma religiosa, comprando objetos religiosos, mudando sua postura, passa horas na igreja "rezando", as pernas doloridas de ficar em pé... a espera de uma resposta sem ter feito a pergunta.

Quando nota uma melhora, leva Emma para Rouen para distração, a conselho de Homais. No teatro, Emma reencontra Léon, no dia seguinte Charles parte e Emma fica. Léon e Emma começam um romance. Com a desculpa de ter aulas de piano, Emma viaja para Rouen toda Quinta para encontrar Léon. Mais promissórias são assinadas enquanto Emma compra presentes para o amante. A princípio Léon pagava pelo hotel mas como não tinha muitos recursos é Emma quem passa a financiar as despesas totais das visitas. Meses se passam e Emma começa a enjoar do romance, vira uma rotina mas não tem coragem de terminar o relacionamento. Charles quase descobre a farsa de Emma quando um dia encontra a suposta professora e esta diz nunca ter conhecido Emma, a esposa consegue provar o contrário ao marido. Ignorante de todos os fatos, Charles nem imagina o tamanho da dívida feita pela esposa.

Lheureaux encontra Emma e Léon em Rouen e a chantageia. Com todas as promissórias em mãos, Lheureaux contrata um advogado para, em Corte, exigir o pagamento das dívidas. Ao receber a Citação Judicial exigindo o pagamento ou teriam os bens cassados, Emma se desespera, implora a Lheureaux para cancelar a Ação, negado. Chega a se humilhar a Rodolphe, negado. Pede para Léon emprestar do chefe.

A conclusão... sem ter de onde conseguir o dinheiro para pagar Lheureaux, Emma vai a casa de Homais, o farmacêutico, toma arsênico e agoniza até a morte.

Após a morte de Emma, Charles se deixa levar pela vida... já não atende seus pacientes, perde contato com a sociedade local, vai perdendo aos poucos os pertences, a mãe já não o ajuda porque mesmo após descobrir as traições de Emma, Charles ainda a tem como perfeita. Sente-se culpado por não ter conseguido fazer Emma amá-lo. Charles morre pouco tempo depois, a filha (Berthe) é enviada para os cuidados da avó, que também morre algum tempo depois... como o avó (pai de Emma) está velho e paralítico, Berthe foi enviada para os cuidados de uma tia pobre, que enviou a menina para trabalhar numa fazenda de algodão para sobreviver.

Eu não simpatizei com Emma desde o início: imatura, sonhadora, inocente (no início) e inexperiente, almejando um mundo de ilusões inatigíveis, sem conseguir separar realidade e ficção, deseja o romance dos livros e acredita ser possível, busca (o que não é ruim). Com o passar do tempo vira uma pessoa dissimulada, incontrolável, não sabendo lidar com seus sentimentos nem o dos outros... o fato de ela gostar de Literatura não me fez mudar de idéia, piorou quando se percebe que ela usa a os livros pra fugir da sua realidade e aceitar como verdade, no caso de Emma, os livros são vistos como influência negativa e de certa forma prejudiciais a sua daúde.

Não posso deixar de citar seu comentário sobre o prazer de ler, e creio que jamais alguém o explicou de melhor forma: "Sem deixar seu assento você passeia por paisagens imaginárias, e seus pensamentos se misturam com a história, prolongando-se por detalhes ou saltando adiante com a trama. Sua imaginação se confunde com os personagens, e parece que eles são parte do seu próprio coração, batendo dentro de suas roupas." (pag. 97)

No fim, Emma decide buscar o mesmo destino de Anna Karenina (Tolstoy) e Edna Pontellier (Chopin)... é de se esperar que uma mulher insegura, egoísta e covarde busque tal destino, Emma não sabe enfrentar a realidade. Podendo escolher dizer a verdade, confessar a Charles suas falhas e receber seu perdão, e ambos buscar uma solução para o problema... Emma deixa claro que jamais faria diferente. Emma tinha certeza que Charles a perdoaria e é exatamente isso o que não suporta. O fato de Charles não ter iniciativa, de ser covarde e aceitar sua vida medíocre e simples. Emma odeia Charles por não desejar ter mais ou ser mais, fato piorado pela terrível experiência da cirúrgia do pobre Hipólito, que no fim teve de ter a perna amputada. Até aquele ponto, Emma ainda tentou buscar um motivo para "gostar" do marido, após o incidente, o marido é visto como um nada.

Alguns estudiosos dizem que os personagens em Madame Bovary foram baseados em pessoas reais, Gustave Flaubert realmente teria viajado por todos os lugares mencionados e experienciado alguns dos momentos, e investigado fatos de terceiros para tê-los no livro.

Flaubert é bastante descritivo, os cenários são minuciosamente datalhados, o leitor se sente na história. Sente-se pena por alguns, indignação por outros, é uma confusão de sentimentos que faz da obra uma delícia de ler. As vezes se torna cansativo porque o livro é longo e Flaubert realmente encheu as páginas com detalhes, levei quase 1 mês lendo mas vale a pena!

* Livro da Lista Rory Gilmore.

Sunday, August 9, 2009

Memoirs of a gueisha (Arthur Golden)



"Desde que mudei para Nova York aprendi o que a palavra 'gueixa' realmente significa para os Ocidentais (...) 'Meu Deus... estou falando com uma prostituta...' E em minutos ela é resgatada por um rico homem, uns bons 30 ou 40 anos mais velho que ela. Bem, eu frequentemente me pergunto porque ela não percebe o quanto nós duas temos em comum".

(pag. 291)

Memórias de uma gueixa conta a história de Sayuri, nascida em Yoroido, cidadezinha pesqueira na costa do Japão. Chiyo foi o nome recebido dos pais.

Chiyo e sua irmã mais velha, Satsu, foram vendidas pelo pai, Sr. Sakamoto, um pobre pescador, ainda quando crianças. Com a mãe a beira da morte, Sakamoto fora convencido pelo Sr. Tanaka que prometera um futuro melhor às meninas.

"Senti tão machucada quanto uma pedra que tem as águas da
cachoeira caindo em si durante todo o dia"
(pag. 34)

Chiyo tinha todas as características físicas da mãe, inclusive a personalidade - Água era o seu elemento, presença inegável em seus olhos, azuis como o mar . Foi essa característica que dispertou o interesse do Sr. Tanaka. Por essa mesma razão foi odiada por Hatsumomo, protegida pela Tia, amada por Nobu, e admirada pelo presidente.

Comprada pela okiya Nitta, Chiyo chega a Gion em 1930. Satsu não tem a mesma sorte e é vendida para um bordel, vivendo como prostitua no subúrbio de Gion.

Desde sua chegada Chiyo aprendeu que sua vida não seria fácil, submissão, violência doméstica, humilhação, é preciso sempre lembrar que já se chega ali com uma dívida (a de ter sido comprada) e que cresce a cada dia a medida que se é alimentada, educada, vestida. Seu destino é virar uma gueixa para pagar suas dívidas e sustentar a okiya. Não é esse o futuro que Chiyo deseja e fará de tudo pra mudar seu destino.

Na okiya viviam Tia (responsável pela casa), Mãe (responsável pela educação e preparação das gueixas) e Avó (responsável por escolher a próxima gueixa e ser cuidada pelas mais novas). As duas últimas eram gueixas aposentadas, Tia não chegou a ser gueixa porque foi espancada pela Avó e fraturando o quadril, ficou inutilizada para o trabalho, é ela quem explica a vida na okiya para Chiyo, tenta lhe aconselhar a seguir as ordens para evitar espancamentos, protege quando pode.

Ali também moravam, Hatsumomo, que era a principal (e única) gueixa da okiya naquele período - ocupava o melhor quarto, recebia as melhores refeições, tinha privilégios e não deveria ser importunada; Abóbora (apelidada assim por Chiyo, por sempre colocar a língua para fora - e que por alguns anos seria a única amiga de Chiyo na okiya) e as criadas da casa.

"Meu tio (...) disse. 'Você é uma boa garota, mas também é muito
estúpida. Nunca vai conseguir sobreviver sozinha nesse mundo. Estou te mandando para um lugar onde as pessoas te dirão o que fazer. Faz o que eles mandarem, e eles sempre cuidarão de você'."
(Abóbora para Chiyo - pag. 53)


Enquanto sofre com as crueldades de Hatsumomo, Chiyo busca notícias da irmã; começa as aulas preparatórias para a carreira (aprendizes têm aula de canto, dança, instrumentos musicais, teatro, etc, etc), é habilidosa, aprende fácil e sente pena de Abóbora que mesmo tentando o seu melhor, não aprende. Descobre a irmã num bordel, entre lágrimas e desabafos planejam a fuga. Em uma semana, naquela esquina, tarde da noite.
"Elas usam kimono e ornamentos similares ao da
gueixa, mas seus obi (aquele grande laço amarrado à cintura do kimono) são amarrados na frente ao invés de ser nas costas. Nunca tinha visto antes, e não entendia, mas essa é a marca da prostituta. Uma mulher que precisa amarrar e dasamarrar a noite toda não deve se dá ao trabalho de amarrar às costas de novo de novo."
(pag. 83)
Como uma aprendiz de gueixa, Chiyo acompanha Mãe na preparação de Hatsumomo para as festas, observa o porque e como deve-se maquiar, também é responsável pela recepção de Hatsumomo à noite quando a mesma volta das Casas de Chá.

"E uma Casa de Chá, você vê; é o lugar onde homens vão para serem
entretidos por gueixas"
(pag. 81)

Próximo ao dia da fuga Chiyo descobre Hatsumomo e seu namorado escondidos em um dos quartos, aceita inocentemente o dinheiro oferecido sem saber que seria acusada de roubo. Enquanto é espancada pela Mãe conta o segredo de Hatsumomo, além de pagar pela suposta jóia roubada é proibida de deixa a okiya. Na noite marcada para a fuga, tenta fugir pelo telhado durante a madrugada, quebra o braço ao cair.

Por todas as despesas causadas, e agora com o braço quebrado, seu futuro como gueixa é cancelado pela Avó, será condenada a vida de criada. Abóbora é a nova oficial aprendiz e o treinamento com Hatsumomo começa. Os meses passam, sem notícias da irmã, destratada por Mãe, humilhada por Hatsumomo, inveja a nova vida de Abóbora com privilégios que deveriam ser seus, mas não culpa a amiga. Cai mais uma vez nas mãos de Hatsumomo quando esta, após roubar um kimono de sua inimiga Mameha (uma das gueixas mais famosas e requisitadas de Gion) faz Chiyo destruir o kimono, usando uma espécie de tinta e entregá-lo de volta. No dia seguinte, Mameha vai a okiya, conta o acontecido a Mãe, Hatsumomo joga a culpa em Chiyo que deve pagar pelo kimono... aumentando sua dívida.

Recebe uma encomenda do Sr. Tanaka, na caixa há uma carta e os pertences religiosos da família. A mãe morrera 6 semanas após a partida das filhas e poucas semanas depois, morrera o pai Sr. Sakamoto. Soube que a irmã teve sucesso na fuga, voltando para Yoroido e fugindo em seguida com Sr. Sugi, seu namoradinho de infância.
"O treinamento de aprendiz de gueixa é um caminho
árduo. Entretanto, essa humilde pessoa que vos fala é completamente admiradora daqueles que deixam de lado seu sofrimento e se transformam em artistas. (...) Dá-me enorme satisfação saber que um lugar seguro foi encontrado para você Chiyo, e que não serás forçada a sofrer anos de incerteza"
(Carta Sr. Tanaka para Chiyo - pag. 103)

Órfã, totalmente sozinha no mundo, Chiyo se arrepende dos erros que cometeu, da oportunidade perdida, sente ainda mais inveja das outras meninas que vê nas ruas, caminhando com suas roupas de aprendizes (sim! para cada estágio da vida de aprendiz, há um estilo/cor diferente de kimono, de penteado, de acessórios... é como são identificadas). Desde que chegou a Gion manteve esperanças de que voltaria para casa e para os pais e viveriam aquela simples vida na cidade pesqueira. Vivia metade em Gion e metade nesse sonho de voltar para casa.
"É por isso que sonhos podem ser perigosos: eles latejam como fogo, e algumas vezes consomem a gente por completo" (pag. 106)
Mas Chiyo tinha como elemento a Água, e "água flui de lugar para lugar rapidamente, e sempre encontra uma fenda para passar através" (pag. 9). Vários sinais lhe davam esperança de que o curso da sua vida mudaria, teve sonhos, o homem barbado do sonho revelou que a mudança viria - "presta atenção naquela coisa que se mostrará para você. Porque aquela coisa, quando encontrares, será o seu futuro" (pag. 108).

Completou 12 anos, as feições de mulher apareciam em seu rosto e seu corpo. Ainda esperava o sinal, por vezes sua esperança falhava, o sinal deveria ser o castido de ver as meninas de sua idade avançarem na vida enquanto ficaria para trás. A vida delas tão cheia de propósitos, até a água tem propósito ao seguir o curso do rio... e ela? "Uma ilha abandonada no meio do oceano, sem passado com certeza, mas também sem futuro" (pag. 110)... enquanto esses pensamentos a invadiam em meio a praça pública, as lágrimas correm em seu rosto, ouve uma voz...

Um homem qualquer jamais prestaria atenção em uma garota como ela, vestida como criada e ainda a chorar como boba, quem seria? Ele a silenciou, entregou-lhe um lenço para secar as lágrimas, dinheiro para comprar sorvete. Após a conversa, partiu, chamado por uma gueixa. Jamais esqueceria aquele largo e calmo rosto, macio e sereno, provavelmente 45 anos, com cabelos grisalhos penteados para trás. Parecia tão elegante para ela. A gueixa o chamou de presidente Iwamura. "Senti como se ele pudesse ver dentro de mim, como se eu fosse parte dele" (pag. 113)

Desde aquele encontro Chiyo transformou-se de uma garotinha perdida diante de um futuro incerto para uma garota com propósito na vida. Seria uma gueixa, não sabia como convenceria a Mãe, mas, se para rever o presidente Iwamura precisaria virar uma gueixa, uma gueixa seria.

Meses depois, Avó morre eletrocutada pelo aquecedor. Centenas de conhecidos, gueixas e amigos vêm para o funeral, incluindo Mameha, Chiyo tenta se esconder, envergonhada, não queria ser reconhecida por ter arruinado seu kimono. Mameha a chama, a observa e nota seus olhos - "Ela olhava para mim com uma expressão peculiar - concentrando em alguma coisa, é o que parecia" (pag. 118). Dias depois é secretamente convidada para visitar Mameha. Ela deseja ser a "Irmã mais velha" de Chiyo.

O que acontece é que, quando uma aprendiz chega ao ponto mais avançado dos seus estudos e está preparada para fazer sua introdução/debut como uma noviça para a "sociedade", ela precisa ter estabelecido um relacionamento com uma gueixa experiente. Quando duas garotas (aprendiz e gueixa) são reconhecidas como "Irmãs", elas participam de uma cerimônia como um casamento. No final elas são consideradas quase como membros da mesma família, chamando uma a outra de "Irmã mais velha" e "Irmã mais nova".

Quando a "irmã mais velha" faz um bom trabalho, ela se transforma na figura mais importante na vida da "irmã mais nova" uma vez que, é a "irmã mais velha" que a introduz e apresenta às donas da casa de chá, às festas de chá, aos clientes das casas de chá e demais eventos sociais. Caso as donas da casa de chá e os clientes apreciem a "irmã mais nova", elas serão contratadas para determinadas festas e a okiya receberá o pagamento pelos serviços prestados. É como funciona a parte financeira da vida das gueixas. É importante também ter a simpatia dos clientes das casas de chá porque, mesmo se a aprendiz não for chamada pela casa de chá, caso o cliente exija sua presença, a casa é obrigada a contratá-la para agradar o cliente, que paga somas exorbitantes por sua presença.

Quando a "irmã mais nova" tem mau comportamento, a "irmã mais velha" é tida como responsável uma vez que todos em Gion se beneficiam quando uma aprendiz tem sucesso. A aprendiz paga por seus débitos e, caso tenha sorte, acabará amante de um homem rico. A "irmã mais velha" se beneficia recebendo uma parte dos ganhos da "irmã mais nova". E logicamente as Casas de Chá recebem uma parte do pagamento que os clientes fazem pela presença das gueixas. O benefício é também do cabeleleiro, as lojas de ornamentos, os fabricantes de kimono, etc.

Chiyo volta para a escola e corre contra o tempo para avançar, tem aulas particulares com Mameha, treina em casa nos tempos livres com Abóbora enquanto ainda trabalha como criada. Uma guerra é travada entre Hatsumomo e Mameha. Hatsumomo é "irmã mais velha" de Abóbora, que já bastante avançada, tem sua cerimônia de introdução, Chiyo deseja estar no lugar de Abóbora, todo o cuidado e dedicação a ela prestados, todo o zelo por suas vestimentas e aparência fazem com que Chiyo tenha mais e mais vontade de ser uma gueixa e ser tratada como elas.

A amizade entre Chiyo e Abóbora termina aqui, proibida por Hatsumomo, Abóbora deve obedecer a "irmã mais velha" e jamais dirigir a palavra a Chiyo. O tempo passa e a ansiedade por sua introdução aumenta. Mameha deseja ter certeza que a aprendiz está pronta.

Com Mameha, Chiyo aprende o que é ser verdadeiramente uma gueixa:

- Uma gueixa de sucesso não é aquela que está em todas as festas de chá mas sim aquela que ganha sua independência - tem sua própria coleção de kimonos, é adotada como "filha da okiya" - é aquela que tem poder sobre sua vida;

- Há homens que não se satisfazem apenas em flertar ou ser entretido e querem algo mais - uma gueixa de verdade nunca sujará sua reputação fazendo-se disponível para homens após as festas. Uma gueixa que toma essas riscos deve pedir pra não ser descoberta. Sua reputação estará certamente em perigo. Namorados também não são permitidos, um homem rico jamais pagará pelo que pode ter de graça.

- Gueixas podem ter um danna - é de onde vem o dinheiro de verdade - arranjos com um rico danna provavelmente ajudará a pagar parte dos débitos da gueixa na okiya, cobrir grande parte de seus gastos mensais (maquiagem, estudos continuados e médicos). Para isso o danna terá certos privilégios. Com sorte, alguns dannas pagam todas as despesas da gueixa (registro de gueixa anual, alimentação, dinheiro para outros gastos mensais, patrocinar recitais, presentear com kimonos e jóias) - como acontecia com Mameha, o Barão era o seu danna.

O sinal é recebido quando Chiyo faz um entregador de refeições cair da bicicleta com um olhar. Sua primeira experiência com o penteado de aprendiz é traumatizante e dolorida - as gueixas lavam o cabelo apenas 1 vez por semana, dormem com o pescoço elevado por uma espécie de coluna de madeira para evitar amassar o penteado... nos primeiros dias pó de arroz é colocado no chão ao redor de suas cabeças, caso elas virem durante a noite, terão seus cabelos sujos e deverão voltar ao salão no dia seguinte para mais uma sessão de tortura - em poucos dias a dor faz com que aprendam a dormir na mesma posição a noite toda.

Após a cerimônia Chiyo passou a ser Sayuri (o lenço do presidente escondido em seu obi) e suas noites eram destinadas a andar de Casa de Chá para Casa de Chá com Mameha, ser apresentada aos clientes, ouvir as conversas das gueixas mais experientes e aprender. Hatsumomo jamais a deixaria em paz, espalhava rumores denegrindo sua reputação por onde passasse.

Mameha começou a evitar Casas de Chá onde Hatsumomo pudesse estar ou ir, parecia que a guerra estava sendo perdida. Mameha tenta apresentar Sayuri para os clientes mais influentes, mais ricos, já visando encontrar um danna para a irmã mais nova. É quando Sayuri reencontra o presidente, acompanhado do diretor da sua empresa - Iwamura Elétricos - Nobu.

Nobu era um homem marcado pela guerra Russo-Japonesa. Sofreu queimaduras severas no rosto e teve parte do braço amputado após uma explosão. Sua aparência física era medonha e quando Mameha propôs que Sayuri dedicasse toda sua atenção à Nobu, a decepção não pode ser negada.

O plano de Mameha era tentar desviar a atenção de Hatsumomo, que apelidou Nobu de Lagartixa (pela aparência da pele queimada). Mameha sabia que Hatsumomo aliviaria a pressão para com Sayuri se soubesse que a menina era alvo das atenções daquele homem "feio e defeituoso". Em pouco tempo Sayuri se torna a favorita de Nobu, apesar de muitas vezes ser tratada rude e indelicadamente por ele.

Chega o período para a venda da Mizuage (virgindade) de Sayuri. Mameha corre contra o tempo para atrair a atenção dos bons e certos candidatos, entre eles Nobu, Dr. Carangueijo e para sua surpresa o Barão (deu próprio danna). Mesmo com todas mentiras e armações de Hatsumomo, o Barão oferece o maior valor mas Mameha diz ter sido Dr. Carangueijo, o mesmo que pagou caro pela mizuage de Mameha e muitas outras famosas gueixas do passado. O preço mais caro pago até então pela mizuage de uma gueixa, Sayuri é famosa em Gion.

Sea foto em panfletos anunciando o festival de dança anual estão espalhados por toda a cidade, aumentando a raiva de Hatsumomo e abrindo os olhos da Mãe para os benefícios que Sayuri trará à okiya... em breve será necessário escolher quem será a filha adotada pela casa. Mãe não havia adotado Hatsumomo até então porque, adotá-la seria como libertar um tigre da jaula, com todo o poder em mãos, a segurança da Mãe e Tia estariam em perigo. Hatsumomo poderia expulsá-las e ter a okiya para si. Caso Abóbora seja a escolhida, o futuro de Hatsumomo está garantido, teria sempre uma casa e receberia parte dos lucros da "irmã mais nova". Porém, o sucesso de Sayuri era uma ameaça aos seus planos.

Em 1938, aos 18 anos de idade, Sayuri passa ao posto de gueixa, na cerimônia chamada de "virando o colar". Agora como gueixa, Sayuri poderia ter um danna. Foi-lhe dado o maior quarto da casa, Hatsumomo e Abóbora dividiam o quarto ao lado. Como a principal gueixa da casa, Sayuri recebe os tratamentos que sempre invejou.
"Nós não nos tornamos gueixas para ter uma vida satisfatória. Tornamo-nos gueixas porque não temos escolha" (pag. 294)
Nobu exigia a presença de Sayuri em todas as casas de chá que estivesse. Era do conhecimento de todos sua oferta para ser o danna de Sayuri, o acordo deveria ser fechado em breve. Porém, para seu desapontamento, General Tottori foi escolhido ao invés.

A escolha da Mãe foi fácil de entender. Com uma guerra iminente, ter um General ao seu lado significaria menos privações. Nobu não mais requisitou a presença de Sayuri após o anúncio de seu danna. Até mesmo parou de frequentar as casas de chá em Gion. Sayuri encontrava o Presidente, que pouca atenção lhe dava.

Hatsumomo bêbada, descobre o diário de Sayuri e não é difícil identificar os nomes secretos ali escritos. Também encontra o lenço do presidente, o amor secreto e platônico de Sayuri está em perigo. Sentindo-se invadida, Sayuri decide também invadir o quarto de Hatsumomo e em meio as suas jóias, encontra o broche de esmeraldas que anos atrás Hatsumomo a acusou de ter roubado. Mostrando a Mãe, Hatsumomo é espancada. Em fúria, joga as tochas de fogo no chão, fazendo parte da okiya pegar fogo. É expulsa, jamais se soube dela. Alguns dizem que foi vista nos arredores de Gion, trabalhando como prostituta e morrera em seguida. Sayuri é adotada filha da okiya.

A depressão da Segunda Guerra aumenta as privações em Gion, a okiya Nitta é a única que ainda não sofre tanto, General Tottori continua enviando suplementos de chá, comida, até roupas para Sayuri.

Quando a Guerra explode, ninguém consegue escapar. O General é destituído do cargo. Com a okiya desprotegida, soldados invadem e confiscam os pertences mais valiosos. Miséria e fome. Sem trabalho, gueixas buscam por ajuda desesperadamente. Mameha consegue, através de seus contatos, emprego como enfermeira longe de Gion. Sayuri busca ajuda com o General, sem sucesso. Teme ser enviada para as fábricas de onde ouve-se tantos rumores de morte, bombeamento, poucos são os que sobrevivem quando são enviados às fábricas.

Nobu será a salvação de Sayuri, ele a procura e a envia para Sr. Arashino, o fabricante de kimono. Foram anos difíceis, de fome, medo, incerteza. É impossível descrever o sofrimento daquele povo em um resumo. Tem que ler o livro pra se ter noção. Mas no fim da guerra, Sayuri ajuda Sr. Arashino a fabricar kimonos novamente.

É Nobu quem a procura após todos esses anos, e a recruta de volta a Gion, Mameha havia regressado há quase 1 ano e reiniciado seu trabalho como gueixa. Abóbora trabalhava como gueixa e como prostituta em meio aos soldados americanos. Mãe conseguiu sobreviver a guerra fazendo troca e venda de mercadorias no mercado negro.

Nobu precisa da ajuda de Sayuri na conquista do Ministro, este será responsável por indicar uma empresa para o Governo Japonês. Com o dinheiro do contrato Iwamura Elétricos pode se reerguer e superar a crise da guerra. Nobu também ainda tem esperanças de ser o danna de Sayuri. Ela, ajuda Nobu mas não consegue suportar a idéia de ter Nobu como danna.

Até porque, caso Nobu torne-se seu danna, jamais terá chance de ter o amor do presidente. Nobu e o presidente são amigos de longa data, e este deve a vida da sua empresa a Nobu.

As Casas de Chá reabrem e aos poucos, as gueixas voltam ao seu trabalho. Sayuri convida Abóbora para algumas das festas. Totalmente diferente da tímida menina de outrora, Abóbora se transformou em uma gueixa vulgar e sem princípios.

Quando Sayuri pede para Abóbora trazer Nobu ao local marcado, Abóbora (que já havia notado o interesse de Sayuri pelo presidente) traz o próprio presidente ao invés. Os dois flagram Sayuri e o Ministro em intimidade. Abóbora, cheia de amargura, jamais perdoara Sayuri por ter roubado seu lugar e ter sido adotada como a filha da okiya. Percebe-se muito de Hatsumomo em Abóbora.

Sabendo do acontecido, Nobu jamais procura Sayuri. O presidente finalmente declara seu amor por Sayuri, escondido todo esse tempo por respeito ao amigo. Torna-se seu danna... após anos e anos de relacionamento, Sayuri decide mudar para Nova York em 1956, para evitar um escândalo na família do danna, e abre uma Casa de Chá na 5ª Avenida (tudo dá a entender que ela teve um filho com o presidente e esse foi o principal motivo para a mudança para NY e o afastamento dos dois).

Presidente Iwamura morre meses após sua última visita a Sayuri em Nova York, após anos de um relacionamento cheio de experiências, frustrações e claro, amor.

Memórias de uma gueixa é um dos melhores livros que já li, por mais que seja uma obra fictícia, foi resultado de anos de pesquisas e esclarece muitas informações que nós Ocidentais desconhecíamos ou acreditávamos verdadeiras. Eu sou uma que sempre acreditei que gueixas eram prostitutas, por pura ignorância dos fatos. A palavra "guei" de gueixa significa "arte", então gueixa significa artesã ou artista.

Como Mameha explicou para Sayuri, não há outra opção, se seus próprios pais te venderam para a okiya, e uma vez comprada, ou você se esforça para virar uma boa gueixa ou está condenada a uma vida de servidão e humilhação.

Aprende-se também que as gueixas mais antigas sofreram problemas de pele, como a Avó que tinha uma aparência horrível, a pele dos ombros e pescoço pareciam a pele de um frango cru, esburacada e amarela. Tudo porque a maquiagem usada no tempo delas, chamada de "Argila Chinesa", era feita de chumbo, que mais tarde descobriu-se ser altamente prejudicial.

Superstição também está presente durante toda a história, gueixas jamais tomam um passo sem antes consultar seu almanaque, Mameha e Mãe recorrem ao almanaque diariamente. O nome de Sayuri foi escolhido enquanto Mameha consultava sua guia espiritual e o almanaque. Até mesmo o dia das cerimônias de introdução tinham suas datas escolhidas de acordo com os dias ditos propícios pelo almanaque, bem como o dia da fuga de Satsu, mais tarde Sayuri aprendeu que aquele dia era totalmente propício para irmã e desastroso para ela.

O filme foi uma das maiores decepções que tive, tudo bem que o livro é super longo para contar a história toda e entendo, mas mudar a história é ultrajante. A essência dos personagens foi mudada, bem como o rumo da vida deles. Não sei como Golden consentiu o resultado final.

Memórias de uma gueixa é luminoso! Delicioso! Linda e elegantemente escrito, cheio dos detalhes que todos querem saber, com descrições que te fazem sentir parte da história, sofrer com eles, desejar o que eles desejam. Lírico, autêntico, exótico e extremamente tocante!